Valor Econômico
Presidente não vai para o confronto para não
se indispor com o aliado
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
comparou, recentemente, a eleição para a Prefeitura de São Paulo a “uma
verdadeira guerra”, usou um tom acima em relação ao que pretende adotar com o
MDB, um de seus principais aliados, na campanha eleitoral. Porque se o MDB -
que comanda três ministérios no governo federal - é adversário do PT em palcos
relevantes como São Paulo e Porto Alegre (RS), as duas siglas caminharão juntas
em outras capitais e grandes municípios no pleito de outubro.
A aliança entre PT e MDB é tão antiga, que
remonta aos anos 80, quando Lula e Ulysses Guimarães compartilhavam segredos
entre os comícios das “Diretas Já”, e o atual presidente da sigla, Baleia
Rossi, ainda estava concluindo o ensino fundamental.
Em 1984, Lula revelou a Ulysses - até hoje, o
principal símbolo do MDB - o fogo amigo em curso contra ele. Os emedebistas de
São Paulo armavam a traição ao “Senhor Diretas”, articulando apoio a Tancredo
Neves para a Presidência da República, com o PT na aliança. Lula disse a
Ulysses que os paulistas referiram-se a ele como o “Winston Churchill” do MDB,
que dera o que tinha de dar.
Segundo o relato do episódio, que consta de “A história de Mora” (livro de memórias sobre Ulysses do jornalista Jorge Bastos Moreno), o emedebista histórico viu-se acuado e rendeu-se, tornando-se coordenador da campanha de Tancredo.
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