Folha de S. Paulo
Não adianta ignorar traumas profundos, eles
voltam para nos perturbar
Presidente, entendo que o senhor prefira
fugir de questões desconfortáveis. Todos fazemos isso. É mais fácil ignorar
velhas dores do que encará-las. O problema é que traumas profundos permanecem
silenciosos até que voltam a nos perturbar como músicas irritantes que grudam
no cérebro dias a fio. Foi o que aconteceu nos últimos anos, quando o hino
nacional embalou um projeto golpista. Dá para acreditar que falaríamos sobre
ditadura na segunda década do século 21?
Veja, eu não era nem nascida em 1964. Quando o Brasil recuperou a democracia, nem entendia o valor da liberdade. Só adulta tomei conhecimento das violações generalizadas, da censura, das perseguições políticas, das torturas e das mortes. Mas há brasileiros que não sabem ou não acreditam nas atrocidades cometidas neste país tão alegre, tão do bem, tão da galera, por pura negligência do Estado, que nunca foi capaz de encarar os esqueletos escondidos na caserna.







.jpg)








.jpg)















