Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais\Opiniões
Não existe mágica capaz de resolver desajuste fiscal
Por O Globo
O risco é Lula, diante da dificuldade de
lidar com a realidade como ela é, querer entrar no mundo da fantasia
A principal dúvida que cerca o novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz respeito aos rumos que ele dará à economia. Durante a campanha, Lula criou ou ampliou inúmeras benesses sem se preocupar com o impacto nas contas públicas — do reajuste no Bolsa Família ao estímulo a microempreendedores individuais; do Pé-de-Meia para universitários ao passe livre no transporte público aos fins de semana; das subvenções a combustíveis ao crédito para motoristas de táxi, de aplicativo e entregadores; dos programas de perdão e refinanciamento de dívidas aos auxílios a exportadores, à indústria química e ao agronegócio. É de natureza aritmética a dificuldade de encaixar todas essas promessas no Orçamento.
Trump perde o Congresso em terremoto político nos EUA, por Humberto Saccomandi
Valor Econômico
Se eleições fossem terremotos, essa teria sido o Big One para o presidente americano
O presidente Donald Trump sofreu uma das
maiores derrotas políticas da história recente dos EUA. Os americanos disseram
um retumbante não ao seu governo e ao Partido Republicano nas eleições de
ontem. Numa guinada histórica, o Partido Democrata obteve a maioria na Câmara e
no Senado. Se eleições fossem terremotos, essa foi o Big One para Trump. As consequências
serão enormes, para os EUA e para o mundo.
A apuração até esta madrugada mostrava uma onda azul, a cor dos democratas. Projeções da mídia americana indicavam uma ampla maioria democrata na Câmara e uma sólida maioria no Senado.
Criação do Ministério da Segurança é oportunidade para Alckmin, por Fernando Exman
Valor Econômico
Ala política ganha força e coloca em xeque agenda liberal
A provável criação do Ministério da Segurança
Pública, condicionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à aprovação da
proposta de emenda constitucional que dá mais instrumentos à União no combate
ao crime organizado, abrirá uma vaga na Esplanada que pode interessar ao
vice-presidente Geraldo Alckmin.
A PEC foi aprovada na terça-feira (3) pelo Senado, movimento que coincide com as discussões preliminares sobre a composição do próximo governo. Em relação ao destino de Alckmin, porém, ainda há mais de um cenário traçado dentro e fora do PSB.
Entrevista | direita tem a chance de se desvencilhar do bolsonarismo e ir para a via democrática, diz Sérgio Abranches
Cientista político que formulou o conceito de presidencialismo de coalizão vê crise no modelo
Por Samuel Lima / O Globo
Num artigo de 1988 que se tornaria um clássico da ciência política brasileira, Sérgio Abranches descreveu o sistema político nacional como um “presidencialismo de coalizão”, no qual o governante precisa superar a fragmentação partidária e compor alianças por meio da distribuição de cargos e recursos do Orçamento. Quase 40 anos depois, Abranches aponta para a crise desse modelo, com o encolhimento de partidos de ligação entre o presidente e o Congresso e a evolução das emendas parlamentares. É diante desse desafio, diz, que Lula assumirá um novo mandato, após uma eleição que pode ter marcado o fim do ciclo do bolsonarismo.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Ruas não são cheque em branco para Lula, por Vera Magalhães
O Globo
Mobilização nas ruas que assegurou virada para
o presidente não dá a ele respaldo para ignorar clamor por sinalização clara de
compromisso fiscal
Lula venceu a eleição sem prometer um ajuste fiscal de grandes proporções, sem apresentar um plano para conter o crescimento das despesas obrigatórias e sem fazer concessões ao mercado financeiro. Não seria razoável, portanto, exigir que, uma semana depois de sua vitória, anunciasse uma guinada radical na política econômica. Mas seria igualmente equivocado interpretar o resultado das urnas como um aval para atravessar o quarto mandato sem mudanças relevantes nessa área.
O homem que não quis ser ministro, por Elio Gaspari
O Globo
A primeira surpresa foi a esquerda perder a
timidez diante das redes sociais. A segunda foi a aceitação imediata do
“Exército do Lula”.
Em dois dias, foi de 50 mil para 1 milhão, e no dia do segundo turno eram 10
milhões. Obra do deputado federal André Janones (Rede-MG), com mais uma
surpresa. Ele não quer ser ministro:
— Por que não desejo ser ministro? Porque não
posso ter as amarras da liturgia de um cargo nem ficar preso a compromissos
burocráticos!
