segunda-feira, 17 de março de 2025

Os analfabetos e a democracia - Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

A inclusão deles no voto foi peça-chave para consolidar e tornar a democracia autossustentável

No último sábado, 15 de março, a democracia brasileira completou 40 anos, marcando o mais longo período democrático da história do País. A posse de José Sarney como o primeiro presidente civil após 21 anos de ditadura militar representou um marco histórico para o Brasil.

Estudos apontam que transições democráticas iniciadas por meios pacíficos e pactuados têm três vezes mais chances de resultar em democracias duradouras. No Brasil, a chamada “Aliança Democrática”, formada por reformistas do lado autoritário e moderados do lado democrático, ajudou a garantir uma transição com menos violência e maior estabilidade.

Poesia | Amar, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Elis Regina - O Bêbado e a Equilibrista

 

domingo, 16 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Supremo fez bem em ajustar escopo do ‘foro privilegiado’

O Globo

A partir de agora, políticos não podem mais sair do cargo para julgamentos recomeçarem do zero

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na semana passada, por 7 votos a 4, mudar a interpretação sobre o foro “por prerrogativa de função” — mais conhecido como “foro privilegiado” — que vigorava desde 2018. Prevaleceu o entendimento do relator, ministro Gilmar Mendes, para quem, no caso de crimes cometidos no cargo e em razão dele, o foro do processo deve ser mantido mesmo depois que as autoridades — presidente, ministros, parlamentares, governadores, prefeitos etc. — deixarem o cargo. As exceções ao foro ficam mantidas: crimes praticados antes de o acusado assumir a função que garantiu o foro ou depois de deixá-la e aqueles que não guardem nenhuma relação com seu exercício.

O defensor da democracia - Merval Pereira

O Globo

Sarney pode estar fora do poder, mas não perdeu a importância política. Continua sendo procurado por todos os líderes políticos

Na noite em que Tancredo Neves se internou em Brasília e ficou claro que não poderia tomar posse no dia seguinte como presidente da República, quem decidiu que o vice José Sarney assumiria foi o general Leônidas Pires Gonçalves, já escolhido novo ministro do Exército. Os juristas se dividiam entre Sarney e o presidente da Câmara, deputado Ulysses Guimarães, e Leônidas desempatou. O senador Pedro Simon perguntou, indignado, a Ulysses porque ele não reagira àquela decisão:

— Não podia, meu Pontes de Miranda estava me cutucando com a espada dizendo que seria o Sarney, comparando ironicamente o ministro do Exército com o grande jurista brasileiro.

O próprio Sarney insistiu para que Ulysses assumisse, o último ditador militar do golpe de 1964, João Figueiredo se recusava a passar a faixa para o antigo presidente do PDS que rompeu com o governo para abrir uma dissidência de onde nasceria a Frente Liberal, fundamental para a vitória no Colégio Eleitoral que ainda escolheria o sucessor de Figueiredo pelo voto indireto. Mas a decisão estava tomada.

Posse de Sarney mostrou que nossa democracia não é para principiantes - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Tanto os militares fracassaram no seu projeto autoritário, quanto os setores da oposição que imaginavam uma ruptura que se confundisse com a revolução

Como resistir ao chiste de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Tom Jobim, sobre a complexidade da terra em que nascemos: “O Brasil não é para principiantes”? Esses 40 anos de redemocratização são uma prova disso. Alguns, mesmo hoje, por incompreensão política ou dogma ideológico, ainda torcem o nariz para o ex-presidente José Sarney, cuja posse, em 15 de março de 1985, marcou o fim da ditadura militar. Entretanto, foi o político que legalizou os partidos comunistas e convocou a Constituinte de 1985, sem a qual não teríamos as instituições capazes de barrar a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, cujo objetivo era destituir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ontem, comemorou-se a posse de Sarney como um marco inaugural da ordem democrática que temos hoje, num evento histórico realizado no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, pela Fundação Astrojildo Pereira e o Cidadania, com apoio do Correio Braziliense. Hoje, em Copacabana, haverá uma grande manifestação de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e em defesa da anistia aos condenados por invadirem os prédios da Praça dos Três Poderes, vandalizando o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Comício fora de época – Bernardo Mello Franco

O Globo

Às vésperas de virar réu, Jair Bolsonaro tenta mostrar que ainda está vivo. O capitão convocou a tropa para um comício fora de época. Quer exibir força para a classe política e para os ministros que vão julgá-lo no Supremo Tribunal Federal.

O ex-presidente está inelegível, mas insiste em repetir que será candidato ao Planalto. A estratégia cumpre dois objetivos: manter sua ascendência no campo da direita e impor condições a quem buscar seu apoio.

