sexta-feira, 13 de março de 2015

Sandro Vaia- Armênio e o choque de valores

• Armênio morreu acreditando que não existe no horizonte da ação política nenhum espaço para a intolerância ou para a ditadura. Nenhuma ditadura. Nem a do proletariado

- Blog do Noblat

Morreu Armênio Guedes com quase um século de vida, exatamente na semana em que um choque de valores ameaça marcar com uma cicatriz a democracia brasileira, que alguns ainda insistem em tratar como uma “plantinha tenra”.

Dos 96 anos vividos, Armênio passou metade dentro do Partido Comunista Brasileiro, onde nunca foi um burocrata saliente, daqueles cheios de medalhas honorificas, mas sempre foi um estrategista sábio e silencioso, um polo de ideias que tonificaram uma organização esterilizada pelo “centralismo democrático”.

Armênio poucas vezes teve liderança formal dentro do partido, mas nunca precisou disso para ser um catalisador de ideias e valores.

No prefácio do livro “Armênio Guedes, o Sereno Guerreiro da Liberdade”, que escrevi, o poeta Ferreira Gullar, que conviveu com ele durante anos dentro do PCB e foi seu companheiro de exílio no Chile, durante a ditadura militar, escreveu:

“(….) a luta de Armênio pela democratização do PCB e de sua visão revolucionária confundia-se com a necessidade de derrotar a ditadura militar que se instalara no Brasil em 1964. Também nesse plano, as divergências dificultavam o trabalho político, uma vez que a opção dos radicais de esquerda pela luta armada, veio fortalecer os setores mais repressivos do regime militar. Armênio estava entre os que mais atuaram para impedir que o regime fosse arrastado à desastrosa aventura guerrilheira. “

Disciplinado e discreto, mas firme em suas ideias e convicto de seus valores, Armênio rompeu com a ortodoxia de Luiz Carlos Prestes sem nunca precisar romper. Gestos teatrais e grandiloquentes nunca fizeram parte do seu modo de ser. Simplesmente ele e Prestes tinham ideias e concepções diferentes sobre estratégia e sobre democracia, e o tempo se encarregou de mostrar quem estava com a razão.

Depois de fazer o PCB, ainda que na ilegalidade, participar da luta pela redemocratização através da atuação política legal e parlamentar, com as brechas abertas pelo MDB, único partido de oposição tolerado pela ditadura, Armênio se convenceu ainda mais de que não existe sentido em qualquer luta para melhorar o mundo que não tenha como valor fundamental o respeito à liberdade.

Além das lições deixadas pela própria história de vida, pela generosidade e espírito de tolerância que transmitiu às pessoas que o acompanharam, que o cercaram e que conviveram com ele, Armênio Guedes deixou plantadas sementes que levam à compreensão da práxis política não como uma batalha de vida e morte, mas como uma forma de construir utopias possíveis e racionais sem nunca sacrificar os valores essenciais da democracia, que são o pluralismo e a liberdade.

Armênio morreu acreditando que não existe no horizonte do futuro a ser construído através da ação política nenhum espaço para a intolerância ou para a ditadura. Nenhuma ditadura. Nem a do proletariado.

Como Giuseppe Vacca, teórico do Partido Democrático da Itália, resultado da fusão entre o antigo Partido Comunista Italiano e o antigo Partido Democrata Cristão, Armênio, convencido da importância da democracia como valor universal, não acreditava mais que socialismo e capitalismo fossem excludentes. A ousadia teórica que ele defendeu ao final da vida, foi a de que o capitalismo é “um modo de produção" e o socialismo “um modo de regulação”, e que eles podem conviver e se complementar.

Uma utopia irrealizável, como todas as utopias? Pois foi para isso que ele viveu.

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Sandro Vaia, Jornalista, foi editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, da Agência Estado e do jornal “O Estado de S.Paulo”. Escreveu “A Ilha Roubada”, (Barcarolla) sobre a cubana Yoani Sanchez e "Armênio Guedes, Sereno Guerreiro da Liberdade"

Obituário - Armênio Guedes, aos 96. militante histórico do PCB

• Filiado ao partido por quase 50 anos, o jornalista, que foi secretário de Luís Carlos Prestes, era um incansável defensor da democracia

- O Globo
 
Defensor irredutível da democracia, o jornalista e militante comunista Armênio Guedes era tido como rebelde dentro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por suas divergências com dirigentes da legenda alinhados ao Partido Comunista da União Soviética (PCUS), entre eles Luís Carlos Prestes, de quem fora secretário e chegou a fazer a segurança pessoal, mesmo franzino. Enquanto o Cavaleiro da Esperança agia com rigidez militar, Armênio Guedes era, na opinião do poeta Ferreira Gullar, o "retrato de um cidadão brasileiro do século XX que concebe a ação política como um meio de chegar à sociedade justa, fraterna, igualitária", além de homem "mais flexível, de fala mansa e trato delicado".

Biógrafo de Armênio Guedes, o jornalista Sandro Vaia ressalta que ele, ao longo de quase 50 anos de militância no PCB, "nunca teve um cargo de grande destaque dentro da máquina burocrática do partido". "Sempre foi um catalisador através de suas ideias, não através dos cargos. Quis reformar o partido por dentro e alargar a visão do partido. Nem sempre conseguiu", acrescenta.

Armênio Guedes não admitia posições autoritárias e sempre lutou por uma revisão de métodos dentro da legenda. No Partidão, militou de 1935, ainda na Faculdade de Direito da Bahia, a 1983, tornando-se próximo do grupo de militantes baianos comunistas do qual faziam parte Jorge Amado e Carlos Marighella, entre outros. Só saiu após uma briga com o então secretário-geral Giocondo Dias, depois da expulsão de David Capistrano Filho da legenda.

"Armênio deixou a sala, subiu um andar, pegou seu salário, o último que receberia do partido, e saiu andando até encontrar um cinema. Comprou um bilhete, viu um filme inconfessável e, na saída, era um comunista livre e sem partido, depois de 48 anos de dedicação insubmissa e inquieta militância", diz um trecho de sua biografia.

Um dos principais articuladores da imprensa comunista no Brasil, Armênio Guedes estudou na União Soviética, onde acompanhou a comoção pela morte do ditador Josef Stalin. Camarada André - codinome dele em Moscou - foi rebelde até no curso de marxismo-leninismo, segundo o livro de Vaia, "Armênio Guedes - Sereno guerreiro da liberdade". Na União Soviética, questionava o autoritarismo ao qual os estudantes eram submetidos.

Incomodado com o culto à personalidade em torno de Stalin ("Achava meio chata aquela história de pai dos pobres. Tinha certa antipatia por isso", dizia) e conhecedor das barbáries cometidas pelo ditador, Guedes viveu um período de ostracismo dentro do Partidão após sua volta ao Brasil. ""Cheguei muito malvisto. Aí, fiquei no come-e-dorme do partido vários anos, fazendo revista, alguma coisa de jornal, sempre ligado à imprensa"", lembrou ele em um documentário em sua homenagem produzido pela Câmara Municipal de São Paulo. Da Casa, recebeu, em 2012, o título de cidadão paulistano. Foi na cidade que viveu seus últimos anos.

Junto à esquerda europeia
Após romper com o stalinismo e com a União Soviética, alinhou-se às legendas da esquerda democrática europeia, principalmente ao Partido Comunista Italiano (PCI), de Antonio Gramsci, Palmiro Togliatti e Enrico Berlinguer, sendo chamado no PCB de ""eurocomunista"".

Durante o regime militar brasileiro, opôs-se à luta armada e defendeu uma aliança com o MDB. Exilado, morou no Chile de Salvador Allende e na França (era conhecido em Paris pelo codinome Júlio). Durante o exílio no Chile, perdeu o irmão Célio Guedes, o Celito, assassinado pela ditadura em 1972. Pensou em desistir da política, à época. Sobre a morte do irmão, Armênio Guedes disse a Vaia: "Me mostraram um telegrama de Prestes. Ele me avisava que o motorista de uma missão - não falava o nome de Célio - tinha sido liquidado. Foi um choque tão violento que eu cheguei a ter um começo de pneumonia. Fiquei de cama quase um mês. Nesse período eu balancei... Tive vontade de me afastar de tudo"".

O livro diz que a direção do Partidão já sabia que Célio corria sério risco de ser pego pelos agentes da ditadura, mas não cancelou a missão.

Na França, destino escolhido por ele em 1974, segundo sua biografia, passou a colher informações sobre os crimes cometidos pela ditadura brasileira e se empenhou em divulgá-las.

Na biografia do jornalista Sandro Vaia sobre o militante comunista é destacada uma frase redigida por durante os anos de chumbo no chamado Documento da Guanabara, de 1970: ""O emprego indiscriminado da violência, embora contrapondo objetivamente o quadro da oposição, não deixa, apesar de seu suposto caráter revolucionário, de desservir à resistência e de dificultar a organização de uma frente única de massas contra a ditadura"". Anos depois, Armênio Guedes disse: "O documento foi a melhor coisa que escrevi na minha vida"".

