Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 17 de julho de 2025
Blog Democracia Política e novo Reformismo
quarta-feira, 16 de julho de 2025
O que a mídia pensa | Editoriais | Opiniões
PGR expõe ridículo do pleito por anistia de Bolsonaro
O Globo
Sem ceder à chantagem, Justiça deve julgá-lo
e condená-lo pelos crimes contra a democracia que cometeu
As alegações finais apresentadas nesta semana
pela Procuradoria-Geral da República (PGR)
contra o ex-presidente Jair
Bolsonaro e mais sete acusados por tentativa de golpe de Estado são
uma demonstração oportuna e necessária da independência do Judiciário e das
instituições brasileiras diante da pressão que sofrem do governo dos Estados
Unidos — descabida, sem nexo e sem nenhum amparo nos fatos. Ante os inúmeros
indícios e evidências colhidos desde a fase de investigação pela Polícia
Federal, relatados exaustivamente ao longo de mais de 500 páginas, a PGR tomou
a única decisão cabível: pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF)
a condenação dos réus.
O documento da PGR expõe de modo eloquente a
desfaçatez do pleito de Bolsonaro por anistia e a irresponsabilidade da manobra
movida por seus familiares e aliados junto ao presidente americano, Donald
Trump. O próprio Bolsonaro admitiu ao STF ter procurado comandantes das Forças
Armadas para questionar o resultado das urnas e ter conversado com seus
auxiliares sobre medidas de exceção, como o Estado de Sítio. É ridículo
argumentar que essas iniciativas estavam, como ele insiste, “dentro das quatro
linhas” da Constituição.
Do mesmo modo, foi constrangedora a manifestação de Bolsonaro sobre a chantagem de Trump (impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros se não houver anistia aos golpistas). “A solução está nas mãos das autoridades brasileiras. Em havendo harmonia e independência entre os Poderes, nasce o perdão entre irmãos e, com a anistia, também a paz para a economia”, escreveu Bolsonaro. Ora, para ele, o Brasil deveria salvar sua pele cerceando a independência da Justiça — ou então pagar o preço altíssimo das tarifas impostas por Trump. Nada poderia refletir melhor seu desdém pela democracia, pela soberania nacional e pelas instituições republicanas do que esse recurso desavergonhado à chantagem.
Tarcísio e os Bolsonaros - Elio Gaspari
O Globo
No final de 2018, um coronel amigo de
Bolsonaro sugeriu-lhe que conversasse com Tarcísio de Freitas. Ele havia sido
um aluno estelar do Instituto Militar de Engenharia, esteve no Exército e, no
governo de Dilma
Rousseff, comandara uma “faxina ética” no Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes, o DNIT.
Bolsonaro recebeu Tarcísio pela manhã e pediu
que voltasse à tarde. No novo encontro, convidou-o para ser ministro da
Infraestrutura. Não há precedente histórico de um desconhecido ter sido
convidado para esse cargo dessa maneira.
O carioca Tarcísio era um ministro correto, quando Bolsonaro lhe disse que deveria disputar o governo de São Paulo. Refletindo, foi à Pauliceia e ouviu uma lista de sábios. Só um, Delfim Netto, disse-lhe que fosse em frente, pois seria eleito.
Interferência de Trump não desvia Bolsonaro da rota da cadeia - Bernardo Mello Franco
O Globo
PGR ignorou pressão americana ao pedir
condenação de ex-presidente por tentativa de golpe
Se a chantagem de Donald Trump era a última
aposta de Jair Bolsonaro para escapar da cadeia, o capitão já pode tirar as
medidas do uniforme. A Procuradoria-Geral da República apresentou suas
conclusões sobre o processo do golpe. Pediu que o ex-presidente seja condenado
por cinco crimes, cujas penas podem somar 43 anos de prisão.
Em 517 páginas, o procurador Paulo Gonet
descreve Bolsonaro como chefe da organização criminosa que tentou impor um novo
regime autoritário. Afirma que ele foi “principal articulador”, “maior
beneficiário” e “autor dos mais graves atos” da conspiração contra a
democracia.