Em 2018, Bolsonaro martelava que Fernando Haddad era candidato com a missão de tirar Lula da cadeia. Em 2026, só pedirá votos a quem prometer recompensá-lo com um indulto.

A carestia não tem curas pontuais - Elio Gaspari

O Globo

Na quarta-feira, Lula anunciou uma iniciativa para expandir o crédito dos trabalhadores e explicou: “Não há nada mais milagroso para uma economia do que o dinheiro circular na mão de todos. Quando o dinheiro se concentra na mão de poucos, a gente sabe o resultado da História do Brasil, de muitos países e da humanidade”.

Faltou-lhe a sorte. No mesmo dia, o IBGE informou que a inflação acumulada nos últimos 12 meses estava em 5,06%, superando o teto da meta do Banco Central de 4,5%. Mais dinheiro na mão de todos faz milagres. Contudo, se o dinheiro vale menos, o milagreiro se torna charlatão.

Desde que a carestia foi associada à erosão da confiança no governo, os companheiros correm atrás de más notícias pontuais. Ora é o ovo, ora é o café. Para o que seriam problemas pontuais, respondem com soluções políticas pontuais. Itaipu socorre as tarifas de energia, ou retira-se o imposto de importação para aliviar o preço do ovo.

Aviso do tempo das travessias - Míriam Leitão

O Globo

A situação atual dos EUA com Trump serve de alerta: a inflação dissolve intenções de de voto e o perigo institucional muitas é esquecido

A economia vencerá Donald Trump. Ela é o que é. Não aceita desaforos e responde sempre. A guerra tarifária é inflacionária e a inflação é uma velha inimiga da popularidade. A incerteza provocada por um líder bélico, errático, randômico, vai paralisar decisões. A economia não gosta da dúvida. Ela é o que é. O grande desafio neste momento vai além da economia. Ainda é a democracia que está num pêndulo perigoso. A nossa, custou muito caro e ontem completou 40 anos. Jovem a nossa democracia, mas é a mais longeva que tivemos. Preciosa. Viveu sustos recentes e não está fora de perigo.

Erro primário – Dorrit Harazim

O Globo

Não se pode esperar racionalidade na Casa Branca de hoje. Nem achar normal o que testemunhamos

As leis da gravidade política têm pouca serventia quando aplicadas a Donald Trump. Basta lembrar que ele foi reeleito para a Casa Branca apesar de muitos pesares — um primeiro mandato caótico, quatro indiciamentos judiciais, dois processos de impeachment, condenação por 34 crimes etc. Ao tomar posse dois meses atrás, sua popularidade alcançou píncaros inebriantes para quem é chegado a uma megalomania. Além de ele ter derrotado a democrata Kamala Harris (alguém ainda se lembra dela?) no colégio eleitoral, Trump também venceu no voto popular e ainda emplacou maioria republicana nas duas Casas do Congresso.

Amparado em mandato tão inequívoco, e alimentado por uma corte de bilionários cuja fortuna parece inversamente proporcional a seu amadurecimento humano, o presidente cometeu um erro primário. Tomou a zanga do eleitorado com a inflação e a carestia atribuídas à era Biden como sinônimo de aversão nacional ao tamanho do Estado e do governo.

Tempo de tormenta e vento esquivo - Celso Lafer

O Estado de S. Paulo

A erosão e a crise do multilateralismo comprometem o potencial de gestão cooperativa no âmbito da interdependência dos Estados

Pesa sobre a inserção internacional do Brasil a lógica das circunstâncias de relações cambiantes de um mundo de intensificados conflitos. São conflitos permeados pelas tensões de poder de alta voltagem que se dão no contexto do caleidoscópio da geopolítica.

Disso são exemplos o andamento da guerra na Ucrânia, guerra de conquista deliberada pela Rússia de Putin, e a intensidade bélica no Oriente Médio, cujo ponto de partida foi o ataque terrorista do Hamas a Israel. São conflitos que têm alcance geral. Apontam para uma renovada presença dos riscos da situação-limite paz/guerra na vida internacional, numa escala distinta dos chamados conflitos de baixa intensidade que emergiram no pós-Segunda Guerra, contidos na sua abrangência pelo precário equilíbrio da dissuasão nuclear da bipolaridade EUA/União Soviética.

A voz da democracia - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Mundo se arma contra a política espalhafatosa e belicosa de Trump. E os EUA?

Só um poder será capaz de estancar a audácia de Donald Trump: a sociedade americana, que até aqui assiste, inerte, ao processo inevitável de inflação, aumento de custos da indústria, demissão em massa de funcionários, perseguição de militares legalistas, desmonte do controle de voos em meio a sucessivos acidentes e erros, o fim do soft power, da Usaid e da ajuda humanitária americana ao redor do mundo e a uma política externa espalhafatosa e belicosa – o oposto, portanto, da boa diplomacia.