- Desde a infância na Chapada Diamantina, onde cresceu amparado por uma família trabalhadora e idealista, a militância no Partido Comunista dos tempos heroicos, até a descoberta definitiva dos valores universais da liberdade e da democracia, Armênio escreveu uma história de honestidade e honradez - disse o jornalista Sandro Vaia. - Ele se convenceu definitivamente que a grande razão política da vida dele era a de tentar melhorar o mundo sem sacrificar a liberdade.

O senador José Serra (PSDB-SP) conviveu com Armênio Guedes no exílio no Chile, entre 1972 e 1974. Em 2007, qunado era governador, levou o amigo para trabalhar na redação do Diário Oficial do Estado de São Paulo.

- Armênio Guedes sempre acreditou que a democracia era um fim, não só um instrumento de luta. A geração dele (de comunistas), dos anos 1930, lutava por igualdade, solidariedade.

O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freira, ressalta a importância reformista de Armênio Guedes:

- Reconhecido por todos que militaram com ele, desde os anos 40, como uma cabeça política privilegiada, é também considerado uma das figuras que mais influenciou na orientação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante várias décadas, sobretudo dos anos 60 aos 80, particularmente na elaboração de dois documentos históricos do PCB, a Declaração de Março de 1958 e a Resolução Política do VI Congresso Nacional, em 1967. No primeiro documento, o objetivo do partido passou a ser a conquista de um governo nacionalista e democrático, via processo eleitoral.

Apaixonado por futebol - mais especificamente pelo Botafogo -, Armênio passou a maior parte da vida na clandestinidade. No retorno ao Brasil após o exílio e já fora do PCB, voltou à imprensa. Trabalhou na revista ""IstoÉ"", na ""Gazeta Mercantil"" na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Teve seu primeiro emprego com carteira assinada somente após o fim da ditadura.

Armênio Guedes morreu na madrugada de ontem, em São Paulo, aos 96 anos. Esteve internado por dez dias no Hospital Samaritano, com uma infecção pulmonar. Nascido em Mucugê (BA), na Chapada Diamantina, em uma família de 11 irmãos, "todos comunistas", segundo ele, deixou a viúva Cecília Comegno.

Derrota positiva – Editorial / Folha de S. Paulo

• Negociação entre governo e Congresso sobre correção da tabela do Imposto de Renda mostra que há espaço para debater ajuste da economia

Percebendo que sofreria uma derrota no Legislativo, o governo federal desistiu de tentar corrigir as faixas de incidência do Imposto de Renda segundo os critérios que lhe eram mais convenientes e aceitou negociar uma proposta que contemplasse os interesses endossados pelo Congresso.

Mais uma evidência, sem dúvida, da fragilidade política da presidente Dilma Rousseff (PT). Evidência também, por outro lado, de que há espaço para debater o necessário ajuste nas contas públicas.

Tendo em vista a infinidade de medidas que ainda precisam ser votadas, o acordo entre Executivo e Legislativo contribui para reduzir, ao menos por ora, desconfianças quanto à possibilidade de o ajuste ser aprovado --e, vale acrescentar, de que venha a ser bem dosado.

Não se pode desconsiderar que o acerto, afinal, foi positivo inclusive do ponto de vista econômico. A correção da tabela do IR precisa ser feita para que as faixas se mantenham constantes em termos ajustados pela inflação --tal qual acontece, grosso modo, com as despesas e a renda do contribuinte. Sem isso, a cada ano a mordida do leão ficaria proporcionalmente maior.

Definiu-se um reajuste escalonado, privilegiando as parcelas com renda mais baixa. A faixa de isenção (agora até R$ 1.903,98) e a primeira com incidência de imposto de 7,5% (de R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65) foi corrigida em 6,5%, em linha com a inflação. Nas faixas com alíquota de 15%, 22,5% e 27,5%, a correção foi de 5,5%, 5% e 4,5%, respectivamente.

A solução se traduz numa perda de arrecadação de R$ 6,4 bilhões, um ponto razoável entre a diminuição de R$ 5,3 bilhões pela proposta do governo (correção de 4,5%, baseada na meta de inflação) e a de R$ 7 bilhões pelos termos iniciais do Congresso (reajuste de 6,5% para todas as faixas).

Esse entendimento, negociado sobretudo pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mostra o quanto é possível avançar nas outras iniciativas propostas pelo governo --apesar de a própria base aliada manifestar oposição a algumas delas.

Nas próximas semanas começam a tramitar medidas provisórias que alteram critérios de acesso e cortam gastos com seguro-desemprego e pensão por morte. Estima-se uma economia de R$ 18 bilhões para os cofres públicos. O Planalto também deve enviar um projeto de lei para reverter a desoneração da folha de pagamento, com impacto próximo a R$ 20 bilhões.

Não deixa de ser uma boa notícia que, no contexto político atual, não caibam mais arroubos imperiais do Executivo. Negociar e calibrar melhor as mudanças, em especial a tributação da folha de pagamento num contexto de alta do desemprego, são essenciais para assegurar a aprovação do ajuste.

É prioritária a defesa das instituições – Editorial / O Globo

• Quando parece começar novo ciclo de manifestações de rua, com a atuação de radicais, lembre-se que a garantia da estabilidade está no respeito à Constituição

O país parece entrar em novo ciclo de manifestações de rua, depois daquele iniciado em junho de 2013, de origem espontânea nas redes sociais, e depois desvirtuado pela violência de grupelhos. Com a elevação da temperatura da crise política, da qual uma das centelhas foi a constatação de que a presidente Dilma teve de se curvar à agenda do ajuste econômico que ela rejeitara no palanque da reeleição, partidos e facções políticas fazem convocações de passeatas e concentrações.

Hoje, sindicatos, organizações em geral aliadas ao governo pretendem, das ruas, transmitir apoio a Dilma, forçada a lutar no front da crise econômica e no da política. Neste, sofre intensa erosão de popularidade enquanto avançam as investigações do escândalo na Petrobras, estatal a que esteve ligada de diversas formas desde 2003, com a chegada de Lula e PT ao Planalto. No domingo, será a oposição a protestar em várias cidades.

As manifestações precisam mesmo ser livres, conforme estabelece a Constituição, respeitados os devidos limites legais, os códigos de urbanidade e a sensatez. De lado a lado, há radicalização. Se existem saudosos da ditadura militar — muitos sequer viveram aquela época para saber o que é um regime de opressão —, existe o fascismo vestido de vermelho de organizações como o MST e outras. Na democracia cabem todos, e o que mantém os extremos sob o devido controle é a Constituição, a ser respeitada sem "poréns", bem como, é claro, as instituições assentadas sobre ela.

O momento é delicado porque nunca o lulopetismo esteve tão acuado. Nem no mensalão, quando havia crescimento econômico. Agora, o petrolão —um assalto aos cofres públicos via Petrobras de tamanho muito superior ao que foi praticado no BB/Visanet pela “organização criminosa" anterior — tem as vísceras expostas em meio a uma difícil conjuntura econômica.

Sobrepõem-se a tramitação do petrolão no Supremo e na Justiça comum, os desdobramentos da crise econômica — que deve consumir todo este ano — e a evolução da crise política, alimentada por um governo até aqui inepto nas imprescindíveis negociações com o Congresso.

As ruas, portanto, tenderão a estar agitadas, o que é natural numa democracia. Também por isso, mais do que nunca as instituições precisam ser protegidas para funcionar como devem: o Supremo tem de repetir a experiência do mensalão, com um julgamento técnico, livre de interferências políticas, e o Executivo deve melhorar a competência administrativa numa conjuntura ingrata e, junto com o Congresso, preparar o terreno para a volta ao crescimento.

E quanto aos lulopetistas, precisam se convencer da inviabilidade do projeto de se eternizar no poder por vias que não sejam as da democracia representativa. Não há espaço mais no Brasil para surtos de autoritarismo, não importa de que lado venham.

Vinicius Torres Freire - Neblina pesada também nos juros

• Ata do Copom não ajuda a desfazer a névoa a respeito do destino das taxas de juros --ao contrário

- Folha de S. Paulo

Uma das tantas incertezas perturbadoras desta economia brasileira escangalhada de agora é o destino da taxa de juros e, por tabela, claro, do tamanho do arrocho adicional que poderia vir pelo lado da política monetária, para nem falar do tamanho adicional da conta de juros, deficit e dívida. A exposição de motivos do Banco Central para o mais recente aumento de juros, divulgada ontem, não diminuiu a barafunda de hipóteses.

Nesse documento, a Ata do Copom, o pessoal do Banco Central induz a gente a pensar que, ainda mais do que de costume nos últimos quatro anos, as decisões dependem de informações adicionais a respeito do que será do dólar e das expectativas de inflação para 2016 (2015, claro, já foi para o vinagre, com inflação de pelo menos 8%).

Para piorar, o BC baseou suas projeções e análises em um dólar a R$ 2,85 até o fim do ano que vem (quer dizer, essas eram as informações com as quais trabalhava até quarta-feira da semana passada).