Janones quebrou a escrita segundo a qual o uso das redes sociais era privilégio da direita. Ele e seu exército foram parar nas páginas de The New York Times, The Guardian e Le Monde. Seu modelo de ativismo vem sendo replicado em vários países.
Jogatina FC Clube, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Cartolas martelaram ameaças de demissão,
calote e quebradeira em audiência no STF
A cartolagem resolveu apelar ao terrorismo
para tentar reaver o dinheiro das bets. Em audiência pública no Supremo,
dirigentes de clubes de futebol falaram em demissão, calote e quebradeira.
Queriam convencer a Corte a derrubar a medida provisória que proibiu a
jogatina.
O vice-presidente do Flamengo, Flávio Willeman, alegou que a MP traria “riscos para a institucionalidade”. “O Brasil não pode romper com os ideários de liberdade econômica”, dramatizou, como se o país estivesse prestes a adotar o comunismo.
A cidadania obriga, por Nicolau da Rocha Cavalcanti
O Estado de S. Paulo
Pedir respeito à palavra dada não é moralismo. A tolerância com a falta de palavra tem feito muito mal ao Brasil
Em entrevista à TV Globo, Flávio Bolsonaro
prometeu que, caso perdesse as eleições, respeitaria o resultado. Após perder
as eleições por uma diferença de mais de 4 milhões de votos no segundo turno, o
primogênito de Jair Bolsonaro disse que era impossível aceitar o resultado. Na
carta que publicou ao chegar a Miami, o candidato do PL declarou-se presidente
eleito do Brasil. Para deixar claro o valor que concede à sua palavra dada,
horas depois alterou a autoproclamação. Seu novo status era agora o de líder do
País.
Por mais absurdo que seja o comportamento de Flávio Bolsonaro, não deveríamos ficar surpresos. Destaco um episódio. Antes de vir a público sua proximidade com Daniel Vorcaro – com visitas ao banqueiro e pedidos de dinheiro gordo –, o candidato do PL fez campanha eleitoral vestindo a seguinte camiseta: o Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula. “É com essa integridade que o senador dialoga com o eleitor” (Integridade, Estadão, 3/6/2026, A4).
Professor de Deus, por Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
Desafio de Lula no quarto mandato é reunir apoio para as reformas em vez de recriar o mundo
Era março de 2021. O Supremo Tribunal Federal
havia acabado de anular as condenações de Lula na 13.ª Vara Criminal de
Curitiba quando Ciro Gomes, diante da possibilidade de o petista ser candidato
à Presidência em 2022, afirmou: “Não contem comigo para esse circo”. Lula
reagiu: “Ciro acha que é professor de Deus”. O petista reclamava do que
considerava ser uma ausência de humildade.
Na semana passada, diante da repercussão mundial da vitória sobre Flávio Bolsonaro, o entorno de Lula foi tomado pelo temor inconfesso de que o petista caía na tentação de assumir o papel que viu no ex-ministro de seu primeiro mandato, aquele mesmo em que Lula entregou o Banco Central a Henrique Meirelles e contava com Marcos Lisboa como secretário de Política Econômica. Afinal, quem Lula ouvirá em seu quarto mandato para decidir os rumos da economia? André Lara Resende? Quem formulará a política de combate ao crime organizado? Com quem e para quem o petista pretende governar?
Cavalo de pau nos juros, por Fábio Alves
O Estado de S. Paulo
Há uma combinação nefasta de fatores que deve pressionar os índices de preços ao consumidor
Os analistas estão praticamente divididos na aposta entre um corte adicional de 0,25 ponto porcentual e a manutenção da taxa Selic em 13,75%, como desfecho da decisão do Copom de hoje, mas desde a última reunião, em setembro, o cenário mudou tão drasticamente em termos do balanço de riscos para a inflação que o Banco Central precisaria agir com urgência e dar um cavalo de pau na política monetária, elevando os juros agora.