O calhamaço desmonta as teses de defesa do capitão e seus comparsas. Os ataques ao voto eletrônico não eram arroubos de retórica. Faziam parte de uma campanha para minar a confiança no sistema eleitoral e incitar uma rebelião contra o resultado das urnas. O silêncio após a derrota não foi por abatimento. Tinha o objetivo de radicalizar a tropa e “instaurar o caos social”.
“Muy amigo”, Tarcísio larga a mão de Bolsonaro na crise do tarifaço - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Horas após o pedido de condenação da PGR ao
Supremo, o presidente dos Estados Unidos saiu em defesa de Bolsonaro. Novamente
associou o tarifaço de 50% ao julgamento do ex-presidente
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu
ao Supremo Tribunal Federal (STF), na noite de segunda-feira, a condenação do
ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete integrantes do chamado Núcleo
Central da trama golpista, que tentou impedir a posse do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, em 2022. Assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, o parecer
foi entregue ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, às 23h45.
Com isso, o julgamento entra em fase decisiva e deve ser concluído em setembro.
De nada adiantaram as pressões do presidente Donald Trump, que voltou a defender Bolsonaro. O tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras mobilizou os exportadores nacionais e os empresários norte-americanos, cuja Câmara de Comércio criticou a medida. No plano político interno, a crise comercial e diplomática dividiu os aliados de Bolsonaro. O governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, mui amigo, mudou o discurso e passou a defender uma negociação com a Casa Branca em bases apenas comerciais, desvinculada do julgamento do ex-presidente. O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que articula as pressões de Trump nos Estados Unidos, atacou Tarcísio e acusou-o de “subserviência servil”.
PGR mostra confiança nas provas sobre trama golpista e inflexão em relação ao lavajatismo- Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Nas alegações finais contra Bolsonaro, Paulo Gonet quis mostrar que MPF não dependeu da delação
O capítulo mais surpreendente da manifestação
de Paulo Gonet nas alegações finais da trama golpista é aquele em
que o procurador-geral da República aponta as inconsistências da delação do
ex-ajudante de ordens da Presidência da República, coronel Mauro Cid, e pede a redução dos
benefícios dela decorrentes.
Gonet reitera a confiança no próprio taco.
Expõe as inconsistências da delação porque acredita que a denúncia da
Procuradoria-Geral da República se sustenta quase integralmente nas provas
produzidas ao longo da reconstituição dos fatos no inquérito — mensagens de
celular, registros de reuniões, documentos, “lives” e depoimentos de
testemunhas.
Além disso, a manifestação do PGR também marca a inflexão do Ministério Público Federal em relação ao que aconteceu na Lava-Jato, processo muito impactado por delações que, mais tarde, não se mostraram completamente íntegras.
Trump coloca ao Brasil suas inaceitáveis regras do jogo - Fernando Exman
Valor Econômico
Presidente americano tenta remodelar a ordem
internacional em favor dos Estados Unidos
Tal qual um crupiê conduzindo um jogo de
“Blackjack”, o presidente Donald Trump puxou o Brasil para a mesa em que tenta,
a cada mão, remodelar a ordem internacional em favor dos Estados Unidos.
Popular entre frequentadores de cassinos e modalidade sempre ofertada pelos donos das casas de jogos, o “Blackjack” tem como fundamento uma estratégia baseada na probabilidade, divisão do jogo em mais de uma frente, o aumento progressivo das apostas e - por que não? - o blefe.
A volta das tarifas, com ou sem recuo de Trump - Martin Wolf
Valor Econômico
O foco de Trump nos bens do passado beira o absurdo. O essencial é garantir competitividade no futuro
Como um cão em busca de um osso, Donald Trump
sempre retorna às tarifas. Ele agora está propondo uma lista modificada delas
sobre uma série de países, incluindo alguns aliados e algumas nações
desesperadamente pobres, a serem impostas em 1º de agosto. Será que ele vai
recuar de novo? Quem sabe! Mas as chances de ele conseguir acordos que
satisfaçam seu mercantilismo irracional parecem mínimas ou inexistentes. Um
homem irracional é imprevisível. Talvez desta vez ele esteja falando sério. Se
for o caso, a já elevada tarifa média efetiva dos Estados Unidos, de 8,8% em
maio, deve subir ainda mais. Estaríamos entrando em um novo mundo.