Na média do ano, o dólar está abaixo disso, mas, como se sabe, o preço da moeda americana tem flutuado acima de R$ 3,10, nos últimos dias de modo desnorteado, para não dizer histérico. Quanto ao resto do ano, o cálculo das probabilidades de que o dólar fique na faixa do BC é uma pilhéria sem parâmetros.

O que vai ser do câmbio depende do que vai ser da política em geral, do destino que a política vai dar para o pacote de arrocho e da leitura que os donos do dinheiro grosso farão disso tudo.

A taxa de câmbio ainda vai depender pesadamente de uma outra barafunda, provocada pela divergência das políticas monetárias de Estados Unidos e Europa e pela incerteza acerca das taxas de juros americanas. Qual vai ser a resultante da diferença enorme e ainda crescente de juros americanos e europeus? A valorização mundial do dólar vai manter baixíssima a inflação americana e assim mandar para as calendas a alta de juros (o que pode adiar tumultos no Brasil e contribuir para segurar a disparada do dólar por aqui)?

Enfim, o que o Banco Central tende a fazer de seu programa de intervenções no câmbio, que dá uma segurada no preço do dólar? Vai ficar na mesma, dadas tantas incertezas e riscos de acidentes?

Como se não bastasse tanta dúvida quanto ao dólar, há mais névoa no futuro de informações elementares para pensar a política monetária. Qual será o efeito de um real desvalorizado, em tese inflacionário, em uma economia em recessão, recessão não se sabe de qual tamanho?

Além do mais, o Banco Central vinha dizendo, ao ritmo de dois passos adiante, um para trás, que faria o necessário para levar a inflação para a meta de 4,5% em 2016. A leitura desse texto sempre cheio de mumunhas da Ata agora pode sugerir a ideia de que tal objetivo pode ficar para 2017, mesmo que não se levem em conta deteriorações adicionais do cenário para a inflação.

Um arrocho adicional na taxa de juros, combinado ao provável arrocho nos gastos do governo, tende a retardar a recuperação econômica e piorar o estado das contas públicas (deficit e dívida), para mencionar apenas os problemas maiores e óbvios. Logo, nota-se quão mais nebuloso está o futuro, mesmo ali adiante, em abril.

Míriam Leitão - A confusão do dólar

- O Globo

Maxidesvalorização. O especialista em câmbio e sócio da Tendências Consultoria Nathan Blanche já usa essa palavra para definir o que aconteceu com o real. A moeda brasileira perdeu 31% do seu valor desde o primeiro turno das eleições, saindo de R$ 2,40 para R$ 3,16. A alta tem dois efeitos colaterais imediatos: mais pressão sobre a inflação e crescimento da dívida da Petrobras. E deixa um risco fiscal no colo do Banco Central.

Alta forte da moeda americana tem sempre um ganho possível a médio prazo, que é o aumento da competitividade das exportações , mas é desorganizador da economia no curto prazo. Qualquer empresa, não apenas a Petrobras , que tiver dívida em moeda estrangeira está vendo seu passivo subir. O dólar está em alta no mundo inteiro, mas tem subido mais no Brasil. E isso apesar de o país ter US$ 370 bilhões de reservas e manter um programa de intervenções no mercado futuro que som a mais de US$ 100 bilhões. A explicação para essa alta mais forte está nos pontos frágeis da economia brasileira. A Petrobras — que ainda não divulgou o balanço de 2014 — quando publicar o resultado do primeiro trimestre de 2015 terá de contabilizar um enorme aumento do seu endividamento. Pelas contas da analista Karina Freitas, da Concórdia Corretora, a pedido do blog, a dívida da estatal pode crescer R$ 70 bilhões com um câmbio no nível em que está.

A empresa tem 70% de sua dívida em moeda americana. Outras empresas têm o mesmo problema porque se endividaram externamente quando o dólar estava barato. O que acontece com o dólar é um fenômeno mundial, mas em alguns países houve uma ação deliberada para que acontecesse. Esta semana, o euro atingiu o valor mais baixo dos últimos 12 anos sobre a moeda americana. Parte disso é reflexo do programa de estímulos do Banco Central Europeu, que combate o risco da deflação. O iene japonês caiu muito pelo mesmo motivo. A antiga equipe econômica tomou várias medidas, quando o dólar estava barato, para formar a alta, mas elas acabaram provocando instabilidade. Desde 2009, foram pelo menos 22 ações , desde aumento de IOF para a entrada de capital, até a revogação do imposto , tempos depois, a mudanças de prazos para a sua incidência, aumento de compulsório, e operações de swap reversos .

O dólar acompanhou o movimento do Credit Defa ult Swap (CDS) brasileiro. OCDS é o custo cobrado para se fazer um seguro contra o risco de um determinado país. Quanto maiores forem as taxas, maior é o que os economista s chamam de "prêmio de risco". Enquanto o CDS do Brasil subiu para 250 pontos, a média dos países que firmaram a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) está em 113 pontos. É um termômetro de que o mercado considera que o Brasil está mais vulnerável. A inflação por aqui passa de 7%, enquanto a média nesses países é de 3,5%. O déficit em conta-corrente aqui é de 4,2% do PIB. Neles, de 3,2%. Nosso PIB não está crescendo, mas as projeções apontam para uma alta de 3,4% nesses quatro países.

Com o argumento de que era preciso evitar a volatilidade cambial, o BC passou há dois anos a atuar fortemente no mercado futuro. O problema é que agora tem mais de US$ 100 bilhões em contratos firmados. O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avisou que é preciso diminuir o tamanho desse programa, que traz um risco fiscal embutido. Quando o dólar sobe acima do preço firmado pelo BC, ele precisa pagar a diferença. A consultoria Tendência estimou que em fevereiro o BC pode ter perdido R$ 17 bilhões com a desvalorização do real. — O Banco Central trocou o instrumento clássico de combate à inflação, que é a política monetária, por esse programa de swaps, que ganhou proporções muito grandes. Isso se transformou em um enorme risco fiscal para o país, porque se o BC fechasse hoje todos os contratos abertos, teria uma enorme perda — disse Nathan.

O momento de valorização do dólar estava marcado para acontecer. O Fed suspendeu aos poucos os programas de estímulo monetário, e agora a expectativa é de alta de juros se houver risco de formação de bolha. O país teve tempo de se preparar para esse momento, mas fez o oposto: aumentou seus déficits e não reduziu a inflação. É torcer para que apareça o lado bom do dólar alto: o aumento das exportações brasileiras .

Celso Ming - Recados da Ata do Copom

• O Banco Central não compra o diagnóstico da presidente Dilma de que a atividade econômica e a inflação estão piorando no Brasil em razão da crise externa

- O Estado de S. Paulo

A inflação está muito mais forte do que o esperado, mas está sob controle. É o recado do Banco Central transmitido pela Ata do Copom divulgada nesta quinta-feira.

O Banco Central não compra o diagnóstico da presidente Dilma de que a atividade econômica e a inflação estão piorando no Brasil em razão da crise externa. Ao contrário, avisa que “as perspectivas indicam recuperação da atividade em algumas economias maduras e intensificação do ritmo de crescimento em outras”. Também não atribui nossas mazelas aos estragos produzidos pela escassez de chuvas. Os efeitos da estiagem não são sequer mencionados na ata.

A inflação está acelerando, mas este é o resultado do processo saudável de dois realinhamentos: o dos preços internos aos preços externos por meio do avanço do câmbio (alta do dólar); e o dos preços administrados aos preços livres. Ficou implícita a conclusão de que tanto o atraso do câmbio quanto o dos preços administrados (25% da cesta de consumo) foi o resultado da política econômica anterior.

De todo modo, esse realinhamento concorrerá para que, mais à frente – indica o Banco Central – a inflação seja contida. Em dezembro, o presidente Alexandre Tombini assegurava que, em 2016, a inflação voltaria a convergir para a meta de 4,5%. Essa aposta se mantém, mas como aposta e não como certeza. Ficou a impressão de que a convergência para a meta, se vier, vai ficando para 2017.

O relativo otimismo do Banco Central em relação ao comportamento da inflação baseia-se em três pressupostos, que têm lá alguma fragilidade. O primeiro é o de que o governo conseguirá fazer o ajuste fiscal necessário para obter a sobra de arrecadação de 1,2% do PIB em 2015 e de 2,0% em 2016. Esse não é ainda dado de realidade que se pode assegurar.

O segundo pressuposto em que se apoia o otimismo do Banco Central é a relativa desaceleração do consumo e da expansão do setor de serviços, fato que tenderá a tirar gás da inflação.

E o terceiro é o de que a economia global vai melhorar, fator que pode empurrar as exportações – que, por sua vez, podem ser ajudadas pela forte desvalorização cambial.

Logo depois da reunião do dia 4, quando o Copom aumentou os juros em 0,5 ponto porcentual para 12,75% ao ano, alguns analistas imaginaram que nova dose de 0,25 ponto porcentual em abril que conduzisse ao número redondo de 13,0% ao ano encerraria o ciclo de alta.

