segunda-feira, 6 de março de 2023

Alcir Pécora* - Quem foi Astrojildo Pereira, crítico que viu marxismo em Machado de Assis

Ilustríssima / Folha de S. Paulo

Reedição da obra completa de fundador do Partido Comunista revela intelectual que conjugou paixão revolucionária e afã dos livros

 [RESUMO] O escritor Astrojildo Pereira, um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil, tem sua obra relançada com esmero pela Boitempo. Nos dois volumes de crítica literária, ele expressa sua relação visceral e apologética com Machado de Assis, em quem via um símbolo da sociedade brasileira do Segundo Reinado e um "dialético espontâneo" que, embora nunca tenha se referido a Marx, a seu ver operava intuitivamente um método de materialismo dialético em seus romances.

A reedição das obras completas do escritor e líder comunista Astrojildo Pereira (1890-1965) é uma surpresa, dado o esquecimento em que parecia mergulhado o autor, mas coerente com o catálogo de uma editora de esquerda como a Boitempo.

De minha parte, li com gosto os dois volumes mais ligados à literatura, "Machado de Assis: Ensaios e Apontamentos Avulsos" (1959) e "Crítica Impura" (1963), pois evidenciam outro fato quase esquecido: a vida intensa do pensamento marxista no Brasil, muito antes dos anos 1960 ou dos seminários universitários.

Começo pelo livro sobre Machado, autor com quem Astrojildo manteve sempre uma relação visceral, precocemente assinalada por Euclides da Cunha em famosa crônica, ao vê-lo, ainda rapaz, beijar reverencialmente a mão do escritor moribundo em 1908, gesto que pareceu transfigurar o ambiente da vigília, até então desalentado pela indiferença dos meios culturais.

São sete ensaios e 16 artigos, aos quais Astrojildo se refere como escritos de circunstância, sem "plano prévio de conjunto", publicados em diferentes épocas, situações e veículos da imprensa.

O mais conhecido deles vem logo na abertura: "Machado de Assis, romancista do Segundo Reinado", cuja hipótese é a de que o autor, na vida como na obra, foi uma "conjunção de contrastes": solitário e pessimista, mas vivendo em "sociedade e cenáculos literários"; "tipo sensual", mas "modelo de bons costumes"; "analista rigoroso e frio" e, ao mesmo tempo, "criador empolgante".

Para o crítico, há uma consonância íntima entre a literatura machadiana e a evolução histórica do Segundo Reinado, em cuja base estavam os negros escravizados e a monocultura dos latifúndios, surgindo, depois, uma nova classe dirigente burguesa.

Tal transição explicaria o fato de Machado eleger como núcleo das intrigas a base familiar da vida em sociedade, na qual quase tudo se passava em torno de um "coração contrariado", vencido pela conveniência.

José Paulo Cavalcanti Filho* - A Revolução Pernambucana

Revista Será? (PE), 3.3.23

Na próxima segunda, 6 de março, celebramos nossa Data Magna. A da Revolução Pernambucana de 1817. Para entender isso melhor, voltemos ao passado. Para lembrar que aqui se deram os primeiros movimentos pela independência do Brasil. A reação, contra a Coroa Portuguesa, ocorreu a partir de ideias iluministas propagadas no Seminário de Olinda (por isso também chamada Revolta dos Padres) e pelas sociedades maçônicas, logo disseminando-se pela sociedade. A insurreição, projetada para ocorrer um mês depois, na Semana Santa (junto com Bahia e Rio), foi antecipada pela tomada do Forte do Brum. E se deu quando o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado (por conta de sua calvície, em forma de coroa, com longos cabelos nos lados, mais parecendo uma juba), sacou de sua espada e varou, de um lado a outro, a barriga (o buxo, assim está nos livros) do comandante português Manuel Joaquim Barbosa de Castro, que lhe havia dado voz de prisão, cumprindo ordens do governador Caetano Pinto Montenegro – desse Caetano que o povo dizia ser pinto na coragem, monte na altura e negro nos sentimentos.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

PGR virou anexo do Planalto na gestão Bolsonaro

O Globo

Levantamento do GLOBO revelou que procuradores atenderam interesses do presidente em 95% das manifestações

O ex-presidente Jair Bolsonaro não pode reclamar da Procuradoria-Geral da República (PGR) em seu governo. Liderada por Augusto Aras, ela serviu de barreira às acusações contra ele próprio e seus filhos, quase sempre alinhada com a defesa deles.

Levantamento do GLOBO no Supremo Tribunal Federal (STF) revelou números eloquentes. De 186 peças analisadas, a PGR pediu a extinção de 134 e acatou sem recorrer a decisão do próprio STF de extinguir outras 32. Houve ainda dez iniciativas para retirar ações da esfera do ministro Alexandre de Moraes, desafeto do bolsonarismo. Ao todo, em 95% das manifestações a PGR atendeu a interesses de Bolsonaro, seja para arquivar processos, seja para ajudar a família.