Comando do Congresso e ministro da Fazenda definirão novo governo, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
A convergência com Centrão pelo controle do
Congresso não elimina os conflitos sobre o Orçamento, a distribuição de cargos
e o alcance das políticas públicas
A agenda legislativa na ordem do dia depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tem como objetivo político a manutenção de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) nos comandos da Câmara e do Senado, respectivamente. A votação de propostas de grande repercussão social, como a PEC da Segurança Pública, aprovada nessa terça-feira, e a regulamentação do fim da escala 6 x 1, a negociação de espaços no futuro ministério e as articulações para preencher vagas em tribunais integram a construção da maioria que deverá sustentar o quarto mandato de Lula. Nesse sentido, a governabilidade dependerá do Centrão.
A Trump o que é de Trump, por Rodrigo Craveiro
Correio Braziliense
Se perder maioria no Congresso para os
democratas, o republicano terá que vestir a carapuça de pato manco
Talvez nunca antes na história moderna dos Estados Unidos tenha existido um presidente tão controverso, tão polêmico e tão ambíguo como Donald J. Trump. Sem papas na língua e capaz de emitir sinais difusos — e bastante confusos —, Trump talvez somente tenha como rival o próprio ego. No momento em que escrevo este artigo, o presidente que se sente no centro do universo sofre uma ameaça quase palpável de corrosão do próprio poder.
A aprovação da PEC da Segurança Pública no Senado, Luíza Altoé
Correio Braziliense
Em vitória do governo, texto é aprovado,
inclusive, com votos dos bolsonaristas — que não conseguiram incluir a
diminuição de idade para a responsabilização criminal. União passa a ter mais
poder no combate às facções, que são alvo de medidas mais duras
O Senado aprovou, ontem, por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública sem a redução da maioridade penal. Foi uma vitória do Palácio do Planalto, uma vez que a matéria é a resposta do governo federal à sociedade sobre o endurecimento do combate ao crime organizado. No primeiro turno, foram 73 votos favoráveis e nenhum contrário e, no segundo, o placar foi de 75 x 0. A matéria segue para promulgação.
A redução da maioridade penal era uma reivindicação dos bolsonaristas. Até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha se manifestado favoravelmente a ela, na sabatina feita pela Rede Globo antes do segundo turno da corrida presidencial, mas somente para crimes hediondos. Porém, a base governista era contrária à medida.
Virada de Lula mostrou o peso do voto facultativo, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Presidente usou a máquina, mas ganhou por
causa do estímulo para o eleitorado ir à urna por querer
A eleição sinalizou que a reforma política
passa pela liberdade de se fazer do voto uma escolha cívica
O afã de
reformular as regras do sistema eleitoral cresce ou arrefece de
acordo com os interesses de partidos e políticos, com base nos sinais saídos do
último pleito.
A reeleição do presidente Luiz Inácio da
Silva (PT) fez sumir do mapa o tema da renovação de mandatos, cuja extinção até
outro dia era tida como essencial para o bom andamento dos trabalhos institucionais.
Entrou em cena a adoção do voto distrital misto no papel da panaceia da vez e, mais uma vez, deixou-se de lado o exame preciso e detalhado sobre a reforma realmente necessária aos meios e modos de se fazer política no Brasil.
O que houve de inovador no canal de WhatsApp do Exército do Lula? Por Wilson Gomes
Folha de S. Paulo
Trunfo foi ordenar os seguidores dispersos
Bolsonaro inovou na circulação e Janones, na
coordenação
Em 2018, Geraldo
Alckmin entrou na disputa presidencial com cinco minutos e meio de
televisão, enquanto Bolsonaro tinha oito segundos. Iniciado o horário
eleitoral, dizia-se, a candidatura do deputado seria triturada pela máquina
televisiva. Mas foi Bolsonaro quem liquidou Alckmin e, com ele, a certeza de
que vencer uma eleição presidencial dependia de dominar a TV. Uma rede de
grupos de WhatsApp, articulada a canais, influenciadores e produtores de
conteúdo, demonstrou que a campanha digital podia derrotar a forma de
comunicação eleitoral dominante havia décadas.
Não foi uma simples vitória eleitoral. Foi uma inovação nos métodos e processos de campanha. Nos anos seguintes, o bolsonarismo transformou aquela infraestrutura em uma ecologia permanente de comunicação política, com veículos, celebridades, comunidades e circuitos de circulação próprios. A direita radical passou a levar vantagem na disputa diária pela atenção, pelas pautas, pelas narrativas e pelos enquadramentos dos acontecimentos.