Basta dar uma olhada em algumas das propostas: tarifas de 50% sobre as importações do Brasil, 40% sobre o Laos e Mianmar, 36% sobre a Tailândia, 35% sobre Bangladesh, 32% sobre a Indonésia, 30% sobre a África do Sul, Sri Lanka e União Europeia, e 25% sobre o Japão e a Coreia do Sul. As tarifas sugeridas ainda estão bastante próximas da fórmula extraordinária apresentada em abril pelo assessor de Trump, Peter Navarro, segundo a qual o fator determinante é a proporção entre o déficit bilateral dos EUA e suas importações bilaterais.
A condenação do ‘crápula’ - Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
Gonet presta um favor ao Exército ao pedir a condenação de Cid e sinaliza o mesmo aos demais
As alegações finais do procurador-geral da
República, Paulo Gonet, mostram que nem mesmo o delator Mauro Cid vai escapar
de um tempo de prisão. É bem possível que ele seja superior a dois anos de
prisão, o que permitiria ao comando do Exército expulsá-lo da Força. É que todo
oficial condenado a mais de dois anos de prisão é imediatamente submetido ao
Conselho de Justificação e excluído automaticamente da instituição.
Em caso de condenação, o conselho, automaticamente, declara a indignidade para o oficialato e cassa o posto e a patente do militar. Ora, a verdadeira colaboração prestada por Cid às investigações foi involuntária: ele não apagou a lixeira de sua caixa de e-mails, onde a PF achou as provas que o encurralaram.
Covardia - Nicolau da Rocha Cavalcanti
O Estado de S. Paulo
É preciso que o custo político da tarifa de 50% recaia integralmente sobre quem suscitou, incentivou e comemorou a sanção
Primeiro ato. Em março, um deputado, que
recebeu mais de 700 mil votos nas eleições de 2022, pediu licença do mandato
para mudar-se com sua família para os Estados Unidos, dizendo ser exilado
político. Estando lá, seu objetivo declarado passou a ser a obtenção de alguma
sanção do governo de Donald Trump contra o ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Alexandre de Moraes, relator da ação penal na qual seu pai é réu. Ou
seja, o parlamentar ignorou seus deveres públicos no Legislativo para tentar
achacar integrantes do Judiciário. Abandonou seus eleitores para cuidar de
interesses familiares.
Mas a iniciativa teve efeito muito diferente do pretendido. Ele não obteve a tão almejada sanção contra o ministro do STF, e sim uma sanção contra todos os brasileiros. Motivado pela desinformação difundida pelo parlamentar licenciado, o presidente Donald Trump anunciou que pretende impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros. Até então, o Brasil não era alvo do governo americano. No famoso anúncio de Donald Trump de 2 de abril, a tarifa para o Brasil era de 10%.
Mais um tiro no pé - Fábio Alves
O Estado de S. Paulo
A política de imigração de Trump sabota a lógica econômica. A fatura virá em breve
O impacto das deportações em massa de imigrantes, de um patrulhamento mais duro nas fronteiras e das restrições para permanência nos Estados Unidos até a quem tem autorização temporária de residência deverá afetar o PIB americano de 2025 numa magnitude maior do que antes imaginado. A adoção indiscriminada de tarifas de importação vem dominando as manchetes da imprensa internacional, mas a cruzada do presidente Donald Trump contra imigrantes já está prejudicando o mercado de trabalho.
O gasto público no Brasil é eficiente? - Benito Salomão*
Correio Braziliense
Economistas defendem que o país precisa
avançar na pauta fiscal, revendo gastos sociais (saúde e educação), congelando
salários. Mas não há consenso na opinião pública quanto a essa agenda
Recentemente, o Instituto Datafolha publicou uma sondagem sobre a aplicação dos recursos públicos. A pesquisa traz alguns insights importantes acerca da atuação do governo. No tocante aos resultados, 47% dos entrevistados responderam que "os recursos públicos são suficientes, porém mal aplicados em serviços para a população". Outros 32% responderam que os "recursos são insuficientes e mal aplicados". Para 8%, os "recursos são suficientes e bem aplicados", e outros 9% consideram os "recursos insuficientes e bem aplicados".