A vocação de Trump é implodir consensos e causar rachas profundos não apenas no mundo, mas nas instituições e na sociedade dos EUA, jogando todos contra todos e transformando seu governo numa religião cheia de inimigos e dogmas. Aos que acreditam, tudo; aos que não, a lei – a sua lei, que as redes sociais e Elon Musk executam.

Democracia brasileira tem um caminho inacabado, avalia Cristovam

Raphael Pati, Eduarda Esposito e Maiara Marinho / Correio Braziliense

O ex-governador Cristovam Buarque citou que o país ainda tem dívidas a pagar com a democracia: nível alto de corrupção e corporativismo estatal

Apesar de já transcorridas quatro décadas da posse de José Sarney como presidente da República, que consolidou a volta de um regime democrático no país, o Brasil ainda tem dívidas a pagar para com a democracia, é o que pensa o ex-governador do Distrito Federal e ex-senador Cristovam Buarque, que participou ontem do evento Democracia 40 anos: conquistas, dívidas e desafios. O seminário suprapartidário foi organizado pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e pelo partido Cidadania, e contou com o apoio do Correio.

Entre as "dívidas" citadas pelo ex-governador, ainda está o nível alto de corrupção, alinhado ao alto nível de corporativismo estatal. "O Brasil é profundamente dividido em corporações. Temos 90 milhões de processos jurídicos atualmente, e isso é fruto de um corporativismo", considerou.

Também mencionou a questão do Bolsa Família, criado durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que, segundo Cristovam, deveria ter um prazo para terminar. "Ainda não temos uma estratégia para diminuir a pobreza do Brasil. Não temos uma estratégia para dizer que daqui a 20 anos vamos acabar com o Bolsa Família no Brasil", acrescentou o político. 

Democracia viva e sob permanente vigilância

Eduarda Esposito e Vanilson Oliveira / Correio Braziliense

Ex-presidente José Sarney relembrou os desafios enfrentados na transição para a democracia, durante evento no Panteão, que contou com a presença de autoridades, acadêmicos e ex-chefes de Estado

A celebração dos 40 anos da redemocratização política do Brasil reuniu autoridades, acadêmicos e ex-chefes de Estado no coração de Brasília: o Panteão, na Praça dos Três Poderes. O evento Democracia 40 anos: Conquistas, Dívidas e Desafios, apoiado pelo Correio Braziliense, relembrou o passado e indicou perspectivas para o futuro.

O ex-presidente José Sarney, o principal homenageado, afirmou que é preciso vigilância permanente para garantir a continuidade do regime democrático. Primeiro presidente da Nova República, o maranhense, vice-presidente na chapa vencedora das eleições indiretas, tomou posse no lugar do presidente eleito, Tancredo Neves, internado no Hospital de Base, em 15 de março de 1985.

Com a morte de Tancredo, em 21 de abril, Sarney governou o Brasil durante os anos de mandato subsequentes, época fundamental para a elaboração da Constituição de 1988. No discurso, Sarney destacou os desafios enfrentados no período da transição da ditadura para a democracia e ressaltou o papel da Carta Magna como pilar fundamental da estabilidade política do país. "Ulysses Guimarães me disse: 'Sarney, podemos não ter Constituição'. Eu respondi: 'Sem Constituição, não há transição, porque é a Constituição que vai estabelecer a nova sociedade democrática do Brasil'", recordou o ex-presidente, ressaltando que a elaboração da Carta Magna foi essencial para consolidar o Estado democrático.

Olhos de ontem; olhos de sempre: 40 anos de democracia - Ana Dubeux

Correio Braziliense

Olhos de ontem, como disse Sarney em seu discurso de posse ouvido in loco por Liana Sabo, são os olhos de sempre. São eles que eternizam momentos históricos

Sentei ao computador para escrever este texto depois de ler o artigo impactante da nossa repórter de ouro, Liana Sabo. E agora estou aqui procurando as palavras certas para falar da importância deste dia histórico que não cobri como jornalista profissional. Neste sábado, 15 de março, são 40 anos de redemocratização do Brasil. Vejo este dia com os olhos de Liana; também com os olhos de José Sarney, aquele que assumiu como presidente da República no susto ou, como ele me disse, “levitando”.

Liana escreve às vésperas de completar 57 anos como repórter do Correio Braziliense. Descreve de maneira prodigiosa e com detalhes preservados na sua sempre excelente memória as horas que antecederam ao dia da posse de Sarney no lugar de Tancredo Neves. Na época, antes de se tornar uma jornalista de referência na área da gastronomia, Liana cobria o Itamaraty.

