quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Na visão sobre o BC, Lula e Trump são almas gêmeas

O Globo

Ambos atrapalham combate à inflação ao dar declarações criticando política de juros

Por motivos distintos, o mercado aguardou com ansiedade o anúncio da taxa de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, Gabriel Galípolo comandou a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) como presidente do Banco Central (BC) desde que foi indicado para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela confirmou o que era esperado desde dezembro: a Selic subiu 1 ponto, para 13,25% ao ano. Nos Estados Unidos, o Fed fez o primeiro anúncio depois da posse de Donald Trump. Também como esperado, interrompeu a série de cortes consecutivos que promovera desde setembro – e manteve os juros em 4,5%.

Outro aumento da Selic da mesma magnitude está previsto para março. É uma medida indesejada, mas necessária diante da escalada da inflação. Com a maioria dos diretores do BC escolhidos pelo PT, Lula não deverá mais abusar da demagogia, como fazia com o ex-chefe do BC, Roberto Campos Neto, transformado pelos petistas em bode expiatório para as mazelas econômicas. Mas o governo precisa fazer muito mais para ajudar no controle da inflação.

Cafezinho frio - Merval Pereira

O Globo

Lula descobre que nem mesmo dando ministérios importantes a partidos supostamente aliados garantirá apoio

Uma tempestade perfeita sobrevoa o Palácio do Planalto, prenunciando anos difíceis para o governo Lula, que aparentemente errou o timing e entra no terceiro ano de seu terceiro mandato fustigado pela inflação crescente e pelo desequilíbrio nas contas públicas, ameaçando uma crise econômica semelhante à vivida por Dilma Rousseff.

Lula reassumiu a Presidência como se fosse a sequência de seus dois mandatos anteriores e se esqueceu de organizar as contas públicas antes de partir para o desenvolvimentismo. Obteve crescimento de cerca de 7% nos dois primeiros anos à custa de aumento da taxação e do descontrole das contas. Tudo indica, porém, que o ritmo não será mantido, e a reação política já sugere que Lula chegou ao limite antes do que se pensava.

Não é à toa que uma das petistas mais ativas, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, avisou em entrevista ao GLOBO que o apoio do Nordeste a Lula não está garantido. As pesquisas de opinião mais recentes mostram que a popularidade dele já está mais negativa que positiva, e, embora continue liderando as preferências no Nordeste, única região em que ganhou de Bolsonaro na eleição de 2022, esse apoio vem diminuindo. Mesmo no Nordeste, Lula já não reina como anteriormente, e sua popularidade, embora forte, está decadente.

Kassab mira em Haddad e acerta no presidente Lula - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Na avaliação do presidente do PSD, qualquer candidato de centro que chegar ao segundo turno tem chances de derrotar Lula. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é o único que perderia

Nem só a oposição bolsonarista sentiu o cheiro de animal ferido na floresta, os aliados de conveniência também. E se aproveitam da queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a começar por Gilberto Kassab, presidente do PSD, que até agora manteve um pé em cada canoa, mas nesta quarta-feira subiu o tom contra o governo, para aplausos da oposição. Em evento com empresários e executivos do banco de investimento UBS BB, em São Paulo, disse que Fernando Haddad é fraco na condução do Ministério da Fazenda: “Um ministro da economia fraco é sempre um péssimo indicativo”.

Cenário é preocupante - William Waack

O Estado de S. Paulo

Diversos componentes estão se combinando para formar uma só crise

É até com certa fleuma que Lula parece caminhar para um cenário dominado por componentes preocupantes. Ou então é a calma dos que ignoram o que pode acontecer, pois até aqui nada é galopante.

A tendência da inflação – o pior inimigo da popularidade de qualquer governo – é de subida. Os gráficos apontando para cima já vêm desde a metade do ano passado. Não causaram pânico, mas seu efeito corrosivo é palpável.

O mesmo ocorre com as taxas de crescimento de um PIB muito dependente do expansionismo fiscal e, portanto, do consumo das famílias. As previsões de que a economia vai esfriar são unânimes, o que parece se confirmar diante do sufoco causado por juros elevadíssimos.

O maior risco para IBGE - Malu Gaspar

O Globo

Quem reclama que o governo Lula não produziu grandes novidades se esquece de olhar para as crises. Nesse quesito, Lula 3.0 tem inovado. Depois da crise do Pix, que machucou seriamente a popularidade do presidente da República, o foco é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo Censo populacional e pelos dados de inflação e PIB, entre outras estatísticas relevantes.