O cansaço e o desinteresse de Tump - Rui Tavares
Folha de S. Paulo
Estratégia ajuda a explicar anúncios e
contra-anúncios, avanços e recuos feitos pelo presidente americano
Em todas as línguas latinas, com exceção do
português, "interesse" é a mesma palavra para juros e para
atenção. Em inglês, espanhol, italiano e francês, para
dizer "taxa de juros" dizemos o equivalente à "taxa de
interesse" ("interest rate", etc.), insinuando-se nessa
expressão uma raiz comum bem antiga em que o interesse no sentido comercial e o
interesse no sentido cultural têm a mesma origem.
Aliás, creio que possa ser defendido que o interesse comercial precedeu a utilização de interesse no sentido cultural do termo. O que é natural porque esse foi o sentido que veio da Itália do Renascimento e dos alvores do capitalismo. A partir daí, o "interessante", aquilo que chamava a atenção, era o que dava lucro.
Governo congressual - Cláudio Couto*
Folha de S. Paulo
Com Legislativo empoderado, presidente deve
sair a campo e não apenas se valer de intermediários; modelo abre espaço para
comportamento ideológico
O presidencialismo
de coalizão não acabou, mas não é o mesmo que foi até 2015. Desde
então, seguidas mudanças institucionais alteraram a dinâmica de nosso sistema
de governo, empoderando o Congresso
Nacional e enfraquecendo o Poder Executivo.
A Presidência da República, que antes pautava o processo decisório legislativo, usando os amplos poderes institucionais e de agenda que lhe foram conferidos pela Constituição de 1988, perdeu tal capacidade. O Congresso, embora mais poderoso, tornou-se mais irresponsável, pois o custo de suas decisões de amplo impacto não recai sobre si, mas sobre o governo de turno. Estamos diante do governo congressual.
Bolsonaro acima de tudo - Wilson Gomes
Folha de S. Paulo
Toda a camuflagem ideológica em uso sempre
escondeu de modo sofrível a única coisa que eles buscam, seus interesses
Se existe um talento dos Bolsonaros que
não se pode negar, é a grande habilidade de usar pessoas e instituições em
benefício exclusivo da família. E não importam os riscos ou consequências
envolvidas, pois a responsabilidade e os efeitos sempre recaem sobre os ombros
de terceiros, jamais sobre eles.
A lista dos que se prestaram a essa função
—convencidos de que se tratava de defender princípios ou lutar por um propósito
nobre— é enorme.
Usaram Sara Winter para ameaçar e intimidar o Supremo, assim como depois utilizaram, sem escrúpulos, Sérgio Reis, Zé Trovão e os caminhoneiros que aderiram ao movimento bolsonarista.
Entre a cruz e a caldeirinha - Dora Kramer
Folha de S. Paulo
As reações erráticas de Tarcísio o prenderam
a uma armadilha da qual terá muito trabalho para escapar
O governador Tarcísio
de Freitas (Republicanos-SP) perdeu uma boa oportunidade de exibir
credenciais condizentes com o posto de presidente do Brasil.
Ele
não passou no teste de se mostrar ao país apto à função e pode ter
prejudicado o plano de reeleição em São Paulo ao
se render a conveniências de um grupo político em detrimento do interesse
nacional.
Reagiu como militante de um nicho, não atinou para as consequências da chantagem de Donald Trump e paga o preço por ter se posicionado distante da pretendida condição de estadista.
Perspectivas e desafios para a esquerda global em tempos de transição - Cláudio Carraly*
Em diferentes momentos, crises atuaram como catalisadores para a organização e a renovação da esquerda mundial, o caos da Primeira Guerra Mundial, acrescido dos problemas internos da Rússia czarista, precipitaram a Revolução Russa de 1917. E essa inspirou operários e camponeses por todo globo. Já no pós-Segunda Guerra, partidos de inclinações marxistas, social-democratas e trabalhistas alavancaram seu protagonismo, em parte pelo papel que desempenharam contra o fascismo e pelos projetos de bem estar social que impuseram como forma de minar o capitalismo globalmente.
