terça-feira, 1 de novembro de 2016

‘O PT, como força política, acabou’, diz Chico de Oliveira

Sonia Racy – O Estado de S. Paulo

Conhecido nos meios intelectuais por seu olhar rigoroso e cético quanto aos políticos e aos costumes partidários do País, o sociólogo Chico de Oliveiradiz não ter-se surpreendido com o pacote de más notícias que o domingo trouxe para os petistas – que só elegeram um prefeito no chamado “clube do segundo turno”, que reúne oas 92 cidades com mais de 200 mil habitantes no País.

“O PT como força transformadora, no sentido em que foi criado nos anos 80, já acabou”, disse à coluna o sociólogo. Sua aposta é que ele, no máximo, “possa sobreviver como um partido tradicional.”

• Depois dos avanços da Lava Jato, do impeachment de Dilma e dos maus resultados nas eleições, qual agenda o PT deveria adotar para recuperar-se no curto e médio prazo?

Como força transformadora, dentro dos ideais que o criaram, minha opinião é que o PT acabou. Quando muito, imagino que possa sobreviver como um partido tradicional, que continuará a viver seu papel de irmão gêmeo do PSDB.

• Mas o PSDB foi o principal vencedor dos dois turnos da eleição municipal e sai bem mais forte do que entrou, não?

A mim me parece que eles são gêmeos, um age e reage em função do outro. E, de um modo geral, parece-me que o panorama político aí pela frente é sombrio. Os partidos não representam hoje mais nada na sociedade brasileira. Quando muito, garantem uma certa institucionalidade que serve para se tocar a vida adiante.

• Mas, como se diz, a política tem horror ao vácuo. Alguma coisa sempre surge para preenchê-lo.

Isso é uma frase, apenas uma frase do mundo político. Já tivemos uma situação desse tipo no passado. Depois dos abalos da República Velha, até o final dos anos 1930, por exemplo, veio o período getulista – que, de modo bem amplo, foi um período de estagnação até início dos anos 50. Podemos estar começando algo semelhante – em outro tempo e outras bases, é claro. Um modelo, talvez, de americanismo tupiniquim.

• E o fator Lula? O ex-presidente pode sonhar com 2018?

O Lula como força política, a meu ver, também acabou. /

Gabriel Manzano

Freixo: esquerda vive crise profunda

Derrotado no Rio, Marcelo Freixo (PSOL) avalia que a esquerda vive o pior momento desde a ditadura, crise que, acredita, ajuda a explicar sua derrota, informam Miguel Caballero e Marco Grillo.

Freixo admite ter demorado para reagir aos ataques de Crivella.

Freixo vê pior crise da esquerda e faz autocrítica

• Deputado diz que errou no início do segundo turno e que PSOL precisa chegar à Zona Oeste

Marco Grillo e Miguel Caballero - O Globo

No day after de sua derrota na eleição para prefeito do Rio, Marcelo Freixo (PSOL) citou três principais razões para explicar o resultado. A crise da esquerda no Brasil, que ele classifica como a pior desde a ditadura militar, a incapacidade de o partido penetrar na Zona Oeste e, como autocrítica, afirmou que sua campanha ficou “atordoada” e demorou a reagir aos ataques sofridos no início do segundo turno.

Crivella diz que vitória não significa conservadorismo

Italo Nogueira – Folha de S. Paulo

RIO - O senador e prefeito eleito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), afirmou que sua vitória não representa a ascensão do conservadorismo. Apesar disso, afirmou que sua eleição significa que a população quer o respeito aos "valores da família e da vida".

Bispo licenciado da Igreja Universal, o senador disse que vai ser "um inconformado com qualquer tipo de intolerância com as minorias sejam elas quais forem".

"O que o povo do Rio determinou nesse momento das urnas é que as pessoas são contra liberação das drogas, legalização do aborto e a discussão de ideologia de gênero nas escolas. Isso foi dito na minha eleição. Isso não se trata de conservadorismo. Pelo contrário. São valores e princípios da nossa cidadania que emanam do povo e o político precisa defendê-los. Precisa ser portador desses valores. Valores da família e da vida", afirmou ele.

Ele afirmou que o Rio tem uma maioria de população católica e evangélica, "80% que leem a Bíblia, que, portanto, têm fundamentos nessa cultura ocidental cristã". Mas rejeitou o termo conservador para caracterizar seus princípios.

"Por que se fala em conservadorismo se nós temos aqui, por exemplo, todo o respeito às manifestações das minorias? No Rio não há expressão de racismo. Se há algum preconceito religioso, isso vai sumir na minha administração. Se houver preconceito contra a comunidade LGBT, vamos lutar contra", disse o prefeito eleito, que afirmou que não concorreu ao cargo "para doutrinar as pessoas".

Palocci era ‘software’ e Vaccari e Di Fillipi ‘hardware’ do PT, diz delator

• Ex-líder no Senado do governo Dilma afirmou à Lava Jato que ex-tesoureiros, do partido e das campanhas presidenciais de 2010 e 2014, executavam aquilo que o ex-ministro 'pensava e estruturava' dentro e fora do governo

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho – O Estado de S. Paulo

O ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado Delcídio Amaral afirmou à força-tarefa da Operação Lava Jato que o Antonio Palocci era o “software”, que pensava os projetos do governo em benefício do PT e que os ex-tesoureiros João Vaccari Neto, do partido, José Di Fillipi, das campanhas presidenciais de 2010 e 2014, eram o “hardware”, que executavam a arrecadação de propina com empresas beneficiadas no governo.

“Antonio Palocci sempre atuava na formatação dos grandes projetos do governo (estruturação dos consórcios, organização dos leilões)”, afirmou Delcídio, ouvido no dia 11 de outubro, em denúncia apresentada contra Palocci pelos procuradores da Lava Jato, em Curitiba.

Delator: Palocci pediu propina em Belo Monte

• Ex-presidente da Andrade Gutierrez afirma que R$ 128 milhões foram divididos entre PT e PMDB

Cleide Carvalho, Dimitrius Dantas - O Globo

-SÃO PAULO- Suspeito de movimentar R$ 128 milhões em propinas da Odebrecht, o ex-ministro Antonio Palocci foi apontado por Otávio Azevedo, ex-presidente da holding Andrade Gutierrez, como o responsável pela negociação de vantagens ilícitas nas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, para o PT e também para o PMDB. Em depoimento de delação premiada, Azevedo disse que Palocci pediu 1% do valor da obra, a ser dividido entre os dois partidos, e indicou que as quantias deveriam ser pagas a João Vaccari Neto, que era tesoureiro do PT, e Edison Lobão, do PMDB, então ministro de Minas e Energia.