O caso ainda não viralizou como o anterior, mas a semente está plantada. Já começaram a surgir fake news sugerindo que esteja havendo manipulação de dados de inflação ou de emprego, e até um pedido de CPI já foi anunciado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Não se conhece nenhum indício de manipulação, mas isso não quer dizer que a crise no IBGE não seja grave. Seu presidente, o economista Marcio Pochmann, conseguiu a proeza de unir contra si 289 coordenadores e gerentes do instituto — gente que nunca se manifestou publicamente contra nenhum outro dirigente da instituição, nem no governo Bolsonaro. Eles subscreveram uma carta em solidariedade a duas diretoras que pediram demissão por divergências e falta de interlocução com o chefe.

Fim de ciclo de corte na taxa americana indica juros mais altos em todo o mundo - Míriam Leitão

O Globo

O encerramento do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos, com a manutenção da taxa básica entre 4,25% e 4,5%, tem um efeito sobre os juros mundo afora. Isso porque os juros americanos são uma espécie de patamar mínimo de juros global, explica o economista Thiago Moraes Moreira, professor do Ibmec-RJ. Como o dólar e os títulos públicos americanos (os Treasures) são considerados os investimentos mais seguros do planeta, quando a taxa básica da economia americana se estabiliza em patamar considerado alto para o padrão local, indica que os juros tendem a ficar mais altos nos demais países para poderem atrair capital para seus respectivos mercados. No Brasil, a estimativa de consenso é que a Selic chegue a 15% ao fim do ano, mas já há quem fale até em 17%, diz Moreira.

- Os juros mais altos são perigosos para a economia global, inflação com juros altos levam à desaceleração da economia, seja por redução de investimentos ou do consumo das famílias, ou pelos dois. Se ultrapassarmos os 15% aqui no Brasil haverá uma desaceleração grande da economia, que pode levar o PIB a crescer 0,5% ou até zero, depois de uma alta que deve ultrapassar 3,5% em 2024, e o desemprego pode voltar à casa de pelo menos 8%. É difícil competir com juros reais de 10% e os investimentos serão reduzidos, assim como o crédito ao consumidor ficará mais caro. Fica difícil convencer alguém a investir, quando sem risco nenhum um título público lhe garante 10% - diz o economista.

Geoeconomia e bens de produção no Brasil - Assis Moreira

Valor Econômico

Estrutura produtiva brasileira passa ser mais sensível a decisões de China, Ìndia e Rússia, e não só de EUA e UE

Praticamente coincidindo com a volta de Donald Trump à Casa Branca, o Ipea (Instituto de Pesquisa Economica Aplicada), vinculado ao Ministério do Planejamento, acaba de publicar um texto para discussão sobre a origem geográfica dos bens de produção na economia brasileira assinado pelo economista Renato Baumann.

Normalmente, como lembra Baumann, as análises de relações econômicas entre dois países ou grupo de países concentra o foco no comércio (superávit ou composição da pauta de exportações e importações) e nos fluxos de recursos (magnitude e ritmo de investimentos diretos e de fluxos financeiros bilaterais).

O convívio social ficou de recuperação - Rudá Ricci*

Correio Braziliense

Muito além das notas do Ideb ou do Enem, a educação também se aufere pelo desenvolvimento humano, como bem nos lembra a ONU neste dia 24 de janeiro, o Dia Internacional da Educação

Em 24 de janeiro, o mundo celebrou o Dia Internacional da Educação. Instituída pela ONU, a efeméride deste ano foi dedicada à discussão sobre a inteligência artificial (IA) e seu impacto em sala de aula. Mais do que o uso adequado desse recurso, a discussão sobre esse ou qualquer outro tema ligado à educação precisa estar alinhada à missão civilizatória do ensino. Esse direito universal transcende não apenas a tecnologia, mas também as gerações e os territórios, na busca do desenvolvimento humano, com equidade e paz.

Brasil: um enredo de governabilidade e reinvenção - Eduardo Galvão*

Correio Braziliense

Lula enfrenta um desafio que poderia ser tema de um épico político: governar um país dividido, em que alianças frágeis e interesses conflitantes tornam cada decisão um ato de coragem

Se a política brasileira fosse uma novela, estaríamos em um daqueles episódios de reviravolta — o tipo em que os personagens enfrentam dilemas impossíveis, mas, ainda assim, deixam os espectadores ansiosos pelo próximo capítulo. Só que, ao contrário da ficção, aqui não há roteirista. O Brasil está no centro de uma trama que envolve governabilidade, reformas e um povo que, apesar de tudo, ainda acredita em mudanças.

