terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tarifas de Trump terão efeito nefasto em todo o mundo

O Globo

Não se sabe até que ponto ele levará a cabo suas ameaças, mas uma guerra comercial terá custo alto para todos

No que diz respeito às tarifas, ninguém pode acusar Donald Trump de estelionato eleitoral. Ele foi explícito na campanha à Presidência ao dizer que taxaria produtos importados de Canadá, México e China. Ao pôr a promessa em prática, explora politicamente o ressentimento de quem se sente alijado dos benefícios da integração comercial. Para os Estados Unidos e para o mundo, porém, o efeito será péssimo. Com diagnóstico contrário à ciência econômica, Trump faz pouco-caso das consequências potencialmente devastadoras. A reação ao tarifaço levanta o risco de uma guerra comercial sem precedentes em quase cem anos.

Depois da ameaça inicial, Trump congelou por um mês as tarifas impostas sobre México e Canadá. Nesse prazo, os países buscarão consenso sobre medidas de segurança na fronteira. Em discurso emocionante, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, fizera questão de lembrar o longo histórico de parceria com os americanos: “Das praias da Normandia às montanhas da Península Coreana, dos campos de Flandres às ruas de Kandahar, nós, canadenses, lutamos e morremos ao seu lado”. E lembrou que o Canadá é rico em minerais estratégicos para a economia digital. Não se sabe até que ponto Trump levará a cabo suas ameaças, mas perder o apoio canadense, implodir a área de livre-comércio na América do Norte ou deflagrar uma guerra comercial de proporções globais terá custo altíssimo para todos — a começar dos americanos.

O governo Lula é ruim, mas é difícil derrotá-lo - Paulo Celso Pereira*

O Globo

Presidente tem a máquina pública a seu favor, o maior partido do país, o segundo maior fundo eleitoral e controla o tempo

Na primeira semana de fevereiro de 2021, Jair Bolsonaro dava início à segunda metade de seu mandato emplacando os aliados Arthur Lira na presidência da Câmara e Rodrigo Pacheco na do Senado. Àquela altura, o país já havia perdido mais de 200 mil vidas para a Covid-19 e, após atrasos do Ministério da Saúde, finalmente as primeiras doses de vacina chegavam aos brasileiros.

Janeiro havia sido marcado por empresários alardeando a necessidade de o governo ficar atento ao déficit fiscal, com Bolsonaro reclamando, veja só, da dificuldade de isentar o imposto de renda quem ganhava até R$ 5 mil:

— O Brasil está quebrado. Eu não consigo fazer nada — bradou.

O governo era bem avaliado por 31% dos brasileiros, segundo o Datafolha, enquanto 40% o consideravam ruim ou péssimo — índice que passaria de 50% no segundo semestre daquele ano.

Cenário para 2026 têm Lula competitivo e direita dividida

Fernanda Alves / O Globo

Petista lidera em intenções de voto em todos os cenários testados e vence seus rivais nas simulações de segundo turno

Apesar da queda de popularidade de seu terceiro mandato, registrada na última pesquisa Genial/Quaest, novos resultados do mesmo levantamento divulgados na segunda-feira mostram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém como o nome mais competitivo entre os cotados para a disputa ao Palácio do Planalto em 2026. O petista lidera em intenções de voto em todos os cenários testados e vence seus rivais nas simulações de segundo turno, como antecipou no domingo a coluna de Lauro Jardim no GLOBO.

Em meio à fragmentação da direita, que busca um nome para substituir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, o cantor Gusttavo Lima (Sem partido) desponta com o melhor desempenho em eventual segundo turno contra Lula na comparação com outras lideranças do campo, como os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Lula mantém o favoritismo com oposição dividida – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

No segundo turno, num embate contra Tarcísio, Lula venceria pelo placar de 43% a 34%. Já contra os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, Lula teria 45% dos votos, contra 28% e 26%

Começou o segundo tempo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se considerarmos a teoria do copo pela metade — para os otimistas está quase cheio, para os pessimistas, quase vazio —, diríamos que está se esvaziando, porém Lula ainda tem direito a refil. Apesar da queda de popularidade, principalmente após o impacto da inflação, anabolizado pela controvérsia do Pix, a pesquisa da Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira, mostra que, se as eleições fossem hoje, Lula venceria todos os seus adversários na disputa de 2026.