O pedido teria sido feito em encontro ocorrido a pedido do ex-ministro, num apartamento em Brasília, logo depois de a então ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, comunicar que a proposta técnica da empresa para as obras da usina seria aceita e que a Andrade Gutierrez lideraria o consórcio.

Palocci intermediava dinheiro para campanhas, diz Delcídio

Por André Guilherme Vieira - Valor Econômico

SÃO PAULO - O ex-ministro Antonio Palocci era o principal interlocutor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com empresários e intermediava o abastecimento de campanhas eleitorais. A afirmação foi feita pelo ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado e delator da Operação Lava-Jato, Delcídio do Amaral, em novo depoimento prestado à força-tarefa de Curitiba no dia 11 de outubro. As declarações de Delcídio serão usadas para instruir a acusação feita pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Palocci.

"Antonio Palocci tinha uma tarefa bem determinada: fazer a ponte entre o governo e os empresários, alimentar as estruturas de poder [as campanhas]. Era a prioridade de Antonio Palocci", afirmou Delcídio aos procuradores da República no Paraná.

Palocci está preso desde o dia 26 de setembro e já foi denunciado pelo MPF como o principal contato da Odebrecht para obter contratos com a administração pública federal. Ele é acusado de receber R$ 128 milhões em propinas do Grupo Odebrecht entre 2008 e 2013 e destinar os recursos para si, para o PT e a políticos. Os advogados do ex-ministro negam as acusações.

E 2018? Os ‘alckmistas’ estão chegando

• Vitórias do governador tucano em SP e derrota de Aécio em BH alteram balança de poder no PSDB

Maria Lima - O Globo

-BRASÍLIA- Fechadas as urnas das eleições municipais, o PSDB saiu como o grande vencedor, governando o maior eleitorado e comandando 30% das cidades médias e grandes. A vitória nacional só não foi mais completa em função da derrota do presidente nacional do partido, Aécio Neves (MG), em Belo Horizonte. Líder mais influente na legenda, Aécio viu seu principal rival na disputa pela vaga de candidato à Presidência em 2018, o governador paulista Geraldo Alckmin, obter vitórias simbólicas no estado mais populoso do país que ampliaram o capital político dele. Agora, diante do aumento da rivalidade, dirigentes e parlamentares do PSDB já começaram ontem a alertar para o desafio de a legenda se manter unida e, para tal, reconhecem que será necessário dar a Alckmin mais espaço nos cargos de comando do partido — hoje sob influência massiva de Aécio.

Nos próximos seis meses, os tucanos enfrentarão três disputas internas por cargos. A avaliação geral é que nos embates pela liderança do partido na Câmara e no Senado, em dezembro, e luta pela presidência da Câmara, em fevereiro, Alckmin não tem trânsito para impor um candidatos. Mas, segundo os tucanos, ele fará pressão para garantir em maio mais cargos na eleição da Executiva Nacional do partido, órgão decisivo para tentar pavimentar a escolha de seu nome como candidato a presidente em 2018.

Aécio diz que eleição de 2016 não afeta escolha de candidato presidencial

Por Vandson Lima e Fabio Murakawa – Valor Econômico

Brasília - Um dos postulantes à vaga de candidato do PSDB à Presidência da República em 2018, o senador Aécio Neves (MG) evitou a avaliação de que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tenha tomado a dianteira na disputa interna por conta do desempenho vitorioso dos candidatos que patrocinou nestas eleições municipais.

O PSDB saiu das eleições de domingo como a maior força política nos municípios brasileiros. O partido governará 806 cidades, sendo sete capitais, com 34,6 milhões de eleitores. Na capital paulista, João Doria foi eleito em primeiro turno, com forte apoio de Alckmin, enquanto o candidato de Aécio em Belo Horizonte (MG), João Leite, foi derrotado em segundo turno.

No cômputo geral, o desempenho credencia a sigla a se tornar a "bancada majoritária" na Câmara dos Deputados após a eleição de 2018, com base na conexão "cientificamente comprovada", segundo Aécio, entre as eleições municipais e a votação para o legislativo. Mas o mesmo cálculo não vale para a escolha do tucano que concorrerá à sucessão do presidente Michel Temer, defendeu. Para Aécio, o sucesso obtido nas urnas precisa ser somado a "outros fatores".

Aécio diz que não se sentiu derrotado com resultado da eleição em Belo Horizonte

Débora Álvares – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Mesmo com o revés de seu candidato em Belo Horizonte, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), negou nesta segunda-feira (31) se sentir derrotado. Ele adotou o discurso de valorizar o crescimento do partido no Estado e no país para minimizar o resultado na capital mineira.

"Na capital [mineira], lamento que tenhamos perdido essa eleição, resultado nos desaponta, mas tivemos, mesmo em Belo Horizonte, uma vitória muito expressiva sobre tradicionais adversários. O PT, mesmo tendo o governo do Estado, não conseguiu nem de perto chegar no segundo turno. Outros partidos que se colocaram contra o nosso, também não tiveram o mesmo êxito", afirmou o tucano ao fazer um balanço do desempenho do partido nas eleições deste ano.

João Leite (PSDB) teve 47% dos votos válidos à Prefeitura de BH, enquanto seu adversário pelo PHS, Alexandre Kalil, venceu o pleito com 53%.

Questionado se o PSDB errou ao escolher um político tradicional para a disputa na capital mineira enquanto a população sai às ruas pedindo renovação na política, Aécio elogiou o apadrinhado.

Apesar da derrota na capital mineira, para o senador, o resultado em Minas Gerais foi "bastante positivo". "Vencemos em 133 municípios no Estado. Das 10 maiores cidades, governaremos sete. Já o PT viu seu número de prefeituras cais de mais de 170 para 41".

Para Alckmin, "o futuro a Deus pertence"

Por Fernando Taquari – Valor Econômico

SÃO PAULO - Fortalecido com a vitória de correligionários e aliados no Estado de São Paulo, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que as eleições municipais marcam uma "virada de página" no país. O tucano, no entanto, procurou dissociar o resultado das urnas com a corrida presidencial de 2018 ao considerar o debate prematuro.

"O que nós vimos foi uma virada de página. Acho que a resposta da população foi muito forte, dizendo 'olha, esses governos petistas levaram o país a uma recessão brutal, com 12 milhões de desempregados, uma grande crise ética e um descontrole na questão fiscal'", afirmou Alckmin, pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Durante agenda em Jaguariúna, na região de Campinas, o governador evitou estabelecer comparações entre o desempenho eleitoral de seus aliados nesta eleição com o resultado obtido em Minas Gerais por grupos ligados ao senador Aécio Neves (MG), outro nome dentro do PSDB cotado para concorrer a presidente daqui a dois anos.

