quinta-feira, 10 de outubro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Senado precisa rejeitar mudança na Lei da Ficha Limpa

O Globo

Projeto aprovado na Câmara abranda a punição para políticos condenados por corrupção e outros crimes

O Senado adiou ontem a votação do Projeto de Lei Complementar que atenua a Lei da Ficha Limpa, aprovado pela Câmara em setembro. Quando voltar à pauta, os senadores deveriam rejeitá-lo. O texto, concebido apenas para beneficiar a classe política, é contrário aos interesses da sociedade e representa um retrocesso institucional.

A Lei da Ficha Limpa foi resultado de uma longa mobilização da sociedade brasileira por maior idoneidade de candidatos a cargos públicos. Depois da coleta de assinaturas ao longo de 14 anos, o Projeto de Lei por iniciativa popular foi aprovado e sancionado em 2010. Com a Lei da Ficha Limpa, se tornaram inelegíveis os condenados por decisão colegiada (segunda instância), na Justiça ou em outras esferas. As regras também tornaram inócua a estratégia de renunciar às vésperas da condenação para escapar de punição. De lá para cá, por mais que tenha demonstrado limites, a lei representou um avanço, com o fim da política como porto seguro para condenados, em particular nos casos de improbidade ou corrupção.

Maria Hermínia Tavares - O poder moderador da democracia

Folha de S. Paulo

Discurso de Boulos parece comprovar o efeito virtuoso da corrida eleitoral em regimes democráticos

"Votos tornaram-se pedras de papel" com as quais a classe operária derrubará o edifício do capitalismo. A frase, citada aqui de memória, é de um otimista Friederich Engels (1820-1895), quando, nos anos 1880, os socialistas decidiram participar a sério das eleições parlamentares na recém-criada Alemanha. Com a conquista do sufrágio universal —masculino que fosse—, o parceiro de Karl Marx (1818-1883) imaginou que seria possível aos trabalhadores abolir a propriedade privada pela via eleitoral, dispensando barricadas e insurreições.

A decisão de participar de eleições —além de ensejar o grande cisma socialista entre reformistas e revolucionários— teve resultados bem diferentes dos esperados. Os partidos social-democratas, ao enveredar pela via parlamentar, abandonaram o fim último de liquidar o capitalismo, transformando-se na grande força propulsora de sua reforma progressista, que mais de meio século depois desaguaria nos Estados de Bem-Estar.

Merval Pereira - Tarefas à direita e à esquerda

O Globo

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, admite que é preciso fazer um balanço para ver o que a esquerda tem de mudar. Falta renovação nos quadros. Os direitistas mais arraigados acham que ou o governador Tarcísio de Freitas se afasta de figuras como Kassab e o ex-presidente Michel Temer, ou entrará para a vala comum de políticos bons de “arranjos”, mas ruins de votos

Passado o primeiro turno, sem mesmo pensar no resultado do segundo, os líderes partidários de esquerda e de direita têm muitas decisões a tomar tendo em vista a busca pelo poder central em 2026. Na direita, há uma disputa aberta entre os bolsonaristas e Gilberto Kassab, presidente do PSD, partido que fez o maior número de prefeitos e mantém um pé na canoa petista, com três ministérios no governo Lula, e o outro firmemente fincado na canoa da centro-direita, como integrante do secretariado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Do lado da esquerda, que poderá ganhar um fôlego se Guilherme Boulos do PSOL derrotar o prefeito Ricardo Nunes no segundo turno em São Paulo, é preciso começar a falar em renovação de quadros e de programa, diante do enorme vácuo ocupado por Pablo Marçal no eleitorado jovem, especialmente da periferia, hoje presa fácil de manipuladores. O estelionato eleitoral de Marçal é igual ao estelionato que muitos fazem nas redes sociais, vendendo moedas digitais inexistentes ou pirâmides financeiras que prometem lucro fácil.

Míriam Leitão - As barulhentas brigas da direita

O Globo

O segundo turno vai mostrar brigas entre a direita, que embora tenha vencido na primeira etapa, se fragmentou

A briga da direita não é apenas uma, são muitas. O cientista político Felipe Nunes, da Quaest, chega a definir certas disputas como “primárias da direita”. O cientista político Carlos Melo, do Insper, disse que o fato mais marcante desta eleição de primeiro turno é que “o espectro político da direita, embora tenha vencido, se fragmentou. E isso eu acho mais importante porque exigirá análises mais sofisticadas”. Nunes acha que o “antipetismo ganhou a eleição em muitos lugares, mas ganhou rachado. E esse racha tem consequências em 2026.” As fissuras vão se aprofundar em certas cidades.

Bruno Boghossaian – RIP direita moderada?