Reescrevo aqui o final do seu artigo, uma pérola: “Quando raiou o dia, a edição estava fechada. Fui pra casa, tomei um banho e um café forte e me vesti depressa para chegar cedo à posse no Palácio do Planalto. Quando José Sarney, do alto dos seus 55 anos, abriu o discurso, emocionado, dizendo ‘estou com os olhos de ontem’, eu comentei baixinho no quadrado de imprensa, frente às autoridades: ‘Eu também, presidente’. Assim, insone, eu vi renascer a democracia no Brasil”.

Jojo Todynho e a eleição de 2026 - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Progressistas veem, mas não enxergam, a obviedade de que país mudou

Jojo Todynho precisa comprar toalhas novas. É o que lhe diz Luciano Hang, vestido de fadinha. O "Véio da Havan" faz propaganda da loja dele: "um mês todynho de ofertas". Zapeio a TV.

Ronaldinho Gaúcho recomenda a Shopee, loja típica do mundo "blusinha". Cafu e Adriane Galisteu anunciam "bets". Tão Brasil, "contemporâneo", embora Cafu, Gaúcho e Galisteu sejam dos tempos de FHC 1 a Lula 2, quando havia a ilusão de que o Brasil viria a ser mediocridade mais arrumadinha.

No noticiário, Lula diz que estão "sacaneando as galinhas". Promete para terça-feira (18) o projeto de isenção do IR. No domingo (16), Jair Bolsonaro faz comício pela anistia de si mesmo e de golpistas coadjuvantes.

A eleição para presidente do PT - Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Disputa não será entre moderados e radicais, como os grandes embates petistas dos anos 1990

O PT elegerá seu novo presidente no próximo dia 6 de julho. A disputa influenciará a relação do partido com o governo, e pode gerar fissuras no grupo dirigente cujo impacto de longo prazo é difícil de prever.

O PT já teve disputas presidenciais acirradíssimas, especialmente nos anos 1990, durante o difícil processo de moderação do partido. A eleição logo depois da crise do Mensalão, que abalou fortemente o grupo dirigente, também teve debates intensos. Mas a saída de parte da esquerda petista para formar o PSOL, bem como a virada pragmática do partido quando foi governo, tornou as eleições para a presidência do PT mais previsíveis.

O mais comum é que, após negociações mais ou menos difíceis, vença o candidato da CNB ("Construindo um Novo Brasil"), que, em suas diversas encarnações anteriores, dirigiu o PT desde os anos 1980, quase ininterruptamente. Voltaremos a esse "quase".

Como a economia explica o mundo - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro mostra como conceitos abstratos do tipo utilidade marginal decrescente produzem efeitos concretos na história

Breve e certeiro são dois adjetivos que descrevem bem "How Economics Explains the World" (Como a Economia Explica o Mundo), de Andrew Leigh. Em menos de 200 páginas, ele narra como forças econômicas moldaram a história.

Leigh começa com a agricultura, que criou a possibilidade de acumular riqueza e permitiu a especialização do trabalho, e termina na pandemia, cujo impacto inflacionário, agravado pela invasão da Ucrânia, até hoje afeta o resultado de eleições mundo afora.

Uma coisa que Leigh faz muito bem é mostrar como conceitos econômicos que podem parecer abstratos, como estrutura de incentivos, custos de oportunidade, utilidade marginal decrescente, geram efeitos concretos.

O Congresso não se emenda - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Se os parlamentares se recusam a dar transparência às emendas é porque há algo de podre a esconder

Impressiona, embora não surpreenda, a relutância dos parlamentares em atender ao quesito de transparência do artigo 37 da Constituição escrita pelo Congresso ao qual pertencem.

A recusa de fazer jus à Carta de 1988 já ficou patente em 2022 quando a então ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, confirmou a ilegalidade do chamado orçamento secreto e o Parlamento simplesmente ignorou a sentença.

Dois anos depois, Flávio Dino assumiu a cadeira dela, decidiu dar um fim ao desrespeito e pegou o touro na unha. Tentou por bem, chamando ao STF representantes do Legislativo e do Executivo para um acordo mediante o qual o uso das emendas seria rastreável e com identificação de autoria.

Gleisi muda modelo de articulação política do governo - Victoria Azevedo

Folha de S. Paulo

Ministra quer se posicionar como articuladora direta entre Lula e a cúpula do Congresso

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), pretende concentrar as negociações do governo Lula com o Congresso, antes divididas com outros ministros, e se posicionar como uma articuladora direta entre o presidente da República e as cúpulas da Câmara e do Senado, dominadas pelo centrão.

