segunda-feira, 17 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Minerais críticos abrem caminho promissor ao Brasil

O Globo

País é rico nos minérios que estão no centro das negociações com a Ucrânia. Precisa saber aproveitá-los

A proposta de Donald Trump para encerrar a guerra na Ucrânia envolve um acordo que garanta aos Estados Unidos acesso a minerais críticos do subsolo ucraniano. Os americanos hoje importam 16 de um grupo de 51 minérios estratégicos para a transição energética, com aplicações nas indústrias de defesa, aeroespacial, na produção de baterias, painéis solares, semicondutores e noutros segmentos do setor eletroeletrônico.

Há aí um recado para o Brasil, que também concentra reservas desses minerais. O solo brasileiro abriga a terceira maior reserva dos 17 elementos químicos conhecidos como “terras raras”. Também contém a maior reserva global de nióbio (94% da disponibilidade no planeta), a segunda maior de grafite, a terceira de níquel e é o quinto maior fornecedor de lítio. No ano passado, o país exportou 2 milhões de toneladas desses minérios, com receita de US$ 6,3 bilhões, e importou 400 mil toneladas, por US$ 4,4 bilhões. Tem saldo positivo nesse comércio, que pode crescer e gerar novos negócios.

“Anistia ao 8 de Janeiro não é reconciliação”, diz historiador Alberto Aggio

Correio Braziliense

Autor de livro sobre os 40 anos da redemocratização afirma que movimento em favor dos golpistas do 8 de janeiro tem como finalidade trazer Bolsonaro de volta às urnas. E que imediatismo prejudica consensos democráticos

A poucas quadras do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na Rua Capote Valente, quase esquina com Teodoro Sampaio, no bairro Pinheiros, morava o historiador Alberto Aggio. Em 21 de abril de 1985, ele decidiu fazer uma caminhada dramática. Pôs a filha de seis anos sobre os ombros e seguiu a pé até a Avenida Rebouças, a menos de 2 km de casa. Pai e filha iam acompanhar o traslado do corpo do presidente eleito Tancredo Neves pela capital paulista. Para Aggio, a incerteza que se instaurou com a morte do político mineiro, personagem central na redemocratização, este foi o primeiro momento em que a abertura política esteve ameaçada desde o declínio do regime militar. Mas não foi o último.

Alberto Aggio lançou, em Brasília, o livro A construção da democracia no Brasil (1985-2025): mudanças, metamorfoses, transformismos. Na publicação, Alberto faz uma síntese de seus estudos sobre o Brasil e a América Latina contemporâneos e organiza sua interpretação sobre os 40 anos da redemocratização do país. Neste sábado, Aggio participa de evento, no Panteão da República, em comemoração ao restabelecimento de um governo civil após 21 anos de ditadura militar.

Crise de alimentos vai além do preço – Fernando Gabeira

O Globo

Sistema mundial de alimentação, com suas complexas cadeias de suprimento, não é fácil de domar

Graças à divisão de trabalho doméstica, há muitos anos vou à feira uma vez por semana. Às vezes, comparo com as compras no exílio europeu. A manga era cara, era preciso ter um pequeno excedente para comprá-la. Agora, ao comprar manga no Brasil, constato que custa R$ 10 a unidade e percebo que os preços se aproximam.

Muita coisa mudou ao longo destas décadas no país, e, sinceramente, não acho correto culpar o governo. O sistema mundial de alimentação, com suas complexas cadeias de suprimento, não é fácil de domar, ainda mais por um só país, ainda que seja uma superpotência alimentar como o Brasil.

Lembro-me do nome de um restaurante onde comi algumas vezes no início do século: Food for Thought. Isso me estimula nos próximos meses a escrever alguns artigos e esquentar o tema nas eleições de 2026.

O Canadá está em busca de si mesmo – Demétrio Magnoli

O Globo

Os socos de Trump miram precisamente o baço friável da identidade canadense

O Canadá nasceu no berço de uma derrota histórica dos revolucionários americanos: a Batalha de Quebec de 1775. O Exército Continental formado pelas Treze Colônias invadiu o Quebec com o objetivo de conquistar a província governada pelos britânicos e de convencer a maioria francófona a aderir à Revolução Americana. A derrota assinalou a separação geopolítica definitiva entre Estados Unidos e Canadá. Ser canadense tornou-se igual a ser leal à Coroa britânica — ou não ser americano.