Ficou evidente a paralisia da PGR na gestão da pandemia por Bolsonaro. Por leniência do Planalto, o país atrasou a importação das primeiras levas de vacinas. Um terço das tentativas de processar o presidente por falhas no enfrentamento da Covid-19 foi objeto de pedidos de arquivamento por parte da PGR. Em despacho de outubro de 2020, Aras argumentava contra as conclusões que já eram consenso entre cientistas. “Autoridades em matéria sanitária divergem sobre várias questões, tais como eficácia do isolamento social e imunidade coletiva”, escreveu.

Poesia - Frei Caneca - Entre Marília e a pátria

Entre Marília e a pátria
Coloquei meu coração:
A pátria roubou-me todo;
Marília que chore em vão.

Marília, pede a teus filhos,
Por minha própria abenção,
Morram, como eu, pela pátria;
Marília que chore em vão.

Apenas forem crescendo,
Cresçam com as armas na mão,
Saibam morrer, como eu morro;
Marília que chore em vão.

Defender os pátrios lares,
É dever do cidadão.
Quando exalem pela pátria;
Marília que chore em vão.

Música | Alceu Valença - Hino de Pernambuco

 

domingo, 5 de março de 2023

Merval Pereira - Em busca de um pacto

O Globo

Governadores pedem negociação ampla com governo federal e menos submissão orçamentária

A reforma tributária, um dos pilares do projeto reformista do governo Lula, que dependerá de ampla negociação no Congresso, terá um debate muito mais amplo do que apenas o aspecto financeiro, no que depender dos governadores dos sete estados que compõem o Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Consud), que se reuniram nos últimos três dias no Rio.

O aspecto político da relação entre os entes federativos (municípios, estados e governo federal) foi destacado por todos os governadores – de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – que desejam uma maior autonomia diante do governo federal e uma relação de menos submissão orçamentária.

Elio Gaspari - Os agrotrogloditas do Sul

O Globo

Se não bastassem os agrotrogloditas da Amazônia, com suas queimadas e ocupações, o agronegócio precisa se defender também dos trogloditas do Sul. Há cerca de uma semana, 200 trabalhadores baianos foram resgatados no município gaúcho de Bento Gonçalves. Contratados para a colheita da uva, viviam em condições degradantes. Expostas, as vinícolas Aurora, Salton e Cooperativa Garibaldi lastimaram o ocorrido e atribuíram a malfeitoria a uma prestadora de serviços. Esse é o protocolo seguido por todas as empresas apanhadas em malfeitorias semelhantes.

Como o negócio do vinho é sensível a exposições constrangedoras, a resposta foi rápida, clara e talvez possa se provar sincera. Estava nesse pé a coisa quando o Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves resolveu entrar na discussão e saiu-se com o seguinte disparate:

“Há uma larga parcela da população com plenas condições produtivas e que, mesmo assim, encontra-se inativa, sobrevivendo através de um sistema assistencialista que nada tem de salutar para a sociedade.”

O que os doutores quiseram dizer foi o seguinte: programas assistenciais estão drenando o estoque de mão de obra informal, mal paga e, às vezes, aviltada. No século XXI, eles acham que a assistência aos pobres prejudica a economia.

Bernardo Mello Franco – Os diamantes são eternos

O Globo

Escândalo dos diamantes mostra uso do Estado a serviço da família Bolsonaro

Depois das rachadinhas, dos depósitos do Queiroz e dos imóveis comprados com dinheiro vivo, a família Bolsonaro precisa explicar um novo rolo com pedras preciosas.

O governo do capitão tentou trazer ilegalmente para o país um kit com colar, anel, relógio e brincos de diamante. As joias foram avaliadas em € 3 milhões, o equivalente a R$ 16,5 milhões no câmbio atual.

O tesouro seria um presente da monarquia da Arábia Saudita para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, segundo confirmou o almirante Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia.

Míriam Leitão - Ouro em debate e a aliança dos povos

O Globo

A cadeia do ouro ilegal é um hub de redes criminosas. Governo Lula avança em várias frentes, mas o desafio pode ser ainda mais grave do que se imagina

O ouro está no centro do debate em Brasília. Onde se vá, o tema está pauta. A minuta de uma MP está sendo analisada neste momento no governo. Ela impõe a nota fiscal eletrônica e acaba com o princípio da boa-fé. Esse princípio concede aos vendedores de ouro a presunção de que eles estão dizendo a verdade sobre a origem do ouro, e com isso permite-se a lavagem do crime. O tema está também no STF e houve na ação um lance surpreendente. No Banco Central, houve nova reunião com a indústria da mineração. Chegam amanhã a Brasília líderes dos três povos indígenas mais afetados, Yanomami, Munduruku, Kayapó, para uma série de reuniões com o governo. O Instituto SocioAmbiental (ISA) fez um relatório inédito em que explica, em minúcias, por que o garimpo ilegal cresceu nos últimos anos e mostra o caminho para o país quebrar a cadeia de criminalidade.