Aliados de Gleisi falam em uma mudança no modelo de articulação política. Depois de um período em que líderes encaravam a relação com o governo com pouca confiança, esses aliados dizem que a ministra pode fazer negociações com maior respaldo de Lula, priorizando as lideranças partidárias e participando ativamente de cada etapa das negociações.

Articular o que não tem - Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Em período de baixa popularidade, Lula aparenta guinada à esquerda, instalando a presidente do PT na articulação política

Nesse instante de comida cara, baixa popularidade e aumento dos blefes do Centrão, Lula aparenta uma guinada à esquerda, instalando a presidente do PT na articulação política. Pode ser que esteja preparando bases para a eleição de 2026, mas há uma grande dose de anacronismo nisso tudo, incongruente com a situação do país. Por um lado, a macroeconomia vai bem, com o PIB em alta e o desemprego em baixa, sem despertar muita atenção. Por outro, as instituições funcionam, processando golpistas e estabilizando mecanismos democráticos. A política verdadeira, porém, é uma barafunda. A ela, ou a sua ausência, se devam talvez os índices de desaprovação.

Poesia | Balada do amor através das idades, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Chico Buarque - A Volta do Malandro

 

sábado, 15 de março de 2025

Entrevista | José Sarney: 'Fui um presidente marcado para ser deposto'

Naief Haddad / Folha de S. Paulo

Político maranhense lembra a chegada improvável ao poder há 40 anos e as dificuldades para conduzir a transição democrática

José Sarney tem as mãos levemente trêmulas e a voz frágil. Ao lado do enfermeiro, o ex-presidente de 94 anos caminha com dificuldade. Os fios do bigode, aparado com esmero, estão completamente brancos.

Por outro lado, seu raciocínio se mantém afiado assim como o espírito conciliatório. Na sala da sua casa em Brasília, decorada com pinturas de artistas como Cândido Portinari e Burle Marx, ou na ampla varanda, de onde se vê o lago Paranoá, Sarney recebe com frequência amigos dos mais variados espectros políticos, do presidente Lula (PT) ao ex-presidente Michel Temer (MDB).

No momento em que a reportagem chegou para entrevistá-lo, no final da tarde do último dia 7, Sarney falava por telefone com Julio María Sanguinetti, ex-presidente do Uruguai. Sanguinetti disse a ele que pretendia ir ao evento de homenagem ao político maranhense neste sábado, dia 15, em Brasília.

Em 15 de março de 1985, com a hospitalização de Tancredo Neves, cabeça da chapa eleita dois meses antes no Colégio Eleitoral, coube ao vice, Sarney, assumir a Presidência. Ele imaginava que Tancredo ocuparia o posto alguns dias depois, mas, passadas sete cirurgias, o amigo mineiro morreu em 21 de abril.

Com um ministério todo escolhido por Tancredo, Sarney deveria conduzir a transição da ditadura militar para a democracia. "Fui um presidente marcado para ser deposto, como muitos outros da história do Brasil", afirmou.

Na entrevista, ele diz se arrepender das críticas feitas a Juscelino Kubitschek, lembra a depressão que teve nos anos 1980 e comenta as acusações de favorecer deputados para que aprovassem seu mandato de cinco anos. Também se recorda da relação com os militares, analisa as razões para que o Plano Cruzado tivesse um desfecho negativo e critica a falta de lideranças no Brasil de hoje.

Instituições precisam reaprender a ouvir – Pablo Ortellado

O Globo

Vemos críticas não ser consideradas porque são percebidas como acusação moral ilegítima

A polarização não é apenas a separação da sociedade em dois campos políticos antagônicos. Com ela, vêm também a desqualificação do adversário e insensibilidade às suas críticas. Quando instituições são hegemonizadas por um dos polos, seu caráter público é comprometido porque as autoridades que as controlam sentem que não precisam responder a críticas “desqualificadas”. Precisamos entender como opera esse mecanismo e atuar em sentido contrário, para garantir que sigam funcionando de modo republicano num mundo dividido.

Esconder patrocinador só pode ter dois motivos: corrupção ou barganha política – Míriam Leitão

O Globo

A avaliação é Marcos Mendes, professor do Insper, que destaca o fato de o Brasil ser único país da OCDE em que o Executivo é obrigado a reservar parte do Orçamento para este fim

A insistência dos parlamentares em deixar brechas na nova regulamentação das emendas parlamentares mantendo a possibilidade de continuar a ocultar a identificação dos autores dos recursos de indicação coletiva só podem ter duas razões: corrupção ou o fato dos recursos estarem sendo usados para barganha política e não seria bom que o parlamentar A soubesse o quanto o B recebeu. A avaliação é de Marcos Mendes, professor do Insper, que provoca:

-Quando é interessante para o parlamentar, ele bate bumbo para divulgar que foi ele quem destinou recursos para um determinado projeto ou localidade. Se não quer ser identificado como patrocinador dessa emenda suspeita-se que haja algum mal feito.

