terça-feira, 29 de setembro de 2015

Marina começa a apresentar ‘ colheita’

• Ao receber Randolfe, ex- senadora diz que PT e PSDB estão estagnados

Fernanda Krakovics - O Globo

Ao assinar a ficha de filiação do senador Randolfe Rodrigues ( AP), que trocou o PSOL pela Rede Sustentabilidade, a ex- senadora Marina Silva afirmou que PT e PSDB estão estagnados, e que seu partido quer contribuir para melhorar a qualidade da política brasileira. Apesar de atacar o governo Dilma Rousseff, principalmente pela crise econômica, ela classificou como “oportunismo político” defender impeachment neste momento.

— Na década de 80, final de 70, o PT deu sua contribuição. Hoje é um partido que está estagnado. O PSDB fez a mesma coisa quando saiu do PMDB, mas hoje também vive os dilemas do crescimento deles próprios e de suas estagnações — disse Marina.

Até então único representante do PSOL no Senado, Randolfe disse que se distanciou do partido durante a campanha presidencial do ano passado. Ele queria ter disputado o Palácio do Planalto, mas o PSOL lançou a ex- deputada Luciana Genro.

— Desde o ano passado, durante a campanha eleitoral, a relação com o partido se deteriorou — disse ele que, mesmo assim, fez elogios ao PSOL.

Além de Randolfe, já migraram para a Rede os deputados federais Alessandro Molon ( exPT- RJ), Miro Teixeira ( exPROS- RJ) e Aliel Machado ( ex-PCdoB- PR). Segundo integrantes do partido, ao menos outros dois outros deputados federais podem se filiar ainda esta semana. Fundadora do PSOL, a vereadora por Maceió Heloísa Helena também se filiou à Rede, assim como os deputados distritais — o equivalente a deputado estadual pelo Distrito Federal — Cláudio Abrantes ( ex- PT), Chico Leite ( ex- PT) e Luzia de Paula ( ex- PEN). No Rio, a Rede recebeu o vereador Jefferson Moura ( ex- PSOL).

— Nós não temos feito abordagem pensando em quantidade, estamos buscando compatibilizar a quantidade e a qualidade. O importante é que esse é um momento de reafirmarmos nosso objetivo de dar contribuição para melhorar a qualidade da politica — disse Marina, que disputou a Presidência ano passado, pelo PSB.

Reforma ministerial é 'autodefesa' de Dilma para se livrar do impeachment, diz Freire em entrevista

Por: Fábio Matos – Assessoria do Parlamentar

A chamada “reforma administrativa” prometida pelo governo de Dilma Rousseff, com a suposta redução no número de ministérios e as negociações envolvendo o PMDB, maior partido da base aliada, é uma “autodefesa” da presidente da República, que vê seu mandato ameaçado pela abertura do processo de impeachment no Congresso Nacional. A avaliação é do deputado federal Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS, que participou nesta segunda-feira (28) do programa “Gente Que Fala”, da AllTV e da Rádio Trianon.

“A tal reforma administrativa foi transformada em um butim para tentar atrair um partido na tentativa de se livrar do impeachment. Não se trata de nenhum ajuste, mas de uma mera autodefesa”, afirmou o parlamentar em referência às conversas entre Dilma e o PMDB sobre o espaço do partido na nova configuração ministerial.

Além de Freire, compuseram a bancada do programa o advogado Alexandre Thiollier, o jornalista Antônio Carlos Cimino e o subprefeito de Vila Formosa, Aricanduva e Vila Carrão, Quintino Simões Pinto. A atração foi comandada pelo apresentador Zancopé Simões.

Segundo Freire, a proposta de ajuste fiscal encampada pelo atual governo não terá grande impacto para aliviar a grave crise econômica que atinge o país. “Das propostas feitas pelo governo, 90% são atribuição direta do Congresso. Dilma não fez praticamente nada de concreto”, criticou. “Esse ajuste não tem nada a ver com a retomada do crescimento da economia. Ao contrário, vai aprofundar a recessão.”

Impeachment
Para o deputado, apesar de buscar uma sobrevida política, a petista não deve ter condições de impedir a abertura de um processo de impedimento pela Câmara dos Deputados. “Há uma grave perda do senso de responsabilidade com a República. Isso não pode continuar. Mais dia, menos dia, vamos ter a instalação do processo de impeachment no Congresso Nacional. Já está encaminhado.”

O parlamentar estabeleceu uma comparação entre o momento atual e o período vivenciado pelo país às vésperas da destituição do ex-presidente Fernando Collor. “É importante lembrar que o impeachment não é algo inédito no país. São situações distintas, mas o processo tem similitudes com o que houve com Collor”, destacou.

Na entrevista, Roberto Freire classificou a situação atual do Brasil como “uma das maiores crises da história republicana” e “um desastre”. “O ministro da Saúde declarou hoje que não há recursos. O déficit não é só para o próximo ano. O Orçamento já não pode ser cumprido agora”, afirmou.

'Portugal Dentro de Nós'
Ainda nesta segunda-feira, o deputado Roberto Freire foi o convidado especial do programa “Portugal Dentro de Nós”, da Rádio Trianon, dedicado à comunidade portuguesa que vive em São Paulo. O parlamentar foi entrevistado pelos apresentadores Martins Araújo e Adriana Cambaúva.

“Quando começa a haver ingovernabilidade, o país não sabe para onde vai. Isso talvez traga mais prejuízo ao Brasil que retirar a presidente”, afirmou Freire sobre o impeachment. “Quem vai resolver a crise é a política, é o Parlamento. Será dele a última palavra sobre essa crise.”


Obra do Comperj para e mais 800 são demitidos

• Consórcio responsável pela construção da unidade de processamento de gás argumenta que crise econômica e câmbio inviabilizaram o contrato

Antonio Pita - O Estado de S. Paulo

Única obra do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) mantida no Plano de Negócios da Petrobrás para o período entre 2015 e 2019, a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) teve as obras paralisadas, nesta segudna-feira, 28, pelo consórcio responsável pelo projeto. Cerca de 800 trabalhadores foram demitidos, segundo o consórcio formado por Tecna, Queiroz Galvão e Iesa Óleo e Gás - as duas últimas investigadas na Operação Lava Jato.

Ao custo de R$ 1,8 bilhão, a unidade estava planejada para escoar a produção de gás do pré-sal e tinha a entrada em operação prevista para 2017. O consórcio atribuiu a suspensão a "insustentáveis impactos sobre o contrato, decorrentes da crise econômica e seus efeitos no câmbio".

Na última semana, as empresas se reuniram com a Petrobrás para discutir os termos e os repasses do contrato, mas não houve acordo. O impasse teria acelerado a paralisação das obras. A justificativa sinaliza que a estatal já apertou o freio em seus projetos diante do agravamento da sua situação financeira, especialmente seu endividamento, após a disparada do dólar nas últimas semanas.

Demissões. Ao longo do dia, uma longa fila de trabalhadores se formou na área administrativa do consórcio para a formalização das demissões. Foram dispensados operários da área civil e também dos setores administrativos. Em nota, o consórcio QGIT informou também que as demissões respeitaram "integralmente a legislação trabalhista" e que ainda segue em negociações com a Petrobrás "visando a mais breve retomada das atividades".

"Acho que ela vai voltar em janeiro, mas não é nada certo", lamentou o funcionário Anderson Francisco, funcionário há um ano e cinco meses do consórcio. Segundo ele, os boatos entre os trabalhadores eram que a obra será hibernada por quatro meses.

Esta é a segunda vez que o operário, natural de Itaboraí, cidade na região metropolitana do Rio onde o Comperj é construído, é demitido das obras do empreendimento, onde trabalhou na área de construção civil nos últimos cinco anos.

Atualmente, cerca de seis mil operários atuam no Comperj, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí (Stimenni), Edson Rocha. A previsão é que, até o final do ano, outros consórcios façam demissões, uma vez que os contratos relacionados às obras da refinaria serão paralisados à espera de um sócio para investir na conclusão do projeto.

"Mas a Petrobrás garantiu que novas licitações devem ser feitas para obras de asfaltamento, esgoto e iluminação, com previsão para início em janeiro", afirmou Rocha, que se reuniu há duas semanas com representantes da estatal.

Focus piora projeções pela 11 ª vez e já espera queda de 1% no PIB de 2016

Eliane Oliveira - O Globo

- BRASÍLIA- Mais recessão e inflação em 2015 e 2016 é o que esperam os analistas das principais instituições financeiras do país, ouvidos pelo Banco Central. A pesquisa semanal Focus divulgada ontem piorou, pela 11 ª vez seguida, a previsão de queda do Produto Interno Bruto ( PIB) este ano, de 2,7% para 2,8%. E o recuo esperado para 2016 passou de 0,8% para 1%. Já a estimativa para o IPCA em 2015 aumentou de 9,34% para 9,46% e, para o ano que vem, de 5,7% para 5,87%.

A taxa básica de juros ( Selic) prevista para 2015 ficou estável em 14,25% e subiu de 12,25% para 12,5% em 2016. Já a expectativa para o dólar neste ano passou de R$ 3,86 para R$ 3,95.

