sexta-feira, 6 de julho de 2018

Centrão pressiona Alckmin em jantar e adia decisão

Líderes questionam tucano sobre fraco desempenho nas pesquisas e possibilidade de Doria assumir a vaga

Cristiane Jungblut e Bruno Góes | O Globo

-BRASÍLIA- Foram três horas de “sabatina” regada a vinho português e comida italiana. Enquanto os pratos eram preparados na cozinha da mansão do PRB, no Lago Sul, em Brasília, os partidos do centrão (DEM, PRB, PP e Solidariedade) apresentaram ao pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, um cardápio bem mais indigesto de interesses eleitorais. Barganhando há semanas o apoio nas eleições de outubro, os partidos do bloco reunido em torno do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), questionaram Alckmin, na noite de anteontem, sobre seu fraco desempenho nas pesquisas eleitorais, as dificuldades enfrentadas no eleitorado de São Paulo e as divisões que enfrenta dentro do próprio PSDB. Os planos do tucano para partilhar o poder com o grupo também foram cobrados.

Apesar do esforço de Alckmin, o jantar terminou sem uma decisão. O grupo prometeu dar uma resposta até o dia 20. Na próxima quarta-feira, os partidos, que também negociam um possível apoio ao pedetista Ciro Gomes, farão um novo encontro para “afunilar” o debate sobre quem apoiar.

Alckmin respondeu a todos os questionamentos e apresentou dados objetivos sobre seu potencial de crescimento depois do início da campanha de TV. Ele também reafirmou seu comando sobre o PSDB e falou de suas relações com o tucano João Doria, que será candidato ao governo de São Paulo, mas tem sido especulado como substituto de Alckmin na disputa pelo Planalto. Segundo um dos presentes, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), foi direto ao assunto:

— O Ciro quis saber se o Doria ainda queria puxar o tapete do Geraldo (Alckmin) e como estava a relação deles hoje — contou, sob a condição do anonimato. 

VICE PODE SER DO PP 
Contra esses rumores, Alckmin garantiu que é o candidato do PSDB e que já se acertou com Doria. Ontem, o ex-prefeito de São Paulo divulgou uma nota reafirmando que vai concorrer ao governo estadual.

Para atrair o interesse dos líderes, o tucano ofereceu o posto de vice na sua chapa aos partidos do grupo. A vaga poderá até ser oferecida ao PP, se isso garantir que o partido apoie o tucano e desista de uma aliança com Ciro Gomes. Para conquistar o apoio do DEM, Alckmin ofereceu apoio à reeleição de Rodrigo Maia à presidência da Câmara. Pré-candidato ao Planalto, Maia deve retirar a candidatura e disputar a reeleição para deputado federal.

Alckmin e Anastasia visitam interior de MG sem presença de Aécio

Em Governador Valadares, representantes tucanos atribuíram ausência à indecisão do senador de concorrer à reeleição

André Manteufel | O Estado de S.Paulo

GOVERNADOR VALADARES (MG)– Os pré-candidatos do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, e ao Governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia, aproveitaram a solenidade de abertura da Exposição Agropecuária de Governador Valadares nesta quinta-feira, 5, para cumprir com uma agenda que tem sido protocolar nas últimas eleições nacionais: visitar a região leste do Estado. No entanto, diferentemente das disputas anteriores, o encontro foi marcado pela ausência do senador tucano Aécio Neves.

Os políticos não confirmaram, mas o isolamento é uma estratégia adotada pela legenda para evitar prejuízos à imagem do PSDB nas disputas eleitorais. O senador tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal (STF) no mês de abril, acusado de corrupção passiva por receber R$ 2 milhões, do empresário Joesley Batista, do Grupo J&F, e por obstrução da Justiça nas investigações da Operação Lava Jato.

Após a abertura da exposição, Alckmin negou ao Estado que a ausência do correligionário no evento tenha ligação com as denúncias, e restringiu-se a dizer que entrar em campanha será uma decisão a ser tomada pelo próprio senador. “Não estava programado de o Aécio vir. Não tem nenhum estranhamento em relação a isso. O Aécio fez um bom trabalho pelo Estado de Minas Gerais, e neste momento ele é que vai decidir os próximos passos”, afirmou o tucano, antes de deixar o Parque de Exposições.

O presidente do PSDB de Minas, Domingos Sávio, também responsabilizou a indecisão do político para justificar sua ausência na pré-campanha no interior de Minas. “Eu sempre tenho dito que nós temos respeito e gratidão pelo que o Aécio fez por Minas, pelo trabalho dele representando Minas como senador da República, mas ele ainda não decidiu se é ou não candidato a algum cargo”, afirmou. “Como ele não tomou essa decisão, é natural que ele não esteja presente num evento de pré-campanha onde está se colocando o nome daqueles que já são pré-candidatos a algum cargo. E nesse momento, o foco do PSDB, o objetivo central do PSDB, é eleger Anastasia governador de Minas.”

Alvaro Dias afirma que candidatura é ‘irreversível’

Pré-candidato diz que união entre partidos de centro é difícil

Dimitrius Dantas | O Globo

-SÃO PAULO- Três dias após se reunir com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) afastou, ontem, a possibilidade de abrir mão da pré-candidatura à Presidência em nome da união dos partidos de centro.

— Nossa candidatura está posta de forma irreversível. Não há nenhuma cogitação de recuo — disse Dias, em palestra na Federação das Associações Comerciais de São Paulo.

O tema do encontro com FH foi a possível união das pré-candidaturas de Dias, Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede). De acordo com o senador, a conversa consistiu em uma análise de conjuntura, e o ex-presidente não pediu a ele que desistisse de concorrer ao Palácio do Planalto.

— Dificilmente haverá uma convergência dos chamados candidatos do centro democrático e reformista — afirmou o pré-candidato do Podemos.

A saída de Alvaro Dias é vista no PSDB como essencial para os planos de Alckmin. Ex-governador do Paraná, Dias varia entre 3% e 4% nas pesquisas de intenção de voto, índice que vem sobretudo da Região Sul. Na análise dos tucanos, são eleitores que tradicionalmente seriam do PSDB.

O senador destacou que não tem interesse em deixar de apresentar seu nome e refutou que a presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), esteja negociando um apoio do partido a outro pré-candidato.

— Os que viverem verão que nós estaremos nas urnas no dia 7 de outubro (data do primeiro turno). É bom não perderem mais tempo e não gastarem mais tinta nem papel, porque será em vão — reforçou.

Alvaro Dias afirma que sua candidatura é ‘irreversível’

Daniel Weterman | O Estado de S. Paulo.

Pré-candidato do Podemos à Presidência da República, o senador Alvaro Dias afirmou ontem que sua candidatura à Presidência é “irreversível”. A declaração foi feita durante palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em São Paulo, para uma plateia formada por empresários. Depois, em entrevista a jornalistas, o senador afirmou para “não perderem mais tempo” cogitando sua desistência na corrida pelo Palácio do Planalto.

Dias negou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenha feito algum convite para ele compor com Geraldo Alckmin (PSDB) na campanha – a convite de FHC, o senador se encontrou com o ex-presidente na segunda-feira passada em São Paulo.

Chamando o ex-presidente de “príncipe”, o senador afirmou que o tucano não seria “deselegante” ao fazer uma proposta objetiva e afirmou que os dois discutiram as alternativas para o País nestas eleições. Perguntado se aceitaria ser vice de Alckmin na eleição, Dias respondeu que “não há nenhuma hipótese de arredarmos pé do propósito de disputar a Presidência”.

“Não há força humana capaz de nos demover desse objetivo (ser candidato). Os que viverem verão que nós estaremos na urna no dia 7 de outubro. É bom não perderem mais tempo e vocês não gastarem mais tinta e papel ou não gastarem os dedinhos aí nas teclas do computador porque será em vão”, disse Dias, que atinge até 4% nas pesquisas de intenções de voto.