Americanos pagarão por ataque à ordem global - Fareed Zakaria

O Estado de S. Paulo

Trump vem desfazendo o sistema internacional; posição privilegiada americana também declinará

Reviravoltas nos EUA estão sendo notadas e resultarão em revolução na política global

Cingapura joga suas cartas geopolíticas com cuidado, ao tentar manter boas relações com os EUA em uma região dominada pela China. Então, vale a pena prestar atenção quando seu ministro da Defesa diz que a imagem de Washington “mudou de libertador para grande desestabilizador, para um senhorio buscando aluguéis”. Seu premiê, Lee Hsien Loong, resumiu o desafio que o mundo enfrenta: “Os EUA não estão mais dispostos a garantir a ordem global”.

Em poucas semanas, o governo Trump pôs em prática uma revolução na política externa americana, abandonando um antigo aliado democrático, a Ucrânia, cuja segurança os EUA prometeram defender desde a assinatura do Memorando de Budapeste, há 30 anos. Agora, Trump pede uma parte da riqueza mineral da Ucrânia, que seu governo descreve como “retribuição”, em troca de apoio.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Nova manobra para manter emendas ocultas é acintosa

O Globo

Regras aprovadas pelo Congresso ferem transparência, violam acordo entre Poderes e ofendem Constituição

É um acinte a insistência do Congresso em negar aos brasileiros o direito constitucional de rastrear o gasto público. Em sessão conjunta na quinta-feira, ela ganhou um novo e triste capítulo. Senadores e deputados — num arco que foi do PL ao PT — aprovaram regras sobre emendas parlamentares que contrariam a Constituição, contrariam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e contrariam o acordo que os recém-empossados presidentes da Câmara e do Senado haviam firmado com o STF. O texto cria uma brecha para que os padrinhos das verbas continuem incógnitos nas emendas de comissão e de bancada. Se todos os partidos presentes no Congresso, com exceção dos nanicos Novo e PSOL, são contra a transparência, não restará outra alternativa ao Judiciário senão determinar novos bloqueios das verbas. O vaivém se arrasta desde 2022 — e precisa ter fim.

A reação à resolução foi imediata. As ONGs Transparência Brasil, Transparência Internacional e Contas Abertas emitiram nota afirmando que a decisão do Parlamento criou “mais uma versão do orçamento secreto”, em clara “afronta aos princípios constitucionais da publicidade e da moralidade que orientam o processo orçamentário e às determinações do STF”. A nota ressalta que a autoria das emendas coletivas — de comissão e bancada — continuará oculta “sob a assinatura de apenas uma pessoa”, o líder partidário ou o coordenador da bancada de cada estado. Para o Instituto Não Aceito Corrupção, a norma perpetua a “distorção decorrente da possibilidade de autores de projetos de emendas se esconderem atrás das figuras de líderes partidários e de bancadas, blindando-os do escrutínio”.

Do caráter subversivo do café - Hélio Schwartsman

Folha de Paulo

Soberanos de várias partes do mundo tentaram proibir a bebida para evitar que as pessoas se encontrassem e discutissem problemas do país

Do século 16 até principalmente a segunda metade do 18, soberanos de diversas nações tentaram proibir o café. Eles fracassaram. Basta ver que, hoje, porção não desprezível da humanidade se socorre matinalmente da infusão de grãos de plantas do gênero Coffea. Mas não dá para dizer que a intuição desses reis estivesse errada.

A bebida café deu origem aos cafés, lugares onde pessoas de diferentes estratos sociais se reuniam para apreciar o líquido e conversar. Eram, portanto, do ponto de vista das autoridades, verdadeiros antros de subversão.

A recessão de Donald Trump - Rodrigo Zeidan

Folha de S. Paulo

Os EUA vão pegar uma gripe; e nós precisamos nos preparar para não pegarmos pneumonia

A latino-americanização dos Estados Unidos continua de vento em popa. Trump está causando recessão somente por sua inconsistência. Ao prometer uma coisa e mudar de ideia, ameaçar com tarifas e voltar atrás e demitir funcionários somente para recontratá-los uma semana depois, o governo Trump joga as expectativas no fundo do poço, de onde vai demorar para a economia americana sair. O modelo do Federal Reserve de previsão do PIB já aponta contração de 2,4% para o primeiro semestre.