Na semana passada, pesquisa Genial/Quaest mostrou que a reprovação de Lula ficou maior do que a aprovação, pela primeira vez, desde janeiro de 2023. Nesse novo levantamento, foram traçados quatro cenários para o primeiro turno, e, para o segundo turno, seis. Lula venceria em todos os cenários do segundo turno, porém perderia para a soma dos votos dos adversários em todos as simulações do primeiro turno. A pesquisa foi realizada entre 23 e 26 de janeiro e ouviu presencialmente 4.500 brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de apenas um ponto percentual.

Os motivos do recuo de Donald Trump - Míriam Leitão

O Globo

Trump recuou em relação ao México e ao Canadá. Falta a China. Se cumprir as ameaças, os EUA serão afetados

A suspensão por um mês das tarifas de 25% impostas por Donald Trump ao México e ao Canadá foi um momento de lucidez no comportamento belicoso e caótico do novo presidente americano. Ele fez a mesma ameaça contra a China. Esse aumento unilateral de tarifas, caso aconteça, em algum momento, afetará principalmente a economia americana. A tarifa incide sobre a exportação para os Estados Unidos, mas quem a recolhe é o importador, que repassará o custo aos preços, elevando a inflação. A queda do crescimento também será primeiramente sentida na economia dos EUA. Uma tarifa de 10% não reduzirá a competitividade da China.

Faca no pescoço - Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Relação com Legislativo pode até melhorar, mas termos de colaboração não mudarão

Lula foi eleito graças a seu capital político pregresso e à rejeição de Bolsonaro. Ideologicamente falando, seu grupo político está à esquerda da média do eleitorado. E à esquerda, também, da média do Congresso.

A democracia brasileira é multipartidária, e nenhum partido tem maioria no Congresso sozinho. Sendo assim, o presidente, seja ele quem for, precisa selar alianças com diversos partidos. Sendo grande a distância ideológica entre governo e diversos desses partidos, formar a coalizão se torna ainda mais difícil, ou mais caro.

Emendas acima de tudo – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Homenageado pela nova direção, centrão terá a primazia nos acertos do Congresso

Os primeiros sinais da sinfonia congressista emitidos pelos novos maestros da Câmara e do Senado corroboram a impressão geral de que os comandos mudaram para permanecer tudo como está.

Tanto o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) quanto o senador Davi Alcolumbre (União-AP) pontuaram de modo excessivo o protagonismo do Legislativo na cena da República.

Ambos ocuparam boa parte dos discursos com a defesa enfática do avanço do Parlamento sobre o Orçamento federal, inequívoco fator de desequilíbrio entre os Poderes.

Motta ainda fez leve referência à necessidade de transparência. Alcolumbre nem isso. Preferiu se concentrar na guarda das prerrogativas dos pares, segundo ele, "inegociáveis". Por aí já se vê o caminho que os dois tomarão na conversa que pretendem ter com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para "negociar" a liberação de emendas suspensas.

O novo presidente da Câmara chegou ao limite do sacrilégio ao citar várias vezes a figura de Ulysses Guimarães (1916-1992) para comparar o Congresso de hoje ao da Constituinte.

O biênio que ameaça implodir o conflito - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

O motor do conflito é 2026. Executivo e Congresso querem manter o poder. Para isso, o governo precisa recuperar o Orçamento do qual os parlamentares não querem abrir mão

Parlamentares mais jovens na presidência de suas Casas Legislativas desde a redemocratização, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), 35 anos, e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), 47 hoje e 41 na primeira eleição, assumirão os mandatos mais conservadores de suas Casas. Visto que o Legislativo nunca usufruiu de tanto poder, terão a missão de conservá-lo.

Como mostraram Helio Tollini e Marcos Mendes, o Congresso executa 24% de toda a despesa discricionária do Orçamento (eram 2% dez anos atrás), feito sem paralelo no país e no mundo desenvolvido. Foi este estudo que levou o ministro Flávio Dino a calcular que o desarranjo institucional decorrente da hipertrofia das emendas custou aos cofres públicos R$ 186 bilhões nos últimos cinco anos.

A votação extraordinária - Alcolumbre obteve 73% a mais que na sua primeira eleição e Motta atingiu o patamar de 86% dos votos - é uma reiteração da força da qual estão investidos. A manutenção deste poder colide com o Executivo, ao contrário do que sugere o clima de congraçamento da primeira reunião dos dois parlamentares com o presidente na manhã desta segunda.

Poder e economia - Luiz Gonzaga Belluzzo

Valor Econômico

Depois de décadas ajudando a moldar políticas em questões importantes como impostos e seguro saúde, os economistas descobrem que sua influência está em baixa

Eli Hecksher no clássico “Mercantilism “resume magistralmente a conformação das relações no mercantilismo à inglesa. Hecksher afirma que a ingerência direta do Estado nas Companhias era quase imperceptível. “Muito mais importante era outra tendência: a de transferir às companhias as prerrogativas de poder próprias do Estado”.