Não há suporte para suposições desse tipo. Ao contrário, a ata deixa aberta a porta para que o ajuste monetário continue, especialmente quando o patamar dos 8,0% em 12 meses for atingido.

Está para começar o processo de alta dos juros nos Estados Unidos, processo que pode desviar recursos externos da rota para o Brasil. Se a relativa escassez de moeda estrangeira se configurar, o Banco Central pode ter outro motivo para puxar ainda mais pelos juros, de maneira a atrair mais capitais externos.

A cotação cambial tomada como referência na ata foi R$ 2,85 por dólar. É patamar que ficou para trás. O preço do dólar está agora nas alturas dos R$ 3,14. Não deixa de mostrar certo atraso da leitura da realidade feita pela ata.

Nelson Motta - Raios e trovoadas

• Quem semeia raios econômicos, colhe tempestades políticas e trovoadas sociais

- O Globo

Nem tudo piorou de 2010 a 2014. Caíram de 131 para 98 por ano os brasileiros fulminados por raios em diversas regiões do país, de todas faixas etárias e sociais. As vítimas do que os antigos acreditavam ser a ira dos deuses são em número bem maior do que as temidas mortes em acidentes aéreos e não há nada que as explique, além de estar no lugar errado, na hora errada. Ou aquela palavra que não se diz.

Mas justo na hora em que o governo Dilma enfrenta um tiroteio cerrado de todos os lados e grandes turbulências, na semana passada, um raio atingiu em cheio o quartel da Guarda Presidencial, em Brasília, levando ao hospital 31 militares feridos, felizmente sem vítimas fatais. E sem que a oposição ou as elites golpistas pudessem ser responsabilizadas.

A advertência metafórico-meteorológica parece sob medida para a infalível, incontestável e incorrigível Dilma, mas também para cada um de nós. Os raios fulminam a onipotência humana e revelam a nossa fragilidade e precariedade, nos fazem aceitar que, se não há justiça na natureza, nem no cosmos, nem nos deuses e religiões, nos resta acreditar que a ideia de fazer justiça é só uma invenção humana, com todas as suas imprecisões e contradições, como parte do processo civilizatório.

Diz a lenda que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas há registros de descargas que atingem o mesmo ponto até mais de duas vezes. Mas, ao contrário da História, os raios não se repetem como farsa, mas como tragédia, inexorável e inexplicável. Raios políticos, como metáfora da força do acaso, já caíram várias vezes no Congresso, na Presidência e no Ministério da Fazenda.

Vítima constante de raios, como os que mataram Tancredo Neves, Luís Eduardo Magalhães e Eduardo Campos, o Brasil agora sofre com os raios econômicos semeados pelo governo Dilma, colhendo tempestades politicas e trovoadas sociais. Não há nenhuma crise internacional, os Estados Unidos cresceram 4,6% no trimestre, até a União Europeia e a América Latina cresceram mais do que o Brasil, com menos inflação. A crise é de quem a criou, a conta é nossa.

Mas, cuidado, panelas atraem raios.

Errei, sim. (Dalva de Oliveira - 1950)

Carlos Drummond de Andrade - Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Opinião do dia – Aécio Neves

“O PSDB manifesta apoio irrestrito a todas as manifestações pacíficas e organizadas de forma apartidária em todo País. E não podemos aceitar que digam o que podemos ou não protestar. O PSDB, com seus militantes, estará ao lado das manifestações que expressam o grande sentimento de indignação contra a degradação moral e os gravíssimos problemas sócio-econômicos provocados por esse governo.

Não estamos proibindo nem proibidos de falar sobre impeachment, mas nesse momento isso não está na agenda do PSDB.”

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Aécio Neves, senador(MG) e presidente nacional do PSDB, em nota de apoio as manifestações do próximo dia 15 de março.

Congresso mantém veto de Dilma ao reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda

• Manutenção da decisão da presidente Dilma foi possível após acordo para adotar tabela escalonada sugerida por Renan Calheiros

Ricardo Della Colleta e Ana Fernandes - O Estado de S. Paulo

Um dia depois de o governo ter cedido e aceitado dar um reajuste escalonado para o Imposto de Renda, o Congresso Nacional manteve o veto da presidente Dilma Rousseff à correção cheia da tabela defendida pela oposição. O plano inicial era que os deputados e senadores aprovassem ainda hoje o Orçamento da União para 2015, mas a oposição ameaçou obstruir a sessão e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), passou a análise da matéria para a próxima terça-feira (17).

Dilma havia vetado em janeiro deste ano uma emenda do DEM que aplicava um índice de 6,5% para todas as faixas do Imposto de Renda, o que, segundo a equipe econômica, traria um impacto de R$ 7 bilhões. Dilma defendia um porcentual menor, o centro da meta de inflação (4,5%), mas a base aliada ameaçou reverter a decisão da presidente e impor uma dura derrota ao Planalto em um ano de contenção de despesas.

A manutenção do veto na noite desta quarta-feira, 11, só foi possível graças a um acordo capitaneado pela cúpula do PMDB no Congresso. Renan encampou um texto pelo qual o reajuste variará entre 4,5% e 6,5%, de acordo com os ganhos do trabalhador: correção de 6,5% para faixa dos isentos (até R$ 1.903,98) e para os que têm renda até R$ 2.840,06; de 6% para rendimento até R$ 3.751,06; de 5% até R$ 4.664,68 e de 4,5% para ganhos mensais acima de R$ 4.664,68.

O custo para os cofres públicos deve ser menor, de cerca de R$ 6 bilhões, segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que foi duas vezes ao Congresso ontem para negociar os termos do acordo. Para avalizá-lo, foi editada hoje uma Medida Provisória com os valores do reajuste escalonado.

Na sessão desta tarde, 239 deputados votaram pela anulação do veto de Dilma à correção do IR, resultado que não atingiu o mínimo necessário. Para a derrubada, o placar deveria ser de pelo menos 257 votos.

A reunião foi marcada por troca de críticas de parlamentares da base e da oposição. Para os oposicionistas, a proposta governista penaliza a classe média e não repõe as perdas da inflação. "Como a presidente Dilma edita uma MP para retirar poder do Parlamento brasileiro? A quem cabe decidir sobre uma proposição legislativa?

Fica aqui a minha repulsa", declarou o líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE). "Garantimos uma MP que de forma escalonada beneficia quem ganha menos. Com isso podemos votar pela manutenção dos vetos e o governo retoma o diálogo tão importante com o Parlamento", rebateu o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

Pauta cheia
Na sessão do Congresso, que ao todo durou quase 12 horas, os deputados e senadores analisaram diversos dispositivos vetados em um total de nove projetos, sendo que o mais importante deles era a correção da tabela do Imposto de Renda. Entre os outros vetos mantidos, está um que evitou a redução da jornada de trabalho dos psicólogos e outro que impediu a flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Também foi preservada a "canetada" de Dilma em um veto que barrou a redução das alíquotas cobradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para os trabalhadores domésticos e empregadores, além de outro que bloqueou a prorrogação de contratos de indústrias eletrointensivas do Nordeste com a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf).

Governo privatizará mais três aeroportos

Mais três aeroportos à venda

• Governo quer privatizar terminais de Salvador, Florianópolis e Porto Alegre. Infraero terá fatia menor

Geralda Doca – O Globo

BRASÍLIA - O governo pretende conceder ao setor privado ainda este ano mais três aeroportos internacionais: Salvador, Porto Alegre e Florianópolis, considerados atraentes ao setor privado. Segundo técnicos envolvidos nas discussões, nessa rodada, a Infraero deverá ficar com uma participação menor no negócio, a mínima necessária para assegurar assento no conselho de administração da empresa que vai assumir os aeroportos (igual ou superior a 15% das ações com direito a voto, pelas Lei das S.As). Nos cinco aeroportos já leiloados (Brasília, Viracopos, Guarulhos, Galeão e Confins), a estatal ficou com 49% de participação e a iniciativa privada, com 51%.

Desta vez, há preocupação em reduzir o impacto fiscal da participação da Infraero, pois a empresa é deficitária e precisaria de aportes mais elevados da União para acompanhar o novo sócio, tanto em capital, quanto nos investimentos. Em 2013 e 2014, o Tesouro precisou injetar R$ 4,2 bilhões na Infraero, e neste ano, há previsão de mais R$ 1,9 bilhão. As dificuldades de caixa decorrem da perda de receitas com a entrega dos aeroportos mais movimentados do país à iniciativa privada. Com 12 mil funcionários, a empresa está recorrendo à demissão voluntária e adotando medidas para aumentar as receitas.

Para governo, setor desperta interesse
Segundo técnicos que estão trabalhando na modelagem da concessão, manter a Infraero nesses negócios é uma forma de assegurar receitas para a rede de aeroportos administrados pela empresa que não dão lucro. A intenção é concluir os estudos ainda este semestre e lançar o edital entre setembro e outubro. Se tudo transcorrer dentro do previsto, os novos concessionários deverão assinar os contratos no início de 2016.