Para Silvio Campos Neto, da Consultoria Tendências, o pessimismo se deve a três fatores:

— O Brasil vive hoje uma crise fiscal, política e econômica. Difícil dar um peso maior para um ou para outro. Foram feitas escolhas econômicas que se mostraram equivocadas nos últimos anos. E o lado político impede que os ajustes fiscais sejam feitos da forma necessária.

Carlos Eduardo de Freitas, exdiretor do Banco Central, avalia que a situação só vai melhorar com medidas que contribuam para a geração de riqueza.

— São necessárias medidas que facilitem o investimento e a poupança. Não se fala mais na Agenda Brasil. O próprio pacote fiscal é composto, em 70%, por aumento de carga tributária. Se eu fosse empresário, pelo menos por enquanto, tiraria meu time de campo — afirmou Freitas.

Taxa trimestral de desemprego sobe para 8,6% em julho, a maior desde 2012

• Na pesquisa do IBGE, o resultado é maior do que os 8% vistos no trimestre anterior e do que os 6,9% registrados no mesmo período de 2014; renda do trabalhador ficou em R$ 1.881 nos três meses encerrados em julho, alta de 2% em relação ao ano passado

Idiana Tomazelli - O Estado de S. Paulo

RIO - A taxa de desocupação no Brasil ficou em 8,6% no trimestre até julho de 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados nesta terça-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do maior resultado desde 2012, quando a série teve início. A taxa apurada também é maior do que a observada em igual período do ano passado, que ficou em 6,9%. No trimestre móvel até abril deste ano, a taxa havia sido de 8,0%.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.881,00 trimestre até julho de 2015. O resultado representa alta de 2,0% em relação ao período de maio a julho de 2014 e recuo de 0,9% ante os três meses até abril deste ano.

A comparação é feita com o trimestre até julho ante o trimestre até abril para que não haja repetição das informações coletadas, segundo o IBGE, já que a cada mês são visitados 33% dos domicílios da amostra.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 164,1 bilhões no trimestre até julho de 2015, alta de 2,3% ante igual período do ano passado e recuo de 0,9% ante o trimestre até abril deste ano.

O número de desempregados em todo o País aumentou 26,6% no trimestre até julho ante igual período do ano passado, diz o IBGE. Isso significa que 1,810 milhão de pessoas passaram a buscar uma vaga nesse período. Com isso, o Brasil tinha, nos três meses até julho, 8,622 milhões de desempregados, o maior nível da série, iniciada em janeiro de 2012.

A maior procura por emprego é o principal combustível para o avanço da taxa de desocupação. A força de trabalho, que inclui as pessoas que estão empregadas e quem está atrás de uma vaga, cresceu 2,1% no trimestre até julho ante igual período de 2014. Ou seja, 2,064 milhões de pessoas ingressaram na população ativa.

Só que a geração de vagas foi insuficiente para acomodar esse contingente. No mesmo tipo de confronto, a população ocupada avançou 0,3%, isto é, foram abertos 255 mil novos postos de trabalho em todo o País. O restante ficou na fila de desemprego, contribuindo para a maior taxa de desocupação.

A população fora da força de trabalho (os inativos) também cresceu, mas menos do que em períodos anteriores. O avanço foi de 0,4% no trimestre até julho ante igual período de 2014, a menor alta da série. Ao todo, 242 mil pessoas saíram da força de trabalho.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação com periodicidade trimestral para todo o território nacional. A nova pesquisa tem por objetivo substituir a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange apenas seis regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano

Dívida pública federal sobe 3,16% em agosto e chega a R$ 2,7 tri

• Com alta da moeda americana, débitos do país no exterior cresceram 4,35% no mês

Bárbara Nascimento - O Globo

- BRASÍLIA- A dívida pública federal — que inclui o endividamento interno e externo do país — aumentou 3,16% em agosto, para R$ 2,686 trilhões. Conforme relatório divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional, a desvalorização do real fez com que a dívida externa saltasse 4,35% no mês, atingindo o patamar de R$ 134,32 bilhões. Enquanto a dívida interna, que representa 95% do total, subiu 3,10%, a R$ 2,551 trilhões.

O resultado da dívida para o mês passado é fruto de uma emissão líquida ( já descontados os resgates) de R$ 49,95 bilhões, de uma apropriação positiva de juros no valor de R$ 36,89 bilhões e da desvalorização do real frente ao dólar.

O prazo médio de endividamento caiu de 4,63 anos em julho para 4,56 anos em agosto, o que pode indicar um início de deterioração da saúde da dívida, segundo analistas. O percentual de títulos que devem vencer nos próximos 12 meses subiu de 22,44% em julho para 25,20% em agosto.

— Na média, o encurtamento do prazo parece pequeno, mas como o número de títulos que vence em curto prazo aumentou, e o de longo prazo diminuiu, significa que a paciência do mercado está menor — avaliou o analista da Tendências Consultoria Fábio Klein.

Custo da dívida supera Selic
O custo médio da dívida acumulado nos últimos 12 meses aumentou 0,94 ponto percentual, indo de 14,99% para 15,93% ao ano. O professor Fernando Zilveti, especialista em contas públicas da Universidade de São Paulo ( USP), ressalta que o percentual está, inclusive, acima da Taxa Selic, hoje em 14,25%, o que pode ser preocupante, à medida que o estoque tem aumentado a um custo de financiamento alto.

O percentual de estrangeiros que possuem títulos da dívida interna brasileira caiu em agosto, pela quarta vez consecutiva, de 19,56% em julho para 19,14%. A maior parte dos títulos da dívida brasileira estava, em agosto, nas mãos de instituições financeiras ( 25,48%) e fundos de investimento ( 20,53%). A preocupação dos analistas de mercado é que, com o rebaixamento da nota do país pela Standard & Poor’s, o número de estrangeiros detentores da dívida caia com mais força. 

Lourdes Sola - Por uma sociologia da Lava Jato

- O Estado de S. Paulo

Há um século o filósofo Ortega y Gasset, o caçula de uma geração de intelectuais que se confrontava com o que reputavam “a Espanha caduca”, cunhou uma frase que nós, brasileiros, recolhemos de forma distorcida, por incompleta. No original, “yo soy yo y mi circunstancia: si no la salvo a ella, yo no me salvo”. A ênfase recai, portanto, no que se entende por salvar e por nossa circunstância. Por salvar entendia-se o esforço intelectual motivado pelo “afã de compreensão” num sentido preciso: a partir do resgate da reflexão sobre a especificidade da Espanha, então dividida entre aquela que se queria europeia e a que se pensava castiça.

A “Espanha caduca”, como se sabe, só foi desmantelada 60 anos depois, quando os traumas da guerra civil e de uma longa ditadura obscurantista foram elaborados. Mas o golpe fatal que levou à europeização e à democracia foi o desembarque de um dos setores mais poderosos e economicamente dinâmicos do bloco de poder dominante – o sistema financeiro – e sua adesão às forças da mudança. Graças à combinação de dois incentivos: o interesse em participar do amplo mercado da União Europeia e o sistema de condicionalidades políticas que lhe era associado, ou seja, a adoção da democracia.

Cito essa experiência para destacar a necessidade de recorrer também ao arsenal da sociologia para exercer o afã de compreensão da conjuntura crítica que vivemos. Pois o êxito da complexa e arriscada operação política que implantou a democracia espanhola – a utopia de Ortega y Gasset – resultou de uma transformação no sistema de interesses e de valores. Que, por sua vez, se expressou em mudança decisiva na composição das coalizões sociais, em disputa: a de apoio ao velho regime e a de suporte ao bloco de poder em construção. O novo “contrato social”, formalizado no Pacto de Moncloa, foi o coroamento, não o ponto de partida, de processos sociais transformadores.

Hoje, no contexto instável e movediço posterior à crise global de 2008, graças à sociologia, sabemos algo mais sobre a fluidez das coalizões sociais e sua relação com as coalizões políticas domésticas em tempos de crise internacional. Agora no contexto de uma grande democracia de massas como os EUA. A noção de “grupos pivot”, usada para compreender o papel das finanças no pós-crise nesse país, ajuda a entender também uma das características distintivas da nossa, desde que adequada ao nosso contexto. Em princípio, aplica-se ao grupo cujo peso numa coalizão política tende a ser maior do que os demais porque pode facilmente mudar de lado – e que, por isso, tende a determinar os resultados de uma disputa estratégica. Isso se deve aos recursos de poder que detém – no caso, financeiros – e, portanto, por sua posição na estrutura social. Os grupos pivot são ainda mais decisivos quando o financiamento das campanhas eleitorais adquire centralidade, como é o caso das democracias de massa.

Dentre as múltiplas implicações da Operação Lava Jato, há algumas que ajudam a situar melhor nossa conjuntura crítica. Antes disso, convém destacar que o poder do setor financeiro, entre nós, não é da mesma ordem que nos EUA: por não ser um “grupo pivot” em termos do sistema internacional e tampouco ser tão hegemônico em termos da política de coalizões doméstica. Por um lado, por ser comparativamente bem mais regulado. Por outro, pelo peso relativo (e pela capilaridade social) dos bancos públicos: os quais, acionados pelo Executivo, lhe garantem espaço de manobra para atenuar o poder de fogo do setor privado. Sobretudo, porque divide essa função com as empreiteiras.