Parece simples? Não é. A política brasileira tem o dom de transformar cada avanço em um campo de batalha. Como pensa Steven Levitsky, autor de Como as democracias morrem, a democracia morre na sombra da polarização. E o Brasil, como muitos países, atravessa um momento em que as disputas vão além do campo ideológico. Elas se tornam pessoais, agressivas e paralisantes, transformando verdades em trincheiras e desacordos em conflitos permanentes.

O que era ruim, ficou um pouco pior, diz BC - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Festa do risco não tem hora para acabar, cenário indica Selic bem maior, bola está com governo

Não houve grande novidade no comunicado em que o Banco Central informou ao público sua decisão de elevar a Selic de 12,25% para 13,25%. Mas houve alguma novidade:

1) menção enfática ao risco de danos da política econômica de Donald Trump; 2) menção explícita do risco de o desemprego baixo no Brasil acabar em mais inflação; 3) a projeção de inflação do BC para o "horizonte relevante" de sua atuação continuou em 4%. Quer dizer, nem a promessa de arrocho refrescou o IPCA anual previsto para o terceiro trimestre de 2026.

Isolamento da extrema direita cai na Alemanha em votação histórica -José Henrique Mariante

Folha de S. Paulo

Moção sobre imigração para constranger governo Scholz é aprovada com apoio da AfD, marco do país no pós-guerra

Uma moção que pede fronteiras fechadas na Alemanha foi aprovada nesta quarta-feira (29) no Parlamento Alemão, em Berlim. A sessão ganhou contornos históricos, já que a oposição ao governo Olaf Scholz contou com votos da extrema direita para aprovar a resolução, proposta após novo episódio de violência ligado a imigrantes irregulares.

O ato não tem força de lei, é apenas uma orientação a ser seguida. A votação, porém, mobilizou o debate público no país. De um lado, os que veem a necessidade de medidas urgentes para coibir a crise imigratória; do outro, os que temem a naturalização da AfD, uma legenda populista, nacionalista, que defende a saída da União Europeia, a volta do marco alemão e tem integrantes investigados por discurso de ódio e neonazismo.

A garota do Arpoador - Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Marina Colasanti não reprovava as mulheres atreladas ao fogão. Só exigia que lutassem por orgasmos

Marina Colasanti morreu nesta terça (28), aos 87 anos. Muita coisa deve estar saindo sobre ela como a mulher que, em veículos de grande circulação, revirou a cabeça das leitoras nos anos 1970 e 1980. Eu próprio escrevi um dia sobre a enorme influência de Marina sobre elas: "Não se tratava de arrancar as mulheres do fogão e plantá-las em escritórios. Mas, as que preferissem ficar no fogão deveriam exigir, pelo menos, grandes e regulares orgasmos —e, se não os tivessem, que tomassem providências". De onde tirei isso? De uma conversa com a própria Marina, com aquele seu misto de doçura e autoridade.

A Joaquim Cardozo, de João Cabral de Melo Neto

Com teus sapatos de borracha
seguramente
é que os seres pisam
no fundo das águas.

Encontraste algum dia
sobre a terra
o fundo do mar,
o tempo marinho e calmo?

Tuas refeições de peixe;
teus nomes
femininos: Mariana; teu verso
medido pelas ondas;

a cidade que não consegues
esquecer
aflorada no mar: Recife,
arrecifes, marés, maresias;

e marinha ainda a qrquitetura
que calculaste:
tantos sinais da marítima nostalgia
que te fez lento e longo

Música | Zé Keti- Diz que fui por ai

 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

O que pensa a mídia / Editoriais / Opiniões

Angústia com segurança exige resposta ágil

O Globo

Pesquisa constatou que violência se tornou maior preocupação do brasileiro, à frente da economia

Além de constatar queda na aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a última pesquisa Quaest mostra que a violência é hoje o tema que mais preocupa os brasileiros. Mencionada por 26% dos entrevistados, ultrapassou a economia (21%). Os pesquisadores recomendam cautela ao associar qualquer preocupação específica à queda na popularidade de Lula — atribuída sobretudo ao fiasco do Pix —, mas seria ingênuo supor que a segurança pública tem pouca influência sobre a opinião a respeito do governo. O resultado é um recado aos governos federal e estaduais. A população está insatisfeita com as medidas adotadas até agora. Propostas de solução, como a PEC da Segurança, caminham lentamente e geralmente esbarram na falta de consenso entre as esferas de governo. Isso precisa mudar.