‘Espólio’ do PT é ocupado por 25 siglas

• Derrota do partido nas eleições municipais traz pulverização de espaço antes controlado pela legenda; perda de eleitores governados é de 93%

Daniel Bramatti, Ricardo Galhardo, Rodrigo Burgarelli e Guilherme Duarte - O Estado de S. Paulo

O “espólio” do PT, principal derrotado nas eleições municipais de 2016, foi pulverizado por 25 partidos. Esse é o total de legendas que, a partir de 2017, vai comandar cidades conquistadas por petistas em 2012 e perdidas neste ano.

Nenhum partido teve desempenho muito distante de sua média nacional nas ex-cidades petistas. Em números absolutos, os maiores avanços foram feitos pelo PMDB (106 prefeituras) e PSDB (95). Mas eles também foram os dois maiores vencedores no conjunto de todos os municípios, e sua taxa de sucesso foi similar nas áreas governadas pelo PT ou não.

Há quatro anos, candidatos petistas venceram eleições em 638 municípios – o melhor resultado da história do partido. Dessas cidades, o partido só conseguirá se manter no poder em 109, ou 17%. No caso do PSDB, essa taxa de continuidade será o dobro (34%). Os tucanos venceram em 695 municípios há quatro anos, e conseguiram repetir a dose em 235 delas.

O recuo petista fica ainda mais evidente quando se analisa o tamanho do eleitorado que o partido perderá no conjunto das 638 cidades. De um total de 28,7 milhões de eleitores, o PT só continuará governando 1,9 milhão – uma perda de 93%.

Nova regra reduziria partidos de 35 para 9

• Proposta para acabar com farra de legendas está em discussão no Senado

Se aprovada, mudança tira repasse de recursos públicos e tempo de TV caso meta não seja atingida

Levantamento do GLOBO mostra que, se a eleição municipal fosse usada para a aplicação da regra que impede a proliferação de partidos, só nove das 35 legendas existentes hoje estariam aptas a receber recursos públicos e a ter tempo de TV, revelam Bernardo Mello e Gabriel Cariello. Para superar a cláusula de barreira, em discussão no Senado, os partidos precisariam atingir 2% dos votos válidos em todo o país, sendo distribuídos por ao menos 14 estados. A regra atingiria siglas que conquistaram prefeituras de seis capitais, entre elas o PRB de Crivella, no Rio. Sem os benefícios da lei, essas campanhas seriam inviáveis.

Aqueles 2% cláusula de barreira atingiria 26 siglas

• Resultado desta eleição para prefeito aponta que maioria dos partidos existentes não cumpriria requisitos

Bernardo Mello e Gabriel Cariello - O Globo

Levantamento do GLOBO mostra que, se estas eleições para prefeito fossem o critério para o cumprimento da cláusula de desempenho dos partidos, em discussão no projeto de reforma política que tramita no Congresso, 26 dos 35 partidos existentes não atenderiam aos requisitos. Assim, 75% das siglas registradas na Justiça Eleitoral perderiam acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV, o que, na opinião de analistas, ameaçaria sua sobrevivência. Manteriam, porém, o direito de lançar candidatos.

País se divide entre renovação e reeleição

• Norte e Nordeste têm comportamento oposto a Sul, Sudeste e Centro-Oeste

Silvia Amorim e Tiago Dantas - O Globo

-SÃO PAULO- Dois movimentos políticos antagônicos dividiram o país ao meio ao final das eleições nas 26 capitais. Enquanto um vento de continuidade soprou na parte de cima do Brasil (regiões Norte e Nordeste), uma onda de renovação varreu a parte de baixo (Sul, Sudeste e Centro-Oeste).

A diferença de comportamento dos eleitores nessas duas metades do país ficou nítida no domingo à noite, com a proclamação dos resultados nas 18 capitais que tiveram segundo turno. Em oito cidades, a disputa havia sido definida em 2 de outubro.

Ao reeleger 14 dos 16 prefeitos de capitais, as regiões Norte e Nordeste mantiveram no poder os grupos políticos que haviam vencido as eleições em 2012. As exceções foram Aracaju e Porto Velho.

Já no Sul, Sudeste e CentroOeste, os eleitores de nove das dez capitais optaram por mudança e disseram não à reeleições ou à vitória de indicados dos atuais governantes. Nesse grupo, o único ponto fora da curva é Vitória, onde o prefeito Luciano Cartaxo (PPS) obteve o segundo mandato.

Rio, São Paulo e Belo Horizonte aparecem como maiores expoentes desse movimento de renovação. Mais do que trocar o partido no poder, os eleitores optaram por escolher nomes que assumirão mandatos do Executivo pela primeira vez — Marcelo Crivella (PRB), João Doria (PSDB) e Alexandre Kalil (PHS), respectivamente.

A insatisfação popular pode ter sido uma das razões desse fenômeno. Essas cidades receberam os maiores protestos políticos do último ano. A onda de mudança pôs fim ao domínio de grupos políticos que durava anos, como em Porto Alegre, onde o PSDB venceu pela primeira vez na sua história a disputa municipal.

Já na capital mineira, a influência do grupo dominante foi quebrada por um partido nanico. Além de se favorecer dos movimento de renovação, Kalil surfou na onda antipolítica que também atingiu São Paulo.

NO NORDESTE, MAIS REELEITOS
Com eleitores menos escolarizados e de menor renda do que no restante do país, as regiões Norte e Nordeste podem ter sido mais influenciadas pelo apelo eleitoral do uso da máquina pública. Isso pode ter sido um dos fatores da alta taxa de continuidade verificada nesses locais — 88% dos prefeitos se reelegeram. Ela foi maior do que a taxa nacional de reeleição nas capitais (75%). Em todo o Brasil, dos 20 prefeitos que disputaram a reeleição, 15 venceram. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, apenas um de quatro candidatos ao segundo mandato ganhou a disputa (25%).

Só no Nordeste, oito prefeitos conquistaram mais quatro anos de mandato. Cinco deles anteontem, entre eles Roberto Cláudio (PDT), em Fortaleza. Outras três capitais da região já haviam resolvido a disputa o primeiro turno, como em Salvador, onde ACM Neto (DEM) obteve 77,99% dos votos; Natal, com vitória de Carlos Eduardo Alves (PDT); e Teresina com Firmino Filho (PSDB).

Aracaju foi a única exceção à regra no Nordeste. O atual prefeito da capital sergipana, João Alves (DEM) ficou em terceiro lugar e sequer passou para o segundo turno. Nas eleições de anteontem, Edvaldo Nogueira (PCdoB) derrotou Valadares Filho (PSB) por uma diferença de 1.744 votos.

Na Região Norte, eleitores de três capitais deram mais um mandato para seus prefeitos anteontem (Belém, Manaus e Macapá). No primeiro turno, outros três já haviam confirmado seus mandatos (Palmas, Rio Branco e Boa Vista).