— O Canadá é tudo o que os Estados Unidos não são — eis a típica réplica canadense a indagações sobre identidade nacional.

Propostas para um governo com poucas ideias - Bruno Carazza

Valor Econômico

Assim como no novo crédito consignado, gestão atual deveria ser mais ousado em apoiar projetos inovadores

O governo Lula levou a sério o slogan assumido pela sua administração assim que tomou posse, “União e Reconstrução” - pelo menos em relação à sua segunda parte.

Se de um lado não houve ações significativas para pacificar um país que saiu das urnas dividido, por outro a atual gestão petista passou os últimos dois anos recolocando de pé projetos que foram as vitrines de suas passagens anteriores pelo Palácio do Planalto. Assim, desde a posse Lula turbinou o Bolsa Família, reinstituiu os reajustes reais do salário-mínimo, ressuscitou o PAC, lançou uma nova rodada do programa Minha Casa Minha Vida, entre outras medidas requentadas.

Bolsonaro mostra-se útil a Tarcísio - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Prisão desapaixonada do ex-presidente é o melhor cenário para candidatura do governador paulista

Jair Bolsonaro tentou dar uma carteirada mencionando o apoio que teria arrancado do presidente o PSD, Gilberto Kassab, à anistia, mas sabe que o Centrão, se já não pretendia votá-la porque acredita ter um candidato mais competitivo (Tarcísio de Freitas), não deve ser convencido pela manifestação.

Nem a proximidade do dia em que o ex-presidente deverá se tornar réu impediu que se reunisse menos gente do que nas demais mobilizações convocadas pelo bolsonarismo no ano passado. O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, marcou para o dia 25 a primeira sessão que analisará o acolhimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República.

Gleisi acena ao Centrão e busca Haddad

Sérgio Roxo e Gabriel Sabóia /O Globo

Petista fez reuniões em série e visitou a Fazenda para aparar arestas e desfazer rótulo de radical

Descrita por aliados como combativa e defensora dos interesses da esquerda, a nova ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, usou os seus primeiros dias no cargo para tentar desfazer a imagem à qual é associada em Brasília. Os gestos da nova chefe da articulação política buscaram, antes de mais nada, aproximação com o Centrão e alinhamento com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Gleisi participou de encontros com a cúpula do Congresso com o objetivo de sinalizar que a sua gestão à frente da pasta pretende ter dias mais calmos do que os do seu antecessor, Alexandre Padilha, que chegou a cortar relações com o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Os movimentos da petista começaram no discurso de posse na segunda-feira e tiveram sequência em uma série de reuniões.

Gleisi rebate Tarcísio e diz que Lula não tem medo de perder eleições

Ministra das Relações Institucionais respondeu declaração dada pelo governador de São Paulo em ato em Copacabana

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), rebateu neste domingo uma declaração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante um ato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro, Tarcísio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teme perder as eleições.

— Estamos aqui hoje para lutar pela liberdade. A liberdade é uma árvore que dá frutos. E no dia em que essa árvore morrer, os frutos vão embora. Vai embora o investimento, a segurança jurídica, a prosperidade e a própria democracia. Qual a razão de afastar Jair Bolsonaro das urnas? É medo de perder a eleição? Porque eles sabem que vão perder — disse o governador.

Ato esvaziado serve para Tarcísio ensaiar discurso que fará em 2026 - Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Governador prefere a camisa azul da seleção e foca crítica não em Moraes, mas em Lula

Inútil como forma de pressão sobre o Supremo Tribunal Federal, prestes a tornar Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado, o ato esvaziado de seus apoiadores em Copacabana neste domingo (16) teve serventia diversa para o grupo atrelado ao ex-presidente.

Destacou-se Tarcísio de Freitas, o governador paulista pelo Republicanos que encabeça a bolsa de apostas para ocupar a posição de desafiante do petismo em 2026. Em cima do trio elétrico, ele buscou o jogo impossível de ser bolsonarista e moderado ao mesmo tempo.

Tarcísio envergava uma camisa da CBF, mas do uniforme número 2 da seleção, azul. De forma simbólica, apresentou-se como igual, mas diferente dos pares mais radicalizados no palco.