De crise em crise não se constrói imagem – Vera Magalhães

O Globo

Lula está desnorteado, sem saber ao certo como navegar nas novas águas da economia

O que falta ao governo Lula 3 é uma cara. Os dois primeiros mandatos do petista tiveram o êxito que se viu, a ponto de sobreviverem a escândalos de corrupção que mobilizaram o país, como o mensalão, e de terminarem com a eleição de alguém que nunca havia disputado eleições, como Dilma Rousseff, porque havia o que mostrar, mas, sobretudo, havia um bom resumo para a posteridade do que aqueles oito anos representaram na História brasileira.

Lula chegara ao poder tão ou mais desacreditado pelos agentes econômicos do que hoje, mas estreou oferecendo austeridade fiscal e diálogo com setores mais amplos da sociedade, proposto desde a campanha, com a Carta ao Povo Brasileiro. Saiu, oito anos depois, tendo mantido o controle da inflação legado pelo Plano Real, mas, sobretudo, tendo promovido a ascensão social de um grande contingente de pessoas, graças não só a programas de renda, como o Bolsa Família, mas a um projeto de acesso à educação superior a famílias nas quais nunca havia existido um universitário.

O que se prevê da relação entre Planalto e Congresso - Fernando Exman

Valor Econômico

Governo pretende ocupar a agenda legislativa e aprovar o máximo de itens da sua pauta prioritária já no primeiro semestre

Eleita a nova cúpula do Congresso no sábado (1º), o governo Lula pretende ocupar a agenda legislativa e aprovar o máximo de itens da sua pauta prioritária já no primeiro semestre. O horizonte a partir de julho é incerto e preocupa.

É preciso logo de saída, portanto, aproveitar o bom relacionamento estabelecido com os novos presidentes da Câmara e do Senado, ainda que hoje sejam distintas as expectativas no Executivo em relação ao deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e ao senador Davi Alcolumbre (União -AP).

São reconhecidos o controle que Alcolumbre tem do plenário e a sua capacidade de mobilização das bancadas. No entanto, sua adesão à pauta do Planalto dependerá de cada caso, dizem fontes graduadas do governo, ainda que em seu Estado ele tenha se aproximado do PT com vistas à eleição de 2026.

A faixa e a Bíblia: posse e ‘inauguração’ – Roberto DaMatta

O Globo

Num regime aristocrático ou autocrático, não há disputas. Mas, nas democracias, a disputa requer pompa e circunstância

As etapas que legitimam a investidura de um cidadão como presidente são semelhantes nas democracias. Há candidatos, e uma eleição diz quem é o vitorioso. Mas, entre a vitória nas urnas e o cargo de supremo magistrado da nação, há diferenças que o estudo comparado do lado simbólico da vida social revela.

Porque nós, pós-modernos, guiados pela racionalidade tecnológica e pela implacabilidade dos mercados, investimos num ritual tão elaborado quanto dispendioso para investir um eleito na Presidência? Num regime aristocrático ou autocrático, não há disputas. Mas, nas democracias, a disputa requer pompa e circunstância ritual, talvez na esperança de assegurar uma continuidade que, como testemunhamos, tem a fragilidade das promessas humanas.

A “reinauguração” de Donald Trump revela como, nos Estados Unidos e no Brasil, esses ritos de passagem de poder mostram concepções diferentes de poder e política. Nos Estados Unidos, o rito se faz numa “inauguração”; no Brasil, numa “posse”. Dir-se-ia que procuramos chifre em cabeça de cavalo, mas “posse” remete a apropriação, ao passo que “inauguração” fala de história, de inicio, meio e fim — etapas que este furioso mandato de Donald Trump torna discutível.

Pochmann, pede para sair – Elio Gaspari

O Globo

Com a credibilidade de Lula em baixa, o melhor que o economista Marcio Pochmann tem a fazer é sair da presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele é um antigo quadro do PT e, em menos de dois anos, envenenou sua gestão com a proposta de criação de um IBGE +. Em tese, a novidade abriria uma janela para que o instituto firmasse parcerias com empresas privadas.

Quando interesses privados se misturam com a academia, coisas horríveis podem acontecer. Professores de Harvard e da London School of Economics meteram-se com o falecido ditador líbio Muammar Gaddafi. No Brasil, um braço da Fundação Getulio Vargas meteu-se com o então governador Sérgio Cabral.

Servidores e diretores do projeto de Pochmann batizaram-no de “IBGE Paralelo”. Ironia da vida: em 2007, quando o doutor presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, era acusado de cumprir a tarefa de “estatizar” o Ipea. (Em 2010, o instituto abriu um escritório na Caracas de Hugo Chávez.) Agora, acusam-no de querer privatizar o IBGE.

