Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 1 de maio de 2025
Manifesto do proletrariado - Marcelo Mario de Melo
"... na minha condição
de pintor e operário.."
Van Gogh
(Cartas a Theo)
1 - Trabalhadores manuais e intelectuais e
artistas das diversas áreas: somos todos proletários.
2 – Na agricultura, na indústria, no
comércio, nos serviços, nas finanças. Autônomo, formalizado, precarizado,
subempregado, escravizado, excluído. Na ciência, na tecnologia, na filosofia,
na comunicação, na arte. Na lavoura, na oficina, no balcão, no escritório, no
consultório, no laboratório, na sala de aula, no guichê, no ateliê.
3 - Cientista, filósofo, técnico, professor,
escritor, jornalista, artista. Na empresa, no estado, na entidade civil. Somos
proletários letrados. Proletrários.
4 - Precisamos ter consciência de classe.
Assumir na sociedade uma postura política coerente com a nossa condição de
classe.
5 – Vamos lançar fios aos outros
proletrários. Unindo todo o leque do arco-íris. Estimulando a onda solidária.
Segurando as mãos na ciranda proletária. Lavrando contra as teias mercantis.
Lançando sementes de vida em abundância. Contribuindo para o povo trabalhador
viver e conviver melhor. Somando sonhos, seivas, sanhas, na seara comum.
6 – Ouvindo Josué de Castro: “... a
sociologia comprometida com o processo social não deixa de ser científica, por
este seu engajamento.”
7 – Ouvindo Maiacovski: “a arte deve ligar-se
estreitamente com a vida, como função intensiva desta. Fundir-se com ela ou
perecer.”
8 – Ouvindo Karl Marx: “os filósofos têm
apenas interpretado o mundo de diferentes maneiras; o importante, porém, é
transformá-lo.”
9 - Ouvindo Paulo Freire: “somente com a
supressão da situação opressora é possível restaurar o amor que nela estava
proibido”.
10 – Ouvindo Jesus Cristo: “vós sois o sal da
terra, e se vós vos tornardes insípidos, com que a terra haverá de ser
salgada?”.
11 – Ouvindo David Capistrano Filho: “o único
requisito indispensável é o compromisso. Compromisso com a vida e compromisso
com os que sofrem”.
12 - Ouvindo Castro Alves: “a lei sustenta o
popular direito/nós sustentamos o direito em pé”.
13 - Que as nossas equações, signos,
protótipos, softwares, pesquisas, fantasias, pulsações, sombras, luzes, não
ocultem e realcem a nossa identidade proletária.
14 - Proletários de todo o mundo: uni-vos!
quarta-feira, 30 de abril de 2025
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Maré favorável à ultradireita reflui com ‘efeito Trump’
O Globo
Vitória de liberais no Canadá depois de
campanha antitrumpista traz inspiração a outros países
A vitória de Donald Trump no
ano passado parecia prenunciar o avanço da ultradireita populista no mundo
todo. Antes mesmo da posse, Elon Musk, arauto do trumpismo, não perdeu tempo
para tentar influenciar eleições na Alemanha e pelo mundo. Parecia que as
democracias seriam varridas pelo populismo da direita radical. Passados três
meses, Trump começa a surtir o efeito oposto nas disputas eleitorais.
Nas eleições de segunda-feira no Canadá, Mark Carney
liderou a vitória do Partido Liberal, de centro-esquerda, para mais um mandato
— o quarto consecutivo. O fator determinante na campanha foi a bandeira
anti-Trump. Se o estilo errático e caótico que impera na Casa Branca persistir,
é bastante provável que outras eleições mundo afora tenham desfecho semelhante.
Em tempos de incerteza, os canadenses correram para a opção mais segura e sensata. Carney é um novato na política. Nunca concorrera a cargo eletivo. Assumiu o posto de primeiro-ministro em março, ao vencer a disputa no partido após a desistência do impopular Justin Trudeau. Sem carisma, com francês deficiente, tem um currículo em que se destacam dois postos de natureza técnica, a presidência dos bancos centrais de Canadá e Inglaterra. O conhecimento técnico e o estilo sereno, muitas vezes vistos como desvantagens em tempos de polarização, se converteram em atributos fundamentais para enfrentar o trumpismo.