A entrada de Trump na campanha eleitoral – Roberto Amaral e Pedro Amaral
“Palavras, palavras, palavras”
– Shakespeare, Hamlet
Numa cena memorável de “Wall Street –
Poder e Glória” (1987), de Oliver Stone, o especulador inescrupuloso
Gordon Gekko, interpretado por Michael Douglas, explica a seu pupilo
bestificado as regras do jogo em que sempre vence: “O 1% mais rico possui
metade da riqueza do país, cinco trilhões de dólares. Noventa por cento dos
americanos lá fora possuem pouco ou nenhum patrimônio líquido. [...] Eu não
crio nada. Eu sou o proprietário. Nós é que fazemos os regulamentos; nós
tiramos o coelho da cartola enquanto todo o mundo se pergunta como é que a
gente consegue. Mas você não é inocente a ponto de achar que vivemos numa
democracia, né, Buddy? É o livre mercado. E você faz parte dele.”
Quando o filme – uma crítica de Stone, filho de um corretor da bolsa de
valores, a esse universo amoral e parasitário – foi lançado, Donald John Trump
contava 41 anos de idade e comandava o império imobiliário de sua família, com
foco em projetos extravagantes de arranha-céus, hotéis e cassinos (aproveitando
o crescimento de uma bolha que não tardaria a estourar), e aperfeiçoava o dom
de usar a seu favor as facilidades de um sistema financeiro e uma ordem
jurídica moldados para beneficiar o homem branco endinheirado. Embevecidos, os
meios de comunicação exaltavam o seu “toque de Midas”.
terça-feira, 15 de julho de 2025
Opinião do dia – Ulysses Guimarães*
“A Constituição certamente não é perfeita.
Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim.
Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca.
Traidor da Constituição é traidor da Pátria.
Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do
Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio
e o cemitério.
Quando após tantos anos de lutas e
sacrifícios promulgamos o Estatuto do Homem da Liberdade e da Democracia
bradamos por imposição de sua honra.
Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo.
(Aplausos)
Amaldiçoamos a tirania aonde quer que ela
desgrace homens e nações. Principalmente na América Latina.”
*Do discurso de Promulgação da Constituição, 5 de outubro de 1988
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Tarifaço de Trump traz prejuízo a toda a economia
O Globo
Além do impacto imediato nos setores
exportadores, dólar tende a subir pressionando inflação e juros
É difícil estimar o prejuízo para a economia
brasileira do tarifaço de Donald Trump.
O Brasil não é o único alvo da política comercial insana de Trump. Depois da
primeira rodada de aumento em abril, ele reavivou a guerra tarifária enviando
cartas ameaçando novas altas a países da Ásia, África, Europa e Américas. É
impossível saber de antemão a tarifa final que cada país pagará ou a capacidade
americana de dar conta da demanda interna. Ainda que não se confirme o aumento
anunciado de 50% no caso do Brasil, uma coisa é certa: empresas e setores que
dependem das exportações para os Estados Unidos têm
mais a perder.
O setor industrial brasileiro é um dos mais vulneráveis. Os Estados Unidos são um dos principais mercados para produtos brasileiros de maior valor agregado. Como mostrou reportagem do GLOBO, as exportações de manufaturados bateram recorde no primeiro semestre e chegaram a US$ 16 bilhões, aumento de quase 9% na comparação com os primeiros seis meses do ano passado. Entre as empresas com forte presença no mercado americano estão Embraer (aviões), Weg (equipamentos elétricos), Suzano (papel e celulose), Tupy (metalurgia) e Alpargatas (calçados). No setor de commodities, os mais afetados são as indústrias petrolífera, metalúrgica e siderúrgica.
A íntegra da carta de Luiz Roberto Barroso, presidente do STF
As diferentes visões de mundo nas sociedades abertas e democráticas fazem parte da vida e é bom que seja assim. Mas não dão a ninguém o direito de torcer a verdade ou negar fatos concretos que todos viram e viveram. A democracia tem lugar para conservadores, liberais e progressistas. A oposição e a alternância no poder são da essência do regime. Porém, a vida ética deve ser vivida com valores, boa-fé e a busca sincera pela verdade. Para que cada um forme a sua própria opinião sobre o que é certo, justo e legítimo, segue uma descrição factual e objetiva da realidade.