A Operação Lava Jato detonou um processo de mudanças sem precedentes, de longo alcance: a exposição e penalização do grupo pivot mais entranhado no sistema de poder desde a ditadura, o das grandes empreiteiras. Ela ilumina bem mais do que os mecanismos da corrupção utilizados pelos governos sub judice e a vocação hegemônica do PT. Lança luz sobre as características distintivas da organização e da forma de operação do Estado brasileiro, desde a ditadura até hoje. Só que agora em nova encarnação, porque mais inclusivo, pois equipado institucionalmente para absorver a incorporação dos movimentos sociais e de outros interesses organizados. Daí as interações intangíveis desse grupo pivot com o poder público, com a estatal ícone do capitalismo de Estado brasileiro, entre outras, com o “presidencialismo de coalizão” – e cuja duradoura influência na formulação da nossa diplomacia econômica data da ditadura. (Aqui estou apenas atualizando a noção de “anéis burocráticos”, com a qual Fernando Henrique Cardoso caracterizou a especificidade do Estado brasileiro durante a ditadura.)

As Operações Lava Jato, Nessum Dorma e eventuais similares evidenciam o déficit de institucionalidade e de democracia que caracteriza o nosso Estado. Mas, por isso mesmo, também evidenciam os limites de uma caracterização desse déficit em termos de “captura do Estado pelos interesses privados”, a gosto de nossos melhores economistas – transplantada de outros contextos. Pois uma das características distintivas do nosso capitalismo de Estado consiste na existência de instituições quase seculares, que o autoriza a capturar os interesses organizados, mesmo aqueles que nascem autônomos. A durabilidade da estrutura sindical e patronal herdada dos anos 1930, o impulso de regular a sociedade e de integrar à sua esfera os movimentos sociais sob a égide do lulopetismo não seriam mais bem explicados em outros termos? Enquanto perdurar a subinstitucionalizacão do Estado, enquanto Estado democrático, seria mais adequado falar em captura recíproca, ou numa relação simbiótica entre uns e outro.

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Lourdes Sola é professora de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) e consultora política

Merval Pereira- Disputa de espaço

O Globo

A disputa entre a Polícia Federal e o Ministério Público pelas investigações da Operação Lava- Jato voltou à tona com o episódio da inclusão do ex- presidente Lula na lista dos que devem ser ouvidos no inquérito instaurado no Supremo Tribunal Federal, iniciado naquela Corte em razão de sua competência originária.

Noticiado inicialmente como tendo partido do delegado Josélio Souza o pedido de autorização feito ao STF para que Lula e outros fossem ouvidos, o que estranhei em coluna do último domingo por nenhum dos citados ter fórum privilegiado, na verdade fontes da Polícia Federal esclarecem que o que houve foi um pedido de prorrogação do prazo da investigação por 80 dias.

Esse inquérito é presidido por um ministro do STF, o ministro Teori Zavascki, e segue as regras específicas do Regimento Interno do Supremo. Segundo a explicação oficial, a Polícia Federal atua nesses casos como “longa manus” do ministro- presidente do inquérito, realizando as diligências investigativas.

Mesmo que fosse o caso, e há discordâncias sobre essa função da Polícia Federal, não há nada que indique que o procurador- geral da República tenha autoridade para definir o status em que Lula será ouvido, segundo Rodrigo Janot como “testemunha” e não como “investigado”.

A competência do STF está firmada nos artigos 101 a 103 – A, da Constituição Federal, e entre esses dispositivos não há um sequer que o autorize a investigar crimes. Qual a razão? Resguardar a imparcialidade do julgador. Se ele investiga, não terá isenção para julgar.

O ministro que preside o inquérito deveria funcionar como juiz das garantias, cabendo a ele tão somente decidir sobre matérias como reserva da jurisdição, ou que toquem nos direitos fundamentais, tais como prisão preventiva e temporária, quebra de sigilo bancário e fiscal, sequestro de bens, etc.

Nessa interpretação do papel da Polícia Federal nos inquéritos sob a presidência do Supremo, diferentemente do que ocorre em um inquérito policial, no qual o delegado de polícia possui ampla discricionariedade para realizar as diligências que entende necessárias, sem rito ou ordem cronológica previamente estabelecidas, esta discricionariedade é muito mitigada, já que a priori a investigação não é sua, mas ele colabora com as diligências e quem preside o feito é um ministro da Corte.

Como se trata de um inquérito do STF, presidido por um ministro, o regimento interno estipula, no seu artigo 230- C: “Instaurado o inquérito, a autoridade policial deverá em sessenta dias reunir os elementos necessários à conclusão das investigações, efetuando as inquirições e realizando as demais diligências necessárias à elucidação dos fatos, apresentando, ao final, peça informativa. §1 º O relator poderá deferir a prorrogação do prazo sob requerimento fundamentado da autoridade policial ou do procuradorgeral da República, que deverão indicar as diligências que faltam ser concluídas”.

O delegado de Polícia Federal Josélio Souza apresentou justamente o seu requerimento de prorrogação de prazo e, por força dessa norma, ficou obrigado a indicar as diligências faltantes — dentre elas, as audiências a serem marcadas com Lula e outros.

Esta norma não fala nada com relação à obrigatoriedade de opinião do procurador- geral da República sobre essas diligências complementares necessárias, indicadas pela autoridade policial. Nesses casos decorrentes da Lava- Jato, porém, tem sido interpretado que o PGR deve se manifestar sobre as diligências indicadas pelo delegado de Polícia Federal, e já houve conflitos anteriores entre as duas áreas.

Mesmo que o procurador- geral Rodrigo Janot tenha extrapolado suas prerrogativas — segundo alguns especialistas por excesso de zelo ou outras razões —, o fato de definir o papel de Lula no inquérito como de testemunha, e não investigado, não facilitará a vida do ex- presidente.

Ele terá que assumir o compromisso de dizer a verdade. Não poderá, por exemplo, ficar em silêncio, um direito do investigado. A mentira, se constatada pela autoridade policial, ou pelo Ministério Público, ou pelo juiz, seja no momento do depoimento ou após, implicará infração prevista no Código Penal.

* Esta coluna, assim como a de domingo, contou com a assessoria jurídica de Cosmo Ferreira, advogado criminal, ex- promotor de Justiça do Rio e procurador regional da República.

Raymundo Costa - A crise tem nome e se chama Dilma

• Presidente opera reforma ministerial em zona de alto risco

- Valor Econômico

O ex-presidente Lula, o PT e a cúpula do PMDB ainda não desistiram de tirar o ministro Aloizio Mercadante do Palácio do Planalto. Para eles o nome da crise é Dilma Rousseff e seu coordenador o atual chefe da Casa Civil. Se dependesse de Lula, Dilma trocaria Mercadante por um nome como o de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, e José Eduardo Cardozo por Nelson Jobim no Ministério da Justiça. Não é de hoje que Lula desistiu de esperar por Dilma e tomou a dianteira do processo, seja na política, na costura que aproximou do governo o PMDB do Rio, seja no estreitamento das relações com Jobim, que cumpre em relação à Lava-Jato o papel de articulador que Cardozo nunca foi capaz de cumprir ou não quis compreender.

Numa recente reunião de oito líderes aliados, discutiu-se o futuro de Mercadante, Cardozo e Joaquim Levy (Fazenda). Ninguém defendeu Mercadante. Um emissário levaria o pedido do grupo para a demissão do ministro. Dilma ficou sabendo e matou a iniciativa no nascedouro. Lula e o PT desistiram de ficar pedindo a cabeça de Mercadante. Talvez assim Dilma, mais adiante, entenda que o ministro é o nó que não desata na relação política com o Congresso e os partidos aliados. No momento, estão mais preocupados com a operação de alto risco em que a presidente se meteu na reforma do ministério. Desde o início a ideia de Lula era empoderar o PMDB, oferecendo ministérios fortes ao partido e às bancadas, mas sem excluir do jogo o vice-presidente e presidente do PMDB, Michel Temer, como acabou acontecendo na primeira investida de Dilma.

Em termos congressuais, o impeachment de Dilma pode ser amanhã, quarta-feira, uma possibilidade mais remota que na primeira semana de agosto, quando uma articulação político-empresarial lançou a boia de salvação para a presidente da República. Bem ou mal as medidas do ajuste fiscal foram aprovadas no Congresso e o governo fechou uma proposta orçamentária para 2016. A presidente está novamente acuada na reforma ministerial. Se errar, pode jogar Michel Temer nos braços dos "carbonários" do PMDB, como Geddel Vieira Lima (BA) ou Jarbas Vasconcelos (PE), da tropa de choque do impeachment, no lugar de mais moderados como o ex-ministro Moreira Franco (RJ).

A presidente, pelo visto, se deixou levar pelas intrigas palacianas sobre supostas conspirações do vice para assumir o seu lugar. Por outro lado, o PMDB do Senado também informou Dilma que o vice não tinha nenhum voto na Casa. E a bancada do PMDB da Câmara reclamava por um representante, pois entendia que Temer levara para o ministério apenas os mais chegados, integrantes da turma mais assídua do Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.

De saída, a oferta da presidente reduzia o número de ministérios em poder do PMDB de seis para cinco ou até quatro pastas, dependendo do desenho. Ela pediu para a Câmara nomes para os ministérios da Saúde e da Infraestrutura, pasta que seria criada com a fusão do ministérios da Aviação Civil e dos Portos - as duas em poder de aliados de Michel Temer. Demitidos em público, já nem se pode dizer que os ministros dessas duas pastas ainda são indicações de Temer, que desaconselhou a reforma e evitou falar em nomes.