Apenas Porto Velho não seguiu a tendência de continuidade da região e deixou o atual prefeito Mauro Nazif (PSB) fora do segundo turno. A disputa foi vencida por Dr. Hildon (PSDB).

Projeto reforçado - Merval Pereira

- O Globo

Saindo das eleições municipais como o que mais cresceu em número de eleitores entre os dez maiores partidos, conquistando 3,8 milhões de votos para prefeito no 1º turno, um crescimento de 51% em relação a 2012, o Partido Republicano Brasileiro (PRB) viu seu projeto político nacional reforçado pela vitória do bispo licenciado Marcelo Crivella para a prefeitura do Rio de Janeiro.

Em outubro de 2005, a criação do Partido Municipalista Renovador (PMR), hoje Partido Republicano Brasileiro (PRB), foi fruto de manobra do então presidente Lula para se aproximar dos evangélicos através do vice José Alencar, um dos fundadores do partido.

O partido foi criado pelos evangélicos da Igreja Universal do Reino de Deus para substituir a marca PL, manchada pelo escândalo do mensalão que estourara naquele ano. Em poucos dias conseguiram recolher nas igrejas espalhadas pelo país milhares de assinaturas para constituir um partido político, meta que outros, como o PSOL e a Rede, levaram quase um ano para atingir pelos métodos tradicionais.

Amigos hoje, inimigos amanhã - Eliane Cantanhêde

- O Estado de S. Paulo

• PSDB é o grande vitorioso, mas, se Temer der certo, PMDB terá candidato próprio em 2018

O poder primeiro aglutina, depois corrói e a história é recheada de aliados que viraram inimigos, como PT e PSDB, unidos no combate à ditadura militar e adversários viscerais ao longo das muitas campanhas eleitorais e dos muitos governos pós-redemocratização. A pergunta que não quer calar é até quando vai o pacto de governabilidade entre o PMDB, que tem o governo federal, ramificação e ambição, e o PSDB, que foi o maior vitorioso das eleições municipais e é a única presença garantida na eleição para a Presidência em 2018. Esse pacto vai ou não durar até 2018?

O PSDB nasceu em 1988 de uma dissidência do PMDB de Orestes Quércia e nunca deixou de disputar as eleições presidenciais (1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014) com candidato próprio – e competitivo. O PMDB virou uma confederação estadual de partidos, sem protagonismo no Planalto e um fiel da balança entre tucanos e petistas. Ora se tornava importante para os governos do PSDB, ora para os do PT. Para onde ia o PMDB, ia o poder. Ou ao contrário: para onde ia o poder, ia o PMDB.

Tico e Teco - Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

A exemplo da economia, a ciência política não é muito confiável na hora de fazer previsões acuradas sobre o futuro. Não é raro que os caprichos da conjuntura se somem às inconstâncias do eleitor para sabotar os mais belos modelos elaborados pelos especialistas. Ainda assim, exatamente como ocorre com a economia, existem alguns princípios muito gerais que atuam na grande maioria dos pleitos.

O algoritmo mais básico usado pelo eleitor é: se a situação está boa, mantenha o governante e seu partido; se está ruim, puna-os. Isso significa que, sempre que houver uma mudança brusca na economia, deve-se esperar um movimento correspondente na política.

Quebra de paradigmas - Luiz Carlos Azedo

- Correio Braziliense

• Num país como o Brasil, de tantas injustiças e desigualdades, valores liberais somados à igualdade de oportunidades podem representar grande avanço

Há uma falsa lógica nas análises de que os eleitores fizeram uma opção conservadora nas eleições municipais, em razão da derrocada eleitoral do PT, na sequência do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Essa lógica mais ou menos reproduz a narrativa petista do golpe, que de certa forma servia de biombo para a legenda se esconder atrás do movimento de esquerda tradicional, no qual orbitam também outras legendas, como o PCdo B e o PSol. Essa lógica reduz a esquerda brasileira ao nacional desenvolvimentismo, ao anti-imperialismo e ao populismo e caracteriza como direita outras forças que sempre desempenharam um papel democrático e progressista no país.

A reforma possível na Previdência - Raymundo Costa

- Valor Econômico

• O governo não ganhou mas o PT perdeu a eleição

A pedido dos governadores de Estado, o presidente Michel Temer deve esperar mais alguns dias para enviar a proposta de reforma da Previdência ao Congresso. Mas a ideia é mandá-la logo. Segundo o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), os governadores querem fazer algumas sugestões ao texto, "então o presidente está esperando". O Palácio do Planalto não sabe o que os executivos estaduais vão pedir, portanto, não sabe se vai poder atender o que eles querem. Certamente não vai acatar todas as sugestões.

Padilha é o coordenador do grupo de governo encarregado da proposta previdenciária. Conhece como pouco os humores do Congresso. Com a autoridade de quem chegou há mais de 20 anos à Câmara dos Deputados, o ministro da Casa Civil afirma que a proposta de reforma da Previdência Social que o governo vai propor "já está do tamanho possível". Não vai resolver definitivamente o rombo da Previdência, que deve voltar a crescer em oito, dez anos, mas é a possível, neste momento. "Se quiser apertar mais agora, pode inviabilizar".

Agora, reconstruir o País – Editorial / O Estado de S. Paulo

O pleito municipal se encarregou de varrer do mapa o PT e demais facções de “esquerda” que, na falta de competência e credibilidade para propor medidas concretas para tirar o País da crise, vinham apelando para o escapismo irresponsável do “fora Temer”. A partir de agora, sob o risco de em 2018 serem condenados ao mesmo destino que amargam hoje os vendedores de ilusões, os representantes do povo terão que mostrar serviço e interagir positivamente com as outras forças sociais para enfrentar os gravíssimos problemas decorrentes do legado do lulopetismo. E terão que agir levando em conta que a paciência dos brasileiros tem limites, como acaba de ficar claramente demonstrado nas urnas.

O resultado do pleito nas duas maiores cidades do País ajuda a entender o sentimento com que os brasileiros foram, ou não foram, às urnas. No Rio de Janeiro, num universo de 4,9 milhões de eleitores, mais de 1,86 milhão – a soma, em números absolutos, da abstenção com os votos nulos e brancos, que superou o número de sufrágios dados ao candidato vencedor – se recusou a optar por um dos dois candidatos que representavam os extremos do espectro político-ideológico: de um lado o conservadorismo ancorado nos preconceitos do fundamentalismo religioso e de outro o voluntarismo “esquerdista” e “libertário” engajado na luta contra os “inimigos do povo”. Ao negar voto aos dois candidatos, o eleitor carioca deixou claro que repudia o radicalismo político e demonstrou, como ocorreu em maior ou menor medida em todo o País, insatisfação e descrença na política e nos políticos.