Combustível para a tentação do populismo - Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Com aprovação de Lula em baixa, será grande a pressão por adotar medidas que elevarão as despesas

O governo espera divulgar amanhã o resultado das contas públicas em 2024, que deve ser melhor do que o esperado pelo mercado e apontar para o cumprimento da meta fiscal do ano. São boas notícias que embutem um grande risco: o de parecer que está tudo bem. Não está, e o risco é piorar.

Na prévia calculada por Felipe Salto, economista-chefe da Warren Rena, as contas do governo central (conjunto formado por Tesouro Nacional, INSS e Banco Central) registraram no mês de dezembro saldo positivo de R$ 22,2 bilhões. No acumulado do ano, o saldo ficou negativo em R$ 44,6 bilhões, ou 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), metade do déficit de 0,8% do PIB estimado pelo mercado no início do ano passado.

Vai ‘tombinar’, Copom? - Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O cenário mais provável talvez seja confirmar a alta de março e uma outra, sem indicar de quanto

Na primeira reunião do Copom do ano, com a maioria dos diretores indicados pelo presidente Lula, muitos participantes do mercado ressuscitaram um verbo de tempos mais criticados da política monetária para falar sobre o desfecho da decisão hoje: “O Banco Central vai ‘tombinar’?”.

A referência é a Alexandre Tombini, então presidente do BC durante o governo Dilma Rousseff e que foi duramente criticado por adotar uma política monetária menos restritiva do que as condições na época exigiam. Mas não estaria a pergunta acima fora do lugar diante do choque de juros anunciado pelo Copom na sua última reunião de 2024?

Em dezembro, o Copom elevou os juros em 1 ponto porcentual, para 12,25%, e sinalizou outras duas altas na mesma magnitude para as reuniões de hoje e de março, quando a taxa Selic chegará a 14,25%. Assim, o que está em jogo não é o tamanho da alta de juros, mas o que será sinalizado para o futuro próximo no comunicado que acompanhará a decisão hoje.

O dólar volta a ficar apenas muito caro - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Real se valoriza, mas volta ao nível ruim de novembro; taxas de juros não recuaram

O dólar custava R$ 4,95 faz um ano. Em 18 de dezembro, chegou ao pico do ano, a R$ 6,27. Nesta terça, baixara a R$ 5,87. Copo meio cheio ou meio vazio? Continua bem azedo, mas a baixa é um alívio até surpreendente e despiora relevante.

Quando o dólar havia chegado a R$ 5,40, lá por junho, havia gente importante na praça financeira que recomendava, na surdina, alguma intervenção do Banco Central a fim de conter as "apostas unidirecionais" (dólar sempre subindo) e os efeitos secundários do que então se chamava "exagero" ("overshooting") em expectativas inflacionárias etc. A partir de meados do ano, mais ou menos, o real passaria por um ritmo peculiar de desvalorização no mundo, consideradas as moedas relevantes e de países comparáveis.

Moralismo, tribalismo e a guerra digital - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Há sempre uma vítima, um infrator, uma denúncia, a punição, e a convicção dos linchadores de que estão do lado da virtude

Somos todos soldadinhos de uma guerra disseminada. Armados até os dentes e certos da justeza de nossa causa, somos os combatentes generosos e destemidos sem os quais o mal prevaleceria no mundo. Às vezes, somos a última linha de defesa do que é justo e sagrado; outras, estamos na vanguarda da batalha pela restauração do bem.

O campo de batalhas em que nos batemos inclui mídias sociais, bancadas de telejornais, programas de rádio e podcasts, comentários na imprensa, debates acadêmicos, publicações literárias, discussões parlamentares, discursos públicos e tudo aquilo que um dia se chamou de esfera pública. O digital, como meio, recurso e arena, permeia tudo isso, mesmo quando conversas, declarações e publicações eventualmente ocorrem offline.

Avanço chinês em IA muda o jogo - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Após sucesso da DeepSeek, EUA terão de repensar sua estratégia em geopolítica e investimentos

Donald Trump ainda celebrava sua vitória sobre Gustavo Petro, da Colômbia, quando sentiu o golpe. Ações de empresas de chips, como a Nvidia, derreteram depois que o mercado acordou para os avanços dos chineses na inteligência artificial (IA) —o front que realmente importa.

A DeepSeek não precisou de muito mais que um ano para passar de obscura startup chinesa para empresa que concorre com gigantes da IA, como OpenAI, Google e Meta. Sua façanha foi oferecer um modelo de IA gerativa tão eficiente quanto os das empresas líderes, mas a um custo incrivelmente menor.

Uma obra de autodemolição – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Lula pode até reaver popularidade, mas é difícil recuperar credibilidade

Pesquisas de opinião habitualmente trazem notícias boas e ruins quando se trata da avaliação de governos. A mais recente do instituto Quaest, no entanto, só carrega dissabores para a administração e para a pessoa de Luiz Inácio da Silva (PT).