Esse tipo de incerteza é bem comum no Brasil. Políticas que são anunciadas, mas ficam marinando no Congresso, ou ações revertidas rapidamente tornam investimentos de longo prazo menos atrativos.

Feliz ano velho - Luís Francisco Carvalho Filho

Folha de S. Paulo

Golpe de Estado não é delito trivial

É tudo ficção: a ditadura militar, a opressão, a tortura, o desaparecimento de Rubens Paiva e, agora, a tentativa de golpe de Jair Bolsonaro.

"Ainda Estou Aqui" ganha o Oscar de filme internacional e o deputado Eduardo Bolsonaro, um dos filhotes nefastos do ex-presidente e embaixador do golpismo nos EUA, chama o cineasta Walter Salles de "psicopata cínico". Para ele, o filme trata de "ditadura inexistente".

As aparências enganam. O Brasil tem sido leniente demais com golpistas.

É verdade que tem general detido preventivamente, ainda que sem rigor penitenciário, e que o STF vai analisar o recebimento da denúncia em 25 de março, mas o processo contra Bolsonaro e alguns de seus cúmplices (golpistas silenciosos desfilam impunes pela cena política como homens de bem e testemunhas de caráter) caminhou até aqui como se crime contra as instituições democráticas fosse delito trivial. Não é.

O ditador e o traidor - André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O mundo mudou muito, mas infelizmente as discussões em Brasília não querem ou não conseguem sair do provincianismo e perceber a profunda modificação da política internacional

Na Ucrânia, bem antes da guerra, a palavra sovok, gíria local, se aplicava aos vestígios miseráveis da existência soviética, economia letárgica, burocracia corrupta, estagnação e tudo o que o governo da época representava. Esse conjunto de evidências apontava no sentido de que os jovens teriam a mesma vida medíocre, sem horizontes experimentada pelos respectivos pais. Esse entendimento permeou a sociedade, desde o pobre até o rico, e resultou em diversos tumultos e revoluções que terminaram por derrubar os governos pró-Moscou. Foi o início da confusão que desaguou na invasão do país pelas tropas russas.

40 anos da redemocratização: o sobe e desce do pluripartidarismo

Bernardo Melo e Caio Sartori / O Globo

Quatro décadas depois de Sarney assumir Presidência, Congresso caminha para voltar à fragmentação pós-ditadura; novas regras reduzem siglas, mas sem resolver crise

No ano em que se completam quatro décadas da redemocratização, o Brasil experimenta uma diminuição do número de legendas no Congresso que, já em 2026, pode reduzir a fragmentação partidária ao nível das eleições de 1986. Aquela disputa, a primeira com voto direto após a transição da ditadura militar para o regime democrático — cujo marco é a posse do primeiro presidente civil, José Sarney, em 15 de março de 1985 —, ocorreu em um contexto de abertura ao pluripartidarismo, e terminou com 12 partidos representados na Câmara. Atualmente, há 16 bancadas na Casa, incluindo três federações, e o aumento das exigências da cláusula de barreira vem levando ao menos outros cinco partidos a discutirem fusões e incorporações.

Pesquisadores avaliam que o pluripartidarismo, juntamente à Lei da Anistia e ao fim do AI-5, compôs um pacote essencial para o desmantelamento da ditadura — o bipartidarismo vigorou na maior parte do regime militar, entre 1966 e 1979. A pulverização trouxe, porém, desafios para a formação de coalizões. O país chegou a ter 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2018, quando 30 siglas elegeram representantes à Câmara, o recorde do período. A partir daí, mudanças nas regras de acesso a recursos de campanha e o fim das coligações na eleição legislativa estimularam o enxugamento do total de siglas. Hoje, há 29 partidos registrados no país.

O Pânico Vermelho, parte 3 - Demétrio Magnoli

Folha de S. Paulo

Prisão de líder dos protestos anti-Israel na Universidade Columbia indica que Trump pretende produzir a terceira versão de um filme antigo

A prisão e ameaça de deportação de Mahmoud Khalil, um dos líderes dos protestos anti-Israel na Universidade Columbia, indica que Trump pretende produzir a terceira versão de um filme antigo. O Pânico Vermelho original desenrolou-se no rastro da Grande Guerra, sob o impacto da Revolução Russa e da radicalização do movimento trabalhista nos EUA. A versão seguinte foi o macarthismo, na primeira década da Guerra Fria. O filme serve para ampliar o poder estatal e acossar as liberdades públicas.