Este é o impasse atual de uma reforma que teria chances de dar algum refresco para Dilma, mas que pode se transformar num problemão se a presidente não entender a geografia pemedebista. A tacada sobre o PMDB do Rio foi bem articulada e executada, num momento em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, se embaralha nos desvãos da Operação Lava-Jato. O soneto carioca contou também com a participação de Sérgio Cabral, mas no PT de Lula cresceu o prestígio do governador Luiz Fernando Pezão, considerado mais ousado e eficiente na política que o antecessor. Pezão já tenta se articular com outros governadores do PMDB, como Paulo Hartung (ES) e Confúcio Moura (RO). Pressionado pela Lava-Jato, Cunha deve perder espaço para Picciani - só não está claro se há um entendimento entre os dois. Quem conhece bem Cunha conta que ele se considera "traído".

Lula não procurou o prefeito Eduardo Paes para conversar sobre os jogos olímpicos. Dilma opera, portanto, numa zona de alto risco. Se conseguir atender às bancadas do Senado, da Câmara e o vice Michel Temer, terá sido uma jogada de mestre. Do contrário, a crise pode se agravar e talvez voltar para onde estava antes do freio de arrumação tentado em agosto. Se conseguir estabilizar a política, o governo pode cuidar com mais tranquilidade da economia. Os antecedentes não recomendam otimismo.

Inconformado com a perspectiva de deixar o Palácio do Planalto, Miguel Rossetto articula para si a criação do Ministério da Cidadania, fruto da fusão das pastas da Igualdade Racial, Direitos Humanos e Mulheres, que Dilma não gostaria de acabar, mais os movimentos sociais abrigados na Secretaria Geral da Presidência. Ocorre que Ricardo Berzoini, atual ministro das Comunicações, só aceita trocar de cargo para voltar à articulação política do governo pela Secretaria Geral, se mantiver os movimentos sob sua área de influência. Rossetto é do sul e amigo da presidente, que gostaria de mantê-lo no governo, mas o PT tem dificuldades para assimilar a extinção de três pastas simbólicas para o partido. Se este for o fim inevitável, uma corrente forte prefere que seja nomeada para o posto a ministra Eleonora Menicucci (Política para Mulheres), mas sem os movimentos sociais. Berzoini não quer ser apenas mais um garçom, aquele que anota os pedidos dos deputados, como eram conhecidos antigos ministros da Secretaria de Relações Institucionais.

A última investida da presidente Dilma sobre o baixo clero do PMDB, como ela faz agora na reforma ministerial, deu em Pedro Novaes (MA) no Turismo. O ex-deputado não tinha as credenciais de um petrolão, mas acabou enrolado nos lençóis de uma cama de motel.

Luiz Carlos Azedo - A ficha ainda não caiu

• Dilma admitiu que as medidas adotadas anteriormente para conter a crise se esgotaram, mas voltou a afirmar que o ajuste fiscal será suficiente para retomar o crescimento

- Correio Braziliense

A presidente Dilma Rousseff ainda não se convenceu de que o Brasil tem problemas estruturais na economia. Foi o que deixou claro ontem, ao discursar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), perante os líderes mundiais, em que pesem a maior recessão dos últimos 25 anos, a marca de um milhão de trabalhadores demitidos, o dólar acima dos R$ 4 e uma dívida pública que cresce astronomicamente e já chegou a R$ 2,68 trilhões.

Em 20 minutos de discurso, disse que a economia brasileira é “mais forte e sólida” do que em anos anteriores: “A lenta recuperação da economia mundial e o fim do superciclo das commodities incidiram negativamente sobre nosso crescimento. A desvalorização cambial e as pressões recessivas produziram inflação e forte queda da arrecadação, levando a restrições nas contas públicas. O Brasil, no entanto, não tem problemas estruturais graves, nossos problemas são conjunturais e, diante desta situação, estamos reequilibrando o Orçamento e assumimos uma forte redução de nossas despesas, gastos de custeio e parte do investimento”.

Dilma admitiu que as medidas adotadas anteriormente para conter a crise se esgotaram, mas voltou a afirmar que o ajuste fiscal será suficiente para retomar o crescimento: “Propusemos cortes drásticos de despesas e redefinimos nossas receitas. Essas iniciativas visam a reorganizar o quadro fiscal, reduzir a inflação, consolidar a estabilidade macroeconômica e garantir a retomada do crescimento com distribuição de renda.” Em nenhum momento a presidente da República admitiu a necessidade de reformas para a economia voltar a crescer. Essa é uma palavra que não existe no seu dicionário.

Na verdade, a presidente da República lançou o país num impasse: quer que o Congresso aumente impostos para bancar os gastos do governo, cujo orçamento cresce mais do que o Produto Interno Bruto (PIB); ocorre que a sociedade não suporta mais a carga tributária, o que gera um ambiente contrário no parlamento. É um empate, que gera um circulo vicioso. O risco Brasil eleva o dólar, que aumenta a inflação, que eleva os juros, que aumenta a dívida pública, que inibe o crescimento, que reduz a inflação e joga a arrecadação pra baixo.

O Brasil não é a China, que tem mais de US$ 3,5 trilhões de reservas e pode queimar mais de US$ 400 bilhões no câmbio; está mais para Rússia, cujas reservas caíram de US$ 500 bilhões para US$ 300 bilhões e, mesmo assim, não conseguiu segurar o câmbio. Com US$ 370 bilhões em reservas, o Banco Central (BC) não tem cacife para bancar o jogo pesado com os especuladores, se nada for feito para efetivamente reduzir os gastos do governo. Dilma acredita que pode bancar esse jogo, como deu a entender seu discurso na ONU, mas o mercado pensa diferente. E os indicadores não mentem.

Oposição petista
Quem também pensa diferente, mas com sinal trocado, são os economistas do PT, ligados à Fundação Perseu Abramo, que ontem divulgou documento com duras críticas à política econômica. O documento “Por Um Brasil Justo e Democrático”, não poupa críticas ao ajuste fiscal proposto pelo governo e acusa Dilma de ser prisioneira dos banqueiros, numa alusão ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que o PT pretende derrubar na reforma ministerial.

A fundação é presidida por Marcio Pochmann, que comandou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) até 2012. Embora não seja endossado pelo PT publicamente, o texto reflete a opinião da maioria dos dirigentes do partido: “A lógica que preside a condução do ajuste é a defesa dos interesses dos grandes bancos e fundos de investimento. Eles querem capturar o Estado e submetê-lo a seu estrito controle, privatizar bens públicos, apropriar-se da receita pública, baratear o custo da força de trabalho e fazer regredir o sistema de proteção social.”

No Congresso, este é o discurso dos parlamentares petistas; nos movimentos sociais, mais ainda. “O ajuste fiscal em curso está jogando o país numa recessão, promove a deterioração das contas públicas e a redução da capacidade de atuação do Estado em prol do desenvolvimento. Mais grave é a regressão no emprego, nos salários, no poder aquisitivo e nas políticas sociais”, sintetiza o documento.

Amanhã haverá uma reunião em Brasília do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os parlamentares petistas para discutir a reforma ministerial. A prioridade da reestruturação do governo não é a aprovação do ajuste fiscal e a gestão da crise, é barrar a possibilidade de abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Ocorre que a permanência de Dilma no cargo depende muito mais da estabilização da economia. Aparentemente, porém, essa é uma falsa contradição. Lula quer antecipar a votação do pedido de impeachment pela Câmara e derrotar a oposição, antes que a crise se agrave ainda mais no plano social e o PMDB possa dar o bote.

José Casado - A nuvem do desemprego

• Dilma Rousseff e Aécio Neves agora só precisam combinar seus planos com as ruas. As calçadas estão cada dia mais cheias de desempregados

- O Globo

A segunda- feira estava nublada em Nova York. Letreiros eletrônicos na Times Square anunciavam a descoberta de água em Marte. Visto da cadeira presidencial, o futuro transparecia promissor. Se há dificuldades, ressalvou Dilma Rousseff na Assembleia Geral da ONU, são circunstanciais — derivadas do moinho de forças ocultas da crise mundial. O importante, lembrou, é que “no Brasil, o processo de inclusão social não foi interrompido”.

A manhã de ontem também estava nebulosa a 7.800 quilômetros de distância. O líder da oposição deixou seu confortável apartamento na Zona Sul do Rio para contemplar o horizonte. Não poderia estar melhor, concluiu o senador Aécio Neves, presidente do PSDB: “Em nenhum outro momento dos nossos 27 anos de história tivemos momento tão positivo, porque o PSDB é antítese disso que está aí, do mal que aconteceu com o Brasil.”

O país de Dilma e Aécio, porém, estava dominado por uma certeza: no fim do dia, um novo contingente de mais de três mil brasileiros estaria desempregado.

Foram 573 mil demitidos de janeiro a agosto. Na média, mais de 3.300 demissões a cada dia útil, ou 1.100 a cada turno de oito horas.

O ritmo de desemprego não deixa dúvida sobre o panorama deste início de primavera: em outubro o Brasil deve ultrapassar a marca do milhão de novos desempregados nos últimos 12 meses.