Folha de S. Paulo

Divisão nas eleições municipais deixa sequelas no rótulo da 'direita moderada'

A contestação à liderança de Jair Bolsonaro será só uma das sequelas na direita após as eleições municipais. O ex-presidente deve preservar esse papel, mas a vacilação entre candidatos tradicionais e radicais terá impacto sobre as escolhas de seu grupo e pode afetar a definição de seu sucessor.

A divisão da direita assumiu três formas principais. Em algumas cidades, Bolsonaro apoiou políticos considerados moderados e foi ameaçado por candidatos mais radicais. Em outras, lançou nomes de extrema direita e dividiu os votos com candidatos de direita. No terceiro cenário, os radicais varreram os votos desse campo. Foram poucos os municípios com peso político relevante em que a direita moderada atropelou a extrema direita.

Malu Gaspar – A polarização não acabou

O Globo

Os resultados do primeiro turno, com a vitória numérica dos partidos do Centrão e a reeleição de dez prefeitos de capitais, fizeram muita gente acreditar no arrefecimento da polarização que marca a política nacional desde pelo menos o pleito de 2018, vencido por Jair Bolsonaro.

O discurso voltado para entregas dos reeleitos com grandes votações, como Eduardo Paes (PSD) no Rio e João Campos (PSB) no Recife, também reforçou a suposição de que o Brasil estaria numa era de mais realizações e menos ideologia, mais diálogo e menos ódio. Olhando com mais atenção, porém, fica evidente que é cedo para ir tão longe.

As quase 3.500 cidades conquistadas pelo Centrão (contando apenas PSD, PP, MDB, União Brasil e Republicanos) impressionam, mas não são propriamente novidade. Eleições municipais são um palco tradicionalmente dominado por legendas pragmáticas e fisiológicas.

William Waack - O cansaço com a ‘velha’ polarização

O Estado de S. Paulo

Presidente Lula e Jair Bolsonaro enfrentam o cansaço com o ‘velho’

Lula e Bolsonaro se preparam para serem “decisivos” no segundo turno paulistano. Sem dúvida serão influentes, mas aquém do que acham de si mesmos.

Essa perda relativa de importância não é em função da performance pessoal de cada um deles – ela continua basicamente a mesma. E nisto reside o problema para ambos: as eleições municipais em geral e a de São Paulo em especial evidenciaram cansaço com a “velha” polarização.

Lula não é mais o mesmo, pois suas plataformas de “esquerda” perderam claramente apelo eleitoral ao longo de mais de uma década (a vitória contra Bolsonaro pode ser vista como ponto fora da curva). Trata-se de séria questão estrutural – e, possivelmente, de idade também.

Maria Cristina Fernandes - Lula assimila vitória da direita

Valor Econômico

Presidente já trata o resultado de domingo como compatível com seu projeto de salvar o país do autoritarismo e devolvê-lo à “civilidade” democrática

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assimilou a vitória da direita e já a trata como um resultado compatível com seu projeto de devolver o país à “civilidade”. Foi o que sugeriu ao fazer seu primeiro discurso depois das eleições de domingo na sanção da Lei do Biocombustível. Como voltou à Presidência depois do pior desempenho do PT numa disputa municipal, a de 2020, urge ouvi-lo.

Ao dizer que é “tempo de colheita” para quem “quer deixar a Presidência com crescimento”, reconheceu o marco das eleições municipais. Se, daqui pra frente, é 2026 que conta, ele vai consolidar o que vê como feitos.

O papelório relegado e a fala de 20 minutos sem os escorregões que têm marcado seus improvisos podem sugerir um presidente nos cascos para a reeleição. Naquele momento, porém, ante plateia do agro, mais parecia Fernando Henrique Cardoso com sinal trocado.

César Felício - PL se torna o que o PT foi antes de chegar ao poder

Valor Econômico

Sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro se assemelha em perfil com o que o PT foi antes de chegar pela primeira vez ao poder

O PL do ex-presidente Jair Bolsonaro sai das urnas como o partido menos dependente dos pequenos e médios municípios para garantir sua relevância. O partido saiu das urnas no domingo com um prefeito de cidade média (entre 50 a 200 mil eleitores) para cada seis das cidades com micro e pequenos eleitorados (até 50 mil eleitores). Apenas o Podemos, um partido de direita sem uma referência política nacional, tem perfil semelhante entre os 12 que mais elegeram prefeitos. O levantamento feito pelo Valor Data não considera os 103 municípios com grande eleitorado, acima de 200 mil habitantes, já que haverá segundo turno para 50 deles.

Nos grandes municípios o PL já conquistou dez e disputa o segundo turno em outras 23. A depender da sua taxa de sucesso, se caracterizará como um partido dos grandes centros urbanos, bem distribuído em todo País à exceção do Nordeste, um pouco parecido com o que o PT foi entre os anos 90 e o fim do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. A conquista feita pela sigla de municípios médios já aponta para essa direção.