As manifestações estudantis anti-Israel de 2024 desempenharam papel instrumental no triunfo eleitoral de Trump. Na sua maioria, os participantes reagiam com horror aos bombardeios indiscriminados israelenses na Faixa de Gaza. Suas lideranças, porém, ergueram bandeiras que ecoam a estratégia do Hamas. "Palestina livre do rio até o mar", o lema perene, e imagens celebratórias dos atentados de 7 de outubro, descritos como "os palestinos voltando para casa", somaram-se a atos pervasivos de intimidação contra estudantes e professores judeus. O Partido Democrata foi visto como sócio do linguajar antissemita pois sua ala esquerda saudou os protestos.

Câmbio em marcha forçada - Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

Muito além do “risco fiscal”, países de moeda frágil, como o Brasil, se dilaceram entre controlar a inflação e crescer

Nos idos de 1999, o nosso Brasil varonil adota o regime de câmbio flutuante. Naquele momento, não por convicção, mas por necessidade. Após uma crise aguda no balanço de pagamentos, vítima de uma fuga maciça de dólares para o exterior, no segundo semestre de 1998, o País ficou praticamente sem reservas internacionais.

Nosso Banco Central tenta defender a banda cambial, intervindo nos contratos de dólar futuro. Em 1999, o Banco Central tinha a prerrogativa de intervir no mercado futuro.

Hoje, não!

A forte desvalorização do real naquele momento promoveu a adoção do Tripé Macroeconômico. A tríade (ou mantra) rezava: regime de meta de inflação, câmbio flutuante e superávit primário. Nosso tripé sempre foi manco: os anos em que o Banco Central se aproximou da meta de inflação registram juro alto, atração de capitais externos, arbitragem e câmbio valorizado.

Seria o fim completo do liberalismo? - Marcus Pestana

Não se fala de outra coisa. Donald Trump é o assunto diário do momento. Nada mais gratificante para um líder famoso dos “engenheiros do caos”. Não importam verdade e mentira, consequências e danos, resistências e críticas. Desde que a imagem que se deseja construir seja fortalecida e a voracidade da bolha de seus seguidores devidamente abastecida e mobilizada, tudo se justifica. Valem bravatas estapafúrdias de péssimo gosto como a de transformar a Faixa de Gaza em resort ou ameaçar tomar a Groelândia e o Canal do Panamá. As tarifas de importação viraram ferramenta de chantagem.

A ideia de democracia é substituída por um governo movido a decretos, o que parece não incomodar a maioria republicana na Câmara dos Representantes e no Senado. E pela criação da imagem de um presidente plenipotenciário, onipresente e superpoderoso. Um verdadeiro xerife do mundo contemporâneo. Na mesa só duas opções: aderir ou receber a ira do neoimperialismo americano.

Protecionismo de Trump é um desastre – Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Quem diria que a globalização seria detonada a partir dos Estados Unidos? Pois é o que o presidente está fazendo

E essa, hein?! Quem diria que a globalização seria detonada a partir dos Estados Unidos? Pois é o que Trump está fazendo a golpes de tarifas de importação distribuídas de modo errático. Se prosseguir nessa direção, causará danos enormes aos Estados Unidos e ao mundo todo.

A perspectiva de desastre já aparece nos Estados Unidos. O índice S&P 500, que reúne ações das maiores companhias americanas, registrou alta expressiva com a eleição de Trump. O pessoal esperava um ambiente de corte de impostos e eliminação das regras que controlam os negócios. Para esse pessoal, isso de tarifas era só coisa de campanha, que Trump logo esqueceria depois de impor algumas taxas aqui e ali. Diante do modo agressivo do presidente, o mercado se assustou. Todo o ganho na Bolsa de Valores foi consumido em dias recentes.

Uma linda mulher – Eduardo Affonso

O Globo

A beleza lhe abrira todas as portas sem que precisasse pôr em prática seu talento de negociadora implacável

G.H. (iniciais meramente ilustrativas) sempre foi uma linda mulher. Isso lhe abrira todas as portas sem que precisasse pôr em prática seu talento de negociadora implacável ou dar mostras de seu caráter sem jaça. Era combativa e sagaz, porém os homens só prestavam atenção a seu bem proporcionado nariz e a seus cabelos, castanhos e naturalmente encaracolados. Para provar do que era capaz e se livrar do estigma que a beleza lhe impunha, G.H. esticou e alourou as madeixas e — num arroubo de desprendimento estético — tosou o nariz, deixando-o impetuosamente arrebitado. Queria desmantelar o patriarcado apenas com a força de seus argumentos. Converter em aliados os inimigos sem precisar recorrer aos arquetípicos artifícios da sedução, que levaram à ruína Cleópatra, Ana Bolena e Mata Hari. Ambicionava ser reconhecida em razão de sua supina inteligência, não pelo capital erótico.

Poesia | Receita de Mulher - Vinicius de Moraes

 

Música | Caetano Veloso - Sonhos