STF se cansou de brigar sozinho - Vera Magalhães
O Globo
Ministros demonstram incômodo de se
indispor com o Congresso enquanto governo, fraco, se omite
As conversas ainda mais incipientes para a
construção de uma saída negociada para os condenados do 8 de Janeiro evidenciam
que o Supremo Tribunal Federal (STF) se cansou de comprar todas as brigas
políticas do Brasil enquanto o governo não consegue se articular minimamente
para deixar de ser um mero coadjuvante nas mais prementes discussões da
política nacional.
Depois de duelar por meses a fio com a cúpula
do Congresso tentando disciplinar as emendas parlamentares, devolvendo alguma
transparência ao Orçamento da União e alguma capacidade de o Executivo
programar os gastos federais, estabeleceu-se neste primeiro semestre uma
circunstância em que os ministros têm de brigar em duas frentes contra o
golpismo.
Numa, o grupo mais duro em relação aos que perpetraram o ataque aos Três Poderes em janeiro de 2023 começou a ver ganhar corpo na sociedade a versão segundo a qual tudo não passou de arruaça ocasional de um bando composto por donas de casa, velhinhas desavisadas e outros iludidos, sem comando nem qualquer objetivo político a alcançar.
O paradoxo de Sobral Pinto - Elio Gaspari
O Globo
A História é mesquinha com quem condena. São
comuns os julgamentos em que promotores e/ou magistrados encarceram réus
acompanhando a vontade dos poderosos ou ainda o sentimento da opinião pública.
Passa o tempo, e a poeira do tempo acaba os encobrindo. É o paradoxo da
biografia do advogado Sobral Pinto (1893-1991). Todo mundo se lembra do campeão
na defesa das liberdades públicas nas ditaduras do Estado Novo e de 1964. A
poeira cobriu a memória do combativo promotor dos anos 20, que pedia cadeia
para os tenentes insurretos. (Passados 40 anos, os tenentes viraram generais da
última ditadura e continuavam o detestando.)
O Supremo Tribunal Federal condenou a 14 anos de prisão em regime fechado a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. No dia 8 de janeiro de 2023 ela escreveu com batom “Perdeu Mané” na estátua da Justiça que enfeita a Praça dos Três Poderes. Houve algo de cenográfico na decisão. A maioria dos ministros acompanhou o voto de Alexandre de Moraes. Tudo bem, mas o mesmo Moraes havia concedido a Débora o benefício da prisão domiciliar.
Cassação na surdina Bernardo Mello Franco
O Globo
Acusado de assassinato, deputado perdeu
mandato por excesso de faltas
Numa semana marcada por morte do Papa,
escândalo do INSS e prisão de Fernando Collor, a notícia passou quase batida.
Não deveria. Na quinta passada, a Câmara cassou o deputado Chiquinho Brazão.
Ele é acusado de planejar a execução da vereadora Marielle Franco.
Brazão foi preso em março de 2024 e responde a processo por homicídio e organização criminosa no Supremo. O que surpreendeu em sua cassação foi o pretexto usado pela Câmara. Réu por assassinato, ele perdeu o mandato por excesso de faltas.
Federação e fusão de partidos miram o pós-Bolsonaro – Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O ex-presidente da República, que ainda se
recupera de complexa cirurgia no abdome, já é tratado como carta fora do
baralho pelas lideranças desses partidos
Sepultado o projeto de anistia dos envolvidos
no 8 de Janeiro de 2023 pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), o
PP e o União Brasil, e o PSDB e o Podemos se movimentam para ocupar o espaço
vazio na centro-direita, deixado pela inelegibilidade do ex-presidente
Jair Bolsonaro, que convalesce ainda de uma grave cirurgia e está impedido
de disputar as próximas eleições pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE).
Mesmo que não venha a ser condenado no processo no qual é acusado de tentativa de golpe de Estado — além de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado —, Bolsonaro já é tratado como carta fora do baralho pelas principais lideranças desses partidos.