Celso Rocha de Barros - PT e seu governo

Folha de S. Paulo

O que está em jogo é a relação do partido com a gestão Lula

Na semana passada, a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, criticou o fim dos subsídios aos combustíveis defendido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O risco de personalização do debate era evidente. A disputa entre Gleisi e Haddad pela liderança do PT já dura alguns anos. Mas há mais em jogo do que isso.

Se Gleisi está tentando minar Haddad para se tornar presidenciável, a estratégia é muito, muito arriscada. É difícil imaginar um cenário em que Haddad dê muito errado e Lula eleja seu sucessor em 2026, seja ele, ou ela, quem seja.

Se Haddad cair, há bem mais gente na disputa pelo controle do PT além de Gleisi, a começar pelos governadores do Nordeste. E, se Haddad cair porque o PT o derrubou, Lula só fará o dólar cair se ligar para Joaquim Levy e perguntar se ele tem um primo mais ortodoxo.

Vinicius Torres Freire – Jogo de Lula começa agora

Folha de S. Paulo

Lula terá discurso testado por Congresso de direita, inflação e emprego em baixa

O ano político parece por enquanto o ano do futebol brasileiro, que começa com esses campeonatos estaduais, em geral uma várzea. Até agora não houve partidas no Congresso, por exemplo.

Aconteceram apenas amistosos de distribuição de cargos, de resultado inconclusivo. O jogo duro da partilha de poder e dinheiros ainda está para começar. O esquema tático que Luiz Inácio Lula da Silva desenha ou improvisa não foi testado nos campos reais do emprego, da inflação ou do Congresso. Na arena dos juros, o governo está perdendo de muito.

Bruno Boghossian - Lula desaconselha escolha de Lula

Folha de S. Paulo

Na campanha, presidente reconheceu que proximidade com indicados era sinal ruim

Ainda no primeiro turno da eleição, Lula aproveitou uma passagem pela bancada do Jornal Nacional para dar uma alfinetada em nomeações feitas pelo rival Jair Bolsonaro. "Eu não quero amigo em nenhuma instituição", disse o petista. "Quero pessoas competentes, pessoas ilibadas, pessoas republicanas e pessoas que pensem no povo brasileiro."

Naquele momento, Lula tentava apresentar um contraste entre as indicações feitas para órgãos de controle em seus primeiros governos e as escolhas de Bolsonaro para a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. Semanas depois, o petista repetiu a lógica ao falar na TV sobre os critérios de indicações para o Supremo Tribunal Federal.

Muniz Sodré* - Ceder ou não à loucura

Folha de S. Paulo

Estabilidade e crescimento dependem também de superar o clima de campanha permanente, insano e improdutivo, instilado por algoritmos

"Não acho que ele [Tarcísio de Freitas] vai ser um cara dentro da loucura que é o bolsonarismo, mas vai ter que ceder muito a ela."

Nesta avaliação de um deputado sobre as tendências de comportamento do governador paulista frente ao governo federal, há sinais relevantes sobre os rumos da política no Brasil. O parlamentar referia-se ao difícil equilíbrio entre moderação e inclinação à direita radical por parte dos governadores que tentam ampliar o diálogo com Lula sem romper com o bolsonarismo.

Celso Ming - Novo aparelhamento da Petrobras

O Estado de S. Paulo

É o próprio PT que está denunciando o risco de novo aparelhamento da Petrobras. Na última quinta-feira, o Estadão revelou que o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, alertou a presidente do PT, Gleisi Hoffman, de que o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, está indicando políticos suspeitos do Centrão para ocupar cargos no Conselho de Administração da Petrobras.

A questão central é de que o risco de aparelhamento não se limita apenas aos membros do Centrão. É o próprio PT e o novo presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, que vão manobrando de maneira a preencher cargos do conselho com objetivos declaradamente reconhecidos: o de mudar o atual critério de preços dos combustíveis baseado nas cotações internacionais convertidas em reais pela cotação do câmbio do dia; o de conter a distribuição de dividendos, que Gleisi considera “indecentes”; o de reverter a pauta de desinvestimentos da Petrobras; e o de definir novos investimentos da empresa.

Eliane Cantanhêde - As joias da coroa

O Estado de S. Paulo.