Dias afirmou que busca partidos do chamado “centro” que aceitem seu programa e façam uma aliança. A convenção do Podemos, citou, deve acontecer no dia 4 de agosto, reta final do prazo estabelecido por lei, o que deixa aberto espaço para negociações partidárias até o último momento.

O senador deu, no entanto, uma condição para a convergência do chamado “centro” na disputa presidencial: o rompimento com o “balcão de negócios” em Brasília, ou seja, a troca de apoio partidário por interesses de bancadas, e o compromisso com o que defende como “a refundação da República”.

‘Momento do País exige coesão nacional’, diz comandante do Exército

General Villas Bôas compara a situação do Brasil hoje à divisão da sociedade na ‘Guerra Fria’

Adriana Ferraz | O Estado de S. Paulo.

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou ontem que a “sociedade brasileira criou ambiente para fatos lamentáveis”, como as mortes do soldado Mário Kozel Filho e do jornalista Vladimir Herzog durante o regime militar. A declaração foi dada em São Paulo após o general presidir uma cerimônia em homenagem ao militar, morto há 50 anos durante a explosão de um carro-bomba em atentado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

O ato se deu um dia depois de a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenar o Brasil pelo assassinato de Herzog, em 1975. Para Villas Bôas, o momento do País exige “recuperação da coesão nacional”.

O general afirmou que o contexto em que ambas as mortes ocorreram deve receber uma análise comparativa com o momento que vivemos hoje. De acordo com o general, o Brasil permitiu no passado que a “linha de confrontação da Guerra Fria dividisse a nossa sociedade”, provocando casos como o de Kozel e Herzog. “E, hoje, o momento é de linhas de fratura, o que exige a recuperação de uma coesão nacional, o restabelecimento de uma ideologia de desenvolvimento e um sentido de projeto, para que as gerações futuras não venham a passar o que ocorreu há 50 anos.”

No discurso que fez durante a cerimônia de homenagem a Kozel, o comandante do Exército disse que o cenário atual recomenda aos brasileiros e às instituições a “prudência nos ânimos” e união dos esforços para construir o futuro. Ele criticou o que chamou de “ideologias contemporâneas” e afirmou que a “fratura da sociedade, ocorrida no período militar, é uma “experiência para ser lembrada”.

Para Villas Bôas, o Brasil está na iminência de algo muito grave: a perda de sua identidade. “A consequência disso seria um País à deriva. E isso não pode acontecer. Um País com o potencial do Brasil, que tem um papel muito importante a cumprir no mundo. Então, acho que é assim que temos de entender esses eventos, tanto a morte de Kozel como de Herzog.”

Ao citar os casos, Villas Bôas disse que gostaria que a família do soldado morto aos 18 anos recebesse os mesmos direitos e atenções, em referência à decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O comandante do Exército voltou a descartar qualquer possibilidade de uma intervenção militar no País. “Quem interpreta que o Exército pode intervir é porque não conhece as Forças Armadas e a determinação democrática, de espírito democrático, que reina e preside em todos os quartéis.”

Bernardo Mello Franco: Chile pune, Brasil acoberta

- O Globo

Victor Jara era cantor, poeta e diretor teatral. Em setembro de 1973, foi capturado pelos militares chilenos que derrubaram o governo de Salvador Allende. Arrastado à tortura, teve a língua cortada, os dedos quebrados e a pele queimada com brasa de cigarro. Seu corpo foi encontrado cinco dias depois do golpe, com 44 perfurações de bala.

Vladimir Herzog era jornalista e diretor da TV Cultura. Em outubro de 1975, apresentou-se para depor no DOI-Codi, centro de repressão do Exército em São Paulo. Ele foi torturado e morto no mesmo dia. Os militares apresentaram seu corpo com uma tira de pano enrolada no pescoço, numa simulação grosseira de suicídio.

Nesta semana, os dois casos tiveram desdobramentos opostos. Na terça-feira, a Justiça de Santiago condenou oito oficiais do Exército chileno pelo assassinato de Jara. Eles foram sentenciados a 18 anos de prisão pela morte do artista. Outro oficial pegou cinco anos de cadeia por ajudar a encobrir os comparsas.

Na quarta-feira, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por não punir os assassinos de Herzog. A sentença reconhece o caso como um crime contra a Humanidade e afirma que seus responsáveis não podem ser protegidos por prescrição ou anistias.

Poucos crimes da ditadura foram tão investigados quanto a morte de Herzog. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade identificou sete envolvidos no assassinato. A lista inclui cinco militares chefiados pelo coronel Audir Santos Maciel e dois legistas que assinaram o laudo com a falsa versão de suicídio.

A Justiça já mandou retificar o atestado de óbito para registrar que o jornalista morreu sob tortura. No entanto, nenhum responsável pelo crime foi punido até hoje. Os militares continuam protegidos pela Lei da Anistia, mantida pelo Supremo Tribunal Federal em 2010.

Apesar dos pedidos da Procuradoria-Geral da República, a Corte se recusa a rediscutir o perdão aos crimes da ditadura. A última ação sobre o tema repousa há quatro anos no gabinete do ministro Luiz Fux. A impunidade dos torturadores é um incentivo à permanência da tortura em delegacias e prisões. Enquanto o Chile acerta as contas com seu passado sombrio, o Brasil continua a acobertá-lo.

Vinicius Torres Freire: Roubança, antes, durante e pós-Copa

- Folha de S. Paulo

Mesmo ligado no futebol, povo se choca com mais casos de corrupção

A revelação contínua de bandidagens no governo de Michel Temer e da participação de grandes empresas e altos executivos em piratarias tem causado choque até nestes dias em que nos sedamos temporariamente com a Copa. Chicanas no alto Judiciário e a atitude relaxada em relação a gente muito suspeita apimenta a raiva e a desesperança populares.

Não está fácil sustentar o velho clichê de que a impunidade propicia a corrupção: a punição parece inócua.

O risco agora algo maior de ser flagrado, processado e de passar um tempo na cadeia não tem tido efeito dissuasivo suficiente.

Talvez alguém diga que as penas ainda tenham alcance e força restritos.

No limite, a amputação de membros, a guilhotina ou a forca talvez inibissem os sociopatas da roubança.

Esta última frase poderia ser apenas sarcasmo de mau gosto sinistro.

Não é bem assim, pois serve também de metáfora para os desejos de parte da população, cada vez mais encantada com ideias ignorantes, violentas e autoritárias para lidar com a insegurança e a desordem política. Basta ler as pesquisas eleitorais.

Sim, ainda persistem muitas de outras condições que incentivam ou elevam a propensão a saquear o Tesouro público.

Além de cana, é preciso uma reforma demorada do Estado, de suas relações com empresas e também mudança na Justiça lenta e arbitrária.

Mas, para a percepção popular, pouco parece mudar; é preciso varrer todos os que estão aí ou uma intervenção autoritária.

Claudia Safatle: Congresso quer enquadrar Judiciário

- Valor Econômico

Avanço do Poder Judiciário incomoda os pré-candidatos

O Congresso Nacional deu, nesta semana, um primeiro passo para recuperar suas funções e tentar restabelecer a ordem entre os poderes da República, subvertida ao longo dos últimos anos. O Judiciário avança sobre a área de atuação do Legislativo e prolonga seus braços sobre as competências do Executivo.

Na terça feira foi aprovado na Comissão de Constituição e Justica (CCJ) da Câmara e enviado para o Senado o projeto de lei 7.104/ 2017, que restringe a concessão de decisões monocráticas de natureza cautelar na ação direta de inconstitucionalidade (ADI) e na arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF).

Se aprovado e sancionado pela Presidência da República, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ficam proibidos de decidir individualmente nesses processos, mesmo em casos urgentes. O projeto estabelece como única exceção os períodos de recesso do Judiciário (janeiro e julho), em que os presidentes dos tribunais dão plantão.

O substitutivo do relator, deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), determina que, nesse caso, as decisões terão que ser confirmadas pelo plenário do STF até a sua oitava sessão após a retomada das atividades da Corte.