Ainda falta uma decisão final da presidente Dilma Rousseff sobre os aeroportos a serem concedidos, mas as discussões já estão adiantadas, segundo um interlocutor. Apesar do envolvimento das grandes empreiteiras na Operação Lava-Jato, o governo não teme a falta de interessados nos leilões dos aeroportos, dada a atratividade do setor, com amplas possibilidades de receitas. Além disso, na visão de integrantes do governo, o próprio mercado encontrará alternativas, como venda de participação e formação de novas empresas. Quando um projeto é bom, não faltam interessados, disse um ministro.

Segundo dados da Secretaria de Aviação Civil (SAC), o governo arrecadou R$ 2,6 bilhões com as concessões dos aeroportos nos últimos dois anos e a previsão é de mais R$ 2,6 bilhões em 2015. O total de investimentos realizados pelos concessionários somou R$ 6,85 bilhões, o que resultou em uma ampliação da capacidade dos terminais de 87%.

No caso dos três aeroportos a serem incluídos na nova rodada de concessões, já há uma infraestrutura em funcionamento e pronta para dar retorno no curto prazo. Com capacidade para 13 milhões de passageiros, o aeroporto de Salvador é um dos terminais mais importantes do Nordeste. Com mais investimentos, o de Florianópolis pode ampliar a capacidade de 4,1 milhões de passageiros e o de Porto Alegre, com capacidade para 15,3 milhões de passageiros por ano, tem se consolidado como uma porta de entrada importante para os países da América do Sul.

O sucesso dos primeiros leilões, com ágios elevados, é um dos motivos da continuidade do cronograma de concessão aeroportuária. O balanço da primeira rodada, em fevereiro de 2012, quando foram concedidos Brasília, Guarulhos e Viracopos, é positivo, segundo o governo. Com exceção de Viracopos, onde as obras atrasaram, os investimentos previstos para os Jogos da Copa ocorreram dentro do prazo, o que resultou na ampliação significativa da capacidade desses aeroportos. Integrantes do governo reconhecem que dar continuidade às concessões é a principal alternativa para assegurar os investimentos, diante da restrição orçamentária.

Youssef diz que se reuniu com Padilha

Youssef diz que se reuniu com Padilha e Vargas

• Em nota, ex-ministro da Saúde contesta versão do doleiro

Vinicius Sassine – O Globo

BRASÍLIA - Quando era ministro da Saúde, o petista Alexandre Padilha participou de reunião com o doleiro Alberto Youssef para tratar da regularização do laboratório Labogen junto ao ministério, segundo afirmação do doleiro na delação premiada firmada com o Ministério Público.

No termo de colaboração número 57, Youssef relata que esteve com Padilha na casa do então deputado federal André Vargas (ex-PT-PR) em Brasília, com a presença de Cândido Vaccarezza (PT-SP), e de Pedro Argese, um dos representantes do Labogen - empreendimento de fachada cujo verdadeiro dono era o próprio doleiro, conforme as investigações da Operação Lava-Jato.

Em fevereiro de 2014, Padilha deixou o ministério para disputar o governo de São Paulo. Ficou em terceiro lugar. Há 40 dias, o ex-ministro assumiu o cargo de secretário de Relações Governamentais da Prefeitura de São Paulo, a convite do prefeito Fernando Haddad (PT).

O Labogen chegou a firmar uma parceria para desenvolvimento produtivo (PDP) com o ministério, com o propósito de fabricar um medicamento que combate hipertensão arterial pulmonar. A parceria previa repasse de R$ 31 milhões ao laboratório, mas foi anulada com a revelação do escândalo. Padilha sempre negou ter cometido irregularidade. O máximo que admitiu, na época, foi ter se encontrado com André Vargas para tratar do assunto e, a partir de um pedido do deputado, ter encaminhado "documento informal" sobre o laboratório para a área técnica do ministério.

Na delação, Youssef afirmou ter existido uma relação mais próxima: "Houve uma primeira reunião agendada na casa de André Vargas em Brasília onde estavam Cândido Vaccarezza, o declarante, André Vargas, Pedro Argese e o então ministro da Saúde Alexandre Padilha".

Youssef afirmou que não houve pedido nem pagamento de "qualquer comissão ou propina" a Vargas e a Padilha. Ao analisar a delação, o MPF considerou que, apesar das menções a autoridades com foro privilegiado, "não haveria qualquer irregularidade praticada por eles". O trecho da delação deveria ser enviado à primeira instância da Justiça Federal, no Paraná.

Por meio da assessoria, Padilha afirmou que "não tem registro de qualquer encontro ou evento na casa do então vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas, cujo objetivo específico tenha sido tratar do tema questionado". "O ex-ministro, por dever do cargo e quando convidado, participou de encontros e eventos com parlamentares", diz a nota. O ex-ministro também afirmou ter cumprido "missão institucional" ao receber propostas e projetos de parceiros, e reiterou que nenhum contrato chegou a ser assinado com o Labogen.

Vaccarezza disse nunca ter participado de reunião na casa de Vargas para tratar do assunto. Vargas, por sua vez, afirmou que não daria declaração por estar "fora da área pública". O primeiro é alvo de inquérito aberto no Supremo. O segundo, de inquérito da PF em Curitiba.

Em outro depoimento, o doleiro afirma que o PP recebeu propina de laboratórios devido a cargos ocupados no Ministério da Saúde, mas não se refere à gestão de Padilha. Ele cita o laboratório Pfizer e afirma que a propina, nesse caso, tinha relação com o medicamento Viagra. Diz lembrar especificamente do Pfizer pelo fato de o ex-deputado José Janene ter recebido amostras do medicamento e distribuído a amigos. Youssef diz que as propinas arrecadadas em laboratórios totalizariam R$1,5 milhão e que os recursos eram repassados por ele a Janene.

Renan volta a atacar Planalto e diz que 'governo envelheceu'

- Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Após sinalizar uma trégua com o governo ao fechar acordo para a correção da tabela do Imposto de Renda, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou sua artilharia para o Planalto ao afirmar nesta quarta (11) que o governo "envelheceu".

Ele disse ainda que os problemas entre o Executivo e o PMDB não foram solucionados com o acordo em torno da medida sobre o IR.

"A coisa da aliança, ela precisa ter um fundamento. Esse governo parece que envelheceu", atacou.

Renan afirmou que vai zelar pelas prerrogativas do Legislativo. "O Congresso cada vez mais vai ser Congresso."

Renan diz que governo de Dilma envelheceu e tem coalizão fraca

• Já Cunha afirma que corrupção na Petrobras é esquema do Executivo

Cristiane Jungblut - O Globo

BRASÍLIA - Apesar da negociação entre governo e Congresso em torno da correção do Imposto de Renda na fonte, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), manteve ontem o tom crítico ao governo da presidente Dilma Rousseff. Renan disse que a coalizão do governo tem problemas e que, do ponto de vista da aliança, "não se resolveu nada". E acrescentou que o governo parece que envelheceu, mesmo Dilma tendo tomado posse em janeiro para o segundo mandato com um novo Ministério.

No auge da crise, Renan disse que a coalizão era "capenga" e manteve o posicionamento crítico ao responder se o acerto teria resolvido problemas políticos.

- Do ponto de vista da aliança, não se resolveu nada. Evidente que não falo pelo partido (PMDB), falo pelo Congresso. Do ponto de vista do Congresso, tivemos uma inversão de tudo que estava acontecendo até aqui: devolvemos a MP 669 (sobre desonerações fiscais) e hoje foi editada uma MP (do IR) como produto da conversa com o Congresso. Agora, a coisa da aliança precisa ter um fundamento. Esse governo parece que envelheceu. Mas isso é um outro assunto que está sendo tratado por uma outra instância do partido - disparou.

Para o peemedebista, as negociações entre os poderes Executivo e Legislativo e as negociações dentro da base aliada são coisas separadas. Na semana passada, Renan devolveu a MP 669, que reduziu a política de desonerações fiscais, alegando que o texto era inconstitucional.

- São questões distintas. Uma coisa é uma negociação no Congresso, produzindo uma MP como consequência, e outra coisa é a aliança, que tem dificuldade.

Senador promete ir ao limite
Renan avisou que defenderá as prerrogativas do Congresso "até o limite". No caso do IR, Renan afirmou que a solução partiu do Legislativo. Na terça-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, esteve duas vezes no Congresso para fazer o acordo.

Já o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse em entrevista ao jornal espanhol "El País" que a corrupção na Petrobras é "um esquema do Poder Executivo". Segundo ele, "alguns parlamentares até podem ter apoiado sem saber que era corrupção, pela natureza política. Outros, podem ter compartilhado". Mas a organização criminosa, segundo seu ponto de vista, é de responsabilidade do governo.

- A pauta vai ser tocada normalmente. Esse é um esquema do Poder Executivo. A corrupção está no Governo, não está no Parlamento. Eventualmente, alguém do Parlamento pode ter se beneficiado da corrupção do Governo, o que é uma coisa que está sendo investigada. Há um esquema sistêmico de corrupção da Petrobras - disse ao "El País".