Fator Trump: uma segunda chance para o governo Lula - Paulo Fábio Dantas Neto*
Mas o conhecimento antecipado do resultado dessa contenda interessa a quem? Parte da parcela politizada do país (aquela parte que iguala politização e engajamento) assegura que o desfecho interessa a todos e de preferência, já. Mesmo que se argumente que Bolsonaro já está virtualmente fora da disputa, essa realidade não é admitida em público pelos engajados em qualquer dos polos. Num deles afirma-se a certeza de que será bolsonarista qualquer candidato da oposição e o outro lado segue crendo, como se viu claramente nos últimos dias, numa reabilitação espúria do seu líder para a disputa, através de uma ingerência infame de Trump. Daí a convicção dos engajados de que o grande efeito do fator Trump é atuar diretamente sobre essa disputa da qual, ao fim e ao cabo, dependeria nosso futuro.
O patriotismo e a canalhice - Merval Pereira
Globo
Nada justifica uma intervenção de Trump:
chantagem barata na forma e cara nas consequências
É temerário afirmar em política que fulano
está perdido ou que beltrano não tem mais chance de recuperar a popularidade.
Faltando pouco mais de um ano para as eleições presidenciais, é difícil prever
quem vencerá, ou até quais serão as alianças políticas. Mas o momento político
não é nada bom para fulano e ajuda beltrano a se recuperar. No caso, fulano
pode ser o ex-presidente Bolsonaro ou o governador de São Paulo, Tarcísio de
Freitas. Beltrano é, sem dúvida, Lula, que até há pouco tempo estava no desvio
e hoje voltou à trilha principal.
Erros políticos crassos como os cometidos por Bolsonaro e seus filhos são previsíveis, mas reforçam a ideia de que são arrivistas políticos e se meteram em enrascada na tentativa de escalar alturas não compatíveis com seus talentos. Unir-se a Trump é uma jogada abusada, que foi além de suas capacidades. Intuir que a intervenção dele seria capaz de dobrar a espinha institucional brasileira, um erro crucial.
Tarifas e o teste das lideranças - Míriam Leitão
O Globo
Na hora das crises, os líderes se revelam. O
governador de São Paulo tem errado desde o começo no caso das tarifas de Trump
A qualidade de uma liderança se vê na
primeira reação, não naquela em que tenta consertar o estrago. O governador de
São Paulo, Tarcísio
de Freitas, num primeiro momento aprovou a ameaça feita por Donald Trump.
Quando foram anunciadas as tarifas ele ficou em silêncio e só depois tem
tentado corrigir. Ele governa o estado que terá o maior prejuízo com as tarifas
de 50% imposta pelos Estados Unidos.
As exportações brasileiras podem ficar inviáveis e isso afeta muito as
indústrias, as empresas do agronegócio e os exportadores, muitos deles de São
Paulo.
Quando Tarcísio colocou o boné ele já estava errando, porque a ideia de Trump (Make America Great Again) era crescer em detrimento dos outros países. Ele havia ameaçado guerra tributária e impor sua força, inclusive militar, contra outras nações. Um líder assumir o bordão do nacionalismo alheio é sempre ruim, mas quando nele se embute uma ameaça aos outros países, inclusive ao nosso, é ainda mais temerário.
Trump, tarifas e o Vale do Silício – Pedro Doria
O Globo
É irônico que alguns setores mais atingidos
pelo tarifaço de Trump sejam os mais ligados ao financiamento do bolsonarismo
A carta do presidente Donald Trump anunciando tarifas de 50% para as exportações brasileiras tornou-se o principal assunto no país faz uma semana. Claro — o impacto já se faz sentir em inúmeros setores. Vendas já acertadas vêm sendo canceladas. Muito de nossa conversa vem se concentrando no primeiro parágrafo da explicação que Trump oferece para a decisão: ou a Justiça suspende o julgamento de Jair Bolsonaro ou as sanções virão. Mas falamos pouco do segundo parágrafo — a queixa, também dirigida ao STF, sobre decisões contra as grandes plataformas digitais.