As joias de R$ 16,5 milhões, a “simplicidade” e o abuso de poder dos Bolsonaro

Assim como há tempestades perfeitas, há escândalos completos, de cabo a rabo. É exatamente o caso do mimo de R$ 16,5 milhões que a ditadura sanguinária da Arábia Saudita deu para a madame Michelle Bolsonaro, para agradar (ou sei lá o que...) ao maridão dela, o então presidente do Brasil.

Trata-se do enredo rocambolesco de mais um filme de quinta sobre republiquetas de banana, ditadores, mandatários sem noção, mulheres bonitas e ambiciosas, ouro e brilhantes à vontade e uso de instrumentos e agentes públicos. E não poderiam faltar militares de diferentes patentes, fazendo tudo o que seu mestre mandar. “Um manda, o outro obedece”, lembram?

Luiz Carlos Azedo - Fusões partidárias fortalecerão ainda mais o Centrão

Correio Braziliense

Nesse contexto, Lula navega em meio à calmaria que antecede a borrasca. Haverá uma queda de braço entre o governo e a oposição, na qual o Centrão será o fiel da balança

Temos atualmente 28 partidos. Formalmente, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com um deputado, requer a fusão com o Patriota (quatro deputados) para formar o partido Mais Brasil. Solidariedade (quatro deputados) pede a incorporação do Partido Republicano da Ordem Social, o PROS (três deputados). O Podemos (12 deputados) solicita a incorporação do Partido Social Cristão, o PSC (seis deputados). Mas a movimentação mais importante é a federação ou fusão do PP (59 deputados) e do União Brasil (47 deputados), que resultará na formação da maior bancada da Câmara, com 106 deputados.

Dos 28 partidos e federações que concorreram nas eleições passadas, apenas 13 receberão recursos do Fundo Partidário em 2023, 15 não elegeram deputados federais, nem obtiveram votos suficientes para alcançar a chamada cláusula de desempenho. Os partidos que sobreviveram estão canibalizando os demais. As maiores bancadas na Câmara são do PL, de Jair Bolsonaro, com 99 deputados, e da federação PT-PV-PCdoB, com 81 deputados, que protagonizam a polarização entre o governo Lula e a oposição.

Cristovam Buarque* - Combustível: mudança boa

Blog do Noblat / Metrópoles

A decisão do governo Lula deve ser apoiada por aqueles que olham para o futuro

O governo Lula, por meio dos ministros Fernando Haddad e Alexandre Silveira, demonstrou positivo espírito de mudança com a nova regra sobre o preço dos combustíveis. Saiu do populismo de beneficiar aos atuais consumidores, mesmo sacrificando o futuro do país; sinalizou compromisso com equilíbrio fiscal, repetido diversas vezes nas sucessivas falas; apontou a necessidade de reorientação da matriz energética no transporte, da base fóssil para fontes alternativas. Muitos duvidavam que o novo governo teria a coragem política e a lucidez técnica para esta decisão, que não é fácil, porque a democracia padece de horror ao futuro e compulsão por atender aos interesses imediatos dos eleitores.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Alta na violência contra mulheres desafia autoridades

O Globo

Apesar da legislação moderna e das campanhas para combater e prevenir agressões, os indicadores pioraram

Das agressões verbais aos feminicídios, os casos de violência contra mulheres têm crescido no Brasil. Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha mostrou que 28,9% das entrevistadas relataram ter sofrido algum tipo de agressão em 2022, o maior percentual já registrado pelo levantamento, iniciado em 2017. No conjunto da população, a cada minuto 35 mulheres foram agredidas no país. O número deveria fazer soar o alarme: algo não tem funcionado nas políticas de proteção.

Não se pode dizer que a sociedade brasileira tenha ficado alheia à violência contra mulheres nas últimas décadas. A legislação foi aperfeiçoada para aumentar a proteção às vítimas, garantir o afastamento de agressores e inibir novos casos. A Lei Maria da Penha foi um marco, assim como a tipificação do crime de feminicídio. Ao mesmo tempo, campanhas de conscientização, como “Chega de fiu-fiu” ou “Não é não”, têm sido recorrentes. Infelizmente, a alta nos casos mostra que o Estado continua falhando em protegê-las.

Poesia | Graziela Melo - Palavras

Palavras!
São diletas
filhas
do tempo,

amigas
da solidão,
reproduzem
as dores
da alma,

os clamores
do coração!!!

Palavras,
as que
causam
espanto,

tristeza
ou
alegria,

as vezes
pronunciadas
à noite

são
desmentidas
de dia!!!

Palavras!
Algumas
as mais
verdadeiras...

outras,
mentiras
corriqueiras,

flácidas,
lânguidas,
derretem
à luz do sol!

Existem
os belos
vocábulos

que soam
aos nossos
ouvidos

como
o canto
de um
rouxinol!!!