A tendência de queda na visão positiva e o aumento da negativa vinha se desenhando há algum tempo com certo equilíbrio entre as duas correntes. Agora o levantamento mostra a ultrapassagem dos que desaprovam em relação aos que aprovam tanto as ações governamentais quanto as atitudes de Lula.

A conta da derrota de Boulos chegou para Lula – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O acidente doméstico que levou Lula a duas internações, a queda de sua popularidade e a volta de Donald Trump à Casa Branca também deram novo fôlego à oposição

Não existe nada mais corrosivo na política do que uma derrota eleitoral daquelas que o sujeito perde mesmo; é que, dependendo da situação, às vezes, pode perder ganhando. O raciocínio vale para as eleições da Prefeitura de São Paulo, nas quais o prefeito Ricardo Nunes (MDB), com forte apoio do governador Tarcísio de Freitas (PR), derrotou Guilherme Boulos (PSol), o candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quem perdeu ganhando foi o outsider Pablo Marçal (PRTB), que se projetou nacionalmente como nova liderança da direita.

A derrota até hoje não foi digerida pelos petistas que tentaram resistir à candidatura, mas engoliram Boulos goela abaixo, porque havia um prévio acordo entre o presidente Lula e o candidato do PSol para que não disputasse a Presidência em 2022. Os gastos da campanha à prefeitura contribuíram para aumentar a frustração no PT: R$ 81.212.249,00, contando o fundo partidário.

Um pedaço do mundo - Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Até novembro, quando ocorrerá a COP, o Brasil inteiro precisa imaginar qual é o rumo que sugerimos para o futuro da humanidade

Até recentemente, o mundo era a soma dos países, agora, cada país é um pedaço do mundo; o mundo não é mais a soma de países soberanos, mas um sistema integrado deles. Os problemas passaram a ser planetários: mudanças climáticas, migração em massa, poder das big techs, crime organizado, internacionalização das cadeias de produção, pobreza, desemprego, inteligência artificial. Depois da radicalidade da globalização econômica e cultural, da disponibilidade das estatísticas globais com possibilidade de processá-las em computadores, das mudanças climáticas e depois da visão da Terra fotografada desde o espaço, já não faz sentido dizer "o que importa é meu país". Não se justifica mais dizer "Amazônia é nossa e podemos queimá-la, pavimentá-la, explorar seu petróleo". A Amazônia é nossa, mas temos uma responsabilidade para cuidar dela em nome da humanidade.

Trump, o xerife do mundo - Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

O presidente dos Estados Unidos, ainda que munido de quase superpoderes e em posse da maleta com os códigos nucleares, não tem licença para governar o planeta ou se indispor com outras nações

A chamada "deportação expressa", que permite expulsões rápidas de imigrantes ilegais sem audiência judicial, foi ampliada pelo governo Trump, abrangendo qualquer pessoa que não comprove dois anos de residência nos EUA. - (crédito: reprodução/tv globo)

Em nove dias de governo, Donald Trump provocou um terremoto político ao assinar quase 100 ordens executivas e revogar 78 medidas tomadas pelo seu antecessor, o democrata Joe Biden. Além de declarar emergência nacional na fronteira com o México, começou a promover a propalada caçada aos imigrantes ilegais nos Estados Unidos e determinou que entre 1,2 mil e 1,5 mil estrangeiros não documentados sejam presos diariamente. Ao ser questionado pela jornalista brasileira Raquel Krähenbühl sobre a relação com o Brasil, Trump disse ser excelente, mas emendou da pior forma possível: "Eles precisam de nós, não precisamos deles; todos precisam de nós".

El gobierno Lula es rehén del Parlamento brasileño - Fernando de la Cuadra

El próximo sábado 1 de febrero se concretizará la elección del nuevo presidente del Senado y de la Cámara de Diputados de Brasil. El favorito para el Senado es Davi Alcolumbre del Partido Unión Brasil. También existe bastante consenso que el candidato “tapado” para presidir la Cámara es Hugo Motta del Partido Republicanos. Lo que también es un hecho confirmado es que, desde antes de la proclamación de ambos candidatos, las demandas y presiones que ejerce el Congreso Nacional sobre el gobierno se ventilan a plena luz del día.