Eduardo Cunha diz que Lava-Jato revela 'esquema do Poder Executivo'

• Presidente da Câmara afirma ao ‘El País’, no entanto, que decreto do governo FH facilitou assalto à Petrobras

- O Globo

RIO — O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse em entrevista ao jornal “EL País” que a corrupção na Petrobras é “um esquema do Poder Executivo”. Segundo ele, “alguns parlamentares até podem ter apoiado sem saber que era corrupção, pela natureza política. Outros, podem ter compartilhado”. Mas a organização criminosa, segundo seu ponto de vista, é de responsabilidade do governo.

Quando perguntado sobre os nomes dos investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), incluído o seu, o presidente da Câmara afirmou que a vida parlamentar continuará normalmente, e que não há provas no seu caso. Cunha se disse perseguido e voltou a criticar procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

— A pauta vai ser tocada normalmente. Esse é um esquema do Poder Executivo. A corrupção está no Governo, não está no Parlamento. Eventualmente, alguém do Parlamento pode ter se beneficiado da corrupção do Governo, o que é uma coisa que está sendo investigada. Há um esquema sistêmico de corrupção da Petrobras — disse ele ao “El País”.

Segundo Cunha, a corrupção começou a ser institucionalizada na Petrobras quando a estatal começou a desobedecer o regulamento de licitações, por meio dos negócios firmados em carta convite. Um decreto do governo Fernando Henrique Cardoso, diz ele, permitiu a flexibilização.

— (A institucionalização da corrupção ocorre) desde que alteraram o regulamento de licitações da Petrobras. Ela deixou de obedecer a Lei 8666 (das licitações públicas) e passou a ter um regulamento próprio, por carta convite. A partir disso se formaram os carteis e foi a porteira da corrupção.

De acordo com Cunha, o grande desgaste dos peemedebistas com o governo foi causado pela tentativa do Planalto de desmantelar o PMDB.

— A articulação política que foi montada, deixando o PMDB completamente fora dela. E uma articulação política completamente atabalhoada. A própria tentativa de criar um partido para enfraquecer o PMDB (O PL, que o ministro Gilberto Kassab quer recriar) foi a principal razão de estresse entre os dois lados. Esse é um erro político. Você não parte para buscar a destruição do seu aliado. É como se estivesse dormindo com o inimigo. E, ao mesmo tempo, vai esfaquear o inimigo de manhã — disse Cunha ao “El País”.

Eduardo Cunha termina a entrevista dizendo que o “panelaço” contra a presidente Dilma Rousseff foi “uma manifestação popular, natural, legítima”. Ele acrescenta, entretanto, que é contrário a um impechment. “Acho que é golpe”, diz.

PSDB oficializa apoio a protesto do dia 15, mas Aécio diz que não vai participar

• Sigla vai mobilizar seus dirigentes e militantes no próximo final de semana; presidente do partido, contudo, negou que vá participar das manifestações

Pedro Venceslau - O Estado de S. Paulo

Brasília - O PSDB oficializou nesta quarta-feira, 11, apoio total da sigla às manifestações contra a presidente Dilma Rousseff marcadas para o próximo dia 15 em várias capitais e decidiu mobilizar seus dirigentes e militantes, mas o senador Aécio Neves, presidente do partido, anunciou que não participará dos protestos.

"Nossos companheiros estarão nas ruas do Brasil, mas eu optei por não ir para não dar força a esse discurso de que estamos vivendo um terceiro turno", disse Aécio. A declaração foi feita depois de uma reunião da direção executiva do partido em Brasília.

A estratégia já havia sido definida na semana retrasada em um almoço com os principais caciques tucanos em São Paulo na sede do Instituto Fernando Henrique Cardoso.

Questionado sobre o apoio à bandeira do impeachment da presidente Dilma, mote que norteia as manifestações, Aécio afirmou que a palavra não pode ser vetada. "Não proibimos a palavra impeachment, mas essa não é nossa agenda neste momento".

O senador ironizou a manifestação em defesa da presidente convocada para sexta-feira por entidades como CUT, UNE e MST. "É algo muito arriscado o governo convocar aliados para protestar. Quando Collor fez isso, assistimos àquele resultado".

Para ‘sangrar’ PT, PSDB oficializa seu apoio às manifestações antigoverno

• Sigla se diz contra 'impeachment', mas que militância sairá às ruas domingo. Aécio não vai

Talita Bedinelli – El País

BRASÍLIA - O que parecia uma manifestação espontânea de uma parcela da população insatisfeita com o resultado das últimas eleições e com a condução do Governo Dilma Rousseff, ganhou nesta quarta-feira um apoio institucional. Em uma estratégia declarada para “sangrar” o já desgastado PT, a executiva nacional do PSDB divulgou pela manhã uma nota em que confirmou a participação do partido, por meio de sua militância e lideranças, no ato antigoverno marcado para o próximo domingo, dia 15, em diversas cidades brasileiras.

“O PSDB se solidariza com as manifestações de indignação dos brasileiros diante da flagrante degradação moral e do desastre econômico-social promovido pelo Governo Dilma Rousseff”, registra a nota, que ressaltou que o movimento é apartidário e “surge do mais legítimo sentimento de indignação da sociedade brasileira”.

Em entrevista à imprensa na sede da executiva nacional do partido nesta quarta de manhã, o senador Aécio Neves, que concorreu contra Rousseff nas eleições de outubro, também atacou o Governo.
“Enquanto Dilma não vier a público fazer um mea-culpa pelo descalabro moral de seu Governo estará se distanciando ainda mais do sentimento dos brasileiros”, afirmou ele, que também é presidente nacional da sigla e assinou a nota. Ele ressaltou, entretanto, que o partido não apoia o pedido de impeachment da presidenta, algo que vai ecoar com força na manifestação nacional, e também disse que não irá ao ato para não "dar força ao discurso de terceiro turno no Brasil", em referência aos argumentos usados por Rousseff para explicar as manifestações contrárias a ela.

Dubiedade
Os tucanos evitavam declarar oficialmente a adesão ao protesto, já que uma boa parte deles não concorda com o discurso deimpeachment que ronda os atos. Para eles, o Governo tem que "sangrar" para desgastar o PT, que está no poder desde 2003. A adesão do PSDB acontece no momento em que a crise de popularidade de Rousseff se torna ainda mais aguda. No último domingo, ela enfrentou um panelaço vindo de apartamentos de bairros de classe média enquanto se pronunciava na televisão e, na terça-feira, foi vaiada em um evento em São Paulo.

Os tucanos aproveitam a fragilidade do Governo, atordoado por problemas econômicos, de articulação política e imerso em uma crise de corrupção sem precedentes, para aumentar seu capital político para as próximas eleições, já em 2016. O partido decidiu realizar no próximo mês uma ampla campanha de filiação partidária para tentar, com a crise, transformar os descontentes com o Governo em militantes e, assim, ampliar sua base social que nunca teve muita força nas ruas. “O partido que perde sua conexão com a sociedade deixa de ser um partido político e passa a ser uma legenda. Esse tipo de ação é muito bem-vinda e deve ser permanente dentro do PSDB. Esse é o ano em que a gente deve fazer a formação de novos quadros para quem serão nossos candidatos a vereador e prefeito no ano que vem”, explicou ao EL PAÍS o deputado Bruno Covas.

Na outra ponta, o PT, por sua vez, se aproveita de sua base socialpara tentar evitar que o desgaste do Governo aumente. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao partido governista, fará uma manifestação nacional na próxima sexta-feira, dia 13, em defesa da Petrobras. O argumento do sindicato é que há em curso uma estratégia para desvalorizar a estatal e, com isso, privatizá-la. É o mesmo argumento usado pelos petistas. A organização também começa uma jornada de mobilizações, em que defenderá a reforma política, por meio de uma Constituinte, outra bandeira do PT.

No último sábado, a CUT se reuniu com diversos movimentos de esquerda, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento dos Sem-Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), para discutir uma plataforma política comum que vai ser mostrada para a sociedade em forma de atos a partir de abril. Apesar de saírem em defesa do Governo, as entidades também prometem abordar temas espinhosos para Rousseff, entre eles o ajuste fiscal, carimbado pelos movimentos como uma política “neoliberal”. Para petistas, um dos maiores desafios do partido, neste momento, é realizar a série de medidas necessárias para equilibrar a economia, que preveem cortes em direitos trabalhistas, e ainda assim manter o apoio de sua base social. Parte da legenda, inclusive, teme que as ações dos movimentos sociais traga mais desgaste ao Governo.

PSDB declara apoio às manifestações, mas Aécio diz que impeachment 'não está na agenda'

• Tucano não estará nas ruas, pois quer evitar acirrar o discurso dos petistas de que estaria patrocinando um terceiro turno

Maria Lima – O Globo

BRASÍLIA — O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, divulgou nota da Executiva Nacional do PSDB apoiando de forma irrestrita e convocando seus militantes e setores organizados ligados ao partido para participarem das manifestações do dia 15 de março. Mas ele pessoalmente não participará das manifestações, segundo ele, para não acirrar o discurso dos petistas de que estaria patrocinando um terceiro turno das eleições em que foi derrotado pela presidente Dilma Rousseff. Embora haja uma divisão na Executiva sobre apoiar o pedido de impeachment, Aécio está entre os mais cautelosos, mas disse que não aceita o patrulhamento dos governistas sobre a discussão dessa possibilidade.