Na “Riqueza das Nações”, Adam Smith empenha-se em argumentar contra as teorias econômicas da Era Mercantil. Enquanto há uma dependência do “político”, não é possível pensar a economia como um sistema governado por leis naturais. Essas leis naturais decorrem da “razão” dos indivíduos, razão que os predispõem às relações contratuais mediante a livre disposição da vontade. A economia surge, portanto, com a pretensão de se constituir numa esfera privilegiada da convivência, em que a liberdade é uma imposição das leis que regem a natureza humana. Tais leis devem seguir o seu curso, desembaraçadas da interferência e do arbítrio da política.

É hora de atenção máxima à arrecadação pública - Luiz Schymura

Valor Econômico

Apesar de as despesas estarem caminhando dentro do esperado, o cumprimento das metas de déficit primário contempladas no novo arcabouço fiscal dependerá do comportamento das receitas

Em 4 de novembro do ano passado, Donald Trump saiu-se vitorioso no pleito presidencial estadunidense. Adicionalmente, o Partido Republicano passou a controlar as duas casas legislativas. O presidente recém-eleito deu declarações que indicavam que a guerra comercial em seu segundo mandato seria intensa, com imposição de tarifas altas em muitos países (incluindo o Brasil) e relativas a uma cesta ampla de produtos. Diante deste cenário, em 27/11, o governo brasileiro apresentou o pacote fiscal que daria, hipoteticamente, mais estabilidade à economia brasileira. No entanto, o pacote originalmente anunciado também trazia uma benesse bastante onerosa aos cofres públicos nacionais: a isenção do imposto de renda para aqueles que têm renda mensal de até R$ 5 mil. Embora não houvesse respaldo constitucional para aprovar tal benefício, o ambiente já estava tão turbulento que os agentes econômicos viram na proposta um vetor de mais incerteza.

Mensagem de Lula ao Congresso tenta afastar ideia de política fiscal frouxa - Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Presidente busca confrontar decepção com pacote apresentado em novembro do ano passado 

Em meio à crise das emendas de parlamentares ao orçamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou mensagem ao Congresso Nacional na qual diz que não hesitará em lançar mão de bloqueios e contingenciamentos de despesas este ano para alcançar a meta de déficit zero, resultado “crucial” para estabilizar a dívida pública na casa dos 80% do Produto Interno Bruto (PIB) por volta de 2028.

O recado está na mensagem presidencial entregue ao Congresso Nacional, na abertura do ano legislativo.

Num esforço de reconstrução da credibilidade na política fiscal, o texto lista exemplos de medidas duras adotadas para ajustar as contas públicas.

A tempestade perfeita da Europa - Rana Foroohar

Valor Econômico

O continente precisa de sua própria estratégia industrial para lidar com os desafios da China e dos EUA

As discussões sobre competitividade estão no centro do debate na Europa neste momento. A nova Bússola para a Competitividade da Comissão Europeia, resposta ao relatório Draghi, defende que a UE desenvolva sua própria infraestrutura de inteligência artificial (IA), intensifique a política industrial e termine o trabalho de integração do mercado único. Objetivos válidos, sem dúvida, mas com uma americana chegando ao aeroporto de Bruxelas na semana passada, tudo o que consegui pensar foi: “Por que a fila do controle de passaportes demora três horas?”

Isso não é apenas uma reflexão isolada de uma forasteira (pelo menos não só isso). Vivi e trabalhei na Europa por dez anos, justamente quando a moeda única foi introduzida. Foi um período de otimismo. Mas desde então a Europa tem ficado atrás dos EUA em praticamente todos os indicadores econômicos, do crescimento à renda per capita, o tamanho dos mercados de capitais e o número de empresas de tecnologia de alto valor.

A bola está com Lula - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Sucesso do governo no Congresso depende de Lula, seu pragmatismo e sua popularidade

A relação do Planalto com o Congresso está diretamente vinculada à popularidade e à capacidade do presidente Lula de sair do fundo do poço e recuperar o fôlego, principalmente na economia, na gestão e na imagem. Disso dependem a pauta do governo nas várias áreas e uma questão delicada, fundamental nas eleições de 2026: a anistia para os condenados pelo 8 de Janeiro e, de quebra, Jair Bolsonaro.