Pêndulo brasileiro – Editorial / Folha de S. Paulo

Foi necessário um terremoto como o desencadeado pela Operação Lava Jato para abalar uma das máximas da política brasileira: eleições municipais seguem uma lógica própria, provinciana até, pouco influenciada pelo cenário federal.

Com o resultado do segundo turno em várias das principais cidades do país, completa-se a estrondosa derrocada do PT. O partido que governou o país por 13 anos passou das 644 prefeituras que detinha em 2012 para 254 (-61%).

Não há dúvida de que tal decadência decorre da corrupção revelada nos governos de Lula e Dilma, bem como da crise social resultante de sua política econômica. O eleitorado responsabiliza o PT, com acerto, pelo desastre atual.

Bem mais difícil é delinear quais possam ser os ecos do cataclismo da esquerda no pleito de 2018.

As análises convergem para apontar o avanço da centro-direita, um movimento pendular que se observa em vários países.

Segundo turno consolida troca de forças nos municípios – Editorial / O Globo

• Símbolo da derrota da esquerda, PT é varrido do entorno da cidade de São Paulo, enquanto adversários tucanos têm vitórias de peso e, com o PMDB, fortalecem base de Temer

O turno inicial das eleições municipais esboçara as principais tendências do primeiro pleito realizado depois do impeachment da presidente Dilma, forte tranco no lulopetismo, agravado pelo avanço da Lava-Jato e de outras investigações sobre o ex-presidente Lula, líder supremo do PT. O segundo turno, no domingo, aprofundou a derrota do PT, varrido do entorno da cidade de São Paulo, batizado de “cinturão vermelho” devido à presença quase histórica da legenda nas prefeituras da região. Exemplar punição ao partido pelo eleitorado.

De maneira emblemática, em São Bernardo do Campo, onde Lula nasceu para a política e mora, venceu um candidato tucano, Orlando Morando Junior, na disputa com o representante do PPS, Alex Spinelli. O PT não emplacou representante na decisão das eleições, e verá o prefeito Luiz Marinho, ex-ministro de Lula e que chegou a ser cotado para disputar postos mais altos, passar o cargo ao adversário. No balanço final das eleições municipais, o PT encolheu de maneira vertiginosa: de 638 prefeituras em que venceu em 2012, caiu para 254. Governou para 27 milhões de eleitores, no domingo reduzidos a apenas 4 milhões. O PT foi levado pelos eleitores de volta à dimensão que tinha antes da primeira eleição de Lula presidente, no final de 2002. No conjunto de cidades com mais de 200 mil habitantes, em que podem haver dois turnos, o partido ganhou, e no primeiro, apenas em uma, Rio Branco, capital do Acre, com Marcus Alexandre, reeleito.

Vitória da centro-direita abre espaço para união PSDB-PMDB – Editorial / Valor Econômico

O mapa eleitoral que sai agora das urnas não poderá ser usado à risca nas eleições de 2018, mas é valioso como indicador de tendências. Era esperado que a gestão ruinosa de um governo de esquerda, em um processo tão desgastante como o do impeachment e das investigações da Lava-Jato, movesse amplamente o pêndulo para a centro-direita. A derrota do PT nas eleições municipais foi ampla, geral e quase irrestrita. Nos cinturões operários de São Paulo e tradicional bastião petista, o partido só elegeu um prefeito, em Franco da Rocha. O PSDB ganhou força e poder de gestão sobre 23,4% da população brasileira, sua melhor marca até hoje. O PMDB fez um papelão na capital do Rio, mas não na Baixada Fluminense e venceu em mais cidades acima de 200 mil habitantes do que em 2012.

O xadrez eleitoral é muito mais complexo na disputa presidencial. Como os ventos sopram para a centro-direita, PSDB e PMDB podem tentar, juntos ou separados, a conquista do Palácio do Planalto. O candidato mais bem posicionado no momento é o governador Geraldo Alckmin, que bancou, contra os velhos caciques tucanos, o lance decisivo: ganhar uma eleição em primeiro turno com João Doria. Aécio Neves, seu rival na legenda, perdeu pela segunda vez em dois anos em sua base eleitoral, Minas Gerais - no pleito presidencial contra Dilma e na disputa em Belo Horizonte para um candidato do minúsculo PHS. Alckmin é também o tucano que mantém mais distanciamento do governo Temer.

A música – Charles Baudelaire

A música me arrasta às vezes como o mar!
No encalço de um astro,
Sob um teto de bruma ou dissolvido no ar,
Iço a vela ao mastro;

O peito para frente e os pulmões enfunados
Tal qual uma tela,
Escalo o dorso aos vagalhões entrelaçados
Que a noite me vela;

Sinto que em mim ecoam todas as paixões
De um navio aflito;
O vento, a tempestade e suas convulsões

No abismo infinito
Me embalam. Ou então, mar calmo, espelho austero
De meu desespero!

Marisa Monte - Vilarejo

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Opinião do dia – Roberto Freire

“O PPS foi um grande vitorioso no segundo turno das eleições municipais, porque das sete cidades que disputou, venceu em cinco delas, reelegendo um prefeito de capital.

O resultado do segundo turno coroou o nosso desempenho nestas eleições. Parabenizo os vencedores e todos os candidatos que disputaram pelo PPS com dignidade e respeito às regras eleitorais e a democracia. “

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Roberto Freire é deputado federal e presidente nacional do PPS,

2º turno consolida revés dos opositores de Temer

*Tucanos vão governar 24% do eleitorado *Para Planalto, resultados sepultam discurso petista de ‘golpe’ * Crivella (PRB) vence Freixo (PSOL) no Rio * Kalil (PHS) derrota candidato de Aécio (PSDB) em BH

O resultado das eleições fortaleceu o PSDB e outros partidos que se alinharam ao governo de Michel Temer. Das 18 capitais que tiveram segundo turno ontem, em cinco os candidatos vencedores são do PSDB. O PMDB venceu em três. A vitória mais significativa foi alcançada por uma sigla alinhada ao Planalto, mas de pouca expressão: a cidade do Rio de Janeiro será governada por Marcelo Crivella, do PRB, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Ele derrotou Marcelo Freixo (PSOL), que foi contra o impeachment de Dilma Rousseff e faz oposição radical a Temer. Em Belo Horizonte, o empresário Alexandre Kalil (PHS), estreante na política, venceu João Leite (PSDB), candidato do presidenciável Aécio Neves. O Planalto comemorou. “Esta eleição sepulta qualquer tipo de contestação, seja sob o ponto de vista institucional ou de legitimidade (do governo Temer)”, disse o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil). Nas capitais, somente em Fortaleza, em São Luís e em Aracaju foram eleitos ontem candidatos de oposição a Temer.