O artigo n° 97 da Constituição Federal estabelece que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Apesar da clareza da determinação constitucional, sobretudo de 2009 para cá banalizou-se a concessão de liminares de forma individual.

Elena Landau: Gol contra

- O Estado de S.Paulo

O Estado brasileiro precisa ser refundado; ajustes marginais não funcionam

Semana passada, o ministro Lewandowski publicou um artigo na Folha de S. Paulo – “Soberania e ativos estratégicos”. Nele, deixa clara sua posição contra a privatização. No mesmo dia, concede uma medida cautelar que traz enorme insegurança jurídica à privatização. Coincidência?

Questões tratadas na cautelar foram discutidas inúmeras vezes no passado no Supremo Tribunal Federal (STF), através de ações direta de inconstitucionalidade (ADI). A Corte já consolidou o entendimento de que a lei que criou, e rege, o Programa Nacional de Desestatização (PND) é uma autorização genérica dada pelo Legislativo para que o Executivo faça a gestão da coisa pública e a ordenação da vida econômica no país. Entre os objetivos do PND listados no art.1º da lei está, no inciso I, reordenar a posição estratégica do Estado na economia, transferindo à iniciativa privada atividades indevidamente exploradas pelo setor público.

Com base na lei do PND, a decisão para privatizar é prerrogativa do Executivo e é feita de forma individualizada por ato da Administração. No caso do governo federal, a inclusão no programa de desestatização se dá através de decreto presidencial. O decreto só não é suficiente quando há uma lei vedando a privatização, como no caso da Petrobrás, já que o art.62, da Lei 9478/97 que exige o controle público.

Há 27 anos é assim. Dezenas de empresas, inclusive concessionárias de serviços públicos foram vendidas com base neste procedimento, e em todos os casos, o leilão de ações de controle foi aceito como modalidade de licitação.

Ou seja, não há nada de novo no debate que justificasse a concessão de medida cautelar às vésperas do recesso judiciário.

O ministro, no mais puro ativismo jurídico, alega na liminar que a urgência para sua concessão existe “haja vista que, diariamente, vêm sendo noticiadas iniciativas do Governo no sentido de acelerar as privatizações de estatais”. E sugere que está suspenso o processo de privatização.

Míriam Leitão: BC e as eleições

- O Globo

O segundo semestre será de mais volatilidade cambial, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirma que não defenderá uma taxa de câmbio, vai atuar apenas quando houver “disfuncionalidade” ou “pânico” no mercado. Seja na queda ou na alta brusca. Goldfajn, numa entrevista que me concedeu ontem, explicou como atuará nesse período de maior estresse na economia com a proximidade das eleições.

Ilan assumiu o Banco Central com a inflação em 9,5% e ela caiu para menos de 3%. Hoje sobe em parte pelo impacto da greve do transporte de carga, que deve levar a taxa de junho para cerca de 1%. A previsão geral é que ela voltará a cair. O dólar que estava em R$ 3,15 em 25 de janeiro foi a R$ 3,90 no começo de junho, o Banco Central ofereceu US$ 30 bilhões de operações de swaps, o câmbio cedeu um pouco e voltou esta semana ao patamar de R$ 3,90. Os assuntos monetários estão no meio do debate eleitoral, há motivos internos e externos para a instabilidade. O que o Banco Central vai fazer?

— Vamos oferecer para o Brasil o uso dos nossos amortecedores, para gerar mais tranquilidade, sem fixar o câmbio ou outros preços que dependam do que as pessoas acreditam que vai ser o futuro. Vamos oferecer tranquilidade — disse Ilan Goldfajn na entrevista que foi ontem ao ar na Globonews.

Ele disse que toda vez que não houver liquidez, que houver disfuncionalidade, quando não houver condições para a formação de preços, porque um acontecimento não foi ainda inteiramente absorvido, nesses momentos haverá intervenção do Banco Central. Ele deixou claro que não vai defender um teto do dólar. “O câmbio é flutuante”, disse ele, explicando que essa é uma das defesas, junto com o volume de reservas. Aliás, esse volume, segundo ele, é sempre considerado alto quando está tudo calmo, mas é usado nestes momentos de dificuldades.

Armando Castelar Pinheiro: Amlo, o México e o Brasil

- Valor Econômico

Muitos votos nulos ou brancos criam problema de legitimidade que dificultará as reformas que o Brasil precisa

O mundo está mudando. A população mundial está mais saudável, vivendo mais e ficando mais rica. A desigualdade de renda está em queda, fruto do rápido crescimento das economias emergentes da Ásia, mas também, em menor escala, do bom desempenho dos países africanos. Isso está mexendo com as pessoas, mas nem todas têm reagido com alegria. O nacionalismo e a xenofobia, por exemplo, estão em alta, ajudando a instigar uma assustadora guerra comercial.

E grande parte do eleitorado do Ocidente parece estar chateada e disposta a mudar "tudo isso que está aí", o que tem favorecido políticos populistas, que ganharam eleições de significância global, como nos EUA e na Itália, por exemplo. E essa onda populista está longe de ter passado.

Esse pano de fundo alimentou a expectativa de um ressurgimento do populismo na América Latina. Porém, não foi o que se viu nas eleições legislativas na Argentina, no final do ano passado, nem nas eleições presidenciais deste ano no Chile e na Colômbia, em que os partidos de centro-direita levaram a melhor, defendendo reformas pró-mercado. No México, porém, foi diferente. A eleição domingo passado de Andrés Manuel López Obrador, ou Amlo, como é conhecido, foi para muitos a vitória do populismo.

Amlo ganhou a presidência com expressiva vantagem sobre seus concorrentes - 53,0% dos votos, contra 22,5% e 16,4% do segundo e do terceiro colocados, respectivamente. Além disso, seu partido Morena (Movimiento Regeneración Nacional), fundado há apenas seis anos, se tornou o principal partido da Câmara dos Deputados e do Senado, com 37,5% e 37,2% das cadeiras, respectivamente, devendo a coligação que apoia Amlo controlar as duas casas, permitindo-lhe aprovar novas leis, ainda que não mudar a constituição. De quebra, o Morena também ganhou cinco das nove eleições para governador.

É difícil prever o que a eleição de Amlo vai trazer para o México, além dessa sacolejada geral no seu sistema político. Olhando o que levou à sua vitória, identificamos três conjuntos de fatores, a partir dos quais podemos ter algumas pistas.

Uma pauta de modernização: Editorial | O Estado de S. Paulo

Uma agenda para trazer o Brasil ao século 21 e destravar sua economia foi apresentada aos candidatos à Presidência da República pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O debate eleitoral, até agora muito fraco e até assustador, talvez melhore, se os pretendentes ao Palácio do Planalto derem alguma atenção aos 42 documentos divulgados na quarta-feira passada. A pauta inclui, entre outros temas, tributação, educação fundamental, formação técnica, sistema de transportes, política ambiental, saneamento básico, diplomacia comercial, energia, saúde suplementar e indústria 4.0. Não se discutem questões óbvias, como a importância do ajuste das contas públicas, o controle da inflação, a preservação do câmbio flexível e a condução da política monetária sem mágicas e sem voluntarismo. Parece um sinal de confiança no bom senso e na seriedade de quem for eleito. Pode ser um otimismo excessivo.

Os documentos contêm as linhas básicas de um extenso programa de governo, embora a análise e as propostas sejam organizadas, compreensivelmente, do ponto de vista da indústria. As ideias ultrapassam claramente uma perspectiva setorial. As mudanças propostas correspondem, na maior parte dos casos, à eliminação de entraves apontados, há muito tempo, em estudos internacionais de competitividade.

Relatórios publicados periodicamente pelo Fórum Econômico Mundial, pelo Banco Mundial e por entidades empresariais apontam a insegurança jurídica, a deficiência da infraestrutura, a complexidade dos tributos, o peso dos impostos sobre a produção e o baixo preparo da mão de obra como desvantagens importantes na concorrência global.