Na região metropolitana de São Paulo, onde a maioria do eleitorado proporcionou uma inflação de votos ao oposicionista Aécio na eleição passada, a taxa de desemprego passou de 5,1% para 8,1%, entre julho de 2014 e agosto último.

No Nordeste, cujos eleitores viabilizaram a reeleição de Dilma, o desemprego cresce a velocidade significativa. Em Salvador, por exemplo, o índice era de 9,3% em agosto de 2014. Subiu para 12,4% no mês passado. Governo e oposição, porém, fingem nada ver. Dilma se mantém prisioneira de si mesma, contornando o quadrado retórico que traçou mentalmente — assim, nas suas palavras: “Nós sabemos que muitas pessoas no Brasil, em algum momento do passado, repetiam algo que escutavam em certas áreas e repetiam por não ter uma contraposição, por não ter uma consciência diferenciada... 

Qual era essa história? Essa história era uma história simples: era dizer que os pobres eram pobres porque queriam ser pobres; que os pobres eram pobres porque tinham preguiça, e não que os pobres eram pobres por um processo de exclusão histórica e sistemática do nosso país, que começa com a escravidão.”

De volta a Brasília, Dilma começa dia de hoje resolvendo o problema do desemprego entre aliados. Vai entregar mais cargos a integrantes da sua base parlamentar, na tentativa de preservar o próprio emprego. Chama isso de reforma ministerial.

Aécio continua a repetir seu mantra predileto: “Nós não vamos virar as costas para as dificuldades que o Brasil e que você está atravessando.” Como? Não respondeu na campanha do ano passado, nem parece motivado a fazê- lo por enquanto, mas ontem inovou ao prometer na televisão que vai lutar “dentro das regras democráticas”.

A presidente e o líder da oposição agora só precisam combinar seus planos com as ruas. As calçadas estão cada dia mais cheias de desempregados.

Hélio Schwartsman - As fatias e a pizza

- Folha de S. Paulo

A decisão do STF de, vá lá, fatiar a operação Lava Jato me parece mais uma oportunidade do que um convite à pizza. É claro que a dispersão das investigações envolve riscos e quase certamente resultará em alguma perda de eficiência, mas não podemos perder de vista o "big picture", isto é, o quadro geral.

O único aspecto positivo da crise é que as instituições, em especial as engrenagens da Justiça, estão se mostrando à altura da tarefa. Caso me perguntassem, na virada do milênio, se eu achava que um dia veria ex-ministros e dirigentes do partido no poder sendo condenados por corrupção, minha resposta seria negativa. Também apostaria que jamais assistiria a grandes empreiteiros sendo presos. Teria perdido dinheiro.

Contar com uma Justiça que não se dobra em demasia ao poder político e econômico de suspeitos e réus é um dos traços que distingue países desenvolvidos de Estados mais bananeiros. É importante, porém, que os eventos como os que eu acabei de descrever sejam fruto de uma cultura institucional disseminada e não apenas de uma conjunção mais ou menos fortuita de policiais, promotores e magistrados acima da média.

É nesse contexto que o fatiamento pode revelar-se uma oportunidade. Operadores do direito que receberem agora algum braço da Lava Jato não terão muito como escapar a uma comparação com o juiz Sergio Moro e os procuradores de Curitiba. Imagino que farão tudo para não aparecer na foto como procrastinadores ou mesmo pizzaiolos. Se isso de fato ocorrer, uma pequena e benfazeja revolução cultural terá se espalhado pelo normalmente fossilizado Judiciário brasileiro.

Uma vez que os prejuízos à operação, embora potencialmente graves, não são incontornáveis, penso que vale a pena tentar. A medida, de resto, ajuda a afastar a narrativa paranoica segundo a qual tudo não passa de uma perseguição das elites contra o governo amigo dos pobres.

Vinicius Torres Freire - O pior ainda piora: inflação

• É remota a chance de IPCA perto da meta em 2016, mais uma frente ruim de incerteza

- Folha de S. Paulo

A pretensão de chegar à inflação de 4,5% em 2016 foi praticamente para as cucuias, como quase tudo mais na economia. Não bastassem todas as incertezas, caos, na verdade, abriu-se de vez outra frente de desarranjos sérios.

Em termos simples, a conversa na nova trincheira de desastres diz respeito ao que vai piorar mais: juros, dólar ou inflação? A pergunta é se o Banco Central vai: a) Elevar a taxa de juros (o que aprofunda ou prolonga a recessão e, agora, pode não fazer efeito); b) Intervir no câmbio (segurar o preço ora inflacionário do dólar: improvável); c) Jogar a toalha, esperar que pelo menos meia boca do pacote fiscal meia boca passe (improvável, diz o PMDB) e que seja o que Deus quiser.

Há duas opções restantes, claro. Primeira, o espírito de todos os santos baixa no governo, que apresenta milagrosamente um plano amplo e crível de arrumação de suas contas e de renúncia a bobagens econômicas de outra espécie, tirando o gás de dólar, juros etc. Segunda, credores incrédulos ligam o botão do colapso, com a disparada fatal de câmbio e juros.

Levar a inflação à meta de 4,5% no fim de 2016 sem elevar a taxa básica de juros além do nível atual, 14,25%, era o plano do BC até ao menos a quinta-feira passada, passado remoto, nas novas condições brasileiras.

Na semana passada, o próprio Banco Central previa inflação de 5,3% em 2016, mantida a taxa de juros atual, dólar ali por R$ 3,90 no final do ano etc. Ontem, os economistas que mais costumam acertar previsões, de acordo com o BC, estimavam inflação de 6,4% para 2016.

Previsões costumam estar erradas; não são destino. Mas é o que se tem à mão a fim de calibrar a taxa de juros a fim de evitar alta extra da inflação.

Pode ser que a recessão de 2015-16 seja grande o bastante para evitar altas adicionais de preços. Quer dizer, em termos "pop", só vai ser bom se for ruim.

Só que não.

A expectativas de inflação em alta, como agora, tendem a elevar a inflação. De resto, ainda não há perspectiva de contenção do preço ora inflacionário do dólar.

A economia indexada deve carregar pelo menos parte da inflação de agora para o ano que vem. Isto é, por meio de regras formais ou não, reajustar 2016 pelas altas de 2015. Por exemplo, haverá em 2016 um reajuste de 10% no salário mínimo, aliás letal para prefeituras. Mesmo que não esteja em contrato, as pessoas passam a fazer contas reajustando tudo por "10%".

Pode haver ainda reajustes de preços controlados pelo governo. Não está certo se a conta de luz já pagou todos os efeitos da seca e dos erros de Dilma Rousseff: pode haver mais reajustes extras. Dado o risco de desastre na Petrobras e a falta de dinheiro do governo para socorrê-la, não é absurdo imaginar que virão reajustes de combustíveis.

Note-se que o aumento das estimativas de inflação para 2016 não se deveu à previsão de inflação maior nos preços administrados. O pior pode piorar.

Em um governo crível, seria possível ter uma meta "extraordinária", intermediária, de inflação para 2016, com um plano estrito de redução da meta nos anos seguintes, o que permitiria segurar os juros sem rolo maior. Um governo crível teria plano fiscal para os próximos anos.

Não é o que temos.

O PMDB quer mais – Editorial / O Estado de S. Paulo

Foi um evento condizente com o novo status de independência que o PMDB pretende assumir perante o governo ao qual, no papel, deve apoio. A desenvoltura do vice-presidente Michel Temer ao dar boas-vindas à senadora Marta Suplicy e ao ouvir da ex-petista que é ele quem haverá de “reunificar o País”, numa cerimônia que contou com todos os principais caciques do partido, não deixou muitas dúvidas sobre o caminho que o PMDB já decidiu seguir. Isso significa que, por mais que Dilma Rousseff considere ser possível obter o apoio peemedebista contra o impeachment em troca de mais um punhado de Ministérios, o partido deixa cada vez mais claro que a agonia da presidente não lhe diz respeito, salvo como oportunidade para articular o desfecho político que melhor lhe aprouver – talvez ter candidatura própria em 2018.

No convescote peemedebista, realizado em São Paulo, os militantes, animados pelo locutor, gritavam “um, dois, três, quatro, cinco, mil, Marta e Michel, em São Paulo e no Brasil!”. O grito de guerra resume uma estratégia – com Marta em seus quadros, o PMDB espera conquistar a Prefeitura de São Paulo, tirando do PT aquela que talvez seja sua última cidadela eleitoral capaz de oxigenar o partido sufocado pelas denúncias de corrupção e do desgoverno de Dilma. Já em relação a Temer, trata-se de uma óbvia referência à possibilidade de que ele assuma a Presidência caso Dilma sofra o impeachment, processo cujo andamento depende principalmente do PMDB de Eduardo Cunha.

Ignorado pela presidente na hora em que as decisões mais importantes do governo foram tomadas no segundo mandato, Temer se considera mero observador do colapso de Dilma. Por esse motivo, o vice-presidente da República estava completamente à vontade diante das manifestações explícitas de oposição a Dilma feitas na sua presença, no evento que festejou a filiação de Marta ao PMDB.

Embora Temer tenha dito, em seu discurso, que o PMDB é um partido “de divergências internas quase permanentes, que fazem sua grandeza”, ficou claro ali que os peemedebistas de alto coturno estão razoavelmente alinhados – e que não será oferecendo cargos ao baixo clero da legenda que Dilma conseguirá constranger o PMDB a permanecer a seu lado na defesa de seu mandato.

