O Estado de S. Paulo
As pilosidades do jurídico não merecem o achincalhe.
Já prestaram à deusa Têmis serviços mais valiosos que as tranças de Rapunzel ou
os cachos de Sansão
Luís XIV, reida França, fez delas uma
coqueluche. Nas vagas absolutistas entre os séculos 17 e 18, o famoso “Rei Sol”
cintilava em perruques de cores várias: houve as escuras, as quase rubras e
aquelas outras, em tons prateados. O monarca se esbaldava em mechas volumosas.
Segundo os historiadores, sua intenção era disfarçara calva. Também há
registros sob referidas cutâneas causadas pela sífilis que, aflorando no régio
cocuruto, deveriam ficar escondidas. Outros sustentam que era só capricho fútil
do solar chefe de Estado, apreciador de madeixas alheias. As razões, como se
vê, podem ter sido múltiplas, mas o fato é que foi ele, Luís XIV, quem pôs na
moda o adorno peludo.
Na Inglaterra, o rei Carlos II, também no
século 17, cultivou gosto igual. Há retratos em que ele aparece coma coro a por
cimada juba caudalosa, pujante e artificial. A exemplo doque sedaria em Paris,
a estética real pesou sobre as cabeças da nobreza londrina e as melenas
inautênticas se tornaram um costume fidalgo.