Conrado Hübner Mendes - Bolsonaro continua impune


Folha de S. Paulo

Aras pré-anistiou e Gonet vai ajudando a postergar juízo criminal

O primeiro turno das eleições municipais confirmou que Bolsonaro sobrevive como ator influente e capaz de forjar eleitos pelo país. Não sabemos a exata medida dessa influência antes do resultado do segundo turno, mas a conclusão é incontornável.

Depois do mais radical período de delinquência governamental em muitas gerações, tudo que o sistema de Justiça brasileiro conseguiu realizar, em relação ao líder do movimento, foi declarar sua inelegibilidade por oito anos em razão de ataques à urna em reunião com embaixadores e do uso político das comemorações do Bicentenário. O TSE não se pronunciou sobre outros crimes eleitorais. O PGR nem sequer provocou o STF a julgar crimes comuns.

A falta de responsabilização justa e robusta de agentes que evisceraram as capacidades de o Estado executar políticas públicas e atentaram contra o regime democrático é convite a que essas práticas se repitam. O argumento é tão trivial quanto correto. Está em todas as cartilhas da resistência democrática contra a terceira onda global de autocratização da qual o Brasil não se apartou.

Não é surpresa que, por baixo do alarde sobre "punição exemplar" pelos crimes de 8 de janeiro, nessa simulação teatral de uma heroica "recivilização" dos radicalizados, o STF tem se esmerado mesmo é em punir peixes pequenos. A investigação de militares, políticos e empresários segue na gaveta.

Vinicius Torres Freire - Notícias da guerra do TikTok

Folha de S. Paulo

Moraes faz gol contra Musk; estados americanos processam empresa de vídeos curtos

O TikTok é projetado para viciar crianças, o que prejudica a saúde mental delas, bidu. Por isso, 13 governos estaduais dos Estados Unidos e o Distrito de Columbia estão processando a empresa de vídeos curtinhos.

A descrição do problema no processo e as críticas ao algoritmo do TikTok fazem lembrar o funcionamento de muitas das maiores redes sociais e de plataformas de mídia, embora na ação judicial se dê ênfase à manipulação de emoções infantis. Mesmo assim, se o TikTok merece processo, seus pares também deveriam entrar na dancinha.

Além do mais, é mais fácil bater no TikTok, que vem da China, país com o qual os americanos travam guerra fria, comercial, tecnológica e cultural. Como se recorda, em abril o Congresso americano aprovou lei que determina o banimento do TikTok em janeiro de 2025, caso a empresa continue chinesa.

Ainda assim, a iniciativa dos estados americanos é mais um capítulo no combate de governos contra empresas gigantes de mídia social e similares. Por sua vez, a refrega jurídica é parte de um embate mais geral que envolve aquilo que se chama de "big techs", conflito que, por ora, dado o tamanho do problema e do poder dessas companhias, ainda não foi muito além de escaramuças, regulações incipientes e multas.

Assis Moreira - Nacionalismo e fissuras na economia global

Valor Econômico

A automação e a digitalização estão erodindo oportunidades do modelo tradicional de crescimento econômico e emprego liderado pela indústria

As crises geopolíticas e tensões comerciais continuam a ser grandes ameaças para a economia mundial, mostram publicações recentes de organizações reputadas.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) destaca em seu “Relatório sobre o Comércio 2024” como a dinâmica econômica global tem sido afetada por eventos como a rivalidade entre China e Estados Unidos, a invasão da Ucrânia pela Rússia e os conflitos no Oriente Médio. Esse período também marca um aumento nas sanções comerciais e o surgimento de novas formas de armamento comercial (trade weaponization, ou seja, interferência no comércio aberto por motivos geopolíticos), minando a relativa estabilidade que sustentou o crescimento econômico nas últimas três décadas.

Cada vez mais, nota a OMC, as políticas comerciais e econômicas são influenciadas por preocupações com a segurança nacional, caracterizadas por políticas de “friend-shoring”, controles de exportação, restrições ao comércio e fluxos de tecnologia, acordos comerciais discriminatórios setoriais e motivados pela segurança e apelos à autossuficiência.

José Serra - Além do crescimento

O Estado de S. Paulo

A decisão de um novo ciclo de alta da Selic não é compatível com as previsões sobre a economia nos próximos meses

As evidências econômicas apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3%, em 2024. Mais importante, desde 2020, o mundo real vem surpreendendo governo e analistas, que são obrigados, ao final do ano, a rever para cima as expectativas de início de ano. Ao que parece uma via favorável.