Se tudo está atrelado à economia, inclusive a popularidade de Lula, como conceber um ministro da Fazenda “fraco”, que perdeu a guerra interna para o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e é ameaçado o tempo todo pelo velho populismo e a coceira intervencionista do PT? Lula depende do governo, que depende de uma economia azeitada, que depende de equilíbrio fiscal, que depende de um ministro da Fazenda forte. Ou todos vão se estatelar.

Harmonia entre Poderes - Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

“Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido”. Hugo Motta chamou o fundamento da Constituição para uma releitura corporativista do valor da representação, que respaldaria – em nome da soberania popular, como se expressão da democracia – as distribuições autoritárias e opacas de dinheiros públicos na forma de emendas parlamentares.

Esse é o tamanho do buraco. Que continuará a ser cavado. Consagrada a perenidade. Sai Alcolumbre, entra Alcolumbre. Sai Lira, entra Lira. Ainda estamos aqui. Aclamado o orçamento secreto. Reeleito o esquema de perversão das emendas.

Votação que é produto de acordo pela defesa da “prerrogativa” de o Congresso disparar obscuramente bilhões de dinheiros públicos e garantir cabresto sobre currais Brasil adentro – acordo pela manutenção da autonomia degenerada do Legislativo, fundada no controle absolutista de fundos orçamentários.

Um verão fatídico - Ricardo Marinho

Se alguém alguma vez pensou que Donald Trump ao assumir a Presidência dos Estados Unidos da América teria um tom e conteúdo que, sem alterar o cerne da sua concepção do exercício do poder e a dureza inata do seu pensamento, ao menos mitigaria, por responsabilidade do Estado, os aspectos mais conflituosos e ameaçadores de sua política, estavam equivocados.

Trump pisou no acelerador e confirmou no dia de seu retorno ao poder o que se atribui a Charles-Maurice Talleyrand (1754-1838) referindo-se aos Bourbons quando voltaram ao trono da França, após a queda de Napoleão (1769-1821): eles não aprenderam nada, nem esqueceram nada.

Quem sabe se poderíamos acrescentar que os 4 anos passados fora do poder acentuaram seus traços belicosos e ele foi eleito de forma bem forte, um sobrevivente para tarefas fundamentais. Seus slogans não mudaram, mas suas ideias são mais populares hoje, ele é mais rico e tem uma guarda pretoriana de plutocratas na vanguarda das tecnologias, que como ele não têm convicções, valores e/ou cultura democrática e que pensam que sabem o que é conveniente ou não para os comuns. Eles são a ponta da hipermodernização instrumental e pensam que a modernidade é um puro obstáculo ao seu desenvolvimento.

Poesia | Calma, de Fernando Pessoa

 

Música | Roberta Sá - Insensatez (Tom Jobim)

 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Chuvas revelam despreparo de SP para alagamentos

O Globo

A outrora terra da garoa virou cidade das enchentes. Obras preventivas e planejamento são urgentes

Outrora chamada terra da garoa, São Paulo se transformou numa cidade de alagamentos. A qualquer chuva mais forte, surgem inundações com vítimas e perdas materiais. Entre dezembro e janeiro, os temporais mataram 17 pessoas. A cidade é repleta de encostas e ocupações irregulares à margem de rios, córregos e represas, áreas mais atingidas nas enxurradas.

O perigo não está apenas na periferia. O temporal que desabou sobre São Paulo dias atrás matou o pintor Rodolpho Tamanini Netto em sua casa na Vila Madalena, bairro nobre, quando um carro levado pela enxurrada destruiu uma porta de contenção, e a água subiu 2 metros dentro da casa. Por uma trágica ironia, uma das obras de Tamanini é “A enchente”, quadro pintado com cenas que ele presenciava da janela. Além dele, morreram uma criança de 7 anos, arrastada quando brincava na rua noutro bairro, e o motociclista Bruno Anselmo Santana, ao cair num córrego.

O que dizem os ventos do Norte – Fernando Gabeira

O Globo

É muito provável que a visão dominante entre as big techs conte com uma futura impossibilidade da vida na Terra

A coalizão das big techs com o governo Trump é um tema inesgotável. Estava precisamente pensando nelas quando estourou o caso da DeepSeek, startup chinesa que fez as empresas de tecnologia dos Estados Unidos e da Europa perderem US$ 1 trilhão em valor de mercado porque demonstrou que pode fazer mais na inteligência artificial com menos dinheiro.

A empresa chinesa tem seus pontos vulneráveis, e um deles é não responder a questões políticas proibidas pelo Partido Comunista. Mas não deixa de ser um incentivo para os que têm condições de buscar um caminho autônomo.