Ao contrário, o partido já não faz questão nenhuma de parecer governo. No evento, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi explícito ao dizer que “o PMDB tem de ter candidato à Presidência” e que o partido não pode mais “ir a reboque” do PT. Em seguida, sob intensos aplausos, conclamou o PMDB a seguir o exemplo de Marta: “Vamos largar o PT”.

Um tom semelhante, embora menos desabrido que o de Cunha, já havia sido adotado pelo PMDB no mais recente programa do partido exibido na TV. Nele, Temer aparece como personagem central, com porte presidencial, sob o slogan “É hora de reunificar os sonhos”. Em seguida, os principais líderes do partido se sucedem em críticas ao aumento da carga tributária e a outras medidas de Dilma para contornar a crise. E finalmente a apresentadora diz: “Um Brasil que se dizia tão gentil com seus filhos de repente resolve cobrar a conta. Isso dói”.

Esse esforço do PMDB para desconstruir o governo petista, como se a ele não estivesse associado há mais de uma década, teve na filiação de Marta um de seus pontos altos. E ela não decepcionou. Em seu discurso, disse que escolheu trocar o PT pelo PMDB porque “a gente quer um Brasil livre da corrupção, livre das mentiras, livre daqueles que usam a política como meio de obter vantagens pessoais” – como se, ao longo dos mais de 30 anos em que foi petista, ela não tivesse percebido que seu partido havia se transformado numa usina de trambiques.

Mas agora Marta deve estar aliviada, pois ingressou num partido cujos principais líderes incluem Eduardo Cunha, enrolado na Operação Lava Jato, e Renan Calheiros, que já teve de renunciar à presidência do Senado para não ser cassado por suspeita de corrupção. Além de Jader Barbalho, Luiz Antonio Fleury Filho e outros menos cotados.

CPMF serve para adiar reformas imprescindíveis – Editorial / O Globo

• Dilma traça na ONU panorama róseo da economia, enquanto fica cada vez mais evidente que imposto serve para governo não fazer os devidos cortes nos gastos

Como reza a tradição, a presidente do Brasil fez ontem o pronunciamento de abertura de mais uma Assembleia Geral nas Nações Unidas, a 70ª. Também, como de praxe, não faltaram menções otimistas ao momento que o Brasil passa e às perspectivas para o país.

O cenário econômico visto pela presidente Dilma Rousseff da tribuna da ONU guarda razoável distância da realidade. No diagnóstico da grave crise fiscal, a presidente insistiu em responsabilizar pelas turbulências a crise mundial iniciada em 2008. Trata-se de meia verdade, porque o governo não deixou de ser alertado para o risco de o seu programa voluntarista de aumento dos gastos públicos criar a crise que afinal gerou.

A crise externa não pode ser responsabilizada pelos problemas fiscais, mas sim a forma equivocada e desmedida com que ela foi enfrentada, por meio do tal “novo marco macroeconômico”, acompanhado de um arsenal de ilusionismo estatístico, a tal da “contabilidade criativa”.

Ainda da tribuna da ONU, Dilma se referiu a “uma forte redução de nossas despesas, do gasto de custeio e até de parte do investimento.” Informação incompleta: faltou dizer que, na verdade, a viga mestra do ajuste é a recriação da CPMF, o “imposto do cheque”, gravame criticado em uníssono, e por várias razões: proporcionalmente taxa mais as pessoas de renda baixa; propaga-se em cascata sobre todas as etapas da elaboração de bens e serviços, bem como de qualquer operação financeira. E assim contribui para um razoável acréscimo de custo no sistema produtivo do país — que já enfrenta problemas de competitividade no mundo.

O vice-presidente Michel Temer esteve sexta em São Paulo, num almoço com empresários do comércio, em que disse ser muito pequena a chance de o Congresso aprovar a volta da CPMF. Depois da saída de Temer, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, chegou para encontrar os mesmos empresários, quando repórteres disseram-lhe que Temer havia sido pessimista com relação ao imposto do cheque. Irônico, Levy emendou: “Ótimo, então ele quer a reforma da Previdência”.

Reveladora brincadeira, pois ficou explícito que o governo força a volta do imposto porque não se dispõe a fazer as reformas imprescindíveis para cortar o nó fiscal que asfixia o país. Mesmo só gerando efeitos a médio e longo prazos, a reforma da Previdência, com vistas a acabar com as aposentadorias precoces, mudaria de forma instantânea, para melhor, a percepção do futuro da economia, com reflexos positivos nos juros. Há outras mudanças a fazer, como o fim da indexação pelo salário mínimo de benefícios previdenciários e sociais de forma geral. O grande obstáculo para Dilma executar o que é preciso para acabar com o déficit estrutural nas contas públicas — que cresce sem parar devido a esta indexação — é sua base no PT. Os chamados “movimentos sociais” são bastante beneficiados pela gastança ilimitada, insana. Que não terá desfecho feliz, se nada for feito.

As costas largas do ajuste fiscal – Editorial / O Estado de S. Paulo

É curiosa a lógica dos petistas que, com o argumento de que o ajuste fiscal “prejudica os trabalhadores”, atacam as propostas do governo para colocar suas contas em ordem. Nada prejudica mais a população pobre e os assalariados em geral do que a inflação crescente que corrói os salários e o desemprego que cresce. De uma recessão econômica, apenas os mais ricos têm condições de se proteger – e nem sempre. Para defender os pobres é preciso combater não o ajuste do que está errado, mas os erros que levam à necessidade do ajuste. Atacar as medidas de austeridade em nome dos interesses dos trabalhadores é sinal de miopia ideológica, má-fé ou ignorância.

Pois é exatamente à luta contra o ajuste fiscal que os petistas estão se agarrando, não na tentativa de salvar o governo Dilma, mas a si próprios. Uma entrevista concedida a O Globo por André Singer, ex-porta-voz do presidente Lula, e um documento ontem divulgado pela Fundação Perseu Abramo, criada e mantida pelo PT, escancaram a opção petista pelo caminho mais fácil de um populismo de palanque, adornado por lantejoulas “acadêmicas”, na tentativa de salvar o Brasil das “garras do capitalismo”.

André Singer se refere à “corajosa ofensiva desenvolvimentista de Dilma Rousseff em seu primeiro mandato”, para depois acusá-la de, “ao chamar o ministro Joaquim Levy para a pasta da Fazenda”, entregar os pontos “para aqueles que ela procurou confrontar no primeiro mandato”. Singer atropela o fato de que ao convocar Levy, executivo do Bradesco, Dilma contrariou a sugestão de seu mentor Lula de que nomeasse ministro da Fazenda o próprio presidente daquele banco, Luiz Carlos Trabuco.

Preocupado com o estrago que Dilma estaria causando ao “legado lulista”, Singer entende que ela cometeu o erro de fazer “um movimento para recuperar a confiança da burguesia brasileira e do capital internacional” e, “como resultado, estamos na maior recessão dos últimos 20 anos: o custo social é imenso”. Quer dizer, o País está em crise não porque Dilma foi perdulária e incompetente no primeiro mandato, mas porque não combateu eficazmente a “burguesia brasileira” e o “capital internacional”.

Já o documento divulgado pela Fundação Perseu Abramo tem o sectarismo ideológico de uma cartilha esquerdista sem nenhum compromisso com a realidade: “A lógica que preside a condução do ajuste é a defesa dos interesses dos grandes bancos e fundos de investimentos. Eles querem capturar o Estado e submetê-lo a seu controle, privatizar bens públicos, apropriar-se da receita pública, baratear o custo da força de trabalho e fazer regredir o sistema de proteção social”. A parte que menciona “capturar o Estado” deve ter sido inspirada no projeto de poder do PT, bem como a referência a “apropriar-se da receita pública” trata de um ponto no qual lideranças petistas e aliadas têm feito grande sucesso – mensalão e petrolão que o digam.

O mais inacreditável é que os “especialistas” do “centro de estudos” petista jogam nas costas do ajuste fiscal, que nem está minimamente implementado, a responsabilidade por todos os erros cometidos por Dilma em seu primeiro mandato: “O ajuste fiscal está jogando o País numa recessão, promove a deterioração das contas públicas e a redução da capacidade de atuação do Estado em prol do desenvolvimento econômico. Mais grave é a regressão no emprego, nos salários, no poder aquisitivo e nas políticas sociais”. O instituto petista despeja ainda sobre as costas largas do ajuste fiscal a responsabilidade por ampliar “a crise política e as ações antidemocráticas e golpistas em curso”.

Para “retirar o País da desastrada austeridade econômica em curso” – como se tudo não se devesse ao esbanjamento do dinheiro público, quando as receitas eram generosas –, os gênios petistas sugerem, entre outras preciosidades “progressistas”, baixar os juros (e deixar a inflação estourar), retirar o custo dos investimentos do cálculo do superávit primário (e arrombar de vez as contas públicas), alterar o calendário de metas da inflação (para manipular os seus efeitos, como se aqui fosse a Argentina) e a regulação do mercado de câmbio (para impedir que o dólar flutue ao sabor do mercado). Só faltou a tigrada que estudou o problema sugerir que o governo acabe com a crise por decreto. Trabalho sério e esforço, nem pensar, que ninguém é de ferro.