No Brasil, no entanto, até boa notícia vira problema. Os temores de que o produto corrente (bens e serviços ofertados) chegue perto do produto potencial (capacidade instalada de produção) colocaram em movimento a gritaria do mercado financeiro contra o aquecimento da economia. Mas tem remédio, segundo eles, é só aumentar a taxa Selic.

Infelizmente, a “teoria econômica” parece, agora, se resumir a monitorar índices de preços e aplicar o remédio de manipular a Selic. Pois afirmo que não é. É preciso ir muito além, analisar a dinâmica dos mercados, internos e externos, verificar os movimentos dos agentes econômicos e prever fluxos e estoques no médio prazo. Enfim, o exercício da análise econômica é muito mais do que apenas olhar a inflação.

Felipe Salto - Agenda Haddad deve garantir meta de 2024

O Estado de S. Paulo

São estas as duas peças-chave para o cumprimento da meta fiscal deste ano: alta das receitas e contenção possível das discricionárias

Os dados do Tesouro Nacional até agosto indicam qual será a tônica das ações da equipe econômica nos últimos quatro meses de 2024, visando a cumprir a meta fiscal: aproveitar o crescimento da arrecadação e conter o ritmo dos gastos não obrigatórios.

Vale lembrar, o objetivo de resultado primário do governo central é zero, mas com uma margem de tolerância de R$ 28,8 bilhões e a exclusão, para o cálculo da meta, do suporte ao Rio Grande do Sul.

No último relatório bimestral, o déficit estimado pelo Executivo foi de R$ 68,8 bilhões. Possivelmente o déficit será menor, já que nem todos os créditos abertos em favor das regiões afetadas pelas enchentes deverão ser utilizados, a exemplo dos mais de R$ 7 bilhões destinados ao leilão de arroz.

A arrecadação cresceu 8,8%, até agosto, descontada a inflação. O crescimento do PIB, ao elevar a renda disponível, é acompanhado pelo aumento do consumo, da massa salarial e dos lucros, com os tributos incidentes sobre esses componentes seguindo a dinâmica da produção. E algumas medidas enviadas pela equipe econômica vêm surtindo efeito, embora não se saiba ao certo a contribuição de cada uma.

Luiz Carlos Azedo - Deputados querem reduzir o poder do Supremo

Correio Braziliense

Existe um caldo de cultura favorável ao avanço desse tipo de proposta na opinião pública, por causa de decisões polêmicas de ministros da Corte, sobretudo em processos criminais

O resultado geral das eleições municipais, que mostram um inequívoco fortalecimento das forças de centro-direita e direita do Congresso, na primeira semana após o primeiro turno, abriu caminho para uma nova ofensiva dos deputados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro com objetivo de limitar os poderes monocráticos dos seus ministros, aprovar o seu impeachment e até mesmo suspender decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deu aval a duas propostas de emenda à Constituição (PECs) com esse objetivo. Presidida por Caroline de Toni (PL-SC), bolsonarista raiz, e sob relatoria de Filipe Barros (PL-PR), líder da oposição, a comissão atua como um rolo compressor contra o governo Lula e, agora, se volta contra o Supremo. PL, Novo, União Brasil, PP e Republicanos formam maioria na comissão, na qual os partidos de esquerda têm apenas 16 deputados.

Ofensiva contra o Supremo avança na Câmara

Júlia Portela e Camila Curado / Correio Braziliense

CCJ aprova PECs que limitam poderes do STF e projetos de lei para ampliar possibilidades de impeachment de ministros

O Congresso avançou, nesta quarta-feira, com o pacote elaborado para enfraquecer o Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma sequência de votações, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou duas propostas de emenda à Constituição (PEC) e dois projetos de lei que investem contra a Corte e buscam tirar poderes dos ministros.

Uma das PECs limita decisões monocráticas dos magistrados. A outra, permite ao Congresso suspender determinações da Corte. Já os projetos de lei aumentam a possibilidade de impeachment de ministros.

A PEC 8/2021, que limita decisões monocráticas, terá de ser analisada por uma comissão especial, que não tem prazo para ser criada. Em seguida, precisará ser apreciada em dois turnos no plenário, onde dependerá do aval de, no mínimo, 308 deputados para ser aprovada.

Alfredo Maciel da Silveira - Uma democracia deslegitimada

Aí vai de forma resumida, como vejo a "saída", ou melhor, a estratégia para enfrentar a superposiçao de crises que a meu ver está a deslegitimar a democracia brasileira.