Aliança rumo a direita - Lauriberto Pompeu
O Globo
Maior grupo partidário do país, federação
União-PP é lançada com gestos à oposição e desafia o governo Lula
Alguns dos principais políticos recém-reunidos emitiram sinal de distância cada vez maior do petista para 2026, embora as siglas contem com quatro ministérios
O anúncio da federação União-PP foi marcado
na terça-feira pelo gesto de aproximação da nova agremiação à direita e ao
ex-presidente Jair Bolsonaro, no momento em que Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) enfrenta dificuldades para organizar a base e negociar sua agenda no
Legislativo. Maior força do Congresso, com 109 deputados e 14 senadores, bem
como em número de prefeitos (1.330) e governadores (6), o grupo divulgou um
manifesto político no qual defende “um choque de prosperidade” e menos
intervenção do Estado na economia — governos do PT são, constantemente, alvos
de críticas pelo tamanho da máquina pública e o papel conferido ao Estado como
indutor do desenvolvimento.
Alguns dos principais políticos da federação emitiram sinal de que o grupo está cada vez mais distante de Lula para 2026 e mais próximo da oposição, embora conte com quatro ministérios. Pelo governo, compareceram os ministros Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esportes), indicados por União e PP.
Viagem no tempo rumo à estreia do ‘Valor’ - Fernando Exman*
Valor Econômico
Manchete do jornal de 2 de maio de 2000 serviu de cartão de visita para que qualquer governo passasse a compreender que a partir de então a imprensa nacional teria um veículo com olhar atento para as contas públicas
Dizem os especialistas na teoria da
relatividade que pode até ser possível viajar para o futuro, mas praticamente
inviável teletransportar algo ou alguém em direção ao passado. Às vésperas do
25º aniversário deste jornal, pode-se apelar para uma licença poética e
discordar da ciência neste caso. Revisitar a primeira edição do Valor contraria a tese de
Albert Einstein e seus discípulos.
São de arrepiar alguns relatos de integrantes
da equipe pioneira, quando foi anunciado que a sucursal de Brasília emplacara a
primeira manchete do jornal: “Carga fiscal recorde só reforça caixa da União”.
Abaixo do título em letras garrafais, o texto da principal matéria da edição de 2 de maio de 2000 detalha os efeitos do ajuste fiscal realizado no país, com elevação da carga tributária para um nível recorde e concentração da maior parcela das receitas obtidas com impostos e contribuições nas mãos do governo central, em prejuízo de Estados e municípios. A matéria mostra, também, como esse esforço se deu por meio da cobrança de taxas de má qualidade, as quais passaram a incidir em cascata sobre a produção.
Vai começar a batalha de R$ 30,9 bilhões - Lu Aiko Otta
Valor Econômico
Ressarcimento aos aposentados lesados no escândalo do INSS é só uma das despesas que precisam ser encaixadas no orçamento deste ano
Nos próximos dias, será travada nos
bastidores do governo uma batalha de R$ 30,9 bilhões. O governo divulgará, no
dia 22, as novas projeções para receitas e despesas deste ano e, por
consequência, o valor dos gastos que precisarão ser congelados para alcançar a
meta fiscal do ano, o déficit zero. E aí está a disputa: mirar no zero ou mirar
na parte de baixo da margem de tolerância, R$ 30,9 bilhões abaixo?
A primeira opção serviria para fortalecer o compromisso do governo com o arcabouço fiscal. A segunda evitaria cortes impopulares nas despesas e atenderia outra frente de batalha do governo: a baixa popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se disse “candidatíssimo” à reeleição.
Por que os EUA perderão para a China - Martin Wolf*
Valor Econômico
A China também tem cartas poderosas na manga
O “dia da libertação” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com suas supostas “tarifas recíprocas” contra o resto do mundo - possivelmente as propostas de política comercial mais excêntricas já feitas), tornou-se, depois de um recuo precipitado diante do fogo cerrado dos mercados, uma guerra comercial contra a China. Isso pode (ou não) ter sido o que se pretendia desde o início. Então, será que Trump conseguirá vencer? Mais do que isso, os EUA, como são agora, depois da segunda chegada de Trump à Casa Branca, podem ter a esperança de triunfar em sua rivalidade mais geral com a China? A resposta, nos dois casos, é “não”. E não porque a China seja invencível, longe disso. Mas porque os EUA estão jogando fora todos os ativos de que precisam para manter seu status no mundo contra uma potência tão enorme, capaz e determinada quanto a China.