Base de Temer vai comandar 81% do eleitorado do País

• Nas capitais, partidos alinhados ao Planalto conquistam 12 das 18 prefeituras onde ocorreu votação em 2º turno

- O Estado de S. Paulo

Os partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff e hoje formam a base do governo de Michel Temer vão comandar 81% do eleitorado do País. O resultado consolida uma ampla base municipal formada pelas legendas com assento na Esplanada e, ao mesmo tempo, revela a ampliação do espaço dos partidos nanicos.

Das 57 municípios onde houve segundo turno, siglas aliadas ao governo elegeram 46 prefeitos – sendo 12 em capitais. Ao todo, contando o resultado do primeiro turno, foram 4.446 eleitos. A conta inclui PMDB, PSDB, PSD, PP, PSB, PR, DEM, PTB, PPS, PRB e PV.

PSDB e PMDB se consolidam na maioria das capitais; PT só elege um prefeito

• Veja quem são todos os prefeitos eleitos nas capitais do País

Mariana Diegas e Matheus Lara, especial para o Estado
Coluna do Estadão

Com sete das 26 capitais conquistadas, o PSDB se consolidou como maior vencedor da eleição municipal. Dois dos sete tucanos foram eleitos ainda no primeiro turno. Em segundo lugar, vem o PMDB, que levou quatro capitais.

Em seguida, vêm o PDT, com três, e o PSD e o PSB com duas. O PT chegou ao segundo turno em apenas uma capital, Recife, mas perdeu. A sigla conseguiu eleger apenas um prefeito, assim como PRB, PHS, PMN, PCdoB, DEM e Rede. O PP e o PV não obtiveram vitórias.

Veja a lista de todos os novos prefeitos das capitais brasileiras:

Um em cada 4 eleitores será governado pelo PSDB

• Somados os resultados do primeiro e segundo turnos, tucanos vão administrar a partir do ano que vem 803 municípios, que reúnem 23,9% do eleitorado brasileiro

Daniel Bramatti, Rodrigo Burgarelli, Guilherme Duarte, Fabiana Cambricoli - O Estado de S. Paulo

O PSDB saiu do segundo turno como o maior vencedor da eleição municipal de 2016, se o critério observado for o número de eleitores que cada partido vai governar. Em seu conjunto, os prefeitos do partido vão administrar cidades que abrigam 23,9% do eleitorado - ou seja, para cada quatro eleitores, um será governado por um tucano.

Em relação à eleição de 2012, a faixa do eleitorado governada por tucanos quase dobrou - era de 13,1%. Já a parcela governada pelo PT, principal antagonista do PSDB, desabou de 19,9% para 2,9%.

A fatia alcançada pelos tucanos é a maior desde 2004, o primeiro ano para o qual o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulga dados de resultado eleitorais digitalizados. O recorde anterior pertencia ao PMDB, que em 2008 venceu em municípios que abrigavam 22,1% do eleitorado da época.

Para o governo, resultado sepulta discurso do golpe

• Ministro da Casa Civil diz que domínio dos partidos alinhados ao Planalto nas eleições municipais legitima a gestão de Michel Temer

Isabela Bonfim - O Estado de S. Paulo

/ BRASÍLIA - O Palácio do Planalto avaliou que o resultado das eleições municipais legitima o governo do presidente Michel Temer. Para o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, a ampla vitória de partidos da base aliada dá fôlego às medidas da equipe econômica do governo e “sepulta” as contestações à gestão que assumiu após o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Essa eleição sepulta qualquer tipo de contestação, seja sob o ponto de vista institucional, de legitimidade, ou de programa de governo”, afirmou Padilha ao Estado.

"Os partidos da base do governo vão fazer próximo a 90% dos votos nessas eleições municipais. Em que pese todo o discurso que os partidos de oposição utilizaram rebatendo as medidas do governo, o resultado diante da sociedade foi altamente negativo para eles e, por consequência, positivo para o governo", Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil

Pela 1ª vez, PT fica sem prefeituras no ABC

• Região onde o partido nasceu não terá representante da sigla nas sete cidades

Walmar Hupsel Filho, Marianna Holanda - O Estado de S. Paulo

Com o insucesso dos dois únicos candidatos do PT no ABC paulista, ambos prefeitos que tentavam a reeleição, o partido não vai administrar prefeituras no seu berço político a partir de janeiro de 2017 – um fenômeno que acontece pela primeira vez desde 1982. Dos quatro municípios da região que tiveram segundo turno, dois elegeram prefeitos do PSDB, um do PSB e um do PV. Nas outras três cidades que formam a região do ABC, São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, o partido também não elegeu prefeitos.

PT é derrotado em todas as disputas de segundo turno

- Coluna do Estadão

Todos os sete candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT) que foram ao segundo turno no País foram derrotados por seus adversários.

Quem quase escapou da estatística foi o candidato do partido em Santa Maria (RS), Valdeci Oliveira, que foi derrotado por menos de 1% de diferença na votação.

O resultado confirma o pior retrospecto da sigla nas urnas desde 2004, quando o partido elegeu 411 prefeitos após a sigla chegar à Presidência da República. Dos 992 candidatos a prefeito que o partido colocou em disputa neste ano, apenas 254 foram eleitos. (Matheus Lara, especial para o Estado)


Luciano Rezende vence segundo turno e é reeleito em Vitória

• Atual prefeito, do PPS, recebeu 51,19% dos votos válidos e ganhou do adversário Amaro Neto (SD)

Lígia Morais e Luciana Almeida - O Estado de S. Paulo

VITÓRIA - Luciano Rezende (PPS) foi reeleito com 51,19% dos votos válidos na cidade de Vitória, no Espírito Santo. Rezende recebeu 95.458 votos, ultrapassando o adversário do Solidariedade, Amaro Neto, que ficou com 91.034. A eleição em Vitória teve 13,29% de abstenção. Os votos brancos somaram 2,42% e os nulos, 5,20%.

Atual prefeito da cidade e candidato à reeleição, Luciano Rezende votou no colégio São Domingos, no bairro Bento Ferreira, pontualmente às 9h30. Como no primeiro turno, estava acompanhado da esposa e dos filhos, cumprimentou eleitores, bebeu água em um bebedouro em frente à sala onde fica a sua sessão eleitoral, e entrou para votar com os filhos Davi e Arthur.

Rezende disse que estava confiante no resultado das eleições, e apontou que durante o seu mandato como prefeito da capital do Espírito Santo, fez muito pela cidade com poucos recursos
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"Trabalhamos durante a campanha inteira mostrando o muito que fizemos com poucos recursos. Todos sabem que Vitória tem um prefeito trabalhador, experiente e absolutamente confiável. Durante essa campanha para o segundo turno, prestamos conta daquilo que apresentamos para a cidade nesses últimos quatro anos. Estou muito animado e muito feliz", disse o candidato à reeleição.