1] É preciso partir da sociedade civil organizada; apesar dos naturais e legítimos interesses corporativos de muitas organizações, são muito menos contaminadas por interesses espúrios e patrimonialistas como os encastelados no sistema político, agora reconhecidamente infiltrado pelo crime organizado;

2] É preciso formular um programa de Frente Democrática, Desenvolvimentista e Nacionalista; num mundo multipolar que está em franco nascimento, ai do país que não tenha seus interesses NACIONAIS claramente estabelecidos;

3] A primasia é a da questão econômica: Planejamento ( Art 174 da CF) e crescimento acelerado sustentado a longo prazo, portador das mudanças estruturais, socioeconômicas, prometidas no Art 3° da CF 88;

4] Há forças vivas na intelectualidade e personalidades da cultura, das Universidades, dos Institutos "Think Tanks", ligados  direta ou indiretamente aos partidos políticos, e numa miríade de Associações de Classe, comprometidas aos sonhos de 1988 e antenadas às transformações globais do Sec XXI;

5] Por fim, integrar naquela frente as poucas liderancas do sistema político, de forma suprapartidaria, ainda comprometidas com o ideário programático de 1988.

6]Os partidos políticos brasileiros, todos, tornaram-se meramente eleitoralistas, pautados por pequenos interesses, e muitos conjugados aos " engenheiros do caos" das redes sociais.

Poesia | Vinicius de Moraes - Mensagem à Poesia

 

Música | Zeca Pagodinho e Marisa Monte - Preciso me encontrar

 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Aval a Galípolo é sinal de maturidade institucional

O Globo

Em sabatina no Senado, indicado ao BC demonstrou independência e qualificação para o cargo

A aprovação pelo Senado de Gabriel Galípolo como próximo presidente do Banco Central (BC) é bem-vinda. Como diretor de Política Monetária do BC, o nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para substituir Roberto Campos Neto a partir de janeiro provou ter capacidade de exercer o novo mandato de forma técnica e independente, como esperam o Congresso e os brasileiros preocupados com as pressões inflacionárias.

Antes de integrar a diretoria do BC, Galípolo foi secretário executivo do ministro Fernando Haddad no início da atual gestão petista. Os senadores questionaram sua proximidade de Lula e sua autonomia em relação ao Planalto durante a sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos. Em resposta, ele afirmou que Lula lhe garantiu liberdade para tomar decisões e prometeu seguir à risca o objetivo de perseguir as metas de inflação. Foi a resposta certa. Mas não cabe ao presidente da República garantir nada ao do BC. A liberdade está assegurada na lei que concedeu autonomia à autoridade monetária — e essa é a maior das garantias.

Alberto Aggio - “Edição nacional” dá forma a um “novo” Gramsci

O Estado de S. Paulo

O século XXI parece demandar uma recepção mais complexa e sofisticada de Gramsci e, nesse sentido, dispensa tanto a fórmula “canônica” em seu tratamento quanto um relativismo interpretativo inconsequente.

No campo das ciências sociais, Antonio Gramsci talvez seja o autor italiano mais traduzido no Brasil. Um autor sui generis já que, em vida, nunca publicou um livro e seus escritos foram, por escolha dos seus editores, publicados primeiramente a partir dos grandes temas que se entrecruzavam nos cadernos escritos na prisão, para só depois ganharem uma “edição crítica” que se esmerou em acompanhar a cronologia da escritura gramsciana durante seu encarceramento. Referimo-nos aqui à “edição temática” coordenada por Felice Platone e Palmiro Togliatti, publicada entre 1948 e 1951, e à “edição crítica” dos Cadernos do Cárcere, de 1975, coordenada por Valentino Gerratana.1 

Atualmente, os Cadernos do Cárcere, somados a textos escritos para jornal, cartas (de Gramsci e dos seus interlocutores) e traduções, compõem o escopo da denominada “Edição nacional”, cujo primeiro volume veio à luz em 2007 e já conta com 9 volumes publicados na Itália. A “Edição nacional”, coordenada pela Fondazione Istituto Gramsci e publicada pelo Istituto della Enciclopedia Italiana – Edizione Treccani –, está projetada em quatro seções, a saber: 1. Scritti (1910-1926); 2. Epistolario (cartas anteriores e posteriores à prisão); 3. Quaderni del carcere (nova edição crítica e integral); 4. Documenti (dedicado à atividade político-partidária).2

Com a difusão dos seus escritos, inicialmente, Gramsci foi visto tanto como o “teórico da cultura nacional-popular” quanto um formulador “da revolução nos países avançados do capitalismo”, de cuja obra se extraíram conceitos que o tornaram um pensador assimilado em grande escala. Ao longo de décadas, Gramsci foi utilizado de maneira ampliada e, no mais das vezes, buscou-se, a partir dele, difundir algumas fórmulas desvinculadas do seu contexto de enunciação. Inevitável que tivesse ocorrido tanto um processo de instrumentalização — no PCI, Gramsci assumiu a figura de um formulador ortodoxo e também a de um precursor do “eurocomunismo” — quanto de diluição e empastelamento do seu pensamento, sendo muitas vezes citado por opositores declarados às suas aspirações políticas de emancipação dos subalternos. Por esses descaminhos, diluiu-se a riqueza do seu pensamento, o que parece estar sendo recuperado, como a sua complexa leitura do nacional a partir de um “cosmopolitismo de novo tipo”3 ou sua aspiração por um “comunismo como sinônimo de igualdade e democracia”.4 

Olhando essa trajetória de recepção e assimilação, pode-se dizer que Gramsci chegou a um patamar de utilização que passou a exigir um novo tratamento, que desmontasse mitos, simplificações e falsificações, e pudesse resgatar Gramsci como uma obra que se confunde com sua vida, contextualizada nos conflitos e transformações daqueles anos febris que marcaram o alvorecer do século XX.