Anistia não, reduzir pena sim - Antonio Cláudio Mariz de Oliveira
O Estado de S. Paulo
Qual a razão pela qual a sociedade brasileira
deverá apagar essa conduta vil e repelente de sua história?
A Constituição federal prevê intervenções dos
Poderes Executivo e Legislativo na configuração de três institutos nela
consagrados que têm por escopo minimizar o rigor e as agruras do processo penal
e das decisões proferidas pelo Poder Judiciário.
A doutrina considera a anistia, a graça e o
indulto como atos de indulgência, que extinguem a punibilidade daquele que
responde a um processo ou já sofreu condenação.
O Estado renuncia ao seu direito-dever de punir.
O destino do inquérito das fake news - Vera Rosa
O Estado de S. Paulo
Investigação do fim do mundo completa seis anos e vira ‘botão de segurança’ do STF
Na madrugada de 14 de março, quando uma “lua
de sangue” aparecia no céu com o eclipse total e bolsonaristas ampliavam a
ofensiva por anistia, o inquérito das fake news completava seis anos. Desde
2019 tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF), a investigação que ficou
conhecida como “inquérito do fim do mundo” foi prorrogada até junho, mas a
verdade é que não tem data para acabar. Na prática, virou uma espécie de “botão
de segurança” da Corte.
Sob a batuta do ministro Alexandre de Moraes, também relator da ação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023, a investigação tem um foco amplo, geral e irrestrito. Foi aberta por Dias Toffoli, então presidente do STF, para apurar notícias falsas, ofensas e ameaças aos magistrados e à própria democracia.
Desastre econômico e fuga de aliados - Andrés Oppenheimer
O Estado de S. Paulo
Não será fácil restaurar a credibilidade dos
EUA após 100 dias de governo errático
O presidente Donald Trump, que prometeu
consertar a economia e alcançar um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia no
primeiro dia da presidência, completa 100 dias no cargo e até mesmo alguns de
seus apoiadores mais ativos admitem que seu segundo mandato tem sido um
desastre.
O índice de ações S&P 500 caiu 10% nesses primeiros três meses, o pior declínio no período de qualquer presidente dos EUA desde a Grande Depressão, de acordo com o Dow Jones Market Data. As tarifas sobre países amigos e hostis, que o presidente foi forçado a reverter parcialmente, diante de uma onda de críticas, levaram o FMI a prever uma desaceleração econômica global. O FMI agora projeta que o crescimento econômico global cairá de 3,3% para 2,8% este ano.
No escuro com Trump - Fábio Alves
O Estado de S. Paulo
Empresas nos EUA deixaram de fazer novas projeções em função das incertezas com o tarifaço
Nem chegou à metade, e a
temporada de balanços do primeiro trimestre deste ano das empresas nos Estados
Unidos já causou um choque entre os analistas – não pelos lucros ou vendas
registrados no período, mas, sim, pelo crescente número de empresas que se recusaram
a fazer projeções sobre os seus resultados nos próximos trimestres.
É o que se chama de “guidance”, ou seja, as estimativas para o ano inteiro de métricas, como receitas e indicadores operacionais, que são habitualmente divulgadas com os resultados do trimestre recém-apurado. Muitas vezes, são as estimativas, mais do que os resultados concretos do período em questão, que influenciam o comportamento dos investidores, correndo para comprar ou, se decepcionados, para desovar as ações de uma empresa.
Jogo sujo da CBF e da Nike - Mariliz Pereira Jorge
Folha de S. Paulo
Parceria segue invicta, enquanto a seleção e o país continuam a tomar de lavada
A notícia é que a CBF e a Nike
devem lançar uma camisa
vermelha para a seleção. A cor divide mesas de bar, famílias e timelines desde
que virou sinônimo de comunismo, feminismo, gayzismo e outras palavras que a
histeria aprendeu a gritar sem entender o que significa. Claro que causou
alvoroço. Os patriotas do amarelo se sentem traídos. Os progressistas da
Santa Cecília acham revolucionário. A CBF faz o que sabe: capitaliza.
