Passeatas pedem impeachment do presidente, responsabilização dele pela condução da pandemia e 'vacina já'; também houve protestos em Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Belém, entre outras cidades
João Paulo Saconi e Guilherme
Caetano / O Globo
BRASÍLIA, RIO SÃO PAULO — Manifestantes fizeram neste
sábado diversos protestos contra o governo Jair Bolsonaro. Os atos aconteceram
em pelo menos 21 capitais, além de cidades no interior do país. Os
manifestantes criticaram a gestão federal da pandemia do novo coronavírus,
pediram maior velocidade no processo de vacinação e o impeachment do
presidente. Apesar de usarem máscaras, os manifestantes não deixaram de causar
aglomeração.
Os atos foram convocados por entidades e políticos de
oposição em resposta às mobilizações bolsonaristas realizadas nas últimas
semanas, na esteira do desgaste que o governo tem sofrido na CPI da Covid, no
Senado. Pela manhã, os protestos aconteceram no Rio, Brasília, Salvador, Belo
Horizonte, Recife e Belém, entre outras cidades. Em Recife, a Polícia Militar
atirou balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os manifestantes, e o
comandante da PM foi afastado do cargo.
No meio da tarde, milhares de pessoas se concentraram em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista, para a manifestação na capital paulista. Outros protestos estavam previstos para ocorrer em Porto Alegre, Vitória, Curitiba, Natal, Macapá e Fortaleza.
Homens da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio) fizeram o controle do trânsito enquanto agentes da Polícia Militar (PM) ficaram responsáveis pela segurança. Não houve conflitos envolvendo participantes do ato ou policiais. Ao fim das atividades, na Cinelândia, um grupo ateou fogo a dois bonecos com o rosto de Bolsonaro. A corporação, que observava à distância, não interveio. O fogo foi controlado pelos próprios manifestantes.
Antes de seguir até a Cinelândia, o ato permaneceu concentrado enquanto seus organizadores discursavam sobre dois carros de som. Eles informaram que, ao fim do ato, políticos seriam convidados a discursar. O momento, no entanto, não chegou a acontecer.
Estavam no ato parlamentares como os vereadores da capital Chico Alencar, Tarcísio Motta e Mônica Benicio, ambos do PSOL (ela viúva da vereadora Marielle Franco, do PSOL, asassinada em 2018); as deputadas estaduais Renata Souza e Dani Monteiro, também do PSOL e a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB).
Também marcaram presença integrantes da classe artística, como o ator Paulo Betti e as atrizes Camila Pitanga e Maria Ribeiro — a última homenageou com cartazes o humorista Paulo Gustavo, morto no início do mês aos 41 anos, vítima da Covid-19.




