Se sabe que la actual gestión deberá realizar un ajuste ministerial en un futuro mediato, sin embargo, la Cúpula de la Cámara de Diputados aguarda la elección del nuevo comando de la Casa para negociar directamente con el presidente Lula da Silva la reforma ministerial, saltándose la ronda de negociaciones con el actual ministro de la Secretaria de Relaciones Institucionales y, por lo tanto, quien debiera ser el responsable de liderar la articulación política, Alexandre Padilha.

Fechando as "Portas Abertas” para enigmáticos fluxos migratórios - Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

Lá se vão os tempos épicos dos westerns   em que os criminosos e justiceiros moviam-se de um lado para o outro nas zonas de fronteiras: alguns para evitar a justiça, outros para capturar fugitivos.  Representados no cinema por John Wayne, Gregory Peck, Clint Eastwood e outros, os justiceiros norte-americanos invadiam o território mexicano, sem constrangimentos legais, para punir com as próprias mãos crimes praticados no Meio-Oeste. Em caminho inverso, o exército mexicano não fazia o mesmo: parava no rio Bravo, e dava o caso por encerrado, satisfeito por se livrar do transgressor.  

Poesia | Eu sei, mas não devia, de Marina Colasanti

 

Música | Tom Jobim - Samba de uma nota só

 

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

É um erro criar atrito com Trump por imigração ilegal

O Globo

Ele próprio precisará da cooperação de vizinhos latino-americanos para conter a onda migratória nos EUA

A primeira onda de deportação de imigrantes ilegais dos Estados Unidos para a América Latina do governo Donald Trump tem propiciado choques diplomáticos contraproducentes tanto para os países latino-americanos quanto para os Estados Unidos. Felizmente, a crise do fim de semana — deflagrada pela reação do presidente da Colômbia, Gustavo Petro — parece ter sido debelada. Mas a turbulência é um prenúncio da nova realidade sob Trump.

Depois que ele autorizou o uso de aviões militares para deportação de imigrantes ilegais, Petro anunciou numa rede social que lhes negaria permissão para aterrissar em solo colombiano, sob a alegação de que os deportados eram tratados como criminosos por não voar em aeronaves civis. Numa reação populista, chegou a oferecer o avião presidencial para o transporte.

Trump não perdeu a oportunidade de obter ganhos políticos, tentando fazer da Colômbia um exemplo. Declarou a imposição imediata de uma tarifa de importação de 25% sobre produtos colombianos, sanções financeiras e o cancelamento de vistos a integrantes do governo. Petro reagiu prometendo aumentar as tarifas sobre produtos americanos e parecia pronto para uma guerra comercial. Depois, pensando provavelmente no prejuízo que causaria ao país, voltou atrás e aceitou o transporte por aviões militares.

Liderança digital - Merval Pereira

O Globo

Tudo indica que o futuro, tanto da esquerda como da direita, se faz longe dos líderes analógicos

O presidente Lula advertiu que talvez não possa disputar a reeleição em 2026 por estratégia política, para se fortalecer ainda mais no PT ou então teme mesmo que a saúde o impeça de governar, como aconteceu com Joe Biden nos Estados Unidos — situação que, aliás, foi citada por ele na conversa que teve com seus principais assessores e ministros?

Em qualquer das hipóteses, a dúvida mostra que os petistas não têm saída a não ser tentar convencê-lo a disputar, mesmo que a derrota se mostre mais provável no momento de encarar as urnas. A pesquisa Quaest divulgada ontem confirma a desconfiança de que o governo Lula não corresponda às expectativas — e já exibe maioria de avaliações negativas.

Paralelamente, a direita brasileira, incentivada pelo novo governo Trump nos Estados Unidos, vê com mais esperança a possibilidade de vitória, mesmo que Bolsonaro, tornado inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não dispute a eleição.

Conjuntura é desfavorável para o governo Lula – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O novo ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, não dará conta do recado sem uma reversão da inflação, que está sendo prevista para 5,5% neste ano

Estava escrita nas estrelas a queda de popularidade do governo, o que torna a conjuntura política desfavorável à reforma ministerial, cujo foco seria a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e agora terá de se restringir à preservação de sua governabilidade. A aprovação do trabalho do chefe do Executivo, na Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira, mostra que sua popularidade recuou de 52% para 47% em relação a dezembro. A desaprovação de Lula foi superior: subiu de 47% para 49%.

A avaliação negativa do governo, que saltou de 31% para 37%, enquanto a positiva recuou de 33% para 31%, também de dezembro a janeiro, puxam a popularidade de Lula para baixo. O quadro é mais grave porque o presidente perdeu força junto aos seus eleitores mais fiéis, os nordestinos, as mulheres e os brasileiros de baixa renda. No Nordeste, a avaliação positiva despencou de 67% para 49%: a negativa subiu de 32% para 37%.