O novo uniforme não é um gesto político, é uma planilha de Excel com costura. Não é homenagem aos povos indígenas ou qualquer outro banho de marketing com cara de conscientização social. Tampouco um manifesto contra o sequestro da identidade de um povo. A tonalidade é nova, o truque é velho: lança-se a polêmica, finge-se ousadia, alimenta-se a polarização —e assiste-se à mágica do engajamento virar lucro. De preferência, em três vezes sem juros.
Trump perde eleição no '51º estado' - Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Desfeitas de presidente americano ao Canadá
revertem desvantagem do Partido Liberal, que conquista seu quarto mandato
Donald Trump queria
transformar o Canadá no
51° estado americano, mas o
que conseguiu foi dar sobrevida ao Partido Liberal (PLC) daquele país,
que, até a chegada do agente laranja ao poder, parecia fadado a uma derrota
eleitoral histórica.
Nas pesquisas de janeiro deste ano, os conservadores abriam mais de 20 pontos percentuais de vantagem sobre os liberais. É verdade que muito da impopularidade se devia ao desgaste pessoal do então premiê Justin Trudeau, que sofria da fadiga de material de quase dez anos no poder.
Bolsonaro aposta na morbidez e gera repulsa - Wilsom Gomes
Folha de S. Paulo
A exibição do próprio corpo mutilado
transforma sofrimento em espetáculo repulsivo
Que Bolsonaro é um personagem que se
representa em dois registros performáticos, alternados conforme a conveniência,
é algo que venho afirmando há anos. Há, de um lado, o modo valentão,
arruaceiro, irreverente e afrontoso, que serve bem ao vitalismo de quem aprecia
líderes autoritários, fortes e que se impõem. Mas há também a chave oposta: a
do coitadinho, da vítima, do perseguido e do sofredor, que exige comoção e
compaixão —acompanhadas, naturalmente, de um sentimento de revolta contra quem
lhe teria infligido tamanha injustiça.
Os dois modos se sucedem em circuito contínuo, sempre nesta sequência: primeiro, a bravata, o insulto, a ameaça expelida em nuvens de perdigotos, a exibição da coragem viril; depois, caso algo dê errado, o ator troca a máscara e reaparece coberto de dores e tormentos, lágrimas nos olhos ou expressão resignada, clamando por solidariedade dos seus diante do cerco de inimigos implacáveis.
Afrouxem os cintos, a reforma sumiu - Dora Kramer
Folha de S. Paulo
As anunciadas trocas de ministros parecem ter
caído no limbo das incertezas governamentais
Não faz muito tempo porta-vozes governistas
diziam haver dois remédios para a crise de popularidade: melhorar
a comunicação e dar
um trato no visual do ministério.
A primeira medicação (placebo?) segue sendo aplicada à espera da recuperação do paciente, mas a segunda parece suspensa. Se temporária ou definitivamente, as circunstâncias vão se encarregar de nos informar.
Qual a saída? - Ivan Alves Filho*
terça-feira, 29 de abril de 2025
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Calendário abre espaço a reforma administrativa
O Globo
Um quarto dos servidores federais parará de
trabalhar nos próximos dez anos, segundo o próprio governo
Nos próximos dez anos, um quarto do total de
servidores públicos federais, um contingente de 153,6 mil, deverá se aposentar.
O pico de desligamentos ocorrerá neste ano, segundo estimativas do governo
reveladas pelo GLOBO. Trata-se de uma ótima oportunidade para promover
uma reforma
administrativa que represente ganhos de eficiência no setor público.
Infelizmente é difícil acreditar que tal iniciativa parta do atual governo, que
já deu diversas mostras de não considerar o tema prioritário.
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) afirma dimensionar as demandas antes de definir os concursos públicos que realizará. Com o aumento da automação digital, diversas tarefas se tornaram obsoletas. Seria um contrassenso contratar novos datilógrafos ou até mesmo vigias, serviços que podem ser fornecidos por empresas privadas. Mas é uma lástima que o MGI não demonstre disposição para enfrentar a baixa produtividade dos servidores.