— O PSDB manifesta apoio irrestrito a todas as manifestações pacíficas e organizadas de forma apartidária em todo País. E não podemos aceitar que digam o que podemos ou não protestar. O PSDB, com seus militantes, estará ao lado das manifestações que expressam o grande sentimento de indignação contra a degradação moral e os gravíssimos problemas sócio-econômicos provocados por esse governo — disse Aécio, completando:

— Não estamos proibindo nem proibidos de falar sobre impeachment, mas nesse momento isso não está na agenda do PSDB.

Ele disse que o partido estará ao lado das manifestações, e optou por não estar presente aos atos, para não acirrar o discurso de que está promovendo um terceiro turno.

— Não devo ir para não dar força ao discurso do terceiro turno, pelo fato de ter disputado a eleição com a presidente Dilma. Isso dá força ao discurso que não é verdadeiro. Quanto menos partidário, mais expressivo será o movimento — disse Aécio.

O senador mineiro ironizou ataques de petistas e governistas dizendo que o PSDB patrocinou o panelaço do último domingo, quando houve protestos em várias capitais do Pais no momento do pronunciamento da presidente Dilma em cadeia de rádio e TV.

— Não aceitamos a patrulha do PT, que chegou ao ridículo de dizer que patrocinamos o panelaço de domingo. Nem que tivéssemos crédito ilimitado nas Casas Bahia ou Ricardo Eletro teríamos dinheiro para comprar panelas para atender a tandos brasileiros — disse Aécio, rindo.

Aécio disse que esses protestos vão continuar enquanto Dilma não fizer um mea-culpa.
— Enquanto a presidente Dilma não vier a público fazer um mea-culpa pelo descalabro moral de seu governo , ela estará se distanciando ainda mais do sentimento dos brasileiros. Esse diagnóstico do que vivemos agora já tinha sido feito lá atrás, mas o governo optou por priorizar o processo eleitoral mesmo sabendo que a demora ia prejudicar ainda mais os mais pobres — disse Aécio.

Ele comentou também o fato de setores ligados ao governo, como a CUT, MST e UNE estarem organizando uma manifestação para sexta-feira para blindar a presidente contra o que chamam de “golpe, defesa da Petrobras mas também protestar contra mudanças trabalhistas do pacote fiscal de Joaquim Levy.

— Estamos vendo algo inédito no Brasil contemporâneo . Tradicionalmente as oposições é que organizam esse tipo de manifestação. Mas o que estamos vendo é o governo tão perdido que setores ligados a ele é que estão indo para as ruas protestar. É algo no mínimo muito arriscado o governo convocar seus aliados para ir as ruas. Quando Collor fez isso, assistimos aquele resultado — disse Aécio, lembrando o impeachment de Fernando Collor , quando ele convocou aliados a irem para as ruas e o Brasil inteiro foi as ruas de preto pedindo seu afastamento.

Em nota oficial , após a reunião da Executiva, o PSDB oficializou a decisão de apoiar irrestritamente as manifestações, e , embora não apoie o impeachment nesse momento, condena o que os tucanos chamaram de patrulhamento contra os setores que se manifestam em relação ao afastamento da presidente Dilma.

“Mais do que uma garantia constitucional, a liberdade de pensamento e de crítica é fundamento essencial para o fortalecimento da vida democrática e o enraizamento social dos valores republicanos” diz a nota.

Aécio anunciou também que no dia 8 de abril será deflagrada uma ampla campanha de filiação partidária, que culminará com a realização da convenção nacional em julho, quando ele deverá ser reconduzido a presidência.

Cardozo condena ‘postura golpista’

Cardozo alerta para 'postura golpista' em atos

• No Acre, governo petista organiza ato a favor da presidente; ministro também defende protestos "sem ódio"

Luiza Damé e Eduardo Bresciani – O Globo

Crise política

RIO BRANCO, BRASÍLIA e SÃO PAULO - Um dia após a presidente Dilma Rousseff ser vaiada em São Paulo, o PT se mobilizou, e ontem ela foi saudada ao chegar no Acre, governado há cinco mandatos por seu partido. Dilma foi recebida no aeroporto por cerca de 250 militantes petistas, segundo a Polícia Militar. Onze pessoas, porém, protestaram contra ela do lado de fora. Ao comentar ontem os atos contra o governo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que protestos, como os marcados para domingo, devem ser realizados "sem posturas golpista". Assim como Dilma afirmara no início da semana, ele disse não haver razões para impeachment.

Dilma foi recebida pelo governador Tião Viana e pelo prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre. A presidente foi levada por Viana ao encontro de petistas, que a saudaram com gritos de "Dilma, eu te amo".

Dilma se reuniu com prefeitos de sete municípios atingidos pela cheia do Rio Acre e sobrevoou áreas atingidas. Visitou o abrigo onde estão desabrigados e entregou 967 unidades do Programa Minha Casa Minha Vida, evento em que também foi aplaudida. Ela voltou a defender a livre manifestação, mas sem violência:

- Não tenho o menor interesse, o menor intuito, o menor compromisso com qualquer processo de restrição à livre manifestação. Temos o direito de manifestar, mas não o direito de sermos violentos. Isso não pode acontecer - afirmou.

Cardozo deu declaração semelhante:
- Gostaria muito que as pessoas que criticam o governo não fizessem uma ação de ódio, de raiva, que expressem suas ideias democraticamente. Que se manifestem dentro da lei, dentro da ordem, com respeito às autoridades constituídas e afastem-se quaisquer posturas golpistas.

Ontem, no Rio, um ato pedindo o impeachment de Dilma reuniu cerca de 40 pessoas, que foram até à sede da Petrobras. Em São Paulo, a PM se reuniu com líderes dos protestos marcados para amanhã e domingo (pró e contra o governo, respectivamente). Segundo o comando da PM, os líderes garantiram que os atos serão pacíficos. Uma das preocupação da PM é com a convocação para amanhã de ato do grupo Revoltados Online, a favor do impeachment. O grupo, porém, teria garantido que fará o protesto após a passeata em defesa da Petrobras.

Lula sugere a Dilma substituição de Mercadante na Casa Civil

• Grupo do ex-presidente quer ministro fora da articulação política

Fernanda krakovics e Júnia gama – O Globo

BRASÍLIA - Em meio a uma crise política, econômica e de popularidade, o ex-presidente Lula e petistas próximos a ele estão defendendo a substituição do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) ou, pelo menos, que ele seja alijado das costuras políticas, como forma de melhorar a relação do governo com o Congresso. Lula também gostaria que a presidente Dilma Rousseff escalasse um nome mais experiente para o lugar do ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais), responsável formalmente pela articulação política.

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República divulgou uma nota ontem negando o “rumor” de que Lula tenha sugerido a Dilma a troca na chefia da Casa Civil. “O ministro Aloizio Mercadante tem total confiança da presidenta e seguirá cumprindo suas funções à frente da Casa Civil”, diz trecho da nota. O Instituto Lula também divulgou nota negando que o ex-presidente tivesse feito críticas a Mercadante.

Braço-direito da presidente, Mercadante tem sido criticado pela cúpula do PMDB, que reclama que o ministro da Casa Civil “não funciona nem para dentro nem para fora do governo”. A base aliada reclama de falta de diálogo e de só ser chamada para defender medidas impopulares, como o ajuste fiscal.

Lula tem afirmado, de acordo com pessoas próximas, que não é justo colocar todos os erros na conta de Pepe Vargas e que seria necessário mexer também na Casa Civil. O ex-presidente tem defendido os nomes dos ministros Jaques Wagner (Defesa) e de Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) para assumir a interlocução com o Congresso e com os partidos.

Wagner já tem atuado como bombeiro. No domingo, ele foi à casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para tentar recompor a relação.

Lula defende ainda que Dilma dê um ministério a mais, e de peso, para o PMDB. Petistas próximos a Lula defendem a nomeação do ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para o Ministério da Integração Nacional, comandado pelo PP.

Eduardo Cunha
Diante dos rumores de o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, pode ser retirado no núcleo de articulação política de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – um dos principais críticos dos negociadores do governo – minimizou a atuação de Mercadante nesta quarta-feira.

– Mas o Mercadante está na articulação política? Eu não sabia – ironizou Cunha.

Em seguida, o peemedebista completou dizendo que Mercadante participa “eventualmente” de conversas políticas, mas que o problema de diálogo com o governo é outro. Desde que assumiu a presidência da Câmara, Cunha centra fogo na relação do Palácio do Planalto com o Congresso e, repetidas vezes, criticou a atuação do ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais).

– (Mercadante) Pode até participar eventualmente de conversa política, mas não tenho crítica ao ministro Mercadante, isso não é uma demanda que está sendo colocada por nós para qualquer tipo de diálogo, aí é outro tipo de problema – pontuou Cunha.