Pesquisa mostra governo sangrando em suas fortalezas - César Felício

Valor Econômico

Genial/Quaest representa para o governo o retrato de uma área devastada depois de uma tempestade

A pesquisa Genial/Quaest representa para o governo o retrato de uma área devastada depois de uma tempestade. O dado mais impressionante não é a queda da aprovação abaixo da reprovação pela primeira vez desde o início do governo (47% a 49%). Nem a avaliação de bom e ótimo em apenas 31%. Chama mais a atenção a redução da aprovação em todas as fortalezas do voto lulista: Nordeste (67% para 60%), Mulheres (54% para 49%), ensino fundamental (60% para 57%), renda até dois salários mínimos (63% para 56%).

Próximo sufoco - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

A boca do jacaré entre preço da Petrobras e preço na bomba aumenta. E o governo com isso?

No rastro da crise do Pix, da indigesta inflação dos alimentos e da pesquisa Quaest mostrando que, pela primeira vez, o índice de aprovação da gestão Lula é menor do que o de desaprovação, vem aí... o ácido e imprevisível debate sobre preço dos combustíveis. É mais um terreno pantanoso e difícil de atravessar para qualquer governo, ainda mais quando as coisas já não andam uma maravilha.

Falar em aumento do custo da comida na mesa, da inflação em geral e dos consequentes juros em alta é falar, automaticamente, do preço dos combustíveis, que têm um peso enorme na composição de preços finais e na inflação. E mais: na popularidade dos governantes.

Tributo é entrave à exportação - Raul Jungmann*

O Globo

Imposto Seletivo sobre as exportações de minério de ferro é erro estratégico, político, econômico e constitucional

A indústria da mineração continua sendo encarada como gerador infinito de dinheiro para compensar formas discutíveis de gestão do dinheiro público. A pressão por arrecadação não encontra semelhança nos esforços para cortar gastos na máquina estatal ou otimizar a administração, tanto no que se refere aos variados orçamentos quanto às políticas públicas, em que pesem os esforços do ministro Fernando Haddad.

O comportamento arrecadatório se revela novamente no veto ao dispositivo que desonera as exportações do Imposto Seletivo (IS) no âmbito da reforma tributária. Restabelecer a desafortunada medida de cravar uma alíquota de IS sobre as exportações de minério de ferro é um erro estratégico, político, econômico e constitucional. O Brasil exporta 325 milhões de toneladas por ano, o que exige esforço e investimentos das empresas. Nem sempre a cotação internacional é favorável, e os principais concorrentes, caso das mineradoras da Austrália, não passam por esse ataque fiscal. A carga tributária no Brasil sobre o minério de ferro é uma das maiores.

O que as capas de jornais “disseram” sobre Trump - Pedro Cafardo

Valor Econômico

É difícil saber quão amplo será o apoio mundial ao autoritário, nacionalista e imperialista programa anunciado por Trump

As edições impressas dos jornais vêm perdendo fôlego em todo o mundo, mas a forma como as primeiras páginas são editadas ainda diz muito sobre como são recebidas as notícias nos diferentes países.

A posse do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, foi na segunda-feira, dia 20, quando ele já anunciou as primeiras medidas, assinando 41 decretos com seu canetão de US$ 115. Por uma questão de fuso horário, porém, a maior parte das repercussões das medidas só apareceu nas capas da maioria dos jornais impressos não americanos na quarta-feira, dia 22.

Vale a pena então observar algumas dessas capas.

Trump, uso da força e o ‘reinado da hipnocracia’ - Assis Moreira

Valor Econômico

Uma conversa com Pascal Lamy em meio à retaliação de Donald Trump contra a Colombia

Cedo da manhã nesta segunda-feira, converso ao telefone com Pascal Lamy, ex-diretor geral da Organização Mundial do Comércio (2005-2013) e ex-comissário de comércio da União Europeia (1999- 2004), em meio à demonstração de força de Donald Trump contra a Colômbia, que agita a América Latina.

A opinião de Lamy tem peso na cena internacional. É um arguto analista da situação global, respeitado, consultado e ouvido por autoridades do mundo inteiro, e com frequência agora ainda maior diante do estado de calamidade atual.

De entrada, ele observa sorrindo que não ficaremos entediados com Trump de volta à Casa Branca. Pessoalmente, não ficou nada surpreso com a retaliação contra a Colômbia, incluindo tarifas de 25% sobre seus produtos na primeira semana e 50% a partir da segunda, depois que Bogotá recusou o pouso de dois voos com imigrantes deportados dos EUA – situação revertida um dia depois por um suposto "acordo" entre os dois países.