Plano Lara Resende e variantes fracassariam antes mesmo de começar, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Mera hipótese de implementação provocaria
alta crítica de taxas de juros e dólar
Programa exige ainda mudança institucional
enorme, de tramitação lenta e difícil
Política monetária e fiscal foram assunto
"pop" das redes em um feriado prolongado. A notícia de que o
presidente Luiz Inácio Lula
da Silva ouviria ideias do
economista André Lara Resende (ALR) causou uma pororoca, um
confronto virtual e viralizado entre os críticos do terrorismo de "o
mercado", que quereria um terceiro turno da eleição a fim de mandar na economia
de Lula 4, e crentes de alguma política econômica sensata, inclusive aqueles de
esquerda e eleitores do presidente.
Um adepto de teorias da conspiração pode dizer que o governo vazou de propósito a hipótese ALR, que seria um espantalho ou boi de piranha. Dado o risco de vir um ALR ou similar, um programa mais ameno qualquer pareceria palatável. Enquanto os peixes devorassem o boi sacrificado, o resto da boiada do plano governista passaria. Hum.
A cilada do ajuste fiscal, por vários autores (nomes ao final do texto)
Folha de S. Paulo
Lula sabe de onde veio a vitória, e é essa
força que está em risco
Conta deve atingir o andar de cima e não os
movimentos populares que viraram a eleição
Desde a redemocratização, nenhum candidato
havia virado uma eleição presidencial no segundo turno. Lula
virou —e não foi sozinho. Flávio
Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente e, no dia seguinte,
estudantes já estavam nas ruas.
A mobilização nasceu sem convocação da campanha e cresceu por três semanas, até tomar as ruas de todo o país na véspera da votação. Lula, que subiu nos palanques das Diretas Já, disse nunca ter visto nada igual. No domingo (25), recebeu 64,3 milhões de votos, a maior votação já obtida por um candidato a presidente.
Trump virou um chato, e isso o povo não perdoa, por Rui Tavares
Folha de S. Paulo
Existe uma lei de ferro da política que
escapa aos cientistas, sociólogos e filósofos: o eleitor detesta estar farto
Acima de tudo, Trump perdeu a graça; já faz
dez anos que o aturamos, e toda a gente abaixo dele é mais chata ainda
Escrevo antes
de saber os resultados das eleições nos EUA, mas não é de hoje que estou
confiante de que a saturação com o trumpismo vai desencadear uma contrarreação
—e, aliás, escrevi na semana passada isso mesmo, dizendo que o início
dessa revolta contra a extrema direita foi no Brasil.
Sociólogos, economistas, filósofos e cientistas políticos procuram desde há muito leis gerais para as mudanças na opinião pública: se é a inflação, se é o desemprego, se é a falta de crescimento econômico, se é a sua distribuição.
Mas antes disso tudo, digo eu, há que considerar um fator básico da natureza humana: o aborrecimento. Os humanos detestam estar fartos, de saco cheio, entediados, cansados de sempre o mesmo. E essa é uma lei de ferro da história da humanidade. Chega a um ponto em que o pessoal não aguenta mais.
Eleições nos EUA: Tsunami democrata apressa o fim da era Trump, por Eduardo Graça
O Globo
Presidente pediu que eleitores fossem às
urnas como se ele estivesse nas cédulas e se tornou o maior derrotado da noite.
Com o controle do Senado e da Câmara, democratas se posicionam melhor para 2028
Os americanos apressaram em dois anos o fim da era Trump nesta terça-feira de 3 de novembro. Milhões de eleitores, em todas as regiões dos Estados Unidos, repudiaram em alto e bom som a segunda temporada de Donald Trump na Casa Branca. Ao superar todas as projeções de uma onda azul, em referência à cor da oposição, o Partido Democrata também venceu disputas importantes para governos de estados que serão decisivos no Colégio Eleitoral em 2028, incluindo a primeira governadora negra do país, Keisha Lance Bottoms, e a primeira latina do Texas, Gina Hinojosa. Cadeiras mantidas pelos republicanos há meio século ou mais no Legislativo migraram para o outro lado no que se configura um tsunami, com consequências imediatas não só para a política interna do país como também para a expansão global do trumpismo.
terça-feira, 3 de novembro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais\Opiniões
Distorções impõem revisão no Bolsa Família
Por O Globo
Reajuste do benefício deixou de lado ganho de
foco e retomada do pente-fino contra irregularidades
Ao reajustar o Bolsa Família
em 15%, o governo alegou repor a inflação dos últimos anos. Ampliou o gasto com
o programa, sem contudo cuidar do mais importante: sua eficácia. O objetivo a
perseguir não é apenas garantir subsistência às famílias mais pobres, mas
também contribuir para retirá-las da pobreza. Nisso, não faltam evidências de
desajustes.