Elencou itens de discurso de candidato a presidente. "Ninguém aguenta mais a inflação", disse, sem esquecer do preço do ovo, o vilão da vez. Foi no pescoço do presidente Lula (PT): "Os que assaltaram a Petrobras voltaram à cena do crime".

Gleisi Hoffmann sai por cima - Camila Rocha

Folha de S. Paulo

Deputado Gustavo Gayer (PL) achou por bem fazer uso de misoginia incendiária

Gustavo Gayer (PL), deputado de extrema direita eleito por Goiás, de olho no crescimento de suas redes sociais, achou por bem fazer uso de misoginia incendiária. Gayer resolveu comparar Lula a um cafetão e a ministra Gleisi Hoffmann (PT) a uma garota de programa. Para finalizar, sugeriu que a ministra, seu namorado e também deputado, Lindbergh Farias (PT), e Davi Alcolumbre (União), presidente do Senado, poderiam formar um trisal.

Tudo teve início quando a deputada Gleisi Hoffmann tornou-se recentemente ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Como ocorre com muitas mulheres que chegam aos altos escalões do poder, Gleisi logo teve suas capacidades políticas questionadas. Apesar de ser uma política muito experiente, vários colegas e analistas a julgaram muito "agressiva" para exercer a nova função.

Lula tem incentivos para radicalizar sua agenda - Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Há outros fatores explicativos para o colapso da aprovação do governo para além do preço do café

A forte queda na popularidade presidencial e na avaliação do governo Lula tem gerado controvérsias. Além do próprio presidente, muitos analistas culpam a inflação de alimentos como a principal causa. Tema que domina a agenda pública no momento. Quando a culpa é atribuída pelo primeiro mandatário da nação a "atravessadores", significa que já atravessou o rubicão e arrisca radicalizar sua agenda.

Felipe Nunes e Thomas Traumann identificaram fatores conjunturais e estruturais da queda da aprovação presidencial. Dentre os primeiros, a inflação de alimentos devido a questões climáticas, valorização do dólar, entre outros. Entre os fatores estruturais, um governo cuja única agenda é "refazer o que deu certo nos mandatos Lula 1 e 2, e que só entrega o que já é conhecido", e "não gera a gratidão consequente do voto econômico".

Os analfabetos e a democracia - Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

A inclusão deles no voto foi peça-chave para consolidar e tornar a democracia autossustentável

No último sábado, 15 de março, a democracia brasileira completou 40 anos, marcando o mais longo período democrático da história do País. A posse de José Sarney como o primeiro presidente civil após 21 anos de ditadura militar representou um marco histórico para o Brasil.

Estudos apontam que transições democráticas iniciadas por meios pacíficos e pactuados têm três vezes mais chances de resultar em democracias duradouras. No Brasil, a chamada “Aliança Democrática”, formada por reformistas do lado autoritário e moderados do lado democrático, ajudou a garantir uma transição com menos violência e maior estabilidade.

Poesia | Amar, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Elis Regina - O Bêbado e a Equilibrista

 

domingo, 16 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Supremo fez bem em ajustar escopo do ‘foro privilegiado’

O Globo

A partir de agora, políticos não podem mais sair do cargo para julgamentos recomeçarem do zero

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na semana passada, por 7 votos a 4, mudar a interpretação sobre o foro “por prerrogativa de função” — mais conhecido como “foro privilegiado” — que vigorava desde 2018. Prevaleceu o entendimento do relator, ministro Gilmar Mendes, para quem, no caso de crimes cometidos no cargo e em razão dele, o foro do processo deve ser mantido mesmo depois que as autoridades — presidente, ministros, parlamentares, governadores, prefeitos etc. — deixarem o cargo. As exceções ao foro ficam mantidas: crimes praticados antes de o acusado assumir a função que garantiu o foro ou depois de deixá-la e aqueles que não guardem nenhuma relação com seu exercício.

O defensor da democracia - Merval Pereira

O Globo

Sarney pode estar fora do poder, mas não perdeu a importância política. Continua sendo procurado por todos os líderes políticos

Na noite em que Tancredo Neves se internou em Brasília e ficou claro que não poderia tomar posse no dia seguinte como presidente da República, quem decidiu que o vice José Sarney assumiria foi o general Leônidas Pires Gonçalves, já escolhido novo ministro do Exército. Os juristas se dividiam entre Sarney e o presidente da Câmara, deputado Ulysses Guimarães, e Leônidas desempatou. O senador Pedro Simon perguntou, indignado, a Ulysses porque ele não reagira àquela decisão:

— Não podia, meu Pontes de Miranda estava me cutucando com a espada dizendo que seria o Sarney, comparando ironicamente o ministro do Exército com o grande jurista brasileiro.