Quando aconteceu esse pequeno terremoto no Vale do Silício, eu refletia sobre uma frase enigmática de Elon Musk na posse de Donald Trump. Ele disse que a conquista de Marte salvaria a civilização. Já mencionei o desejo de Trump pela Groenlândia e cheguei à conclusão de que talvez ele não seja tão negacionista assim. Musk, que produz carros elétricos, conta com a colonização do espaço como alternativa ao nosso planeta.

Trump, Pavlov – Demétrio Magnoli

O Globo

Decisão de abolir os programas federais de inclusão é armadilha pavloviana dirigida aos 'progressistas'

O russo Ivan Pavlov (1849-1936), pioneiro do condicionamento clássico, tornou-se célebre por suas experiências com a mudança comportamental de cães. Donald Trump aplica os mesmos princípios de estímulo e resposta na moldagem do debate público. Sua decisão de abolir os programas federais de DEI é uma armadilha pavloviana dirigida aos “progressistas”.

Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), eufemismo cunhado nos Estados Unidos para designar a expansão universal de políticas identitárias, abrange uma coleção sempre crescente de “minorias”: negros, latinos, indígenas, mulheres, trans et alii. O amplo guarda-chuva recobre universidades, empregos públicos e privados, instituições sociais, eventos culturais e até Hollywood.

A tempestade perfeita – Preto Zezé

O Globo

As políticas comerciais que serão adotadas nos Estados Unidos em nada favorecem os mais pobres daqui

Muitos prefeitos estão se esforçando para ajustar a máquina que receberam de seus antecessores. A maioria alega caixa baixo e reclama da falta de recursos. O município é a ponta onde tudo acontece.

A onda Trump parece tomar conta do Brasil, como se tudo que ocorresse nos Estados Unidos ocorresse aqui também. Grupos extremistas ou da direita têm simpatia por ele, mesmo sendo eleitos e vivendo no Brasil.

Do ponto de vista econômico, o cerne da questão, os americanos pensam primeiro na América. As políticas comerciais que serão adotadas lá em nada favorecem os mais pobres daqui, embora pareça que tudo será uma maravilha para os políticos alinhados com Trump no Brasil.

Com uma única canetada, Trump saiu da Organização Mundial da Saúde, cortou programas, e sua próxima tacada é reduzir recursos e investimentos em organizações internacionais e programas sociais que poderiam beneficiar comunidades vulneráveis, incluindo as favelas.

O que o nacionalismo da extrema direita quer - Camila Rocha

Folha de S. Paulo

Apelo à ideologia política se fortaleceu nos últimos anos

O apelo ao nacionalismo se fortaleceu na extrema direita nos últimos anos. Em uma comparação dos discursos de posse de Donald Trump em 2017 e 2025, a pesquisadora Sofia Azevedo aponta a substituição da centralidade do uso da palavra "povo", em 2017, para a palavra "nação" em 2025.

A prática não foi diferente do discurso. Para além da taxação de parceiros comerciais dos Estados Unidos, e das deportações de imigrantes em aviões militares, mais caras do que voos de primeira classe para o mesmo destino, Trump decidiu comprar uma briga com a Constituição do país sobre quem tem direito de ser cidadão nos Estados Unidos.

Para o presidente recém-empossado, bebês nascidos em solo americano não devem mais ser considerados automaticamente cidadãos americanos. Em uma audiência que ocorreu três dias após a emissão da ordem executiva que acabaria com tal direito, o juiz federal John C. Coughenour, que bloqueou temporariamente o plano de Trump, disse que a ordem é "flagrantemente inconstitucional".

‘Se eles são famosos, sou napoleão’ - Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

A teoria do louco e os novos líderes populistas que recolocam na agenda questões sobre racionalidade na política

O surgimento de novos líderes populistas recoloca na agenda questões sobre a racionalidade na política. Líderes como Trump, Chávez e AMLO apelam para a retórica grandiloquente e/ou tradições que se julgava sepultadas desde o pós-guerra: MAGA, bolivarianismo, quarta transformação. E fazem propostas tresloucadas. Mesmo quando derrotadas ou se mostram inexequíveis, elas sinalizam indignação com o statu quo e autenticidade. E assim geram ganhos políticos. Mas há mais em jogo, sobretudo no plano internacional.

Lula vai se submeter ao Centrão? - Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Centrão dá o tom na eleição para as casas legislativas e deixa governo Lula em posição delicada

A eleição para os novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado foi, por um lado, livre de surpresas. Todos sabiam que o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) seriam eleitos com grande folga. Mas, por outro lado, gerou um cenário cheio de incertezas para o governo Lula no Legislativo.