Vera Magalhães - Lula de ouvidos fechados para as urnas

O Globo

Presidente segue entoando o samba de uma nota só e pode perder chance de buscar atender frustrações demonstradas pelo eleitor

Lula, até aqui, parece ter passado os últimos dias de olhos e ouvidos fechados para os recados que emergiram das urnas no último domingo. Passadas 48 horas, com vencedores colhendo os louros e vencidos lambendo as feridas, o presidente segue entoando o samba de uma nota só que tem marcado seu segundo e encruado ano do terceiro mandato.

Voltou a falar que os juros estão altos e a dizer esperar que baixem em breve, mesmo sabendo que isso não está no radar, justamente no dia da sabatina no Senado de Gabriel Galípolo, seu escolhido para presidir o Banco Central. Não causou nenhum ruído, a aprovação se deu com o pé nas costas — mas para quê? Deixa no ar a ideia de que a próxima gestão terá sobre si a sombra da pressão palaciana, o que não ajuda em nada a transição na autoridade monetária.

Bernardo Mello Franco - Abaixo da crítica

O Globo

Tucanos sofreram derrota histórica em SP e perderam metade das prefeituras no país

O poço do PSDB parece não ter fundo. Depois de definhar no Congresso e ser varrido do governo paulista, o partido levou novo tombo nas eleições municipais. Os tucanos viram seu número de prefeituras cair pela metade. Pela primeira vez, não vão administrar nenhuma capital.

O fracasso mais retumbante foi em São Paulo. A aposta em José Luiz Datena expôs a sigla a um vexame em sua antiga cidadela. Ele terminou com 1,8% dos votos, um desempenho de candidato nanico. Seu maior feito na campanha foi interromper um debate para dar uma cadeirada em Pablo Marçal.

A aventura com o apresentador ajuda a entender o declínio do PSDB. Esvaziado, o partido traiu sua origem social-democrata e tentou pegar carona na fama de um ícone do telepopulismo. Ao renegar o passado, espantou quem ainda acreditava em seu futuro. O que restava do eleitorado tucano se dispersou entre concorrentes de outras legendas, como Ricardo Nunes e Tabata Amaral.

Elio Gaspari - Boulos tem uma tarefa de Hércules

O Globo

O centro migrou para o conservadorismo

Com cinco capitais e cerca de 15 milhões de eleitores pendurados no segundo turno, é arriscado dizer quem prevaleceu na eleição municipal. Os números não favorecem o PT. Ele está fora da disputa em Belo Horizonte e Goiânia. Suas batalhas serão três: São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre. Se levar as três, poderá cantar vitória, mas São Paulo, a joia da coroa, prenuncia um trabalho de Hércules para Guilherme Boulos.

Numa conta de padaria, admitindo que Ricardo Nunes fique com a mesma votação e Boulos carreie todos os votos de Tabata Amaral e de outros seis deixados de fora, partirá de 42%. Para chegar aos 50%, terá de buscar mais de 600 mil votos no estoque de Pablo Marçal. (Como 2,5 milhões não foram votar no domingo, essa conta só fechará na noite da eleição.)

As eleições municipais não antecipam prognósticos para as gerais, mas as duas rimam. A de 2020 mostrou que o trator de 2018 — que elegeu Bolsonaro, Wilson Witzel no Rio e João Doria em São Paulo — havia perdido tração. Dois anos depois, Lula venceu na capital paulista.

Roberto DaMatta - Jogo e povo

O Globo

Fingimos não saber que o jogo, como a ‘boa vida’, não se destina a um ‘todo mundo’ igualitário

Descobrimos alarmados que o povão também joga. Que plebeus fregueses de ajuda-esmola governamental garantidora de sua ignorância cívica jogam nas bets, esses cassinos digitais. Alguns reacionários de esquerda e direita estão revoltados e confusos. Não podem proibir a jogatina da internet (onde também fazem sua “fezinha”) nem, tampouco, a aspiração mais que legítima dos pobres de “subir na vida” e sair deste massacrante “populismo de merda”, correndo o bom risco de enriquecer.