O próprio Sarney insistiu para que Ulysses assumisse, o último ditador militar do golpe de 1964, João Figueiredo se recusava a passar a faixa para o antigo presidente do PDS que rompeu com o governo para abrir uma dissidência de onde nasceria a Frente Liberal, fundamental para a vitória no Colégio Eleitoral que ainda escolheria o sucessor de Figueiredo pelo voto indireto. Mas a decisão estava tomada.

Posse de Sarney mostrou que nossa democracia não é para principiantes - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Tanto os militares fracassaram no seu projeto autoritário, quanto os setores da oposição que imaginavam uma ruptura que se confundisse com a revolução

Como resistir ao chiste de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Tom Jobim, sobre a complexidade da terra em que nascemos: “O Brasil não é para principiantes”? Esses 40 anos de redemocratização são uma prova disso. Alguns, mesmo hoje, por incompreensão política ou dogma ideológico, ainda torcem o nariz para o ex-presidente José Sarney, cuja posse, em 15 de março de 1985, marcou o fim da ditadura militar. Entretanto, foi o político que legalizou os partidos comunistas e convocou a Constituinte de 1985, sem a qual não teríamos as instituições capazes de barrar a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, cujo objetivo era destituir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ontem, comemorou-se a posse de Sarney como um marco inaugural da ordem democrática que temos hoje, num evento histórico realizado no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, pela Fundação Astrojildo Pereira e o Cidadania, com apoio do Correio Braziliense. Hoje, em Copacabana, haverá uma grande manifestação de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e em defesa da anistia aos condenados por invadirem os prédios da Praça dos Três Poderes, vandalizando o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Comício fora de época – Bernardo Mello Franco

O Globo

Às vésperas de virar réu, Jair Bolsonaro tenta mostrar que ainda está vivo. O capitão convocou a tropa para um comício fora de época. Quer exibir força para a classe política e para os ministros que vão julgá-lo no Supremo Tribunal Federal.

O ex-presidente está inelegível, mas insiste em repetir que será candidato ao Planalto. A estratégia cumpre dois objetivos: manter sua ascendência no campo da direita e impor condições a quem buscar seu apoio.

Em 2018, Bolsonaro martelava que Fernando Haddad era candidato com a missão de tirar Lula da cadeia. Em 2026, só pedirá votos a quem prometer recompensá-lo com um indulto.

A carestia não tem curas pontuais - Elio Gaspari

O Globo

Na quarta-feira, Lula anunciou uma iniciativa para expandir o crédito dos trabalhadores e explicou: “Não há nada mais milagroso para uma economia do que o dinheiro circular na mão de todos. Quando o dinheiro se concentra na mão de poucos, a gente sabe o resultado da História do Brasil, de muitos países e da humanidade”.

Faltou-lhe a sorte. No mesmo dia, o IBGE informou que a inflação acumulada nos últimos 12 meses estava em 5,06%, superando o teto da meta do Banco Central de 4,5%. Mais dinheiro na mão de todos faz milagres. Contudo, se o dinheiro vale menos, o milagreiro se torna charlatão.

Desde que a carestia foi associada à erosão da confiança no governo, os companheiros correm atrás de más notícias pontuais. Ora é o ovo, ora é o café. Para o que seriam problemas pontuais, respondem com soluções políticas pontuais. Itaipu socorre as tarifas de energia, ou retira-se o imposto de importação para aliviar o preço do ovo.

Aviso do tempo das travessias - Míriam Leitão

O Globo

A situação atual dos EUA com Trump serve de alerta: a inflação dissolve intenções de de voto e o perigo institucional muitas é esquecido

A economia vencerá Donald Trump. Ela é o que é. Não aceita desaforos e responde sempre. A guerra tarifária é inflacionária e a inflação é uma velha inimiga da popularidade. A incerteza provocada por um líder bélico, errático, randômico, vai paralisar decisões. A economia não gosta da dúvida. Ela é o que é. O grande desafio neste momento vai além da economia. Ainda é a democracia que está num pêndulo perigoso. A nossa, custou muito caro e ontem completou 40 anos. Jovem a nossa democracia, mas é a mais longeva que tivemos. Preciosa. Viveu sustos recentes e não está fora de perigo.