São Gonçalo elege José Luiz Nanci, do PPS

• Em seu segundo mandato como deputado, candidato venceu por diferença de 30 mil votos

Wilson Mendes* - O Globo

O médico e deputado estadual José Luiz Nanci (PPS) é o prefeito eleito de São Gonçalo. Depois de uma campanha marcada por conflitos entre os candidatos, o político recebeu 53,63% dos votos válidos (221.754). O somatório dos votos em branco, nulos e das abstenções ultrapassou a votação de Nanci: foram 272 mil. Dejorge Patrício (PRB) ficou com 46,37% (191.699).

Após declarada a vitória, Nanci — que já cumpriu cinco mandatos como vereador e está em seu segundo como deputado estadual — desfilou pelo Centro com o vice, Ricardo Pericar. Ele garantiu que está preparado para assumir o comando de uma das maiores cidades fluminenses e o segundo maior colégio do Estado do Rio:

— Estou muito feliz. Foi uma campanha difícil, mas o povo honrou seu voto, confiou no meu trabalho. Os gonçalenses escolheram a experiência para traçar um novo caminho para São Gonçalo. Tenham certeza de que vou trabalhar muito por vocês. Obrigado por me deixarem trabalhar por São Gonçalo.

Apesar de derrotado com uma diferença de cerca de 30 mil votos, Dejorge interpretou sua votação como um desejo de mudança:

— Tenham a certeza de que continuarei trabalhando para São Gonçalo. Apesar de não termos alcançado a vitória, vejo nossa campanha como grande conquista, com quase 200 mil pessoas com o mesmo objetivo: a renovação.

Niterói mantém Rodrigo Neves no cargo com 58,19% dos votos

• No 2º turno, cidade foi a única do Grande Rio que optou pela continuidade de governo; prefeito disse que seu primeiro ato será oferecer ajuda à Polícia Militar

Renato Grandelle - O Globo

Após uma campanha marcada pela troca de ofensas entre os candidatos, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PV), reelegeu-se ontem, numa vitória folgada sobre Felipe Peixoto (PSB). No início da apuração, a diferença entre eles chegou a ser de apenas seis votos, mas, quando foi encerrada a contagem, Rodrigo superou o adversário em mais de 38 mil votos: teve 58,59% dos válidos. Felipe ficou com 41,41%. Com isso, Rodrigo foi o único prefeito do Grande Rio reeleito neste segundo turno.

Rodrigo atribuiu a vitória à política de responsabilidade fiscal promovida desde o início de seu mandato, em 2013. De acordo com ele, o saneamento das contas públicas permitiu conciliar o pagamento de servidores com o investimento em obras. Entre as principais vitrines de sua gestão está a construção do túnel Charitas-Cafubá, cuja inauguração está prevista para 15 de dezembro.

— É uma obra esperada há 40 anos, já tinha virado lenda urbana — ressaltou Rodrigo. — Conseguimos nos destacar num contexto econômico adverso. Todos os outros prefeitos da Região Metropolitana que disputaram o segundo turno foram derrotados. Agora, faremos outros reajustes financeiros para cumprir metas, como criar escolas de horário integral, principalmente nos bairros com menor índice de desenvolvimento, e pavimentar todas as ruas da Região Oceânica até 2018.

O primeiro ato do governo, no entanto, está voltado para a área de Segurança Pública. Numa reunião com o comando-geral da Polícia Militar, Rodrigo oferecerá recursos materiais e financeiros para que o 12º BPM dedique suas atividades exclusivamente a Niterói — hoje, o batalhão também é responsável pelo patrulhamento de Maricá.

— A Segurança é o principal problema da Região Metropolitana — avaliou. — O estado tem cometiApós do equívocos nesse setor. Vou oferecer R$ 4 milhões, 5 (milhões), 6 (milhões), o que for necessário.

O vice-prefeito Axel Grael (PV) assumirá a secretaria-geral do novo governo, que terá como objetivo coordenar o trabalho das principais pastas. Na próxima gestão, o cargo dele será ocupado por Comte Bittencourt (PPS). A três semanas do primeiro turno, Comte assumiu o posto de candidato a vice na chapa, porque Axel foi considerado inelegível devido a um processo por improbidade administrativa, por conta de despesas supostamente irregulares da época em que atuou como presidente da Fundação Instituto Estadual de Florestas.

Festa tucana PSDB vai governar 34 milhões em 803 cidades

• Partido vence em sete capitais, enquanto petistas perdem todas as disputas no segundo turno

Bernardo Mello e Gabriel Cariello - O Globo

A conclusão da disputa eleitoral nas grandes cidades brasileiras confirmou o roteiro que havia começado a se desenhar no primeiro turno das eleições municipais, no início do mês. Dos 57 municípios que tiveram segundo turno, ontem, o PSDB saiu vitorioso em 14 — o que garante aos tucanos uma influência recorde na história recente do país. O partido terá um eleitorado governado de 34 milhões de eleitores, um em cada quatro no país — maior índice na série histórica analisada pelo GLOBO, desde 2004. O recorde anterior pertencia ao PMDB, que somava 28 milhões de eleitores com suas vitórias no pleito de 2008. Para analistas políticos, o resultado fortalece a posição do PSDB para as eleições estaduais e presidenciais, em 2018.

Já o PMDB do presidente Michel Temer manteve, ontem, uma de suas principais características, segundo os analistas: a capilaridade. O partido conquistou nove prefeituras no segundo turno e vai administrar 1.038 municípios, número maior do que qualquer outra sigla. O PSDB vai administrar 803. Em terceiro, o PSD estará à frente de 540.

No entanto, a influência do PMDB sobre o eleitorado continua em queda. Depois do recorde em 2008, os peemedebistas governarão, agora, cidades cujos colégios eleitorais somam 20,9 milhões de votantes. O número corresponde a pouco mais da metade dos tucanos, seu principal aliado no governo federal.

Tucanos e peemedebistas ampliaram, ainda, suas prefeituras nas cidades com mais de 200 mil eleitores. O PSDB saltou de 15 para 28 municípios; o PMDB, de nove para 14.

— Enquanto o PMDB fica mais ou menos estável, e agora concentrado principalmente em pequenos e médios municípios, o PSDB cresce amparado pelo seu desempenho nas grandes cidades, onde foi muito vitorioso — aponta o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio. — No caso do PMDB, ter um grande número de prefeituras é importante para as eleições legislativas em 2018, que exigem muitas bases eleitorais. Já a conquista das grandes cidades, para o PSDB, faz a diferença para lançar candidatos aos governos estaduais e à Presidência. Qualitativamente, foi um resultado melhor para os tucanos do que para os peemedebistas.