Acordo político - Merval Pereira
O Globo
A negociação política parece bem adiantada, retirando a aparência de revanche das penas excessivas já determinadas, mas mantendo o rigor com os financiadores e organizadores da tentativa de golpe, nisso incluídos os generais e Bolsonaro
Está em andamento uma negociação política que
permitirá superar a campanha pela anistia aos rebelados do 8 de Janeiro e
proporcionará a possibilidade de revisão das penas já decretadas pelo Supremo
Tribunal Federal (STF) sem que seja criado um impasse entre os Poderes da
República. O governo petista, por intermédio de seus líderes no Congresso, sob
a coordenação da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, está à
frente das negociações, com o conhecimento do STF.
O presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso, evidentemente mandou um recado ao Congresso ao afirmar que o ocorrido no 8 de Janeiro é imperdoável, mas, ao mesmo tempo, abriu uma brecha para reduzir as penas. É um ponto delicado, porque até o momento considerava-se uma afronta ao STF que o Congresso reduzisse as penas já definidas aos condenados do 8 de Janeiro.
Cem dias de demolição - Míriam Leitão
O Globo
O mundo está há cem dias sob os mandos e
desmandos de Trump: cenário de retrocesso, insegurança e ameaça à democracia
O governo de Donald Trump tem
sido um tormento. Diário, continuado. Seus disparos sequenciais de tarifas
contra países parceiros, suas idas e vindas em decisões econômicas e políticas,
e suas declarações sobre tomar territórios de outros países levaram o mundo a
um retrocesso de um século pelo menos. Trump desrespeitou direitos humanos na
pressão contra imigrantes, fechou agências governamentais importantes, colocou
um agente privado dentro do governo com poderes demais e nenhum controle,
chantageou universidades e intimidou a Justiça. A distopia parece não encontrar
limites.
Faltam 1.348 dias de Donald Trump no poder. E o projeto está claro. Ele quer demolir o Estado, e a democracia americana. Nos 100 dias está encontrando um primeiro problema, a opinião pública. Tem a menor aprovação de qualquer governante americano em 80 anos, a maioria desaprova a maneira como ele conduz seu governo. Mas há outras barreiras que podem ser erguidas. Uma delas é a eleição de meio de mandato que pode enfraquecê-lo no Congresso, o que tiraria um pouco do seu poder. Se isso é uma esperança, por outro lado é um alerta de que ele tentará tudo o que puder até as eleições legislativas do final do ano que vem.
Para Haddad, é ‘ruim’ só Executivo arcar com responsabilidade fiscal
Marcelo Osakabe, Camila Souza Ramos e Guilherme Pimenta / Valor Econômico
Ministro da Fazenda cita medidas legislativas
que geraram gastos de R$ 200 bilhões sem que fosse definida origem para os
recursos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
afirmou nesta segunda-feira, 28, que tem trabalhado juntamente com os demais
poderes para alçar a questão fiscal como uma agenda de Estado, defendida
independente da que está no Planalto.
“Tenho conversado com presidente [da Câmara] Hugo Motta [Republicanos-PB]. Acho ruim a responsabilidade fiscal ser uma atribuição exclusiva do Executivo. As medidas tomadas por Legislativo e Judiciário podem prejudicar muito mais que as do Executivo”, afirmou Haddad, que respondia a uma pergunta sobre as prioridades do governo no Legislativo neste ano.
Lula tem margem de manobra estreita na Previdência - Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Às vésperas do 1º de Maio, crise põe em xeque
não apenas os benefícios previdenciários como a manutenção do PDT na base e a
ressurreição de Ciro Gomes
Nem a Polícia Federal nem a
Controladoria-Geral da União forneceram ao presidente da República prova cabal
do envolvimento direto do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, na
rapina feita nos benefícios de cerca de 6 milhões de aposentados. Como incompetência
e omissão não têm configurado impedimento para a ocupação de assentos na
Esplanada, esta é a explicação mais imediata para sua permanência no cargo.