“A insegurança jurídica aumenta custos, eleva as incertezas e paralisa investimentos. As empresas incorrem em custos de litigância e são obrigadas a fazer provisões para se defender da falta de clareza das normas”, segundo o primeiro dos 42 documentos da CNI. Há um parentesco inegável entre a falta de clareza das normas e a complexidade do sistema tributário, assunto discutido em outro documento. O relatório propõe um caminho para a simplificação e maior funcionalidade dos muitos tributos indiretos.

PIB atropelado: Editorial | Folha de S. Paulo

Paralisação dos caminhoneiros leva produção da indústria a desabar e acentua pessimismo

Com a divulgação de indicadores relativos a maio e junho, já se pode começar a medir os impactos da paralisação dos caminhoneiros na atividade econômica do país. Eles não se mostram pequenos.

Os mais evidentes decorrem dos problemas logísticos que perturbaram as cadeias produtivas. De abril para maio, a indústria contabilizou queda de 10,9% —a maior desde dezembro de 2008, no auge da crise financeira internacional.

O desempenho do mês ficou 6,1% abaixo do verificado em dezembro de 2016, quando chegou ao fim uma brutal recessão de 11 trimestres.

Fabricação e vendas de automóveis recuaram, respectivamente, 25,9% e 7,8%, feitos os ajustes de sazonalidade. Em junho, expectativas de alguma melhora no setor foram frustradas.

Questão dos combustíveis ainda longe de uma solução: Editorial | Valor Econômico

A já delicada e complexa situação dos preços dos combustíveis, que levou à greve dos caminhoneiros em maio e à grande dificuldade de negociação sobre o frete a ser cobrado dos mais diversos setores econômicos, ganhou nos últimos dias mais elementos complicadores, tornando remota a possibilidade de uma solução de curto prazo para os impasses - uma solução que agrade todos os envolvidos na questão.

O imbróglio foi desencadeado pela política de preços de combustíveis da Petrobras, baseada em reajustes diários atrelados à cotação internacional. Sua adoção pela empresa completou um ano esta semana. Neste um ano, a Petrobras mexeu nos preços centenas de vezes e, em meio à valorização internacional do petróleo e do dólar, o diesel subiu 49,9%, e a gasolina, 48%, nas refinarias. O descontentamento dos consumidores com essa alta levou à greve de caminhoneiros e ao pedido de demissão do presidente da empresa, Pedro Parente.

Durante a greve, o governo anunciou que os preços do diesel passariam a ser revistos mensalmente, mas os reajustes diários da gasolina foram mantidos. Desde o fim da greve, foram feitas por empresários, dirigentes de entidades e economistas muitas críticas às medidas adotadas pelo governo para acabar com a paralisação dos caminhoneiros, que prejudicou o abastecimento em quase todos os setores da economia.

Embraer valida um modelo industrial: Editorial | O Globo

A associação com a americana Boeing é um passo numa longa trajetória que passa pela internacionalização e integração a cadeias globais de produção

Se reações contra a abertura da economia brasileira ao mundo se alimentam do nacionalismo dos anos 50, para impedir a modernização do país em defesa de interesses menores, a operação confirmada ontem entre a Boeing e a Embraer vai em sentido contrário, dentro de um modelo industrial moderno. Reafirma a importância de empresas brasileiras estarem conectadas a cadeias globais de produção.

A alternativa oposta seria cultivar o ingênuo orgulho por abrigar como “genuinamente nacional” a terceira fabricante de aviões do mundo, mas com o destino marcado de perder terreno numa concorrência feroz, por falta de condições de se manter atualizada em tecnologia, estrutura de vendas e capitalização.

Odeon com Raphael Rabello

Carlos Drummond de Andrade: Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

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Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Opinião do dia: Fernando Henrique Cardoso

"Sou otimista no sentido que, em certos momentos da história brasileira, foi possível criar um movimento coletivo capaz de fazer as pessoas se unirem, acreditarem que, além das nossas diferenças, há uma coisa que pode nos levar juntos para um novo caminho. Isso está em jogo, agora. A eleições é um momento oportuno para isso acontecer"

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Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, ex-presidente da República, em debate na Confederação Nacional da Indústria (CNI), Valor Econômico, 4/7/2018

William Waack: Demanda eleitoral

- O Estado de S.Paulo

Tendência no Brasil é de que candidatos ‘rompedores’ se sobressaiam aos ‘reformistas’

Qual candidato no Brasil atende melhor ao que especialistas estão chamando de “demanda” por parte dos eleitores? As consultorias internacionais e nacionais que se esforçam em explicar a política brasileira para investidores (portanto, com viés de avaliação de risco e oportunidades) estão solidificando um consenso: o de que as eleições aqui são parte de uma grande tendência internacional de “rompimento” com o que estava estabelecido. E que as “demandas” colocadas por eleitores no Brasil não são assim tão diferentes daquelas registradas na França, Espanha, Itália, Estados Unidos e, por último, México.

Ditadas por “raiva” e “indignação” de parcelas da população que se sentem menosprezadas por elites, abandonadas por partidos, negligenciadas pelos serviços públicos de baixa qualidade e assustadas com violência e desemprego, além de horrorizadas com a corrupção, essas “demandas” seriam similares em sua essência e razoavelmente comparáveis quanto ao objetivo: derrubar o que está aí na política, cada vez mais desprezada. Se assim é, falta explicar como se chega a resultados tão diferentes, em termos de “rompimento” ou “coesão” dos diversos sistemas políticos.

O México trouxe um interessante exemplo no último domingo de “rompimento” do que existia – a recém-reconquistada predominância de um partido que fora hegemônico, o PRI – por um movimento político que não existia há dois anos, que se diz de esquerda, e que alcançou em prazo recorde o controle inédito das casas do congresso, grande número de governos estaduais e a presidência. Em outras palavras, a refundação de uma espécie de PRI com outro nome (Morena). A capacidade do novo presidente mexicano de sobreviver às receitas que apregoa, e que levaram ao desastre econômico onde quer que foram aplicadas, é um outro capítulo e fica para depois.

Bernardo Mello Franco: Bolsonaro bate continência para o PIB

- O Globo

Há 28 anos, Jair Bolsonaro é pago para elaborar leis e fiscalizar o Orçamento. O deputado está prestes a concluir o sétimo mandato, mas ainda não encontrou tempo para estudar o básico sobre contas públicas. É o que ele mesmo tem repetido quando comparece a sabatinas com os presidenciáveis.

“Sou capitão do Exército, sou artilheiro. Mas de economia... eu não estudei economia”, disse ontem, em encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria. “Será que nós temos que entender de tudo?”, questionou.

Enquanto os adversários apresentavam ideias para resolver o desequilíbrio fiscal, Bolsonaro tentava desconversar. “Quem botou o Brasil nessa situação, se não foram os economistas?”, disse. Em seguida, ele pareceu mudar de ideia. Pediu que as perguntas da plateia fossem encaminhadas ao economista Paulo Guedes, que o apoia: “A pessoa adequada é ele, não eu”.

O presidenciável adotou a mesma tática para fugir de uma questão sobre educação. “Não quero falar daquilo que não domino”, escapuliu. “Quem tem competência pra tudo? Se nós temos de nos socorrer da esposa para administrar uma casa, quanto mais para administrar um país”.

Apesar de admitir que não entende de economia, Bolsonaro não vacila ao dizer que tomará o lado dos patrões em disputas com empregados. “Tem que fazer valer a vontade dos senhores”, disse, diante da plateia de empresários. “A grande mídia tem que parar de ver os senhores como bandidos. Ser patrão no Brasil é ser bandido”, continuou, sob aplausos.

O candidato acrescentou que, se for eleito, os trabalhadores terão que decidir entre ter “menos direitos e emprego ou todos os direitos e nenhum emprego”. O capitão já havia batido continência para o PIB na terça-feira. Em encontro com empresários em São Paulo, ele se comprometeu a manter as reformas do governo Temer e a ampliar as privatizações.