Lula foi “obrigado” a engolir as candidaturas de Motta e de Alcolumbre, e sua participação no processo foi meramente confirmatória da preferência dominante do Legislativo, incorporada pelos partidos do Centrão.

Por que o Executivo teve um papel tão marginal na eleição de peças-chave no Legislativo que pode interferir diretamente na sua própria governabilidade?

Os desafios para a atividade econômica em 2025 - Sergio Lamucci

Valor Econômico

PIB deve ter desaceleração mais forte a partir do segundo trimestre, num ambiente marcado pelo quadro externo adverso e incertezas fiscais que pressionam juros

A economia brasileira terminou 2024 num ritmo mais fraco do que nos três trimestres anteriores, e a desaceleração da atividade tende a continuar ao longo de 2025, embora a agropecuária deva levar o PIB a um crescimento expressivo no período de janeiro a março. Juros altíssimos e o esgotamento dos estímulos fiscais e de crédito afetarão especialmente os segmentos mais cíclicos da economia, como a indústria de bens de consumo duráveis e grande parte dos serviços, avalia a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Como pano de fundo, além do cenário externo mais adverso, as incertezas sobre as contas públicas tendem a manter o dólar e os juros de longo prazo em níveis ainda muito elevados, turvando o quadro econômico neste ano.

Coronelismo, trator e voto na nova República - Bruno Carazza

Valor Econômico

Davi Alcolumbre e Hugo Motta são a nova geração do velho coronelismo brasileiro

Às margens da rodovia Josmar Chaves Pinto, que liga a capital Macapá ao balneário de Fazendinha e ao movimentado porto de Santana, situa-se a sede da superintendência da Codevasf no Estado do Amapá.

Sim, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco tem uma de suas “filiais” a mais de 3.100 km da nascente do rio, localizada na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e 2.600 km distante da sua foz, na divisa entre Alagoas e Sergipe.

Um dos primeiros experimentos brasileiros de desenvolvimento regional, a Codevasf foi concebida na Constituição de 1946 tendo como inspiração a Tennessee Valley Authority, uma das prioridades do New Deal do presidente americano Franklin Delano Roosevelt para levar infraestrutura e fomentar a economia da região mais pobre dos Estados Unidos. A ideia era reproduzir no Nordeste brasileiro a estratégia de, a partir de uma hidrelétrica (a usina de Paulo Afonso, na Bahia), prover energia, irrigação e navegabilidade para uma das áreas mais atrasadas do país na época.

Entrevista | Maria Hermínia Tavares: ‘Problema do governo não é o Centrão, é que ele não tem foco’

César Felício / Valor Econômico

Para Maria Hermínia Tavares de Almeida, falta marca administrativa para a gestão Lula

As vitórias retumbantes de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para as presidências da Câmara e do Senado não representam ameaça à governabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na etapa final de seu mandato, na visão da cientista política Maria Hermínia Tavares de Almeida.

“O Centrão é conservador. Sempre esteve no governo, qualquer governo, de Sarney até agora. Então não tem problema de governabilidade, tem problema de capacidade de negociação”, diz a professora emérita da USP e pesquisadora do Cebrap.

Maria Hermínia vê no próprio Palácio do Planalto o principal desafio político de Lula no momento. “O problema do governo, a meu juízo, é menos o fato de o Congresso ser majoritariamente de direita. O problema do governo é que eu acho que ele não tem foco”, afirma.

Maria Hermínia diz que a negociação com o Congresso Nacional seria mais fácil se o governo tivesse prioridades claras. A impositividade do Orçamento e o crescimento do peso das emendas parlamentares, por si só, não comprometem a ação do governo. “Eu acho que há sim espaço para negociar, desde que o governo tenha clareza em relação ao que quer”, comenta.

O Centrão sempre esteve no governo. Não tem problema de governabilidade, tem problema de capacidade de negociação”

Para a cientista política, falta uma marca administrativa para a gestão de Lula, que classificou como “morna”. “O governo é muito titubeante. Ele quer falar para uma faixa de brasileiros que está um pouco acima da pobreza extrema, mas o que ele está dizendo de fato?”, indagou.

A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor:

Lula lidera em todos os cenários de primeiro e segundo turnos, mostra pesquisa Genial/Quaest

Rafael Rosas / Valor Econômico

Desempenho do atual presidente supera o dos concorrentes num momento de queda em sua popularidade

O atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, venceria todos os candidatos da oposição em primeiro e segundo turnos caso a eleição fosse hoje. É o que mostra a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (3). A pesquisa faz parte do levantamento divulgado na semana passada, que mostrou que pela primeira vez a reprovação do governo Lula foi maior do que a aprovação.