Por mais que o governo consiga superar a grande complexidade envolvida na devolução do que foi surrupiado dos benefícios e repisar a tecla de que foi este governo que desbaratou o esquema que atravessou incólume os anos Michel Temer e Jair Bolsonaro, a permanência do ministro deixará, sobre Lula, o carimbo da conivência.
Demissão de Lupi tem custo político para Lula, e mantê-lo também - César Felício
Valor Econômico
É interessante para presidente inviabilizar o fantasma Ciro, amarrando o PDT ao seu governo
Demitir o ministro da Previdência
Social, Carlos Lupi, é uma operação de custo
político significativamente maior para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do
que foi exonerar o deputado Juscelino
Rezende Filho do Ministério das Comunicações. Em que pese
ter eclodido no ministério de Lupi o maior escândalo de corrupção neste
governo, com as denúncias de descontos fraudulentos nas aposentadorias de
segurados do INSS, o ministro tem densidade política.
Trata-se de um dos dois únicos presidentes de partido com assento na Esplanada dos Ministérios. No caso, o PDT, com 17 deputados federais e três senadores. O outro caso é o de Luciana Santos, da Ciência e Tecnologia, dirigente do pequeno PCdoB. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, renunciou à presidência do PT para assumir seu cargo.
Lupi luta para ficar na Previdência, mas desgaste só aumenta – Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Num único ato, o Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) desbloqueou descontos não autorizados nas folhas de pagamento de
quase 34,5 mil aposentados
Júlio César casou-se com Pompeia em 67 a.C., depois de ter servido na Hispânia, já viúvo de sua primeira mulher, Cornélia, que morrera no parto de um filho natimorto. Em 63 a.C., César foi eleito pontífice máximo (pontifex maximus), o sumo-sacerdote da religião oficial romana,
No ano seguinte, na sua residência na Via
Sacra, realizou um festival em homenagem à Bona Dea ("Boa Deusa"), no
qual homem nenhum poderia participar, em sua casa. Entretanto, um jovem
patrício chamado Públio Clódio Pulcro entrou na festa disfarçado de mulher,
supostamente com o objetivo de seduzir Pompeia. Ele foi preso e processado por
sacrilégio. Como César não apresentou nenhuma evidência contra Clódio, ele
acabou inocentado.
Mesmo assim, César se divorciou de Pompeia:
"Minha esposa não deve estar nem sob suspeita", justificou. Vem daí o
provérbio famoso: "A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer
honesta".
É o caso do ministro da Previdência, Carlos Lupi, presidente do PDT, cujo desgaste à frente da pasta somente aumenta, em razão do escândalo bilionário dos descontos feitos pelo INSS em aposentadorias e pensões, sem autorização de seus segurados.
Corrupção, o novo velho problema - Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
No colo de Lula: Collor e BR, Lupi e INSS, jetons e amigos, PT e respiradores
O Congresso está parado, só discute anistia
para o 8/1, enquanto a palavra “corrupção” anda a mil por hora e invade
manchetes da mídia e a pauta da sociedade. Esta semana, que no setor público só
tem três dias, já começou com o plenário do Supremo convalidando a prisão do ex-presidente
Collor, o governo sob pressão para demitir o ministro da Previdência, Carlos
Lupi, e dois escândalos “novos” que, de novos, não têm nada.
Collor caiu em 1992 e só agora, 33 anos depois, foi preso, por uma acusação nada a ver com o mandato de presidente, mas com o de senador, quando foi pego com a mão na botija na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, dez longos anos atrás. A Justiça tardou e prendeu Collor aos 75 anos, com Parkinson e deficiência cardíaca, trunfos da defesa.
União Alcolumbre - Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
O União Brasil não é partido político.
Tampouco agremiação rachada – o que pressuporia haver estado unida. Nunca
esteve. Fragmentação que os seus operam, tanto para vender terrenos na lua
quanto para tirar o corpo fora quando ante a impossibilidade de entregar os
lotes.
Trata-se de uma confederação de
oportunismos-patrimonialismos, cujos grupos se articulam e cooperam – disputam
e se afastam – em função de interesses específicos eventuais. Dinâmica que
constitui a própria negação do minimamente necessário à composição de base de
apoio parlamentar.