Sergio Fausto - Na Venezuela, a hora mais grave

- O Estado de S. Paulo

Com inflação acima de 100% anuais, generalizado desabastecimento de produtos, índices de violência criminal que fazem de Caracas uma das mais perigosas capitais do mundo, a Venezuela está à beira de uma crise humanitária e sob a ameaça de guerra civil. O responsável por esse estado das coisas é o regime chavista. Ele destruiu um país que, sim, era oligárquico e desigual, mas viável e democrático durante quase toda a segunda metade do século 20. E que acolheu não poucos exilados das ditaduras militares que então se espalhavam pela América do Sul.

Na Venezuela, para evitar o pior, há um único e estreito caminho. Ele passa pelas eleições parlamentares marcadas para 6 de dezembro, quando estarão em disputa as 165 cadeiras da Assembleia Nacional. No momento as pesquisas indicam vantagem significativa da oposição.

O governo de Nicolás Maduro tem feito todo o possível para evitar que as urnas revelem o fato de o chavismo ter perdido o apoio da maioria do eleitorado venezuelano. Já nas eleições parlamentares de 2011 a maioria chavista na Assembleia Nacional estava em perigo e só foi conquistada, com alguma folga, por mudanças arbitrárias na legislação eleitoral. Agora, com o espectro da derrota mais nítido que nunca, o governo ampliou o leque de medidas antidemocráticas. Elas incluem o encarceramento de líderes oposicionistas e a inabilitação eleitoral de candidatos da oposição. Isso num contexto de virtual supressão da liberdade de imprensa.

Além das medidas repressivas, o governo chavista toma iniciativas para turvar ainda mais as águas da disputa eleitoral. Nos últimos meses provocou países vizinhos para mobilizar artificialmente sentimentos nacionalistas. Primeiro a Guiana e, depois, a Colômbia. No caso desta, a provocação resultou em deslocamento forçado e desumano de milhares de colombianos residentes do lado venezuelano da fronteira entre os dois países.

Nesse quadro, a pressão internacional é chave, sem trocadilho, para assegurar a realização das eleições parlamentares em condições mínimas de normalidade. As lideranças chavistas estão isoladas e dispostas a se aferrar ao poder, por temor das consequências políticas e judiciais do dia em que não controlarem mais o Estado. Ainda assim, não podem desconsiderar as relações externas da Venezuela. Se, por um lado, vetaram a proposta de que a Organização dos Estados Americanos (OEA) monitore as eleições, por outro, por pressão na Unasul, não conseguiram seguir indefinidamente na estratégia de protelar a fixação da data do pleito.

Para reduzir as chances de o governo venezuelano perturbar seriamente o processo eleitoral e interferir diretamente nos seus resultados se faz necessária maior pressão internacional. Até aqui apenas um punhado de líderes tomou a iniciativa de denunciar publicamente os crescentes riscos ao pouco que sobra da democracia venezuelana. E só três países latino-americanos, Colômbia, Chile e Uruguai, declararam publicamente sua preocupação com o desenrolar dos acontecimentos na Venezuela. Verdade que também o Parlamento Europeu condenou a violação dos direitos humanos no país.

No entanto, por maior que seja a envergadura moral e política de alguns desses líderes, como Ricardo Lagos, Felipe González e Fernando Henrique Cardoso, por mais significativas que tenham sido as manifestações de Bogotá, Montevidéu e Santiago, a pressão internacional exercida até aqui sobre Caracas é insuficiente diante do que está em jogo e da conhecida natureza do regime chavista, sempre disposto a ultrapassar os limites no exercício do poder. O que está em jogo é nada mais, nada menos que a possibilidade, talvez a última, de pavimentar o caminho de uma transição pacífica para a democracia.

Nesta hora tão Grave é preciso não deixar margem de dúvida a que as lideranças chavistas têm de assegurar condições mínimas de normalidade para as eleições parlamentares, aceitar seus resultados e, não menos importante, preservar os poderes constitucionalmente assegurados à Assembleia Nacional, no caso de uma eventual e provável derrota do governista Partido Socialista Unificado da Venezuela. Se não o fizerem, arcarão com as consequências de transformar a Venezuela e a si próprios em párias da comunidade internacional em geral e da latino-americana em particular. China e Rússia, eles o sabem, já não querem nem podem mais pagar a fatura de um regime falido, cuja única fonte de receitas está escorrendo pelo ralo graças à sua incompetência administrativa e à queda no preço do petróleo.

Ao governo brasileiro, neste momento, cabe cumprir o papel que se exige dele como representante do maior país latino-americano e uma das maiores democracias do mundo. Basta de posições ambivalentes, como a recente abstenção no plenário da OEA, quando foi derrotada por apenas um voto a moção colombiana que solicitava a mediação da Organização para o conflito fronteiriço com a Venezuela.

Fez bem a presidente Dilma em indicar Nelson Jobim como representante do Brasil na comissão da Unasul que acompanhará as eleições de 6 de dezembro. Mas não é suficiente ter um representante qualificado se à comissão não for garantido o acesso aos locais de votação e contagem dos votos. Tão ou mais importante é que ela conte com recursos humanos capacitados para realizar o seu trabalho de verificação da lisura do pleito, incluindo a apuração dos votos. É o mínimo que se pode exigir numa disputa já de si desequilibrada em favor do governo, haja vista o virtual controle oficial sobre as emissoras de rádio e televisão.

É preciso agarrar-se ao fiapo de democracia que resta na Venezuela e não poupar esforços para que a esperança de restabelecê-la plenamente não desapareça sob o tacão de um golpe militar e/ou sob as vítimas de uma guerra civil.

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Sergio Fausto é superintendente executivo do IFHC, colaborador do Latin American Program do Baker Institute of Public Policy da Rice University, é membro do Gacint-USP.

Dolores Duran - A noite do meu bem

Fernando Pessoa - Do Livro do Desassossego

"Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses que não estão pegados."

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Opinião do dia – Luiz Werneck Vianna

“Vivemos em um pântano. Há um sofrimento grande de não sabermos o que vem por aí, como será o dia de amanhã. Isso leva a cólera, à desesperança, de não ter um caminho válido. Desde as eleições, vivemos entre extremos e, repito, isso é ruim para todo mundo. Há um clima generalizado de desconfiança na sociedade, nas relações entre as pessoas. É necessário uma coalização do que é saudável.”
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Luiz Werneck Vianna, cientista social, PUC-Rio. Entrevista ao jornal O Dia, Rio de Janeiro, 27 de setembro de 2015.

A pressão aliada pela reforma

A presidente Dilma chega hoje de Nova York com a missão de correr contra o tempo para anunciar a reforma ministerial. Pressionada pelo PMDB, ela deve aumentar a cota do partido para garantir a fidelidade em uma das votações mais importantes do segundo mandato: a manutenção do veto ao aumento do Judiciário, prevista para quarta.

Crise Política – Nas mãos do PMDB

• Dilma chega de NY com desafio de conciliar corte de ministérios com o apetite do aliado

Fernanda Krakovics e Isabel Braga - O Globo

- BRASÍLIA e NOVA YORK- A semana será decisiva para a presidente Dilma Rousseff, que chega de Nova York na noite de hoje e tem como tarefas destravar a reforma ministerial e garantir apoio no Congresso para a manutenção dos vetos ao reajuste do Judiciário e à correção das aposentadorias e pensões pelo salário- mínimo. O desafio agora é conciliar o objetivo anunciado da reforma — corte de dez ministérios — com o apetite do PMDB, que travou o anúncio da reforma, na semana passada. Para acomodar todas as correntes do partido e desfazer o mal- estar com o vice- presidente Michel Temer, Dilma teria que dar à legenda um espaço ainda maior: sete ministérios.

Pelo desenho que está sendo costurado, o espaço do PMDB do Senado seria o de manutenção de Kátia Abreu ( Agricultura) e Eduardo Braga ( Minas e Energia) em seus postos, e a garantia de que Helder Barbalho ( Pesca), filho do senador Jader Barbalho ( PMDB- PA), será transferido para o comando de outra pasta, na hipótese provável de extinção da Pesca. No caso da Câmara, o líder da bancada, Leonardo Picciani ( RJ), insiste que foi a própria presidente Dilma Rousseff quem ofereceu os dois ministérios à bancada.

Ontem, Picciani reforçou que não há qualquer veto do PMDB da Câmara a que Dilma mantenha outros companheiros do partido no Ministério. “Não é fato que a bancada exigiu dois ministérios, este foi um critério definido pela Presidência da República, e isto levei à deliberação, tendo este critério sido aprovado pela ampla maioria da bancada. Noto que a confusão que tenta se estabelecer parte de setores que desejam que a bancada federal do PMDB seja apenas massa de manobra!”, reforçou Picciani pelo Twitter.

“Governo não pode errar”
Dilma demonstra nos bastidores preocupação em manter o vice- presidente em seu entorno e evitar o fortalecimento da tese do impeachment. Ela tentou um acordo para preservar na reforma o ministro Eliseu Padilha, braço- direito de Temer, que hoje ocupa a Secretaria de Aviação Civil com status de ministro. As bancadas do Senado e da Câmara, no entanto, não concordam em ceder espaços já negociados com a presidente. Segundo lideranças do PMDB, Dilma teria oferecido a presidência da Infraero a Padilha, mas isso significaria, na verdade, o rebaixamento do ministro.