Embora se esforce para vestir a farda de liberal, o deputado ainda tropeça no histórico de defesa das corporações. Na sabatina de ontem, ele disse que os militares merecem se aposentar mais cedo e defendeu que alguns políticos acumulem vencimentos acima do limite constitucional. “Quem tem aposentadoria, dá um extrateto, se for o caso”, disse. l

Bruno Boghossian: Sindicato dos patrões

- Folha de S. Paulo

Patrões cobram menos interferência do governo na produção, mas querem benefícios

A cada quatro anos, a indústria expõe suas contradições ao convocar para um beija-mão os principais candidatos à Presidência. Desta vez, a crise econômica apagou o constrangimento de um setor que cobra a redução de benefícios trabalhistas, enquanto estende o chapéu ao governo para pedir incentivos.

Em sabatina com seis postulantes ao Planalto, nesta quarta (4), o presidente do sindicato das construtoras reclamou que o Ministério Público e a legislação ambiental são uma “parafernália” que cobra um preço alto da indústria. Disse que essas regras são ineficientes e precisam mudar.

A manifestação carrega uma compreensível reivindicação pela redução de custos burocráticos e da carga de impostos pagos pelos produtores. Seria um belo discurso, caso a indústria não fosse tão dependente do peso do próprio Estado.

Como se a crise econômica não tivesse sido acentuada por esse antigo vício, os empresários acenaram com pedidos de estímulo (leia-se subsídios) e intervenções do governo para baratear a oferta de crédito.

Como de hábito, os candidatos tentaram agradar. Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB), por exemplo, prometeram reduzir os impostos cobrados das empresas.

Jair Bolsonaro (PSL) foi quem vestiu com mais entusiasmo o uniforme de industrial. “Não faremos nada da nossa cabeça. Os senhores que estão na ponta das empresas serão os nossos patrões”, afirmou.

Sob aplausos, o capitão da reserva seduziu a plateia: disse ser possível “vencer os problemas ambientais” e sentenciou que a indústria não deve ser tratada como inimiga. Declarou ainda ter ouvido que os trabalhadores precisarão escolher entre ter “menos direitos e emprego” ou “todos os direitos e desemprego”.

Ciro Gomes (PDT) foi vaiado ao dizer que vai rever a reforma que flexibilizou direitos dos empregados. Prometeu um ambiente de negócios mais favorável, mas se estranhou com o PIB. “Ganhar dinheiro é importante, mas temos um povo para alimentar. Vou prestigiar essa gente.”

Maria Cristina Fernandes: Disputa de ofício

- Valor Econômico

Em 30 dias, STF tira poderes conquistados pelo MP em 30 anos

Da promulgação da Constituição de 1988 até o início do mês passado, em apenas uma ocasião o Supremo Tribunal Federal decidiu arquivar um inquérito à revelia da Procuradoria-Geral da República. Nos últimos 30 dias, foram seis os arquivamentos de ofício. São assim nomeados pelo jargão jurídico os processos encerrados pelo juiz da causa sem a provocação do ministério público, encarregado da investigação.

O levantamento é de Vladimir Aras. Integrante da força-tarefa do Banestado nos anos 1990 e das operações transnacionais da Lava-Jato, o procurador da República hoje atua em Brasília e é diretor de assuntos legislativos da associação nacional de sua corporação.

O ativismo do Supremo na matéria, somado à decisão que autorizou o Judiciário a homologar delações da polícia sem consulta aos procuradores, ameaça retroagir, em 30 dias, os poderes conquistados pelo MP nos últimos 30 anos.

Visto de fora, o embate entre procuradores e magistrados tem as tintas de briga corporativa, mas vai muito além disso. É o equilíbrio de forças estabelecido pela Constituição de 1988 que está em jogo. O juiz autoriza busca e apreensão, interceptação e prisão, mas não é parte da investigação, como nos Estados Unidos e em contraste com a herança ibérica.

Míriam Leitão: Tombo industrial

- O Globo

O tombo da produção industrial já era esperado, por causa da greve do setor de transporte de carga. Mas há, nos últimos indicadores, sinais de uma economia em transição. Estava se recuperando e volta a perder vigor. Mais do que o efeito localizado, a greve foi o ponto que levou o país para outro ritmo. Não apenas pelo movimento, mas pela soma de vários problemas em que se destaca a incerteza política.

A produção industrial caiu 10,9% em maio. Uma queda que fez o país recuar anos. Mas, ao mesmo tempo, no acumulado de janeiro a maio, o setor de bens de capital teve alta de 9,5%, o que é sempre indicação de investimento. Os dados da balança comercial de junho mostram uma retração de 7,7% na importação de combustíveis e lubrificantes, em decorrência da dúvida sobre os preços do diesel. Mas as importações gerais cresceram 17%, e as de bens de capital subiram 33,8%.

Há retrato e filme. O retrato é de um país que em maio despencou o nível de atividade e teve um salto nos preços por causa do violento impacto da greve que uniu caminhoneiros e empresários do setor. A inflação de junho deve ficar em 1,1%, dado que será divulgado na sexta-feira. Nos preços, o efeito pode ser mais temporário, mas no nível de atividade, não.

O Itaú Unibanco estima que a indústria voltará a crescer 10,9% em junho, recuperando a perda de maio. Mas não há consenso no mercado. O UBS, por exemplo, estima crescimento de 7%. O banco ressalta que só houve três momentos piores do que a queda de maio: no plano Collor, em 1990, na greve dos petroleiros, em 1995, e na crise financeira de 2008.

Everardo Maciel: Incentivos fiscais, mais uma vez

- O Estado de S.Paulo

A competição fiscal lícita é tão antiga quanto a história dos impostos

Se tributo constitui uma indispensável intervenção do Estado, que contrapõe o interesse público à liberdade individual, evitá-lo ou reduzi-lo pode ser um valioso instrumento à disposição dos entes tributantes (países, Estados e municípios) para fomentar o desenvolvimento.

É nessa perspectiva que devem ser entendidos incentivos fiscais motivados pelos interesses de um país, no contexto da competição internacional, ou pela pretensão, no âmbito de uma jurisdição nacional, de corrigir desigualdades regionais de renda.

A fixação de regras, por meio de tratados internacionais ou de legislações nacionais, delimita a possibilidade de utilização de tributos na atração de investimentos ou para evitar que se relocalizem. Configura-se, nessas circunstâncias, a competição fiscal lícita, que é tão antiga quanto a história dos impostos.

A prática da competição fiscal lícita pode, sem dúvida, não corresponder ao melhor padrão de eficiência econômica.

No caso dos incentivos fiscais regionais, o que prevalece, todavia, é a unidade nacional, cuja relevância é igual ou superior à da eficiência econômica.

No Brasil, a correção das abissais desigualdades regionais converteu-se, a propósito, em um dos objetivos fundamentais da República (artigo 3.º, III, da Constituição) e constitui critério, também constitucional, para a partilha de rendas e a alocação de recursos orçamentários.

Vinicius Torres Freire: O Brasil quer ir para os pênaltis

- Folha de S. Paulo

Economia será essa lerdeza até 2019, raiva popular cresce e flertamos com um desastre político

O estado da economia até a eleição será mais ou menos este que podemos ver por agora, pouco mais do que uma estagnação manchada de horrores.

Quer dizer, será isso caso não sobrevenha tumulto financeiro causado por Donald "Nero" Trump ou pela possível vitória de um programa de governo demente na eleição presidencial de outubro.

Poderia ter sido um pouco melhor, mesmo com as expectativas reduzidas pela mediocridade do início do ano. Mesmo a sensação térmica, a experiência do povo comum, poderia vir a mais agradável no terceiro trimestre, que pareceria mais animado do que indicaria o crescimento de apenas.

