Jair
Bolsonaro mesmo admite que atua na contramão do desejo da maior parte dos
brasileiros
O
Brasil vem há dois anos se defendendo do presidente da República. A despeito do
resultado negativo de suas investidas na avaliação popular sobre a qualidade do
governo, ele não esmorece. Jair Bolsonaro mesmo admite que atua na contramão do
desejo da maior parte dos brasileiros quando desafia o país a convencê-lo a
mudar de comportamento: “Devo mudar meu discurso, me tornar mais maleável, devo
ceder? Fazer igual à grande maioria? Se me convencerem, faço, mas não me
convenceram ainda”.
Lançou
esse repto a propósito da cobrança por medidas mais severas para o combate à
pandemia, confessando que está em posição de minoria. Ele adianta ao mesmo
tempo que por ora pouco se importa com isso e não vai mudar. Portanto, não há
mais razão para aquelas dúvidas sobre se recuos e adaptações de discurso têm
efeito fugaz ou duradouro.
O jogo, então, está assim jogado: Bolsonaro no ataque, o Brasil na defensiva. Não me refiro aqui ao universo da oratória, da troca de insultos pertencente ao campo do exercício do ódio improdutivo que propicia graça, anima a plateia, mobiliza emoções, mas não move moinhos de maneira efetiva. Em outras palavras, cultiva ilusões que levam a coisa alguma. O elenco de impropérios não sensibiliza quem tem neles seu ambiente mais familiar (lato e stricto sensu).