Pressões de Trump não vão barrar o julgamento de Bolsonaro no Supremo - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Ontem, o ex-presidente Bolsonaro recorreu,
mais uma vez, à retórica de autovitimização. Em postagens nas redes sociais,
denunciou um suposto “sistema podre” de perseguição e ameaças à sua vida
As tentativas de o ex-presidente
norte-americano Donald Trump interferir nos assuntos internos do Brasil, por
meio de declarações e medidas retaliatórias, como a imposição de tarifas de 50%
sobre as exportações brasileiras, não vão desviar, muito menos interromper, o
curso das investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro e, sobretudo, o
julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar da grave crise diplomática e comercial provocada pela decisão de Trump, essas pressões não anulam os fundamentos constitucionais e jurídicos que orientam as decisões do Supremo. O processo contra Bolsonaro segue em conformidade com o devido processo legal, baseado em provas materiais, delações homologadas e evidências documentadas, como a famosa “minuta do golpe”, que ontem foi objeto de nova confirmação do ex-ajudante de ordens da Presidência tenente-coronel Mauro Cid.
Tríplice aliança pela reeleição tem contrapartida de Lula - Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Reação interna de Lula para recompor forças
passou por um encontro com Alexandre de Moraes
Donald Trump, Jair Bolsonaro e Tarcísio de
Freitas uniram-se para reeleger Lula, mas a atuação da tríplice aliança teve
contrapartida nacional. O pacote da reação do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva ao tarifaço Brasil envolveu um freio de arrumação na sua relação com os
Poderes que teve início algumas horas depois do anúncio do tarifaço de Trump.
Lula tratou de recompor o eixo depois do
estranhamento provocado pela suspensão do decreto do IOF por Alexandre de
Moraes. O ministro do Supremo Tribunal Federal foi recebido no Palácio do
Alvorada, encontro sobre o qual nenhuma das partes se pronuncia.
Chegara aos ouvidos de Lula que sua opção pela ministra-substituta do TSE, Vera Lúcia Santana, para uma das duas vagas de titular em disputa, atendendo ao movimento negro, ao Prerrogativas e ao gabinete da primeira-dama, havia deixado o STF em polvorosa e o ministro Flávio Dino, ausente de Brasília na semana passada, particularmente preocupado.
Extorsão, azáfama, mendacidade... - Jorge J. Okubaro
O Estado de S. Paulo
O mundo mostrará a Trump que a convivência internacional exige um mínimo de respeito a regras aplicáveis a todas as nações
Serão poucas – muito poucas, na verdade – as pessoas familiarizadas com o mundo diplomático e as modernas relações entre as nações em tempos de paz que já tenham visto algo tão rasteiro e vulgar como a carta que o presidente norteamericano, Donald Trump, pretendeu ter enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na verdade, a carta não foi endereçada por um chefe de governo a outro, como costuma ocorrer quando padrões de respeito são obedecidos. Foi postada por Trump em sua rede social, chamada Truth Social.
Centrão: pausa para pensar - Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Lula sai das cordas, Bolsonaro se enrola nelas e o Centrão está de olho no ringue dessa briga
O Centrão, ou boa parte dele, vinha impondo
derrotas para o governo e articulando a entrega de ministérios até setembro,
para cerrar fileiras com o bolsonarismo a um ano da eleição presidencial, mas
estancou o movimento diante do sucesso da campanha “pobres contra ricos” e
agora, com os ataques de Donald Trump, em vez de marchar contra o governo,
recolhe as armas, faz meia-volta volver e entra na onda de defesa da soberania
nacional.
Depois de momentos graves e humilhações no Congresso, Lula tem expectativa de resgatar pontos nas pesquisas e começa a recuperar condições de governabilidade – ou seja, o diálogo e as negociações com Câmara e Senado. Como se sabe, o Centrão ora vai para um lado, ora para outro, e acaba de ser empurrado por Trump para Lula, querendo distância prudente de Jair Bolsonaro.
Lá em Madureira - Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
Antes e acima de tudo, a sanção anunciada por
Trump será ruim para o Brasil. É o que importa. O cronista se desculpa pela
obviedade. Se afinal materializada, péssima para a produção brasileira e o
emprego no País. Medida divulgada em carta que tem fundamento comercial falso,
evidência de descompromisso com os fatos. Urge que os adultos se apresentem.
Perde-se tempo dando centralidade ao secundário – o custo do tarifaço para Bolsonaro, donde o quanto beneficiaria Lula. São exercícios prematuros. Falar de 2026, à luz de impulsos trumpistas, é tentador e inútil. Há ainda longo mar, desconhecidas as ondas, a atravessar, uma eternidade em termos de condicionamento do eleitor. Nenhum dos dois navega em maré favorável.