Os efeitos diretos do caminhonaço e o choque político causado pelo surto nacional de insensatez de maio enterraram o restante das esperanças de crescimento melhorzinho e acelerando. Vamos crescer 1,6%, se tanto, sem tendência de alta relevante até meados do ano que vem. Dá cerca de 0,8% per capita, o que quase ninguém vai perceber.

CAMINHONAÇO
A produção da indústria afundou 11%, soubemos nesta quarta-feira (4) pelo IBGE. Não foi tão ruim quanto se estimava, na média. Assim, aumenta a chance de que tenhamos escapado de uma regressão do PIB neste segundo trimestre.

Há indícios de que em junho as fábricas tenham ao menos compensado as perdas de maio. É um alívio para quem gosta de ver o copo meio limpo.

"Os primeiros indicadores coincidentes (confiança da indústria, utilização da capacidade instalada, dados semanais de comércio exterior e consumo de energia, licenciamento de veículos, entre outros) sinalizam alta de 10,9% dessazonalizada em junho (avanço de 0,9% na comparação anual)", escreveram os economistas do Itaú em relatório sobre o desempenho da indústria.

Ribamar Oliveira: Solução das 'pedaladas' agravou a recessão

- Valor Econômico

Estudo avalia efeitos da regularização das despesas escondidas

Um estudo, recentemente concluído, sustenta que o reconhecimento e a regularização em 2015 das despesas públicas que não tinham sido contabilizadas anteriormente - as famosas "pedaladas fiscais" do governo da ex-presidente Dilma Rousseff - agravaram a recessão da economia brasileira, que teve início no segundo trimestre de 2014. Pela primeira vez, economistas procuraram dimensionar os efeitos macroeconômicos de todo esse processo que, no campo político, terminou com o impeachment da ex-presidente.

A tese central defendida pelos autores é que a gradual explicitação da existência e a magnitude dos passivos fiscais, que foram escondidos pela "contabilidade criativa", teriam provocado uma série de choques nos agentes privados (chamados de "choques informacionais" no estudo) ao longo de 2015. Os choques aumentaram a percepção de risco em relação à sustentabilidade da dívida pública brasileira.

Com isso, os agentes privados passaram a esperar um ajuste fiscal mais profundo do que o antecipado anteriormente pelo governo para a estabilização das contas públicas. Diante da nova realidade e da implementação do programa de ajuste, eles teriam sido levados a rever suas decisões, reduzindo consumo, poupança, investimentos e a produção.

A principal hipótese do estudo, que será publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), como texto para discussão, é que, até o final de 2014, os agentes privados não conheciam a real situação das finanças públicas do país. E que, a partir do último trimestre daquele ano, eles tiveram sucessivas "surpresas" com os dados cada vez mais preocupantes sobre o "buraco" nas contas públicas.

Naquela época, é bom relembrar, a explicitação dos passivos foi sendo feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), com o governo evitando se pronunciar com clareza sobre o assunto. Com base nas novas informações que iam surgindo, os agentes passaram a refazer suas contas sobre o tamanho da despesa para 2015, sobre o superávit primário necessário para a estabilização das contas e o impacto de tudo isso na dívida pública.

Luiz Carlos Azedo: A liturgia do cargo

- Correio Braziliense

Dias Toffoli assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro e já toma decisões levando em conta a expectativa de poder que o mundo jurídico lhe reserva

“Não há limite. Vamos pensar: os caras são vitalícios, nunca serão responsabilizados via STF ou via Congresso e ganharão todos os meses o mesmo subsídio. Sem contar o que ganham por fora com os companheiros que beneficiam. Para que ter vergonha na cara?”, disparou a procuradora da República Monique Cheker no Twitter, logo após criticar o líder do governo, deputado André Moura (PSC-CE), por indicar “advogados, primos e dona de salão” para a Dataprev. A frase foi interpretada como uma crítica aos ministros do STF, o que a procuradora nega em outro post: “Não há menção a ministros do STF”.

Em reação à procuradora, o integrante do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) Luiz Fernando Bandeira de Mello encaminhou à Corregedoria Nacional do MP um pedido para que seja apurada a eventual menção da procuradora da República a ministros do STF que ganhariam “por fora com os companheiros que beneficiam”. No documento, Bandeira pede para que seja investigada a real autoria da publicação nas redes sociais e, se confirmada, a “eventual infração disciplinar”. Em outro post, Cheker não deixa por menos. diz que CNPM “é um órgão extremamente importante para o controle disciplinar de membros do MP mas está enfrentando uma péssima fase, olhando twitters e postagens no Facebook, sem qualquer indícios de falta disciplinar, quando há muito o que fazer no combate à corrupção.”

Na verdade, o clima esquentou entre procuradores e ministros do Supremo por causa de decisões da Segunda Turma do STF e algumas decisões monocráticas de ministros do STF libertando presos da Operação Lava-Jato e arquivando inquéritos que, depois de sucessivas prorrogações, não apresentaram provas cabais contra os indiciados. Líder da força-tarefa que investiga a Lava-Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol, por exemplo, não digeriu a soltura do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu: “Min. Toffoli mantém preso réu que furtou uma bermuda de 10 reais. Já Dirceu, que desviou milhões e também tem mais de uma condenação em seu histórico, foi solto pelo mesmo ministro, que foi subordinado ao réu na Casa Civil”, disparou.

“Dirceu foi preso p/ cumprir pena qd vigiam cautelares (como tornozeleira). Em seguida, 2ª Turma suspendeu pena contra decisão do STF q permite prisão em 2ª instância Naturalmente, cautelares voltavam a valer. Agora, Toffoli cancela cautelares de seu ex-chefe (sic)”, escreveu o procurador. Desafeto de Dellagnol, o advogado Rodrigo Tacla Duran, investigado pela Lava-Jato, não perde uma oportunidade para atacar o procurador no Twitter: “Repudiar e desrespeitar decisão judicial de instância superior virou hábito dos que naturalmente não investigam ex-colegas e se fazem de rogado. Buscam desviar o foco com opiniões contraditórias corporativistas e hipócritas”, provocou.

Roberto Freire: Alegria e esperança

- Blog do Noblat/Veja

Revi, um dia desses, o filme chileno “NO”, indicado ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, em 2012.É sobre o plebiscito que o ditador Pinochet convocou para legitimar-se aos olhos da opinião pública internacional.

O “SI” implicava na continuidade do regime, o “NO”, em sua queda. As pesquisas davam como certa a vitória do ditador, que investia nos resultados econômicos, em detrimento da liberdade.

As oposições democráticas resolveram participar. Havia uma corrente que não acreditava na vitória e queria usar o espaço para, com os olhos no retrovisor, apenas denunciar os crimes da ditadura.

Prevaleceu o entendimento de apontar para a frente e opor à ditadura a alegria, a alegria da restauração do império das liberdades democráticas.

O símbolo da campanha do “NO” era um arco-íris, representativo da diversidade das correntes democráticas. Era o “NO más”.

Pinochet tentou dar um golpe de mão, quando as urnas revelaram a vitória oposicionista, mas foi impedido pela maioria dos seus generais, acuados pelas reações da opinião pública chilena e temerosos das pressões internacionais.

A vitória do “NO” levou à redemocratização e à pacificação nacional.

Na campanha do “NO” formou-se o que veio a ser a consertação, o bloco de forças democráticas e reformistas que governou o Chile contemporâneo, vitorioso na maioria das eleições subsequentes à derrocada do regime de Pinochet.

Guardadas as devidas proporções e os momentos históricos distintos, estamos em uma situação no Brasil em que temos a aprender com os acontecimentos chilenos. Precisamos mirar as forças democráticas e reformistas na restauração da alegria. E acoplar a esperança.

Alegria e esperança em dias melhores, com a melhoria das condições de vida e trabalho da população e a preservação do reino das liberdades democráticas.