Dilma muda articulação política e tenta se blindar contra novas reações hostis

• Com Gilberto Kassab, Aldo Rebelo e Eliseu Padilha, presidente aumenta poder de aliados no núcleo do governo; ao mesmo tempo, intensifica monitoramento de humores nas redes sociais e busca aproximação com movimento sociais para antecipar tensões

Vera Rosa, Tânia Monteiro e Leonêncio Nossa - O Estado de S. Paulo

Depois de derrotas no Congresso, panelaços durante um pronunciamento na TV e até vaias em eventos oficiais da Presidência, Dilma Rousseff resolveu promover alterações em sua articulação política, monitorar as redes sociais para evitar protestos-surpresa e se aproximar de movimentos sociais para antecipar tensões. A tentativa de reação do governo petista ocorre às vésperas de uma grande manifestação, marcada para domingo, que tem entre suas principais bandeiras o pedido de impeachment da presidente.

Ela informou no final da tarde desta quarta-feira, 11, que vai incluir o PMDB, o PCdoB e o PSD na coordenação política do governo. Trata-se do grupo de ministros que se reúne com ela no Palácio do Planalto, todas as semanas, para discutir estratégias e ações do Executivo, o chamado "núcleo duro", que tem o poder simbólico na Esplanada dos Ministérios de estar mais perto do gabinete presidencial.

A composição atual do grupo só inclui petistas. Num primeiro momento, serão incluídos nessa equipe os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rabelo, do PCdoB, dos Transportes, Elizeu Padilha, PMDB, e das Cidades, Gilberto Kassab, do PSD.

A ampliação do grupo é uma tentativa da presidente em reduzir a pressão para demitir o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, um dos principais nomes da atual coordenação política, na avaliação de interlocutores do governo. Setores do próprio PT argumentam que Mercadante não está tendo boa atuação num momento em que o governo enfrenta sua pior crise.

Numa entrevista na periferia de Rio Branco, onde visitou desabrigados das enchentes e entregou chaves de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, a presidente enfatizou que não cortará a cabeça de Mercadante. "Não há nenhuma medida de modificação na coordenação política, a não ser o seguinte: vamos aumentar o número de pessoas e partidos, obviamente", disse. "Vamos fazer um rodízio para trazer ministros novos para o debate."

A mudança na articulação política – que agora terá os ministros Gilberto Kassab, do PSD, Aldo Rebelo, do PC do B, e Eliseu Padilha, do PMDB – ocorre após pressão de seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, com quem jantou na noite de terça-feira, em Brasília. Lula reclamou do chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Disse que Mercadante é “desagregador”, tem um “ego maior que o seu gabinete” no Palácio do Planalto e vive “trombando com o PMDB” e com o próprio PT. “Se ele fosse tão bom assim, teria sido ministro no meu governo”, teria dito o ex-presidente à sucessora.

Quem está na linha de tiro, no momento, é o titular de Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT), que, em tese, é o responsável pela negociação com o Congresso. Dilma gosta de Pepe e tenta preservá-lo, mas há movimento no PT e no PMDB para substituí-lo. Uma ala do PMDB quer transferir o cargo de Pepe para Eliseu Padilha.

Dilma deu a entrevista debaixo de um toldo montado em Cidade do Povo, bairro onde entregou 433 chaves de novas casas. Em meio ao mormaço e ao calor amazônico, a presidente sinalizou, suando e demonstrando sofrer com a temperatura, que pretende dar mais flexibilidade à relação do governo com o Congresso. "Eu sempre estive aberta ao Congresso", disse ao responder a uma pergunta sobre sua relação com o Legislativo. Num segundo momento, disse a presidente, ministros de outros partidos da base aliada poderão ser incluídos no grupo da coordenação política. "Vamos chamar os ministros para participar. Todos participarão". Ela relatou que o grupo da coordenação poderá ter reuniões semanais. "É muito flexível, é um sistema de governo."

Atenção. Após Dilma ser vaiada em São Paulo em um evento fechado na sexta-feira, o Palácio do Planalto decidiu monitorar o humor das pessoas nas redes sociais e vistoriar locais de visita da presidente com mais atenção. Na visita que fez a Rio Branco, no Acre, um pequeno grupo de pessoas protestou contra ela. O número de apoiadores, porém, era bem maior.

Dilma Rousseff ainda comentou sobre as manifestações contra seu governo anunciadas para o próximo domingo pelas redes sociais. A presidente fez questão de lembrar sua atuação de militante na resistência à ditadura militar, nos anos 1960 e 1970. "Sou de uma época em que não era possível se manifestar. As pessoas que se manifestavam iam diretamente para a cadeia. Eram chamadas de subversivas ou nomes piores", disse. "Uma das maiores conquistas do nosso país foi a democracia.

Passei a vida me manifestando nas ruas, por isso não tenho o menor interesse, intuito nem tão pouco compromisso com o processo de restrição de livre manifestação no País", afirmou. "Se nós temos o direito de manifestar, nós temos o direito de manifestar", completou. "O que não temos é o direito de ser violentos."

A presidente ainda citou a onda de protestos de junho e julho de 2013. "Veja o exemplo de 2013.

Eram manifestações pacíficas, mas teve um momento que se perdeu o controle porque um grupo ficou mais violento", lembrou. "Um colega de vocês foi assassinado", ressaltou, numa referência ao cinegrafista Santiago, da TV Bandeirantes, morto quando cobria um protesto no Rio."A livre manifestação é algo que o Brasil tem de defender, mas que seja pacífica."

‘Dúvida’. O deputado estadual Edinho Silva (PT-SP), tesoureiro da campanha à reeleição de Dilma, divulgou uma “Carta Aberta ao PT”, na qual admite “erros” no partido. O petista prega uma reação forte do partido e do Planalto ao cerco político e diz que é hora de todos irem para a luta, sob o argumento de que há momentos em que “a dúvida leva à derrota e o recuo, ao aniquilamento. “Há sim, erros no nosso campo político”, escreveu Silva na mensagem, enviada por e-mail para dirigentes, militantes e ministros do PT.

“Nunca na nossa história assimilamos com tanta facilidade o discurso oportunista de uma direita golpista e nunca estivemos tão paralisados. (...) Se a corrupção é endêmica e povoa as instâncias governamentais, ela tem que ser combatida com muita dureza. (...) Se pessoas se utilizaram do PT para enriquecimento, toda vez que isso for provado esses têm que pagar e nós temos que ser os primeiros a defender a penalização”, escreveu. / Colaborou Rafael Moraes Moura

Toffoli vai a Dilma após mudar de turma no STF

• Gilmar Mendes se reúne com Cunha e nega ter conversado sobre Lava-Jato

Catarina Alencastro e Carolina Brígido – O Globo

BRASÍLIA - O ministro Dias Toffoli foi recebido em audiência pela presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, um dia depois de decidir passar a integrar a Segunda Turma do Supremo, que julgará a maior parte da Lava-Jato. O encontro durou uma hora e meia, com a presença dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça).

Dilma e Toffoli negaram que o tema da conversa, marcada de última hora, tenha sido a Lava-Jato. Os dois disseram que o encontro discutiu a proposta de Toffoli de criar o Registro Civil Nacional.

No Acre, Dilma explicou:

- Porque hoje era o dia que eu podia e ele podia. Eu podia, mas quase que não podia, porque eu vinha para cá. Mas, como tem duas horas de fuso, fiz a reunião com o ministro Toffoli.

A reunião não estava prevista até a noite de terça-feira, quando foi divulgada a agenda da presidente. Toffoli disse que foi coincidência o encontro entrar na agenda de Dilma ontem. A assessoria do ministro divulgou o ofício de 18 de dezembro em que ele pediu audiência.

Toffoli disse que decidiu mudar da Primeira Turma do STF para a Segunda Turma em resposta ao apelo de colegas. Lá, ele participará do julgamento de 21 dos 25 inquéritos da Lava-Jato. A partir de maio, caberá a ele presidir a Segunda Turma e pautar o julgamento dos processos. Até maio, a presidência permanecerá com Teori Zavascki, que também é o relator dos inquéritos.

- Na medida em que o (ministro) mais antigo não expressou a vontade de ir, eu, como segundo mais antigo, me expressei nesse sentido - disse Toffoli, explicando a motivação para a mudança.

Toffoli reagiu às críticas de que sua mudança para a Segunda Turma tem viés político:

- São críticas naturais, assim como, quando vim para o Supremo, houve críticas. No julgamento da ação penal 470 (mensalão) e na presidência do TSE, ficou bastante claro que minha atuação é totalmente imparcial.

Ontem, o ministro Gilmar Mendes, do STF, reuniu-se com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está na lista da Lava-Jato. Gilmar negou que o assunto tenha sido Lava-Jato. Segundo ele, o tema foram projetos apresentados na época do Pacto Republicano. Logo depois que Gilmar deixou o gabinete, Renan Calheiros e Fernando Collor, que também estão na lista dos investigados, foram ao gabinete de Cunha.