Erro primário – Dorrit Harazim

O Globo

Não se pode esperar racionalidade na Casa Branca de hoje. Nem achar normal o que testemunhamos

As leis da gravidade política têm pouca serventia quando aplicadas a Donald Trump. Basta lembrar que ele foi reeleito para a Casa Branca apesar de muitos pesares — um primeiro mandato caótico, quatro indiciamentos judiciais, dois processos de impeachment, condenação por 34 crimes etc. Ao tomar posse dois meses atrás, sua popularidade alcançou píncaros inebriantes para quem é chegado a uma megalomania. Além de ele ter derrotado a democrata Kamala Harris (alguém ainda se lembra dela?) no colégio eleitoral, Trump também venceu no voto popular e ainda emplacou maioria republicana nas duas Casas do Congresso.

Amparado em mandato tão inequívoco, e alimentado por uma corte de bilionários cuja fortuna parece inversamente proporcional a seu amadurecimento humano, o presidente cometeu um erro primário. Tomou a zanga do eleitorado com a inflação e a carestia atribuídas à era Biden como sinônimo de aversão nacional ao tamanho do Estado e do governo.

Tempo de tormenta e vento esquivo - Celso Lafer

O Estado de S. Paulo

A erosão e a crise do multilateralismo comprometem o potencial de gestão cooperativa no âmbito da interdependência dos Estados

Pesa sobre a inserção internacional do Brasil a lógica das circunstâncias de relações cambiantes de um mundo de intensificados conflitos. São conflitos permeados pelas tensões de poder de alta voltagem que se dão no contexto do caleidoscópio da geopolítica.

Disso são exemplos o andamento da guerra na Ucrânia, guerra de conquista deliberada pela Rússia de Putin, e a intensidade bélica no Oriente Médio, cujo ponto de partida foi o ataque terrorista do Hamas a Israel. São conflitos que têm alcance geral. Apontam para uma renovada presença dos riscos da situação-limite paz/guerra na vida internacional, numa escala distinta dos chamados conflitos de baixa intensidade que emergiram no pós-Segunda Guerra, contidos na sua abrangência pelo precário equilíbrio da dissuasão nuclear da bipolaridade EUA/União Soviética.

A voz da democracia - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Mundo se arma contra a política espalhafatosa e belicosa de Trump. E os EUA?

Só um poder será capaz de estancar a audácia de Donald Trump: a sociedade americana, que até aqui assiste, inerte, ao processo inevitável de inflação, aumento de custos da indústria, demissão em massa de funcionários, perseguição de militares legalistas, desmonte do controle de voos em meio a sucessivos acidentes e erros, o fim do soft power, da Usaid e da ajuda humanitária americana ao redor do mundo e a uma política externa espalhafatosa e belicosa – o oposto, portanto, da boa diplomacia.

A vocação de Trump é implodir consensos e causar rachas profundos não apenas no mundo, mas nas instituições e na sociedade dos EUA, jogando todos contra todos e transformando seu governo numa religião cheia de inimigos e dogmas. Aos que acreditam, tudo; aos que não, a lei – a sua lei, que as redes sociais e Elon Musk executam.

Democracia brasileira tem um caminho inacabado, avalia Cristovam

Raphael Pati, Eduarda Esposito e Maiara Marinho / Correio Braziliense

O ex-governador Cristovam Buarque citou que o país ainda tem dívidas a pagar com a democracia: nível alto de corrupção e corporativismo estatal

Apesar de já transcorridas quatro décadas da posse de José Sarney como presidente da República, que consolidou a volta de um regime democrático no país, o Brasil ainda tem dívidas a pagar para com a democracia, é o que pensa o ex-governador do Distrito Federal e ex-senador Cristovam Buarque, que participou ontem do evento Democracia 40 anos: conquistas, dívidas e desafios. O seminário suprapartidário foi organizado pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e pelo partido Cidadania, e contou com o apoio do Correio.

Entre as "dívidas" citadas pelo ex-governador, ainda está o nível alto de corrupção, alinhado ao alto nível de corporativismo estatal. "O Brasil é profundamente dividido em corporações. Temos 90 milhões de processos jurídicos atualmente, e isso é fruto de um corporativismo", considerou.