Morre a cantora e compositora Sueli Costa, autora de canções eternizadas, aos 79 anos

O Globo

A artista faleceu na última sexta-feira (3), e o velório será neste domingo (5)

Morreu sexta-feira (3), a cantora e compositora carioca Sueli Correa Costa, autora de "Jura secreta", famosa na voz de Simone, e de "20 anos blue", consagrada por Elis Regina. A notícia foi comunicada neste sábado (5), pela sobrinha da artista, a também cantora Fernanda Cunha. Sueli enfrentava um câncer na bexiga há 7 anos, e, internada para um procedimento cirúrgico, sofreu uma parada cardíaca. O velório está marcado para este domingo (5), 11h, no cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Sueli Mesquita parte a quatro meses de festejar 80 anos, de causa não revelada. Nascida numa família de músicos, Sueli teve uma mãe que tocava piano e ministrava aulas de canto coral. Foi nesse ambiente que aprendeu sozinha a tocar violão na adolescência, ao lado dos irmãos (Élcio, Lisieux, Telma e Afrânio). No estilo bossa-nova escreveu aos 18 anos a primeira composição, "Balãozinho".

Nos anos 1960 iniciou a carreira como compositora, enquanto conciliava os estudos na Faculdade de Direito em Juiz de Fora, onde foi criada, até 1969 quando seguiu para o Rio de Janeiro. Neste período, em Juiz de Fora, Sueli Costa compôs e cantou todas as canções da peça "Cancioneiro de Lampião", encenada pelo Grupo Divulgação em 1967. Ela também trabalhou na trilha da peça "Bodas de Sangue", no mesmo ano.

Música | Maria Bethânia - Coração Ateu (Sueli Costa)

 

sábado, 4 de março de 2023

Marco Antonio Villa - Federalismo e democracia

Revista IstoÉ

Historicamente, o poder local transformou os estados em províncias, uma espécie de capitanias hereditárias

O federalismo tem uma história muito particular no Brasil. Importado da experiência exitosa norte-americana acabou sendo, em diferentes momentos, adotado por diversos países latino-americanos e em todos eles fracassou. Ou levando à secessão ou a longas e desgastantes guerras civis. Vale destacar que no caso norte-americano, o federalismo foi um produto histórico,da formação inicial das treze colônias da América do Norte desde o século XVII. Isso não significa que não tenha passado, no processo independentista, por exemplo, por vários desafios. Mas conseguiu superá-los até os tempos atuais em meio às turbulências que deixariam de cabelo em pé os pais fundadores dos Estados Unidos ou Alexis de Tocqueville e suas reflexões no clássico “A democracia na América.”

Murillo de Aragão - Cenários para a reforma tributária

Revista Veja

É imperativo buscar consenso entre as partes interessadas

Na semana que se encerra foi apresentado um ambicioso programa de trabalho para a reforma tributária. Vale fazer algumas observações sobre o tema. A reforma tributária está na pauta das intenções do mundo político há décadas, mas, como sempre, pouco ou nada acontece. A indefinição e a não conclusão do debate sobre temas complexos se apresentam sempre que não há consenso entre as partes envolvidas. Nesse caso, para construir esse consenso, é necessário observar algumas condições.

A primeira é avaliar a realidade tributária atual, dissecar suas distorções e mensurar a extensão das perdas e dos ganhos que a reforma provocará, tanto para governos quanto para o setor privado. Sem um pleno conhecimento da realidade e dos impactos das mudanças propostas será difícil avançar.

Miguel Reale Júnior* - Mulheres de coragem

O Estado de S. Paulo

Registro, aqui, as figuras de corajosas advogadas, as primeiras a perorar nos tribunais e a proclamar e exigir a igualdade entre homens e mulheres

Na próxima semana comemora-se o Dia Internacional da Mulher, momento de renovar o compromisso com o combate à desigualdade e à discriminação de gênero.

Há pouco mais de um século, tendo por principal objetivo a obtenção do direito político da mulher de votar e de ser votada, Bertha Lutz, zoóloga, fundou a Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Essa entidade arregimentou centenas de mulheres e exerceu incisiva liderança na reivindicação sufragista, incluindo a Federação brasileira no movimento internacional. Contou essa batalha com importante colaboração de quatro advogadas: Myrthes Gomes de Campos; Natércia da Cunha Silveira; Elvira Komel; e Almerinda Farias Gama. Myrthes, brilhante oradora, primeira advogada brasileira, sustentou não haver lei proibindo o exercício da advocacia pela mulher. Natércia, gaúcha, e Elvira, mineira, foram as primeiras advogadas de seus Estados natais.