Segundo interlocutores do ministro Ricardo Berzoini ( Comunicações), que deverá assumir a articulação política, Dilma deverá concluir a reforma até quinta- feira. O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral ( PT- MS), afirma que a reforma ministerial é importante para que o governo conquiste a maioria dos votos no Legislativo:

— Essa reforma, o governo não pode errar. Porque é a chance de fidelizar nossa base nos projetos da área da economia que vão tramitar e que são importantes para sair da crise. Espero que a presidente consiga concluir esta semana.

Enquanto tenta equilibrar a necessidade de cortes nos ministérios e de acomodação dos aliados, Dilma também enfrentará votação importante de vetos no Congresso na quarta- feira. Na semana passada, o governo conseguiu manter vetos importantes e que poderiam provocar impacto grande nas contas públicas, mas a apreciação dos dois vetos mais polêmicos foi adiada: o que garante reajustes entre 53% e 78,5% aos servidores do Judiciário, com impacto estimado de R$ 36,2 bilhões em cinco anos; e o que estende a todos os aposentados e pensionistas do INSS reajustes pelo saláriomínimo, que, segundo o governo, provocaria um impacto de R$ 11 bilhões até 2019.

Nos bastidores, integrantes do PMDB sustentam que, se a reforma ministerial frustrar expectativas, criadas pela própria presidente com a promessa de ministérios, o governo pode ser derrotado.

A negociação direta entre Dilma e Picciani desagradou a Temer, que se sentiu escanteado. Um integrante da cúpula do PMDB ligado ao vice classificou a atuação do Planalto como “amadorismo político” e afirmou que Dilma desautorizou o comando do PMDB ao abrir uma negociação “no varejo”. Aliados de Temer no PMDB também questionam a operação do Planalto lembrando que Picciani apoiou a candidatura de Aécio Neves ( PSDB) à Presidência, no ano passado. E citam o fato de o deputado Manoel Júnior ( PMDB- PB), um dos indicados de Picciani para assumir o Ministério da Saúde, ter defendido que Dilma renunciasse ao mandato em entrevista a um portal de notícias da Paraíba.

— Negociar com alguém que estava ontem com Aécio, dando a volta na direção nacional do partido, é ter base sólida? Nomear para a Saúde alguém que há 15 dias defendia a saída da presidente? — questionou um peemedebista ligado a Temer.

Embora esteja praticamente certa a extinção da Secretaria de Políticas para as Mulheres ( SPM), Dilma defendeu ontem ações de seu governo na busca da igualdade de gênero. Ela não quis indicar, no entanto, se Eleonora Menicucci, que participa de sua comitiva, perderá o status de ministra.

— Eu vou pedir à minha querida imprensa brasileira, tenho pouco tempo e tenho que falar sobre isso que foi lançado — disse Dilma logo após ter terminado sua apresentação sobre as metas climáticas que anunciara em seu discurso durante a Conferência das Nações Unidas para a Agenda de Desenvolvimento Pós- 2015: — Eu vou insistir, eu não vou responder nada a respeito das mudanças na minha reforma administrativa. (Colaboraram Geralda Doca, Henrique Gomes Batista ( correspondente) e Catarina Alencastro ( enviada especial))

Com apoio de ministros, Kassab faz nova ofensiva para esvaziar PMDB

Kassab faz nova ofensiva para rivalizar com PMDB

• Ministro tenta criar partido também para esvaziar oposição e impeachment

• Ex-prefeito conta com a ajuda de ministros para aprovar nova sigla que quer abrigar até 28 deputados na terça

Ranier Bragon, Gustavo Uribe, Natuza Nery e Márcio Falcão - Folha de S. Paulo 

BRASÍLIA - Com o apoio do primeiro escalão de Dilma Rousseff, o ministro Gilberto Kassab (Cidades) patrocina nesta semana a última tentativa de recriar o Partido Liberal, legenda cujo objetivo é formar um bloco governista para rivalizar com o PMDB, além de esvaziar a oposição e o movimento pró-impeachment.

A pedido do ex-prefeito de São Paulo, integrantes do Palácio do Planalto adiaram a publicação da sanção presidencial à reforma política aprovada pelo Congresso.

Caso saísse no Diário Oficial na sexta (25), como esperado, a medida jogaria por terra os planos de Kassab de levar até 28 deputados federais para a nova sigla.

A movimentação de bastidores do ministro das Cidades, hoje um dos mais fiéis aliados de Dilma, começou logo após a reeleição da petista, no ano passado.

Incomodado com o poder do PMDB na coalizão –é o maior partido aliado a Dilma–, o Palácio do Planalto deu sinal verde a Kassab e a Cid Gomes (que viria a ser ministro da Educação) para tentar criar um polo alternativo.

Sempre negando publicamente estar ligado à operação, Kassab começou, por meio de aliados, a tentativa de recriar o Partido Liberal. O intuito era atrair deputados federais da oposição e do PMDB para a nova sigla e, depois, fundi-la com o PSD (o atual partido que Kassab comanda), superando em tamanho os peemedebistas. Hoje o PMDB tem 66 deputados federais; o PSD, 34.

A ação, porém, esbarrou na derrota do governo para Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que em fevereiro assumiu a presidência da Câmara dos Deputados e, desde então, trabalha para minar os planos de Kassab e denunciar publicamente a tentativa do Planalto de alvejar o parceiro PMDB.

Articulação
O último revés do ex-prefeito ocorreu no começo de agosto, quando o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o pedido de registro do PL. São necessárias cerca de 487 mil assinaturas de eleitores para que um partido seja criado, mas o PL só apresentou na ocasião 167 mil.

A partir de então, Kassab articulou reação. O PL entrou com recurso em setembro e entregou ao tribunal uma papelada em que afirma estarem as assinaturas faltantes.

O TSE encaminhou o recurso para que o Ministério Público dê parecer e, segundo Kassab disse a colegas da Esplanada, aprovará a recriação do PL nesta terça (29).

Segundo relato de dois auxiliares de Dilma Rousseff, Kassab pediu aos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Comunicações), em reunião no Palácio da Alvorada na quinta (24), que eles suspendessem a publicação, marcada para o dia seguinte, da sanção presidencial à reforma política.

Àquela altura, Dilma voava para Nova York e havia deixado a sanção pronta. Kassab não a queria publicada na sexta porque ela coloca na lei que deputados federais só podem mudar de partido sem risco de perder o mandato no sétimo mês anterior às eleições –a próxima janela do troca-troca só se abriria em março de 2016.

Até a sanção ser publicada, continua valendo a resolução do TSE que permite a migração para novas legendas nos 30 dias posteriores à sua criação.

Compromissos
Segundo promessa de Kassab a Mercadante e Berzoini, ele já tem prontas e assinadas a filiação ao PL de 25 a 28 deputados federais de siglas como PV, DEM, PSB e PMDB, ação que seria concretizada ainda na terça (29), após eventual aval do TSE ao PL.

Caso chegue ao número máximo prometido, além de esvaziar a oposição o ex-prefeito reuniria 62 deputados na aliança PSD-PL, quase o mesmo tamanho do PMDB (66). O ministro das Cidades argumentou que essa operação é, em sua visão, essencial no momento em que a oposição tenta deflagrar processo de impeachment, com apoio de alas do PMDB.

Impedimento
Apesar de ocupar a vice-presidência, com Michel Temer, e ministérios, o PMDB abriga rebelados em sua base, como Cunha, e ameaça declarar independência do governo em novembro próximo.

Pelo acordo traçado no Alvorada, a sanção só será publicada na quarta (30), último dia do prazo. Porém, a Dilma e ministros estariam sofrendo pressão do PMDB para que ela saísse já nesta segunda (28) para parrar a articulação do ministro.

O impasse tem potencial de elevar a temperatura da crise em uma semana em que o governo quer fechar a reforma ministerial e melhorar sua relação com o PMDB.

Ainda de acordo com auxiliares de Dilma ouvidos pela Folha, Kassab está prometendo aos deputados dispostos a ingressar no PL controle sobre o partido em seus redutos, além de coligação com o PSD na campanha de 2016, o que daria mais tempo de TV para os candidatos.

Em sua decisão sobre a reforma política, Dilma decidiu vetar apenas o ponto que permite o financiamento empresarial de partidos políticos. Ela seguiu decisão do STF (Supremo Tribunal Federal)que considerou a prática inconstitucional.

Rebu governista a saga do PL
Kassab causa tumulto na coalizão de Dilma Rousseff ao tentar criar polo alternativo ao PMDB

O início
Após a reeleição de Dilma Rousseff, os ministros Gilberto Kassab (Cidades), do PSD, e Cid Gomes (Educação), então no Pros, lideram nos bastidores a tentativa de criar um bloco para rivalizar com o PMDB na coalizão governista

O método
Aliados de Kassab articulam a recriação do PL (Partido Liberal), com o objetivo de futura fusão ao PSD do ministro das Cidades

Tropeço
Em agosto deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o pedido de registro do PL, que só apresentou ao tribunal 167 mil das cerca de 487 mil assinaturas de eleitores necessárias para a criação de um partido

A reação
O PL recorreu em setembro, entregou ao TSE o que diz serem assinaturas faltantes e pede que o tribunal reconsidere sua decisão