Pré-candidatos têm baixa interação com demandas dos eleitores

Por Fernando Taquari | Valor Econômico

SÃO PAULO - Levantamento realizado em maio e junho pela consultoria.MAP, proprietária do Índice de Positividade Brasil Opinião (IP Brasil-Opinião), que mede, nas redes sociais, o apoio da sociedade aos principais temas da atualidade, revela uma baixa interação entre as demandas dos eleitores e os principais temas discutidos pelos pré-candidatos à Presidência da República.

Líder nas pesquisas de intenção de voto no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) aparece como o presidenciável mais citado nas redes sociais (34,8%), com 39% de manifestações positivas. O parlamentar fluminense, no entanto, concentrou a maior parte de seus posts (60%) nos últimos dois meses para falar de si ou de sua pré-campanha.

A pré-campanha de cada postulante foi neste período o fato político mais destacado pela sociedade nas redes sociais, embora por apenas 18%. "Esse dado revela um descasamento entre o eleitorado e os pré-candidatos de um modo geral, e não só o Bolsonaro, já que nenhum deles aborda outros assuntos demandados de uma forma mais ampla em seus posts", afirma Marília Stábile, diretora-geral da.MAP.

Citado por 31,7% dos usuários, Lula conta com mais menções favoráveis (45%) que Bolsonaro. O petista, que está preso desde abril, dividiu seus comentários entre sua pré-campanha (37,3%) e a Operação Lava-Jato (35,1%), pela qual foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e que com 9% foi a segunda questão política mais debatida pelos usuários.

O ex-ministro Ciro Gomes aparece como o terceiro mais comentado (13,5%), com 28% de menções favoráveis. O pedetista também focou em si próprio (60,5%), embora, ao contrário de Bolsonaro, tenha apresentada uma pauta mais diversificada e alinhada com o eleitorado ao tratar, ainda que em alguns casos de forma residual, de outros temas debatidos nas redes sociais, como o governo Michel Temer, o desemprego, a corrupção, o machismo e o racismo.

Com menos citações, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), a ex-senadora Marina Silva (Rede) e o empresário Flávio Rocha (PRB) tiveram percentuais parecidos com os registrados por Bolsonaro e Ciro em suas interações com os usuários no que se refere à própria pré-candidatura. Mas a exemplo do pedetista e na contramão do parlamentar, os três presidenciáveis falam, mesmo que de maneira breve, de outros assuntos.

Alckmin crê em 'arrancada fulminante'

Por Raymundo Costa | Valor Econômico

BRASÍLIA - O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) acredita que pode vencer a eleição numa campanha fulminante nos últimos 30 dias do horário eleitoral gratuito, quando ele espera que prevaleça uma "onda de racionalidade". Na opinião do tucano, sem a televisão nenhum candidato tem chance. Ele menciona a eleição recente para governador de Tocantins, onde os candidatos que lideravam 30 dias antes nem foram para o segundo turno.

Contador de causos, Alckmin lembra-se de um episódio ocorrido em janeiro, quando ainda era governador, que vem em socorro de sua convicção. Depois de uma solenidade, estava de volta ao Palácio quando parou em um semáforo fechado. Uma "senhorinha" o cumprimentou. Ele respondeu, mas se deu conta que ela o reconhecia, mas não lembrava seu nome. O sinal abriu e ela se despediu: "Tchau doutor Paulo Maluf".

Alckmin projeta ser o ganhador na reta final
O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) quer ganhar a eleição numa campanha fulminante nos últimos 30 dias do horário eleitoral gratuito, quando então prevalecerá, segundo acredita, a "onda da racionalidade". O momento atual é dominado pelo que chama de "onda do radicalismo", algo que considera natural no início das campanhas.

Alckmin circulou ontem pela arena da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com um discurso fiscal ajustado, mas quem surfou a crista da onda foi Ciro Gomes. Para atender à clientela do PDT, Ciro atacou a reforma trabalhista e foi vaiado pelos empresários. O tucano ficou com a aprovação da plateia mas também com a desconfiança sobre sua viabilidade eleitoral.

O horário eleitoral gratuito começa em 31 de agosto. Antes disso, o ex-governador acredita que nenhum candidato tem chance de reverter situações delicadas como a dele nas pesquisas eleitorais. Menciona a eleição recente para o governo de Tocantins - os candidatos que lideravam 30 dias antes nem sequer foram para o segundo turno.

Sob aplausos de empresários, Alckmin defende a desburocratização da economia e redução do IR de pessoa jurídica

BRASÍLIA - O presidente nacional do PSDB e pré-candidato do partido à Presidência, Geraldo Alckmin, foi aplaudido em pelo menos três momentos. Primeiro quando anunciou sua proposta de reduzir o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, como alternativa para se aumentar o investimento e também estimular a criação de novos empregos no país.

“Nós vamos reduzir o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, ou seja, o imposto corporativo. Para quê? Para atrair empresas e investimento no Brasil e que as empresas reinvistam, reduzindo como os Estados Unidos fizeram. Nós vamos ter uma política muito ativa na questão do emprego e da renda”, explicou Alckmin depois em coletiva à imprensa.

O pré-candidato tucano também foi aplaudido quando se comprometeu em desregulamentar e desburocratizar a economia brasileira e quando destacou que caberá ao próximo governo criar um ambiente seguro para se empreender no país. Ele finalizou sua participação no evento da CNI demonstrando confiança no seu desempenho na disputa presidencial.

“Vocês não perguntaram se eu tenho chance, mas eu vou dizer: eu vou ganhar a eleição!”, afirmou Alckmin, mais uma vez arrancando aplausos da plateia.

Seguem os principais trechos da entrevista coletiva:

Reformas
Quem for eleito, vai ter aí 55, talvez se aproxime de 60 milhões de votos, o que traz uma legitimidade muito grande. O novo governo tem que aproveitar o início do governo, a força do voto, ter a sociedade junto. E explicar as razões, como a simplificação tributária, que pode trazer um ganho de quase um ponto porcentual do PIB, uma boa simplificação tributária, a reforma da previdência – que não é para tirar direito de ninguém – mas é para ter um sistema mais justo e equilibrado do ponto de vista financeiro.

Redução do IR para Pessoa Jurídica
Eu citei aqui e quero dar um destaque que nós vamos reduzir o imposto de renda de pessoa jurídica, ou seja, o imposto corporativo. Para quê? Para atrair empresas e investimento no Brasil e que as empresas reinvistam, reduzindo como os Estados Unidos fizeram. Nós vamos ter uma política muito ativa na questão do emprego e da renda.

Setor elétrico
Esse foi um dos setores mais prejudicados pelo intervencionismo do governo anterior. Com a privatização, um bom marco regulatório e agências de fiscalização despartidarizadas, você traz ganhos de eficiência e você traz de outro lado também investimento. É preciso estimular também as energias renováveis. Outro grande problema do custo de energia é tributário. Não pode neste momento, ficar dizendo que vai reduzir, mas é preciso buscar uma redução tributária.

Pesquisas
O povo brasileiro ainda não sabe quem são os candidatos, quem não é candidato, qual é a aliança, o que defende, quais as suas propostas. Não tenho a menor preocupação com pesquisa neste momento. Não temos aliança fechada, mas bem encaminhada com 5 partidos, o que nos coloca, praticamente, com 20% do tempo do rádio e da televisão.

Jantar com “blocão”
Fui convidado para o encontro com o bloco entre 4 e 5 partidos. Aliança não se faz de qualquer jeito, deve se fazer baseada em propostas, em programa e com o objetivo da governabilidade . É preciso ganhar a eleição e é preciso fazer um bom governo. As duas coisas são necessárias para o povo brasileiro. Não é só ganhar, é ganhar e fazer um bom governo. Nós acreditamos que temos alguns partidos que têm uma afinidade maior do ponto de vista de visão de mundo, do ponto de vista na área econômica, como retomar o crescimento da economia, medidas que são necessárias.

“A democracia é a pedra basilar da civilização”, diz Alckmin

O presidente nacional do PSDB e pré-candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin, defendeu, na tarde desta quarta-feira (04/07), a garantia da liberdade de expressão durante encontro com empresários de rádio e TV, membros da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT).