Tal como nos contos de fada em que, obviamente, acreditamos quando pensamos em controlar tudo, esses plebeus desejam viver aristocraticamente tendo a liberdade e o direito de jogar. De investir em números, bichos, times, gols ou o que mais apareça, assim como os capitalistas e políticos “aplicam” e especulam nas bolsas de valores, esse coração do sistema econômico em que vivemos. Esse mercado autorregulado — visto por Karl Polanyi como rematada loucura — que hoje governa governos.

Luiz Carlos Azedo - Volta do X impactará campanhas de segundo turno

Correio Braziliense

A plataforma pagou R$ 28,6 milhões em multas com recursos próprios, não envolveu valores da empresa Starlink, que teve R$ 11 milhões bloqueados pelo Supremo

Após a designação de seu representante legal e o pagamento de R$ 28,6 milhões em multas por descumprimento de decisão judicial, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, nesta terça-feira, a retomada das operações da rede social X (antigo Twitter) no Brasil, que estavam suspensas desde agosto. "Decreto o término da suspensão e autorizo o imediato retorno das atividades do X Brasil Internet Ltda. em território nacional e determino à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que adote as providências necessárias para efetivação da medida, comunicando-se esta Suprema Corte, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas", decidiu.

Cristovam Buarque - A armadilha da renda mínima

Correio Braziliense

O Brasil precisa sair do binômio assistência-aos-pobres e proteção-aos-ricos, incentivando a capacidade de concorrência conforme o talento e vocação de cada pessoa.

Há mais de 30 anos, a economia brasileira não consegue superar a renda média de US$ 10 mil per capita por ano. O país está prisioneiro dessa armadilha a que se impôs por não tomar as medidas necessárias para dinamizar a economia. A consequência é o baixo nível de renda social para o conjunto da população, forçando sucessivos governos a aumentar a carga fiscal para obter capital necessário ao financiamento dos programas sociais e da infraestrutura econômica. A saída tem sido endividamento público e inflação, que agravam a armadilha. O resultado é que, embora o país já disponha de programas que reduzem a penúria, a pobreza persiste e a concentração de renda se mantém.

Bruno Boghossian - O desvio para o centro é uma ilusão

Folha de S. Paulo

Vitória em números não diz tudo sobre o ambiente político e as preferências dos brasileiros

Os relatos sobre a vitória do centro nas eleições municipais são um pouco exagerados. O crescimento do PSD de Gilberto Kassab e o bom desempenho do MDB refletem máquinas partidárias fortes e estratégias eleitorais inteligentes, mas não dizem tudo sobre o ambiente político nacional e as preferências dos brasileiros de forma geral.

O ranking das prefeituras, encabeçado pelos dois partidos, poderia parecer um sinal de que o eleitor optou pela moderação e decidiu renegar a polarização entre esquerda e direita. A identificação de alguns sintomas é precisa, mas o diagnóstico falhou.

Hélio Schwartsman – Centronoceno

Folha de S. Paulo

Rearranjo do equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo federais ajuda a explicar resultados municipais

Acho que já dá para carimbar que a política brasileira entrou no centronoceno, época caracterizada pela dominância do centrão. Bolsonaro saiu-se um padrinho político mais eficiente do que Lula, mas os verdadeiros vencedores das eleições de domingo (6) foram partidos tradicionais não radicalizados como PSD, MDB e PP.

Essas três siglas fizeram as maiores bancadas de prefeitos —878, 847 e 743, respectivamente. Se considerarmos o número de vereadores eleitos, são os mesmos três partidos, mas em outra ordem: MDB, PP e PSD.

Vinicius Torres Freire - Esquerda tem a pior eleição do século

Folha de S. Paulo

Declínio começou em 2016, com choques políticos e econômicos e mudança social e cultural

Nesta eleição de 2024, a esquerda teve a menor votação para prefeito deste século, a menor pelo menos depois de 1996. Por esquerda entendem-se aqui PT, PSOL, PC do B e partidos que estiveram, não raro, associados de alguma forma ao PT, como PSB, PDT, PV e Rede.

Não se recorreu a um "esquerdômetro" para classificar as legendas. Trata-se de partidos que podem ser chamados de "comunistas" por pastores furibundos e outras lideranças estridentes e militantes digitais da direita.

Na eleição de 2000, os candidatos a prefeito da esquerda tiveram 26,6% do total dos votos. Essa proporção foi a 37,4% em 2012. Minguou para 27,2% em 2016, desidratação devida à queda dos votos no PT. A míngua continuou até os 19,6% deste ano.

Além da ascensão das direitas, houve também direitização profunda dos partidos desse espectro e daquilo que, por comodidade ou geografia espectral, se chama de centro. O PSD, o vitorioso desta eleição, tenta ocupar a vaga ociosa do centro e até recolhe espólios do PSDB (o centro que o PT chamava de direita). A julgar pelas lideranças, o PSD parece um PFL algo mais ameno.