Vaivém o ganha e perde rumo a 2018

• Resultado do segundo turno pelo país consolida vitória de Alckmin e perda de poder de Aécio

Júnia Gama - O Globo

-BRASÍLIA- Apesar de faltar ainda dois anos para as eleições presidenciais, o resultado deste pleito municipal estabelece a posição de largada dos principais personagens e partidos que sonham com 2018. E, nessa disputa, poucos foram os que se fortaleceram. O PSDB saiu como grande vencedor, com o comando de sete capitais, e outros 21 prefeitos eleitos em municípios com mais de 200 mil habitantes. Mas, internamente, o presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), sai alvejado com a derrota em Belo Horizonte, seu colégio eleitoral. E passa a dividir a liderança tucana com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que elegeu o “outsider” João Doria no primeiro turno e conseguiu colocar aliados em várias cidades importantes do estado mais populoso do país.

PSDB vai governar 24% da população brasileira, índice recorde desde 2000

André Monteiro, Felipe Bächtold – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - A eleição de 2016 transformou o PSDB no partido com a maior população governada no país neste século.

Com vitória em 28 das 92 cidades do país com mais de 200 mil eleitores, prefeitos tucanos vão administrar municípios que somam 23,7% da população brasileira —o cálculo não inclui o Distrito Federal, onde não há eleição para prefeito.

É o maior índice para um partido em eleições municipais desde 2000.

Além de São Paulo, onde elegeu João Doria no primeiro turno, os tucanos venceram também em outras 2 das 10 cidades mais populosas do país: Manaus e Porto Alegre.

O PSDB terá no total 803 prefeitos. Em números absolutos de prefeituras, no entanto, permanece atrás do PMDB, que venceu em mais de mil municípios.

Com maior população governada, o partido obtém uma área de influência maior, o que pode facilitar o caminho para a campanha à Presidência de 2018. Os tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin ambicionam a indicação do partido.

O PSDB vai ainda administrar as maiores receitas do país: serão R$ 158,5 bilhões anuais, somando as prefeituras conquistadas.

Na eleição municipal de 2012, impulsionado pela vitória conquistada por Fernando Haddad em São Paulo, o PT havia sido o partido com a maior população governada, com 19,9%.

Globo reluta diante da vitória de Crivella e só divulga depois da Record

Nelson de Sá – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - A cobertura da Rede Globo não se mostrou preparada para a vitória de Marcelo Crivella (PRB). Ao anunciar a pesquisa de boca de urna do Ibope, apontando o sobrinho de Edir Macedo, dono da Rede Record, como novo prefeito do Rio, não sabia o que comentar.

O âncora William Bonner até postergou, ao apresentar o comentarista Heraldo Pereira: "Começando por Goiânia, né, Heraldo?". Só depois Bonner permitiu: "Vamos para o Rio de Janeiro". E Pereira, comentando sem comentar:

"Os números do Rio refletem a evolução das pesquisas. As pesquisas que nós vimos aí nas últimas semanas, o candidato Crivella à frente de Freixo. Esta era uma tendência que as pesquisas já mostravam."

Para ser mais preciso, ao noticiar a pesquisa do dia anterior, o "Jornal Nacional" havia destacado que "a vantagem [de Crivella] vem recuando, a diferença caiu seis pontos". Já em Goiânia "o Ibope aponta a vitória de Íris Rezende", que tinha os mesmos 57% de Crivella.

Crivella vence em eleição com recorde de abstenção

- O Globo

*Senador derrotou Freixo por 59,36% a 40,64% dos votos *Vitorioso diz que não cairá na ‘praga maldita da vingança’ *Conheça os principais desafios que o novo prefeito enfrentará

Líder da Igreja Universal, o senador Marcelo Crivella (PRB) foi eleito prefeito do Rio em eleição marcada pelo alto índice de abstenção, votos em branco e nulos. Tanto Crivella quanto Marcelo Freixo, candidato derrotado do PSOL, tiveram menos votos do que o total de eleitores que não optaram por nenhum dos dois (mais de 2 milhões). Com vitória expressiva na Zona Oeste, o senador obteve 1,7 milhão de votos, ou 59,36% dos válidos. Já Freixo, que venceu apenas na Zona Sul e em parte da Zona Norte, teve 40,64%. No discurso da vitória, ao lado de Clarissa Garotinho, Carlos Osorio, Indio da Costa e Flávio Bolsonaro, o bispo agradeceu a eleitores de todas as religiões e disse que não cairá na “praga maldita da vingança”. “O processo eleitoral termina aqui”, afirmou. Freixo, que se negou a cumprimentar o adversário, disse que a eleição é “só o começo de uma luta muito grande”.

Nova ordem

• Com recorde de abstenção, Rio elege Crivella, bispo licenciado da Universal

Um Rio de desafios espera por Marcelo Crivella (PRB), eleito para suceder a Eduardo Paes no comando da cidade. Depois de um segundo turno intenso, um dos mais agressivos de sua História, os cariocas escolheram ontem o primeiro representante da Igreja Universal a comandar um cargo executivo de grande estatura no país. Foi a opção por um caminho novo, após oito anos de comando do PMDB.

Marcelo Crivella venceu em 71 das 98 zonas eleitorais

• Candidato eleito à prefeitura do Rio foi soberano na Zona Oeste da cidade e ainda conquistou votos em reduto de Marcelo Freixo

O DIA

Rio - O mapa da apuração por seções eleitorais no Município do Rio comprova o amplo domínio de Crivella neste segundo turno. O candidato do PRB venceu em 71 das 98 zonas da capital. Foi dele, ainda, a vitória por maior percentual: 77,82% na 241ª, que engloba os bairros de Cosmos, Paciência e Santa Cruz. Em 41 seções, Crivella conseguiu pelo menos 60% dos votos. E somente ele venceu em todas as regiões da cidade.

Freixo, por sua vez, levou 26 seções — a maioria na Zona Sul e na Grande Tijuca, nenhuma na Zona Oeste. Seu melhor desempenho foi na 16ª ZE, de Cosme Velho e Laranjeiras, onde ficou com 67,09%. Em somente oito zonas a diferença foi superior a 20 pontos percentuais — o que prova que Crivella, mesmo no reduto eleitoral do psolista, teve desempenho razoável.

Isso fica ainda mais latente ao observar que, em plena Zona Sul, Crivella venceu em duas seções: a 165ª, em Ipanema, e a 211ª, da Gávea, Rocinha, Vidigal e São Conrado. A do Catumbi, Estácio e Rio Comprido (252ª ZE) também foi uma exceção.