“A democracia é a pedra basilar da civilização. É a pedra fundamental e ela só existe com a garantia da liberdade de expressão.”, afirmou.

Alckmin ressaltou que, apesar da liberdade de expressão estar expressa na Constituição Federal Brasileira, muitos grupos agem com radicalismo e atacam, principalmente, a imprensa.

“Liberdade de expressão estar expressa de maneira claríssima na Constituição Brasileira, mas ela precisa existir na prática. E a gente vê bomba em prédio de rádio, de televisão, ataque a jornalistas no dia-a-dia. Então, não pode haver impunidade. Na prática nós devemos garantir essa liberdade de expressão”, defendeu.

Ao final do encontro, Alckmin atendeu aos jornalistas que o indagaram sobre possíveis mudanças no funcionamento e no aumento do quadro de ministros do Supremo Tribunal Federal.

“Primeiro, não vejo nenhuma razão para aumentar o número de ministros do Supremo. Essa não é a reforma que se imagina. Não tem cabimento isso. A forma de escolha é o notável saber jurídico, a indicação do presidente e o crivo do poder legislativo do Senado Federal, que entendo também ser importante. Em relação ao mandato, ser vitalício ou mandato de 15, 20 anos, é uma questão que merece ser estudada, mas não simplesmente aumentar o número de ministros. Isso é coisa da ditadura e para poder ter maioria folgada queria aumentar o número de ministros”, disse.

Candidatos falam em controle do câmbio e em corte de imposto

Presidenciáveis propõem cortar IR e controlar juro

Propostas são apresentadas durante evento em Brasília com a presença de dois mil empresários; possibilidade de alteração da reforma trabalhista é criticada

Fernando Nakagawa, Felipe Frazão, Leonencio Nossa e Renan Truffi | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Em um encontro realizado nesta quarta-feira, 4, com cerca de 2 mil empresários, em Brasília, pré-candidatos à Presidência da República nas eleições 2018 apresentaram propostas econômicas como o controle do câmbio e dos juros e a redução de impostos para as empresas. A primeira medida foi defendida pelo presidenciável do PDT, Ciro Gomes, que também prometeu usar bancos públicos do País para baratear o crédito. Ainda no evento, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), enquanto o tucano Geraldo Alckmin falou em diminuir o Imposto de Renda das companhias, Marina Silva (Rede) gerou reação negativa da plateia ao prometer rever pontos “draconianos” da reforma trabalhista. Ciro também disse que pretende mudar o texto aprovado pelo Congresso.

Ao prometer reduzir o imposto das empresas, o presidenciável tucano citou como exemplo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Veja que nos Estados Unidos o presidente Donald Trump reduziu o imposto. Temos de estimular novos investimentos e fazer com que venham para cá”, afirmou Alckmin. Após a palestra, porém, coube ao assessor econômico de Alckmin, Persio Arida, explicar que a queda de arrecadação seria compensada com a adoção de um novo imposto. Ele incidiria sobre os dividendos pagos pelas empresas a seus acionistas – uma pauta polêmica e defendida, historicamente, pela esquerda.

Presente na plateia, o industrial do ramo cerâmico Francisco Xavier de Andrade afirmou que a redução de impostos poderia ter efeito positivo sobre as contas públicas, ao estimular o aumento de empregos formais. “Com alíquota menor, a informalidade diminui, o que aumenta a arrecadação.”

Câmbio. Ciro Gomes, do PDT, também escolheu para sua fala dois temas caros aos empresários – câmbio e juros. “Vou agir nos dois preços centrais que estão desindustrializando o Brasil”, disse ele. Sem citar valores, defendeu um patamar para o dólar que estimule as exportações. No caso da taxa de juro, disse que pretende usar o Banco do Brasil e a Caixa para baratear o crédito, citando na sequência uma das operações mais comuns na contabilidade das empresas – o desconto de duplicata. Segundo ele, o juro nessa operação poderia cair pela metade, para 0,75% ao mês. O uso dos bancos públicos também foi um dos instrumentos adotados pela presidente cassada Dilma Rousseff para forçar as instituições privadas a cortar suas taxas.

José Luis Korman, empresário do ramo de tecnologia do Rio Grande do Sul, viu colegas aplaudindo a proposta, mas demonstrou contrariedade. “É um canto de sereia de curto prazo. A experiência já mostrou que o controle de preços é o pior cenário”, disse.

O custo do crédito também foi citado por Henrique Meirelles, pré-candidato do MDB, e por Marina Silva, da Rede, que prometeram adotar medidas para baratear o custo dos empréstimos, mas sem interferência de bancos públicos.

Ciro recebe vaias ao dizer que reforma trabalhista é 'selvagem'
A promessa de rever pontos da reforma trabalhista, ao contrário, gerou reação negativa dos empresários. Marina prometeu rever pontos “draconianos”, enquanto Ciro disse que a mudança foi “selvagem”, o que provocou vaias de alguns presentes. “Fui vaiado por uma pequena fração, mas não estou preocupado.”

O deputado Jair Bolsonaro defendeu a ampliação do espaço da iniciativa privada na economia e a redução do Estado, com corte no número de ministérios. Ele voltou a dizer que pretende indicar mais militares para cargos-chave da sua administração. Mas o pré-candidato do PSL foi criticado por alguns participantes por não ter detalhado nenhuma proposta de maior interesse dos empresários, como a reforma da Previdência. /

Candidatos a presidente criticam o Supremo

Em evento voltado a empresários industriais, presidenciáveis questionam decisões do STF

Felipe Frazão, Fernando Nakagawa, Renan Truffi, Leonêncio Nossa e Vera Rosa | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Pré-candidatos à Presidência da República nas eleições 2018 se posicionaram nesta quarta-feira, 4, sobre propostas que afetam o Supremo Tribunal Federal (STF), como o tempo de mandato e a forma de escolha dos ministros da Corte, durante debate organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os presidenciáveis, de diferentes espectros ideológicos, fizeram críticas a recentes decisões do STF, numa reação ao que é considerado no meio político como “ativismo jurídico”.

A pressão sobre o Supremo aumentou, nas últimas semanas, depois de uma série de decisões favoráveis a réus da Operação Lava Jato, tomadas pela Segunda Turma da Corte. No evento desta quarta-feira, os pré-candidatos ao Planalto também cobraram harmonia entre os Poderes e segurança jurídica.

Um dos líderes nas pesquisas de intenção de voto, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) propôs mudar a composição do Supremo. Bolsonaro afirmou que o STF tem legislado no lugar da Câmara e do Senado e que, se essa situação continuar, o País ficará “ingovernável”. O parlamentar quer elevar de 11 para 21 o número de magistrados. “É um recado que estou dando: com esse Supremo, vai ficar ingovernável”, afirmou.

Bolsonaro citou decisão monocrática do ministro Ricardo Lewandowski, que proibiu a venda, sem autorização prévia do Legislativo, de ações de empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias ou controladas – a questão poderá ser analisada pelo plenário da Corte, após o recesso do Judiciário. O questionamento na Nova Lei das Estatais foi feito por entidades representativas de funcionários públicos. “Será uma liminar ideológica? Acho que é mais ideológica, para garantir emprego dos companheiros que o indicaram para lá”, disse o presidenciável.

O senador paranaense Alvaro Dias, pré-candidato do Podemos à Presidência, afirmou que a indicação de ministros deve ser feita por meio de lista tríplice, seguindo critérios de meritocracia e atividades na carreira dos candidatos – atualmente, a indicação é prerrogativa do presidente da República e passa por votação no Senado.

Até 2022, o futuro presidente do País poderá indicar pelo menos dois ministros para o STF, porque Celso de Mello e Marco Aurélio Mello se aposentarão. Dias afirmou que a medida poderia “eliminar suspeições” que pairam sobre decisões dos ministros e que, atualmente, as leis são interpretadas “ao sabor de conveniências e circunstâncias” pelos magistrados.