É o fim do bolsonarismo moderado? - Joel Pinheiro da Fonseca
Folha de S. Paulo
Ou adere-se ao clamor pela supressão do nosso
Judiciário em subserviência aos EUA ou rompe-se com Bolsonaro
Um nome de direita pode chegar ao segundo
turno das eleições de
2026 sem o apoio de Bolsonaro? Por mais que isso me entristeça, sou obrigado a
admitir: "provavelmente não". A não ser que uma revolução do
sentimento popular ocorra, o candidato que disputará o segundo turno com Lula será
aquele ungido por Bolsonaro.
É claro que o melhor para o Brasil é ter uma
direita democrática e que rejeite o bolsonarismo. A criação dessa direita,
contudo, é um trabalho de mais longo prazo. No horizonte previsível, o
ex-capitão segue incontornável em 2026.
Para o Brasil —e sem expressar aqui preferência por qualquer lado que seja—, seria muito importante que o candidato de direita em 2026 não reproduza as condutas antidemocráticas de Bolsonaro em 2022, o mais grave ataque à nossa democracia na Nova República.
Moraes defendeu resposta rápida contra Trump - Mônica Bergamo
Folha de S. Paulo
Magistrados da Corte preferiam deixar a
reação à crise nas mãos de Lula
O ministro Alexandre
de Moraes defendeu internamente que o Supremo Tribunal Federal (STF) desse uma
resposta rápida e firme aos
ataques de Donald Trump ao Judiciário brasileiro.
Outros magistrados achavam melhor que a Corte
deixasse a condução da crise exclusivamente com Lula e com o
Itamaraty.
Eles entendiam que o ataque de Trump não se restringia ao STF, mas a todo o país: além de citar o que define como "caça às bruxas" sofrida por Jair Bolsonaro na Justiça, o presidente norte-americano invocou razões econômicas para aplicar ao Brasil uma sobretaxa de 50% sobre os produtos brasileiros vendidos nos EUA.
Cadê o slogan 'Brasil acima de tudo'?- Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Defesa do tarifaço prova que o slogan 'Brasil
acima de tudo' era mais uma mentira
As duas frases, citadas nem sempre ao pé da
letra, se tornaram virais e, coisa rara, o crédito dos autores é respeitado,
embora às vezes surja um H a mais no nome do semiólogo italiano. "O drama
da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade"
—Umberto Eco. "Os idiotas vão dominar o mundo"— Nelson Rodrigues.
A de Eco se confirma a cada checada no dispositivo do celular. A de Nelson, escrita antes do advento da internet, é ainda mais abrangente, pois mira o mundo real, a vida como ela é, na figura do burro sublimado pela própria ignorância, que se entrega ao rebanho de ódio e frustração das redes.
Sorte de Lula volta a atacar - Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Tarifaço de Trump pode ajudar petista numa
campanha de reeleição que se desenhava como desafiadora
A proverbial sorte de Luiz Inácio Lula da Silva
voltou a atacar. O cenário que se desenhava para sua reeleição em 2026 era
desafiador. A popularidade da administração vinha em queda e não se via no
horizonte nenhum projeto que poderia converter-se em marca eleitoral muito
poderosa.
Não dava, é claro, para considerar Lula carta fora do baralho. Incumbentes, salvo raras exceções, costumam ser candidatos pelo menos competitivos. A situação do petista, contudo, estava longe de confortável.
Congressistas na mira da polícia – Dora Kramer
Folha de S. Paulo
No lugar de reclamar, os deputados deveriam
estar atentos à razão de a PF fazer buscas nos gabinetes
Os deputados reclamam
das operações policiais nas dependências da Câmara, quando deveriam
estar mais atentos ao que motiva a Polícia
Federal em fazer buscas e apreensões nos gabinetes dos colegas.
A razão é a existência de indícios de que ali possam ser encontradas provas importantes para investigações sobre desvio de dinheiro público por parte de quadrilhas formadas em municípios com o conluio de prefeitos, parlamentares e até braços do crime organizado.
































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