Em 2019, quando a taxa média de desemprego no Brasil era 12%, 19% da população recebia Bolsa Família. Hoje são 23%, para um desemprego de apenas 5,2%. Ao mesmo tempo, o custo para o contribuinte não parou de crescer. Em 2019, o programa distribuiu 0,42% do PIB. Neste ano, o total alcançará 1,18%, já considerando o reajuste concedido. Em 2027, chegará a 1,23%, pela projeção do economista Fabio Giambiagi. Uma auditoria feita em 2023 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o efeito do Bolsa Família na redução da pobreza poderia ser até 7,2% maior com mais foco e 9,1% a menos de recursos — cerca de R$ 12,94 bilhões de economia.
O desafio econômico pede passagem a Lula, por Fernando Gabeira
O Globo
Um ajuste fiscal muito severo pode ser
entendido como estelionato eleitoral, abrindo espaço à oposição
A fuga de Flávio
Bolsonaro e o rescaldo emocional da campanha ocuparam a cena pós-eleitoral.
Mas não devem sobreviver por muitos dias. Ao se intitular “presidente eleito”
do Brasil, Flávio repetiu aquele venezuelano, Juan Guaidó,
que também se declarou presidente e saiu pelo mundo para cair num profundo
esquecimento. Flávio terá menos fôlego ainda, porque as eleições brasileiras
gozam de crédito internacional muito grande.
No front interno, as constantes ameaças de demissão dos petistas porque votaram em Lula são uma espécie de assédio eleitoral retardado e não devem vingar. A temperatura baixará com o tempo. O que deve surgir com muita força no horizonte é uma discussão concreta sobre a política econômica do novo governo. Isso, sim, diz respeito ao futuro e merece reflexão positiva.
País à flor da pele discute os juros, por Míriam Leitão
O Globo
Lula precisa cumprir as promessas e ajustar
as contas públicas. Queda do juros deve vir pela conquista de credibilidade
fiscal
O país viveu uma eleição de emoções radicais
e estamos todos à flor da pele. Havia muito em jogo. Temos agora a chance de em
quatro anos construir uma barreira contra o risco antidemocrático. O Brasil não
pode ficar pendurado no abismo a cada eleição. Há muitas variáveis nessa
equação, uma delas é a economia com suas emergências, volatilidades e tarefas
inescapáveis. Hoje começa a reunião do Copom mais difícil dos últimos tempos.
O mercado mudou suas previsões. Agora a maioria dos bancos acredita que os juros serão mantidos. Na política o assunto é discutido de forma incandescente. Na prática, todos os ativos pioraram muito e talvez a decisão do BC seja de fato manter a Selic.
Com quem será? Por Merval Pereira
O Globo
Lula precisa terminar uma vida política
brilhante com um governo que ele pretende será “o melhor governo” que já fez.
A definição do quarto governo Lula sairá da escolha do próximo ministro da Fazenda, assim como a escolha de Antonio Palocci no primeiro mandato foi essencial para a manutenção do sistema econômico montado no governo de Fernando Henrique Cardoso, baseado no tripé câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário. Colocar Henrique Meirelles, deputado federal eleito pelo PSDB de Goiás, na presidência do Banco Central foi outra medida surpreendente que deu o rumo do governo. Tudo isso aconteceu porque Palocci, antigo prefeito de Ribeirão Preto, fundador do PT, tinha o respeito da máquina partidária do partido.
Lula reúne aliados para avançar na definição de nomes para a Esplanada, por Andrea Jubé
Valor Econômico
Presidente tem reunião hoje com nomes como Rafael Fonteles, Camilo Santana e Alckmin
Pouco mais de uma semana após a vitória, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta a se reunir com o núcleo mais
próximo da campanha, nesta terça-feira (3), para dar continuidade à formação do
novo governo. Nos últimos dias, evoluíram as conversas com a cúpula do
Congresso, a fim de garantir a governabilidade do Lula 4, bem como a
confirmação de alguns nomes e de alguns espaços do PT e do PSB.