João Gabriel de Lima - Políticos fazem política. Ainda bem

O Estado de S. Paulo

A Itália estagnou quando seus eleitores passaram a alternar técnicos e populistas no governo

Uma foto em que o vice-presidente Geraldo Alckmin aplica uma vacina no presidente Luiz Inácio Lula da Silva viralizou nesta semana nas redes sociais. Na semana passada, a imagem da vez mostrava Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em ação conjunta para resgatar as vítimas das enchentes. As duas fotos têm algo em comum: o teor das reações nas caixas de comentários, carregadas de palavras como “repugnante”, “oportunismo” e “má-fé”.

Fotos em que adversários ou ex-adversários políticos confraternizam são comuns. Uma pesquisa rápida no Google mostra Alckmin com Anthony Garotinho em 2006; Fernando Haddad com Paulo Maluf em 2012; ou a famosa imagem em preto e branco de Lula com Fernando Henrique distribuindo panfletos na porta de uma fábrica, em 1978 – na época, eram aliados. Será que aumentou o estranhamento na era das redes sociais?

Luís Francisco Carvalho Filho* - A democracia por um triz

Folha de S. Paulo

Bolsonaristas apostam na narrativa do estado de exceção

Quando a turba bolsonarista destruiu o Supremo Tribunal Federal, a Câmara dos Deputados, o Senado e o Palácio do Planalto, alimentada pela estratégia golpista do ex-presidente da República, havia duas alternativas.

Ou as autoridades não fariam nada, omitindo-se criminosamente, como aconteceu nas depredações de 12 de dezembro, data da diplomação de Lula, ou tomariam as providências para identificar, prender e processar os envolvidos.

A prisão em massa gera problemas logísticos: são centenas de depoimentos, de autos de apreensão e de levantamentos periciais. Mas a máquina se movimenta. Dez dias depois, tinham sido realizadas, por magistrados, 1.459 audiências de custódia. Desde então, centenas de presos deixaram a Papuda, em regime de liberdade provisória, adotadas medidas restritivas como a tornozeleira eletrônica.

Bolsonaro e seguidores radicais apostam na narrativa do estado de exceção. É a continuidade lógica do discurso que se apropriava (indebitamente) de valores como liberdade de expressão, legalidade, para atacar viés autoritário do Supremo e do TSE –tribunais que, em vários momentos, resistiram a seus devaneios fascistas.

Hélio Schwartsman - Circus maximus

Folha de S. Paulo

É bom que Lula ouça todas as alas do governo, mas não é necessário fazê-lo à vista de todos

Vejo com bons olhos o hábito do presidente Lula de deixar que ministros e assessores de diferentes alas troquem argumentos e até farpas em torno de posições antes de tomar sua decisão. Soluções debatidas, isto é, submetidas a um processo de crítica, tendem a ser melhores que as produzidas com base apenas em intuições. A dúvida é se essas disputas devem ser travadas em privado ou aos olhos de todos.

De um modo geral, a transparência é bem-vinda. Eu diria até que é uma necessidade quando falamos de governos. Uma receita infalível para produzir arbítrio e corrupção é permitir que autoridades tomem decisões sem que precisem prestar contas delas. Não é uma coincidência que os serviços estatais mais temíveis sejam aqueles autorizados a operar sob o manto do sigilo, como a CIA ou o Mossad.

Alvaro Costa e Silva - Os arapongas do general

Folha de S. Paulo

Mais que um ambiente contaminado pela política, há politicagem nas Forças Armadas

Quer dizer que gravaram um general do Exército, em reunião com subordinados do Comando Militar do Sudeste, de forma escondida? E depois o áudio foi vazado com a intenção de alimentar a insatisfação na caserna? O fato, além de evidente quebra de hierarquia, mostra que dentro das Forças Armadas há muito mais que um ambiente contaminado pela política; há politicagem.

A conversa se desenrolou quase que inteiramente sobre temas políticos. Em determinado momento da gravação feita em 18 de janeiro, o atual comandante do Exército, Tomás Paiva –que ainda não havia assumido o cargo em substituição ao general Júlio César de Arruda, demitido pelo presidente Lula– comenta a eleição que deu a vitória ao petista: "Infelizmente foi o resultado que, para a maioria de nós, foi indesejado. Mas aconteceu".

Demétrio Magnoli - Escarpas da morte

Folha de S. Paulo

Rodovia assinala fronteira social em São Sebastião

A Vila Sahy morreu de política, não de chuva. É que, antes de tudo, ela não deveria estar lá.

São Sebastião é uma cidade polinucleada. Há o centro, esparramado diante da parte estreita do canal marítimo, e os inúmeros núcleos urbanos implantados numa faixa costeira de cerca de 60 quilômetros.

O pano de fundo são as escarpas florestadas da Serra do Mar, que por vezes atingem a linha litorânea e formam divisores de planícies fluviais drenadas pelos rios com nascentes no planalto. Nas planícies marinhas estreitas ou largas nasceram povoados caiçaras que, mais tarde, foram absorvidos pelos atuais bairros estruturados em torno do turismo. Algumas delas, como Sahy e Juquehy, abrangem áreas de mangues.