Wilson Gomes - A desilusão progressista e a nova realidade

Folha de S. Paulo

A direita não conquistou as massas, foram as massas que foram radicalizadas à direita

Da perspectiva dos progressistas e da esquerda, cada eleição traz uma mensagem desoladora. De vitória em vitória, os conservadores avançam rapidamente suas posições, ampliando suas bases parlamentares, conquistando cada vez mais cargos no Executivo e, por consequência, exercendo crescente influência sobre as legislações e políticas públicas que afetam a todos.

Ainda mais impressionante é o fato de que a extrema direita vem drenando o eleitorado da direita tradicional republicana e avançando sobre o centro e até parte da esquerda, mantendo entre um terço e metade dos votos em democracias importantes nas Américas e na Europa.

Veja-se o resultado das eleições municipais até agora: a esquerda se segura como pode, o bolsonarismo se consolida, e a direita fisiológica —que o jornalismo, de forma complacente, insiste em rotular como "centrão", embora de centro não tenha nada— avança. Não se enganem com as manchetes que dizem coisas como "o centrão foi o grande vencedor".

Martin Wolf - Protecionismo de Trump debilitará o mundo

Valor Econômico

É preciso torcer para que essa nova guerra comercial nunca chegue nem a começar

Donald Trump acredita que as tarifas têm propriedades mágicas. “Eu parei guerras com ameaça das tarifas”, chegou a dizer em seu discurso no Clube Econômico de Nova York, em setembro. “Parei guerras com dois países que foram muito importantes”, acrescentou. Tamanha é sua fé nas tarifas que ele propôs elevá-las a 60% nas importações provenientes da China e a até 20% nas do resto do mundo. Sugeriu até uma tarifa de 100% sobre as importações provenientes de países que ameaçam deixar de ter o dólar como sua moeda internacional de preferência.

É possível defender políticas tão desestabilizadoras? Em um artigo na revista “The Atlantic”, em 25 de setembro, Oren Cass, diretor-executivo do American Compass e editor colaborador do “Financial Times”, argumenta que os economistas críticos às propostas de Trump ignoram os benefícios. Em particular, eles ignoram uma importante “externalidade”, a de que os consumidores que compram produtos estrangeiros “provavelmente não considerarão a importância mais ampla de fabricar coisas nos Estados Unidos”. As tarifas podem compensar essa externalidade, ao persuadir as pessoas a comprar produtos americanos e a empregar americanos.

Fernando Exman - Dois pontos de atenção no ambiente de negócios

Valor Econômico

‘Rochedos’ no Judiciário preocupam executivos com atuação em Brasília, associações empresariais e integrantes do corpo diplomático estrangeiro

Vem do latim a palavra “risco”. Mais precisamente, do vocábulo “resecare”, que significa “cortar separando”, e remete à noção do perigo que os navegantes tinham ao passar por rochas perigosas e pontiagudas. Pois a maré das eleições municipais baixou, e expôs dois rochedos que preocupam executivos com atuação em Brasília, associações empresariais e integrantes do corpo diplomático estrangeiro. Ambos no Judiciário.

Nos últimos dias, é claro, esses interlocutores também mantiveram expectativas em relação à sabatina de Gabriel Galípolo, indicado para a presidência do Banco Central (BC) e depositário das esperanças do governo quanto à redução das taxas de juros a partir do ano que vem. A trajetória da dívida brasileira e a situação estrutural das contas públicas permanecem no radar. Mas, ainda que afastadas as incertezas macroeconômicas, permanecerá a necessidade de análise de outros aspectos do risco político existente no Brasil.

Lu Aiko Otta - Bolsonaro, desmatamento e revisão de gastos

Valor Econômico

Governo Bolsonaro foi o que mais colocou recursos públicos em programas de combate ao desmatamento na última década, porém gasto foi pouco eficiente

Com uma pauta contrária à preservação ambiental, o governo de Jair Bolsonaro (2019 a 2022) foi, paradoxalmente, o que mais colocou recursos públicos em programas de combate ao desmatamento na última década. Porém, o gasto foi pouco eficiente: naquele período, a perda de cobertura florestal na Amazônia aumentou e o número de autos de infração por crimes ambientais caiu.

Essa é uma das constatações da avaliação sobre a política de prevenção e combate ao desmatamento conduzida pelo Conselho de Monitoramento e Avaliações de Políticas Públicas (Cmap), do Ministério do Planejamento. O trabalho analisou todos os aspectos dessa política e trouxe uma lista de recomendações de melhoria, cuja implementação é discutida com o Ministério do Meio Ambiente.