Ainda nesta terça-feira, Lula deve gravar o pronunciamento sobre a vitória, a ser transmitido em rede nacional de rádio e TV, que ele anunciou em um áudio enviado na semana passada no canal “Exército do Lula”, comandado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Ele agradecerá os mais de 64 milhões de votos, e reafirmará o compromisso com as promessas de campanha.
Sonâmbulos do ajuste fiscal, por Luiz Gonzaga Belluzzo
Valor Econômico
Nas recessões, e mais ainda nas depressões, a
dívida pública invade os portfólios para garantir o valor e a liquidez da
riqueza dos privados
Nas últimas semanas, antes e após as
eleições, esquentou a refrega sobre a relação dívida/PIB entre catastrofistas e
a turma do “senta-que-o-leão é manso”. Na visão dos catastrofistas, o risco
fiscal está associado a uma trajetória “insustentável” da dívida pública. A
elevada dívida dos governos, dizem por aí, vai culminar em um calote
devastador. Digo devastador porque, se isso acontecer, vai desencadear a
desvalorização da riqueza financeira que frequenta os balanços de bancos,
fundos, gestoras de ativos.
Em sua trajetória secular, o capitalismo abriu espaço para o surgimento e desenvolvimento de instituições encarregadas de administrar a moeda e os estoques direitos — títulos de dívida e ações — que, diria Keynes, nascem de seu incessante movimento de criação e apropriação do valor.
Desigualdade e perda de poder aquisitivo alimentam insatisfação com republicanos, por Humberto Saccomandi
Valor Econômico
Pesquisas e projeções apontam que o Partido
Democrata deve obter a maioria na Câmara e é favorito também no Senado
Os americanos devem votar com a carteira nas
eleições de amanhã, o que é um mau presságio para o Partido Republicano, do
presidente Donald Trump. A economia dos EUA está crescendo, mas pesquisas
indicam que a situação econômica é a principal preocupação dos eleitores e que
eles avaliam mal o desempenho do governo Trump nessa área. Essa insatisfação
parece estar relacionada à perda de poder de compra no curto prazo e ao aumento
da desigualdade no longo prazo.
Os republicanos controlam hoje o Congresso. Mas pesquisas e projeções apontam que o Partido Democrata deve obter a maioria na Câmara e é favorito também no Senado. A mídia americana alerta sobre a possibilidade de uma onda azul (a cor dos democratas), que poderia fazer a oposição a Trump vencer em tradicionais bastiões republicanos, como o Texas.
Ideias de Lara Resende levadas a Lula preocupam equipe econômica, por Alex Ribeiro
Valor Econômico
Temores são de possíveis impactos desestabilizadores no mercado financeiro mesmo que no fim elas não venham a ser implantadas
As ideias do economista André Lara Resende,
que têm sido apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como possível
agenda para o seu quarto mandato, preocupam integrantes da equipe econômica
devido aos possíveis impactos desestabilizadores no mercado financeiro mesmo
que no fim não venham a ser implantadas.
Lara Resende, considerado um dos
"pais" do Plano Real, tem defendido uma baixa da taxa Selic para 7,5%
ao ano ao longo de 12 meses para reduzir os juros pagos pelo governo na dívida
pública e, assim, viabilizar um ajuste nas contas públicas sem sofrer as dores
de cortes de gastos nem de aumento de impostos.
Nas discussões de bastidores do governo, integrantes da equipe econômica têm argumentado que uma baixa de juros que seja entendida pelo mercado como artificial levará a uma forte fuga para a moeda estrangeira e à saída de posições em títulos públicos.
PEC da Segurança é o 1º cabo de guerra pós-eleição, por Danandra Rocha
Correio Braziliense
Matéria deve ser votada hoje no Senado.
Principal confronto é relacionado a inclusão da redução da maioridade penal.
Bolsonaristas não admitem deixar o tema para depois e aliados de Lula querem
aprovação daquilo que veio da Câmara
O primeiro embate pós-eleições entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a oposição no Senado será por causa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A matéria está prevista para ser analisada pelo Plenário da Casa hoje, a partir das 16h, em uma sessão que antecipa visões opostas sobre tema como combate ao crime organizado e redução da maioridade penal. Enquanto a base governista trabalha para aprovar o texto tal como foi aprovado pela Câmara dos Deputados, parlamentares bolsonaristas e associados de outros partidos além do PL forçam a incorporação à proposta mudanças que diminuem a idade de responsabilização penal.