Alvaro Gribel - A Petrobras e o caminho do meio

O Globo

Existe uma enorme diferença entre repassar menos lucro aos acionistas e absorver prejuízos com subsídios a mando do governo federal. Achar esse ponto de equilíbrio será o grande desafio do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates. A entrevista coletiva do ex-senador, na quinta-feira, no Rio, prezou pela transparência. Prates abriu diálogo com jornalistas, muitos especializados no setor de energia, e não deixou de responder a nenhuma pergunta. Ao mesmo tempo em que criticou a política de Paridade de Preços de Importação (PPI), a qual chamou de “abstração”, também negou que venderá combustíveis a um preço menor do que produz.

— Não vou canibalizar ou aniquilar a minha margem (da Petrobras). Tem um momento em que vou parar (de reduzir o preço). Mas, até um determinado ponto, eu posso disputar o mercado com o importador, por que não? — disse.

Carlos Alberto Sardenberg -A mágica furada

O Globo

A regra do teto de gastos, se respeitada, exigiria que o governo fosse mais eficiente e mais produtivo na gestão

A regra do teto de gastos, aprovada por Emenda Constitucional em 2016, tem três virtudes básicas. Primeira, a simplicidade: diz que o gasto do governo federal de um ano deve ser igual ao do ano anterior mais a inflação. Transforma uma coisa complicada — o arranjo ou arcabouço ou protocolo fiscal — em algo fácil de entender. A ideia, simples, é manter o gasto público constante. O governo não pode aumentar as despesas, mas não precisa diminuí-las.

Dirão: mas fica engessado, de modo que o novo governo não pode aplicar seus próprios programas. Falso: o teto está dado, mas é possível manejar despesas para esta ou aquela área.

Pablo Ortellado - Autonomia do Judiciário está em xeque

O Globo

Precisamos estar atentos ao que anda acontecendo pelo mundo

Nas democracias modernas, a divisão dos Poderes entre Executivo, Legislativo e Judiciário foi concebida para prevenir abusos. Cada um deveria supervisionar e conter os demais, e das disputas entre eles deveria emergir uma espécie de equilíbrio virtuoso.

Essa seria a função do controle constitucional das leis, que permite ao Judiciário supervisionar o Legislativo; das emendas constitucionais, que permitem ao Legislativo condicionar o Judiciário; da sanção ou veto presidencial, que permite ao Executivo limitar o Legislativo; ou do impeachment, que, no limite, permite ao Legislativo conter o Executivo.

Embora certo nível de conflito entre os Poderes seja previsto — ou mesmo estimulado — pelo desenho institucional, quando esse conflito leva ao enfraquecimento permanente de um deles, é o próprio equilíbrio que fica comprometido.

Eduardo Affonso - As novas sensibilidades

O Globo

Esta geração precisa de espaços seguros para se desenvolver e não pode ser exposta a barbáries do tipo Tom & Jerry

Há quem fale em censura, mas as edições revistas e pasteurizadas de clássicos podem ser entendidas como mera atualização de discurso, acomodação aos novos tempos. Releituras, ao estilo “quem conta um conto omite um ponto”.

Se há consumidor para café sem cafeína, cerveja sem álcool e churrasco de melancia, também os haverá para literatura sem “gordo”, “feio”, “louco”. Ou que evite palavras cavilosas, como “preta” — ainda que para caracterizar a cor de um casaco — e “branca” — mesmo que para falar da lividez de um rosto.

Já foram feitas adaptações de “Dom Quixote”, da “Odisseia” e até de “Alice no País das Maravilhas” para leitores infantis. Mauricio de Sousa abrasileirou Shakespeare, Jonathan Swift e Alexandre Dumas usando a Turma da Mônica. Não deveria haver problema em ajustar Roald Dahl e sua “Fantástica fábrica de chocolate” à frágil criança moderna.

Fernando Carvalho* - Os Presentes dos presidentes

Jair Bolsonaro virou Presidente da República depois de muito enaltecer a honestidade dos militares, como se militar fosse infenso ao vil metal. Segundo ele, nenhum ditador militar de 64 enriqueceu no exercício do cargo, coisa que Bolsonaro não pode dizer de si próprio e de seus filhos. Pretendo comparar aqui a honestidade de Lula com a do general Figueiredo, focalizando um caso específico em que ambos se comportaram da mesma maneira.