Abrigo formal a projetos os mais díspares, o pulverizado União Brasil não tem corpo para garantir suporte a governo. Estando no governo, porém, não abrirá mão do espaço. Na hora de deliberação importante, tenha um ou dez ministérios, negociará caso a caso e votará conforme a oferta de emendas na ocasião.
Vícios e virtudes do Congresso - Joel Pinheiro da Fonseca
Folha de S. Paulo
Democracia é saber negociar e chegar a
soluções de meio do caminho
Os presidentes do Senado e
da Câmara protagonizam
uma negociação junto ao Supremo para a
redução da pena dos invasores
do 8 de janeiro. Assim, eles poderão logo ir para casa sob progressão de
pena; evitando assim a completa anulação de seus processos e a anistia prévia
a Bolsonaro e
outros cabeças do golpismo. Mais uma vez, é o Congresso resolvendo
um problema criado pela polarização do país.
De um lado, centenas de fanatizados pelo bolsonarismo que se fizeram de bucha de canhão de uma tentativa insana de golpe de Estado. Do outro, um Supremo que —sob a liderança de Alexandre de Moraes— pune os invasores de maneira exemplar, chegando a penas superiores às de muito assassino. Moraes se tornou um herói da esquerda petista.
A rotina de crise entre Câmara e o STF - Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Para salvar Bolsonaro e atacar a Corte,
deputados querem suspender ação penal contra Ramagem
Para ter validade, o projeto de anistia aos
participantes da insurreição fascista do 8 de Janeiro teria de passar pelo
presidente da Câmara, Hugo Motta, pela própria Câmara, pelo Senado, pelo
presidente Lula e pelo STF. Sem respaldo
popular, tropeçou no primeiro obstáculo.
O perdão geral, ou esculhambação geral, alcançaria quem tivesse participado de atos passados e futuros ligados à destruição dos Poderes. Qualquer estagiário de ditador poderia sentir-se autorizado a dar um golpe e promover as mortes do presidente, de ministros do Supremo e —por que não?— de senadores e de deputados.
Escandalosa imprevidência – Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Carlos Lupi está mais enrolado do que linha
em carretel e, no rolo, leva o governo junto
Muito antes da criação do PT, no início dos
anos 1970, Luiz Inácio da Silva cuidava da diretoria de Previdência
Social e FGTS no sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e
Diadema, em São Paulo. Era responsável pelos benefícios.
Não só, mas também por isso, o agora presidente da República tem perfeita noção do potencial de estrago que fraudes naquela área podem causar a um governo.
Nem são Sidônio faz milagre no INSS - Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Próximos lances dirão se medidas adotadas por
novo chefe da comunicação do governo bastarão para conter danos à imagem da
gestão
Não há são Sidônio que faça milagre aqui. A
nova eminência parda do governo Lula fez o
que tinha de fazer diante do escândalo dos descontos indevidos em
aposentadorias e pensões do INSS.
Sidônio Palmeira instruiu a administração a suspender os repasses às entidades, a prometer ressarcir os prejudicados, cuidou para que uma alta autoridade, o presidente do INSS, fosse demitida e tentou emplacar uma narrativa favorável ao governo, destacando que o escândalo veio à tona em investigação da própria gestão e que os descontos suspeitos tiveram início bem antes de Lula tomar posse.
Tudo bichado! - bichado! ... - Aylê-Salassié Filgueiras Quintão**
Os governantes e seu entorno não se emendam. O pessoal é insaciável: "mensalão", "petrolão", dilapidação de Fundos de Pensão, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, do Sistema de Aposentadorias e Pensões do INSS, desvios nos Correios, no Bolsas Família, no Bolsa Educação, no Auxílio Gás, calotes no Crédito estudantil da Caixa Econômica , no Fundo Brasil, ausência de prestação de contas de organizações não governamentais, tudo coroado com a introdução de 163 Bets legalizadas para Atuar no Brasil em 2025: Betano, Superbet, MagicJackpot, Super, Rei do Pitaco, Pitaco, Sportingbet, Betboo, sem falar nas loterias que tem origem lá no jogo do bicho. E ainda se fala em um novo, novo fundo de pensão para completar a sina nos estados e municípios.















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