Esquerda aguarda derrota de Trump e festeja vitória de Lula, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O Brasil precisa ampliar as pontes, inclusive
com republicanos, sem transformar o relacionamento bilateral numa extensão da
disputa partidária americana
Donald Trump não está na cédula das eleições norte-americanas de hoje, mas seu governo está em julgamento. Os dois principais cenários desenhados pelas pesquisas representam derrotas políticas para a Casa Branca: perder a Câmara dos Representantes ou entregar também o Senado aos democratas. O segundo seria o pior dos mundos. A expressão "pato manco", usada para definir presidentes em fim de mandato e com influência declinante, ganharia conteúdo imediato. Trump conservaria poderes importantes, mas encontraria obstáculos para transformar suas decisões em políticas duradouras.
Eleições nos EUA podem impor derrota a Trump e fortalecer democratas, por Correio Braziliense
Presidente republicano enfrenta hoje teste das urnas em eleições legislativas disputadas. Última rodada de pesquisas sinaliza vantagem para oposição democrata, na Câmara e no Senado. Se derrotado, líder diz que se tornará o "Senhor Veto"
O Partido Democrata chega, hoje, às eleições
legislativas dos Estados Unidos com sinais promissores de vitória nas urnas,
mas também num ambiente de grande apreensão em relação à reação do presidente
Donald Trump diante de uma eventual derrota. As pesquisas divulgadas na reta
final da campanha, encerrada ontem, mostraram que os democratas têm altas
probabilidades de assumirem o controle da Câmara dos Representantes e, em menor
medida, do Senado.
Em meio à alta dos preços de alimentos,
gasolina e moradia, os norte-americanos mostram uma participação excepcional
nas eleições de meio de mandato. Mais de 53 milhões votaram antecipadamente, um
recorde absoluto.
Ao participar de um podcast do jornal New York Post, Trump sinalizou que não vai assimilar placidamente a perda do controle das Casas legislativas, ambas nas mãos dos republicanos. O presidente abriu a possibilidade de conceder indultos a aliados e deu a entender que vetará iniciativas potenciais do Congresso caso os democratas conquistem a maioria. "Vou me transformar no Senhor Veto", afirmou.
Entre muros e caminhos, por Jorge J. Okubaro
O Estado de S. Paulo
É preciso reforçar que a parcela dos que votaram no candidato derrotado não pode ser esquecida. Nenhum governo decente pode esquecer metade da população
Das dezenas de milhões de brasileiros que
suspiraram com alívio e júbilo no momento em que se confirmou o resultado do
segundo turno da eleição presidencial disputada em 25 de outubro, um grupo
muito restrito teve motivos especiais para celebrar. Trata-se das pessoas que
conheceram o que de pior a ditadura militar (19641985) praticou: as prisões
arbitrárias, a perseguição política, a tortura, os assassinatos e os
desaparecimentos de opositores do regime. Fora outros atributos naturais e
familiares que o aproximam das milícias e dos grandes esquemas de corrupção, o
candidato derrotado tem um especial, herdado do pai: o de admirar e exaltar as
terríveis práticas da ditadura militar. É de ter um tipo desses no principal
cargo da República que o País se livrou.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, que lhe assegura o inédito quarto mandato presidencial, é, por isso, uma vitória dos que querem um Brasil democrático. A igualmente inédita virada entre o primeiro e o segundo turno deveuse certamente à sua liderança e a seu carisma, mas foi impulsionada por outros fatores, um dos quais o fato de sua candidatura representar o bastião para conter o avanço da extrema direita. Por isso, a reeleição de Lula é muito maior do que um feito do PT ou da esquerda. Ela resultou do apoio de forças democráticas que rejeitaram a extrema direita.
Vorcaro pronto para delatar, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Passada a eleição presidencial, o clima é de ‘ou salvam-se todos ou não se salva ninguém’
Depois das eleições e de duas tentativas
fracassadas de delação premiada, a expectativa é que Daniel Vorcaro, do Banco
Master, refaça sua estratégia e se disponha a contar, não o que lhe interessa,
como tentou fazer, mas o que interessa à Polícia Federal e à verdade: fatos,
nomes, locais, valores e o máximo de provas possíveis.