Lula foi e ainda é um líder político como poucos na história recente do mundo. Foi saudado como "o cara" por Barack Obama, foi hóspede da Rainha da Inglaterra e pode, quiçá, ganhar até um Prêmio Nobel. Lula ficou dois mandatos na presidência e ganhou muitos presentes de empresários e de chefes de governo e estado, bem como de representantes de outros países. Todo mundo sabe que dando presentes é possível se "comprar" uma pessoa. Por isso o Código de Conduta da Alta Administração Federal é claro quanto ao recebimento de presentes e brindes. Se o presente tiver valor histórico, cultural ou artístico este presente não pode ser recebido. O presidente só pode receber itens personalíssimos como medalhas personalizadas ou bens de consumo direto como bonés, camisetas e chinelos. E mesmo um simples "brinde" não pode ter valor superior a R$ 100,00 (cem reais). Dura lex sed lex.

Marcus Pestana - Comunismo: proletariado e revolução

“Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo”. Assim, Marx e Engels abrem “O Manifesto Comunista”, de 1848. E concluem em conclamação triunfante: “Proletários de todos os países, uni-vos”. O texto programático foi o documento fundador da Liga dos Comunistas.

Na entrada do século XIX as mazelas e injustiças produzidas pelo novo sistema capitalista industrial geraram o movimento socialista, como expressão política inicial da nascente classe operária.

A década de 1830 foi marcada por diversas insurreições dos trabalhadores na França. Na Inglaterra, em 1831, foi fundado o Partido Cartista, o primeiro partido operário. Em 1848, eclodiu a Comuna de Paris. Mesmo ano, em que o “Manifesto do Partido Comunista” foi publicado. O movimento sindical se fortalecia na Europa Ocidental.

A resistência democrática do PCB - Março de 1970 (Resolução do Comitê Estadual da Guanabara

Apresentação: Armênio Guedes

Em 1970, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) vivia um momento de grandes dificuldades políticas. E não era diferente a situação dos comunistas da antiga Guanabara, cujo Comitê Estadual havia sido eleito em 1967, na conferência preparatória do VI Congresso do Partido.

A derrota do movimento de massas em 1968/69 e a promulgação do AI-5, que liquidou os últimos restos de liberdades existentes no país após o golpe de 1964, colocaram as correntes políticas e o movimento operário e popular perante uma situação nova e complexa. As formas de luta e de organização que as forças democráticas deviam adotar a partir de posições necessariamente defensivas, de resistência, impostas por derrotas sucessivas após 64 e principalmente no período que se seguiu ao insucesso político de 68, nem sempre foram assimiladas com a rapidez que a situação do país exigia. Faltaram para isso a todas essas organizações – e entre elas o PCB – lucidez e agilidade políticas.

Muitos – pessoas e organizações –, levados pelo desespero e pela falta de perspectiva, se deixaram arrastar, com base numa análise falsa, para as posições da luta armada e do uso indiscriminado da violência, como formas únicas e exclusivas de ação política no combate para liquidar a ditadura. A um tal comportamento não estiveram alheios militantes e setores do PCB, que posteriormente dele se desligaram. Em 1970, apesar da condenação do VI Congresso ao "foco guerrilheiro" e a outras formas de luta que não apresentavam caráter de massa, ainda tinham influência nas fileiras do PCB muitas das idéias defendidas pelos "foquistas". Parcialmente influenciados por tais idéias, muitos membros do PCB vacilavam em realizar esforços para reconstruir o movimento de massas e, assim, colocar em prática a linha de resistência ao processo de fascistização do país, executado pelo regime mais abertamente após a adoção do AI-5. Essa não era certamente uma tarefa simples nas condições de repressão e terror então existentes; mas era o único caminho possível e viável para a resistência e o gradativo avanço das forças democráticas.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Sob Lula, Codevasf ainda é paraíso do orçamento secreto

O Globo

Seria razoável esperar que estatal se aprumasse com mudança de governo, mas não há perspectiva de mudança

Sai governo, entra governo, e nada muda na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Ela tem a capacidade de atravessar administrações de espectros políticos antagônicos permanecendo intocável. Paraíso das verbas do orçamento secreto no governo Jair Bolsonaro e conhecido feudo do Centrão, a Codevasf continua, na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, a ser abrigo seguro para apaniguados e parentes de políticos influentes.

Presidida pelo engenheiro Marcelo Andrade Moreira Pinto, apadrinhado pelo líder do União na Câmara, Elmar Nascimento (BA), a Codevasf funciona hoje como uma empresa familiar. No comando da superintendência em Alagoas está João José Pereira Filho, primo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A família Codevasf inclui ainda a assessora da presidência Juliana e Silva Nogueira Lima, irmã do senador Ciro Nogueira (PP-PI); o chefe da ouvidoria Leonardo Férrer de Almeida, filho do ex-senador Elmano Férrer (PP-PI); e a assessora Luana Medeiros Motta, mulher do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

Poesia | Mundo Grande - Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Zeca Pagodinho e Jorge Aragão - Mutirão de amor