Mesmo com a reprovação em alta, Lula sairia vitorioso em todos os cenários, inclusive de nomes acrescentados recentemente à pesquisa, casos do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e do cantor sertanejo Gusttavo Lima (sem partido).

Foram traçados quatro cenários para o primeiro turno e seis para o segundo na pesquisa estimulada. No primeiro turno, a Quaest listou oito candidatos: Lula; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); Gusttavo Lima; o influenciador Pablo Marçal (PRTB); Eduardo Bolsonaro (PL); o ex-ministro Ciro Gomes (PDT); o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União).

No primeiro turno, Lula venceu nos quatro cenários, com percentuais que variaram entre 28% e 33%.

Poesia | Homem comum – Ferreira Gullar

Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.

Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei

Música | Paulinho da Viola - Portela Feliz (Zé Kéti)

 

domingo, 2 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Queda em novos registros de armas foi um avanço

O Globo

Mas governo ainda precisa tratar de reduzir arsenal enorme em poder da população

É boa notícia a redução de 30% nas licenças para porte de armas e de 11,6% nos novos registros, verificada no ano passado pela Polícia Federal (PF). De 2023 para 2024, as autorizações para porte caíram de 2.469 para 1.727, enquanto a concessão de novos registros baixou de 28.402 para 25.097, segundo dados do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da PF.

Os números demonstram o acerto das restrições à compra, à posse e ao porte de armas implantadas no início do atual governo, depois do derrame armamentista ocorrido no anterior, sob o equivocado pretexto de aumentar a segurança da população. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que, entre 2018 e 2022, apenas os registros para armas de colecionadores, atiradores desportivos ou caçadores (CACs) foram multiplicados por sete vezes, chegando a quase 800 mil. Era preciso interromper a tendência.

Fim de um ciclo? - Merval Pereira

O Globo

Um sinal de que o presidencialismo de colisão está no fim é a distinção feita por Lira entre apoio eleitoral e para governar 

Um sinal de que o presidencialismo de coalizão está no fim, e que o governo Lula está abalado, é a definição dada pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira do que seja o apoio dos partidos a um governo: apoio para governar é diferente de apoio eleitoral, disse ele. O que significa avisar que os partidos que fazem parte da estrutura governamental não se consideram necessariamente obrigados a apoiar uma candidatura presidencial em 2026 que “esteja afundando”.

Além de deixar no ar que o governo está mal, mostra uma mudança no equilíbrio dos Poderes. No presidencialismo brasileiro, o presidente da República é eleito diretamente com o apoio de diversos partidos, que idealmente formarão o governo. Mas como dificilmente, para não dizer nunca, o eleito terá a maioria do Congresso, tem que formar coalizões, muitas vezes, para não dizer quase sempre, incoerentes com o papel que os partidos assumiram na campanha presidencial.

Nova geração assume o comando do Congresso – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Para alguns caciques do Congresso, chegou a hora de resolver a contradição entre um sistema de governo presidencialista e uma constituição parlamentarista

A eleição de Davi Alcolumbre (União-AP) e de Hugo Motta (PR-PB) ao comando do Senado e da Câmara, ontem, respectivamente, no contexto de uma ampla coalizão de partidos, que vai do PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL, representa também uma mudança de geração na elite política do país, que consolida a hegemonia dos políticos do Norte e Nordeste na Casa, com uma orientação fortemente vinculada aos partidos do Centrão.

Alcolumbre, que volta ao comando de Senado, tem 47 anos e foi eleito com uma votação consagradora, obtendo 73 votos, apenas três a menos do que o mais longevo e mais importante político que presidiou a Casa depois da redemocratização, o ex-presidente José Sarney (MDB). Fez uma carreira meteórica, pois chegou à Casa em 2015 e quatro anos depois se elegeu presidente do Senado pela primeira vez, o mais jovem da história. Judeu de origem marroquina, sua família é dona de postos de gasolina, emissoras de tevê (Band e SBT) e negócios agropecuários (terras, pecuária, papel e celulose). 

Aos 35 anos, Motta ascende ao comando da Câmara, como o mais jovem presidente da Casa. Entretanto, tem 21 anos de mandato de deputado federal eleito pela Paraíba. Sua cultura política é a das velhas oligarquias nordestinas, adquirida na convivência com o avô, Nabor Wanderley da Nóbrega, que foi prefeito de Patos, e seu pai, Nabor Filho, que é o atual prefeito, pela quarta vez. A avó materna, Francisca Mota, foi deputada estadual por seis mandatos e, também, foi prefeita da cidade.