Uma coisa era Vorcaro abrir a boca sem saber quem seria presidente, outra é falar agora, depois da derrota do “irmão” Flávio Bolsonaro e da vitória de Lula para um quarto mandato. Ele pode, por exemplo, sentir-se livre para contar toda a história do Dark Horse. A começar de uma pergunta básica: a grana era mesmo para o filme?
Eventual derrota de Trump nas midterms pode ampliar pressão sobre ele em temas ligados ao Brasil, por Isabella Menon
Folha de S. Paulo
Maioria democrata no Congresso poderia
fortalecer pedidos de apuração sobre fuga de Flávio Bolsonaro e tarifas
Especialistas veem possibilidade de mais
freios internos às vontades do presidente sem mudança imediata na diplomacia
Washington - As
eleições de meio de mandato dos Estados
Unidos, nesta terça-feira (3), podem aumentar a pressão sobre o governo de Donald Trump
em temas que afetam diretamente o Brasil, como as
tarifas comerciais, as sanções e a atuação americana na América
Latina.
Uma eventual vitória dos democratas
na Câmara abriria caminho para investigações sobre decisões da Casa Branca,
incluindo a concessão de vistos a Flávio
Bolsonaro (PL) e a possível participação de autoridades americanas em sua
saída do Brasil após a derrota para Lula (PT).
Embora possa não significar necessariamente
uma alteração na política do republicano em relação ao seu maior vizinho ao
sul, especialistas avaliam que a mudança reforçaria a fiscalização sobre o
Executivo.
Parlamentares democratas intensificaram o envio de cartas ao Departamento de Estado, manifestando incômodo com a política americana para o Brasil. Em setembro, um grupo de 31 congressistas cobrou do governo Trump o compromisso de não interferir nas eleições brasileiras e reconhecer o resultado.
IAs enfeiam a matemática, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Algoritmos se valem de força bruta
estatística para resolver problemas
Elegância costuma ser usada, talvez
indevidamente, como critério de verdade
A matemática está
se tornando fascista? Admito que a piada não é das melhores, mas não resisto. A
publicação de 370 soluções de problemas matemáticos pela OpenAI, no
início de outubro, prenuncia uma era em que o método Monte Carlo, uma espécie
de força bruta estatística, prevalecerá sobre as abordagens inspiradas em beleza e
elegância que vêm dando o tom das demonstrações desde que a humanidade
inventou/descobriu a matemática (cabe ao leitor escolher aqui a palavra que
mais lhe agrada) alguns milênios atrás.
Que me perdoem os céticos da IA, mas a essa altura não dá mais para negar que os programas sejam capazes de criar soluções originais para problemas complexos e que o fazem através da força bruta probabilística e estatística, em princípio sem nenhuma consideração para com a dimensão estética.
Câmara exclui eleitor do debate sobre mudança no sistema eleitoral, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Voto distrital misto é tema relevante na
discussão sobre a muito falada e sempre evitada reforma política
Questão, contudo, não pode ser resolvida às
pressas e muito menos na base do acerto entre cúpulas partidárias
No clima ainda conturbado do pós-eleições, o
Congresso levanta um tema relevante para o debate sobre a muito falada e sempre
evitada reforma política.
A possibilidade de adoção do voto distrital
misto pode inaugurar uma agenda positiva no aperfeiçoamento do sistema
eleitoral e partidário.
Antes de embarcarmos em perspectivas otimistas, é preciso conferir se não se trata apenas de uma reação momentânea a votações de deputados em números equivalentes e até superiores aos obtidos em eleições majoritárias.
O STF terá coragem de chamar um 2º turno no Rio? Por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Campanha para retomar a eleição está nas
redes, nos moldes do canal Exército do Lula
Declarado governador, Douglas Ruas teme o
crescimento do PT na capital
Acostumados nos últimos anos a vencer na
cidade do
Rio e no interior do estado, os bolsonaristas gozavam os petistas dizendo
que estes só tinham maioria na pequena praça São Salvador, em Laranjeiras,
único bairro em que Jair
Bolsonaro saiu derrotado em 2018. Oito anos depois, o enclave de
resistência se expandiu e dominou a capital.
A virada de Lula no Rio acompanhou a tendência do segundo turno. Mesmo assim, não deixa de ser surpreendente. O PT, historicamente de pouca expressão para cariocas e fluminenses, não vencia na cidade desde 2014, com Dilma Rousseff.















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