Alcolumbre, Motta e as barbas de molho - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

No ‘novo Congresso’, economia, redes sociais, IA, segurança e militares. E paz entre Poderes?

Inversão no Congresso: Davi Alcolumbre será na presidência do Senado o que Arthur Lira foi na da Câmara e Hugo Motta será na da Câmara o que Rodrigo Pacheco foi na do Senado. Ou seja, Alcolumbre terá muita força e um poder muito maior para chantagear, ops!, negociar com o governo e Motta tende a ser mais cauteloso ao dar um passo tão grande na carreira política – tomara que não um passo maior que a perna. Mas Motta não estará sozinho. Foi apadrinhado por Lira e grande aliado de... Eduardo Cunha.

Alcolumbre (União BrasilAP) e Motta (RepublicanosPB) têm muitas diferenças, mas ambos fortalecem ainda mais o já tão poderoso Centrão e ambos estão embolados nas investigações do Supremo sobre desvios de emendas parlamentares esquisitonas. Logo, o Centrão está no comando, mas o ministro Flávio Dino está a postos e o fator emendas tende a dar limites à audácia do Congresso.

Indústria nacional volta a ter destaque - Geraldo Alckmin*

O Globo

O Brasil tem um chão de fábrica sólido. Essa base nos permitirá avançar em novos mercados e diversificar nossa produção

A indústria nacional voltou a ocupar lugar de destaque no crescimento do PIB brasileiro no ano passado. Para aqueles que gostam de aferir os resultados do governo, uma boa notícia: o parafuso está apertado, e a máquina tornou a funcionar.

Números, sem contexto, são apenas cifras. Mas, quando uma política pública produz resultados palpáveis, os algarismos traduzem a eficácia de programas bem construídos, como temos visto desde 2023, com o governo do presidente Lula.

A indústria, em geral, cresceu 3,2% até novembro do ano passado, puxada por bens de consumo duráveis (como televisores, geladeiras e móveis), que tiveram crescimento de 10,7% no acumulado de janeiro a novembro de 2024, em relação a 2023.

A produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) cresceu 8,8% no mesmo período, e a indústria de transformação como um todo deverá encerrar 2024 com ganho de 3,7%, maior soma em dez anos, e registrou o valor recorde de US$ 181,9 bilhões em exportações. A produção da agroindústria havia crescido 2,2% nos 11 primeiros meses de 2024, melhor desempenho nesse intervalo desde 2010.

Em defesa das Forças Armadas: militares fora da política - Raul Jungmann*

Correio Braziliense

Temos condições mais favoráveis para estabelecer regras capazes de contribuir para a despolitização das Forças Armadas e, com apoio destas

Uma questão democrática latente no Brasil hoje é a participação dos militares na política, sobretudo após os acontecimentos que culminaram no 8 de janeiro e suas consequências. Estudo anterior a esses episódios, do professor Pedro Kelson, mestre em cultura política e capital social, constatou que, em 11 democracias protagonistas da cena global, candidaturas de militares da ativa são proibidas.

Na França, Alemanha, Bélgica, Espanha, Itália, Portugal, Reino Unido, Estados Unidos, Uruguai, Argentina e Chile, essa é uma restrição comum, algumas, agravadas por mais condicionantes. 

O Brasil, como está, permanece não só à margem desse padrão, como indiferente ao próprio histórico político, que recomenda o mesmo caminho desses países. Daí a importância da aprovação da chamada PEC dos Militares, em tramitação no Senado, que veta candidaturas para cargos políticos a militares da ativa.

Trump age com método no segundo mandato – Dorrit Harazim

O Globo

O objetivo maior e final é assumir controle pleno, sistemático e duradouro da máquina federal

Que ninguém se engane: há método no caos imposto por Donald Trump a seu país e ao mundo neste segundo mandato. Não significa que, ao final, ele chegará aonde quer.

Sua primeira temporada na Casa Branca (2017-2021) já havia sido caótica, mais por despreparo e escasso conhecimento de como funciona a máquina governamental. À época, o foco do novato na Presidência era outro — Trump priorizou consolidar sua cumplicidade com os seguidores raiz, os desgarrados da sociedade. Como método, usou e abusou do escárnio compartilhado, da zombaria pública, do linchamento verbal.

“A crueldade os encheu de satisfação e orgulho, fez com que se sentissem próximos uns dos outros”, escreveu em 2018 o jornalista Adam Serwer no ensaio “A crueldade como objetivo”, sobre o impacto da chegada de Trump ao poder.