Também mencionou a questão do Bolsa Família, criado durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que, segundo Cristovam, deveria ter um prazo para terminar. "Ainda não temos uma estratégia para diminuir a pobreza do Brasil. Não temos uma estratégia para dizer que daqui a 20 anos vamos acabar com o Bolsa Família no Brasil", acrescentou o político. 

Democracia viva e sob permanente vigilância

Eduarda Esposito e Vanilson Oliveira / Correio Braziliense

Ex-presidente José Sarney relembrou os desafios enfrentados na transição para a democracia, durante evento no Panteão, que contou com a presença de autoridades, acadêmicos e ex-chefes de Estado

A celebração dos 40 anos da redemocratização política do Brasil reuniu autoridades, acadêmicos e ex-chefes de Estado no coração de Brasília: o Panteão, na Praça dos Três Poderes. O evento Democracia 40 anos: Conquistas, Dívidas e Desafios, apoiado pelo Correio Braziliense, relembrou o passado e indicou perspectivas para o futuro.

O ex-presidente José Sarney, o principal homenageado, afirmou que é preciso vigilância permanente para garantir a continuidade do regime democrático. Primeiro presidente da Nova República, o maranhense, vice-presidente na chapa vencedora das eleições indiretas, tomou posse no lugar do presidente eleito, Tancredo Neves, internado no Hospital de Base, em 15 de março de 1985.

Com a morte de Tancredo, em 21 de abril, Sarney governou o Brasil durante os anos de mandato subsequentes, época fundamental para a elaboração da Constituição de 1988. No discurso, Sarney destacou os desafios enfrentados no período da transição da ditadura para a democracia e ressaltou o papel da Carta Magna como pilar fundamental da estabilidade política do país. "Ulysses Guimarães me disse: 'Sarney, podemos não ter Constituição'. Eu respondi: 'Sem Constituição, não há transição, porque é a Constituição que vai estabelecer a nova sociedade democrática do Brasil'", recordou o ex-presidente, ressaltando que a elaboração da Carta Magna foi essencial para consolidar o Estado democrático.

Olhos de ontem; olhos de sempre: 40 anos de democracia - Ana Dubeux

Correio Braziliense

Olhos de ontem, como disse Sarney em seu discurso de posse ouvido in loco por Liana Sabo, são os olhos de sempre. São eles que eternizam momentos históricos

Sentei ao computador para escrever este texto depois de ler o artigo impactante da nossa repórter de ouro, Liana Sabo. E agora estou aqui procurando as palavras certas para falar da importância deste dia histórico que não cobri como jornalista profissional. Neste sábado, 15 de março, são 40 anos de redemocratização do Brasil. Vejo este dia com os olhos de Liana; também com os olhos de José Sarney, aquele que assumiu como presidente da República no susto ou, como ele me disse, “levitando”.

Liana escreve às vésperas de completar 57 anos como repórter do Correio Braziliense. Descreve de maneira prodigiosa e com detalhes preservados na sua sempre excelente memória as horas que antecederam ao dia da posse de Sarney no lugar de Tancredo Neves. Na época, antes de se tornar uma jornalista de referência na área da gastronomia, Liana cobria o Itamaraty.

Reescrevo aqui o final do seu artigo, uma pérola: “Quando raiou o dia, a edição estava fechada. Fui pra casa, tomei um banho e um café forte e me vesti depressa para chegar cedo à posse no Palácio do Planalto. Quando José Sarney, do alto dos seus 55 anos, abriu o discurso, emocionado, dizendo ‘estou com os olhos de ontem’, eu comentei baixinho no quadrado de imprensa, frente às autoridades: ‘Eu também, presidente’. Assim, insone, eu vi renascer a democracia no Brasil”.

Jojo Todynho e a eleição de 2026 - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Progressistas veem, mas não enxergam, a obviedade de que país mudou

Jojo Todynho precisa comprar toalhas novas. É o que lhe diz Luciano Hang, vestido de fadinha. O "Véio da Havan" faz propaganda da loja dele: "um mês todynho de ofertas". Zapeio a TV.

Ronaldinho Gaúcho recomenda a Shopee, loja típica do mundo "blusinha". Cafu e Adriane Galisteu anunciam "bets". Tão Brasil, "contemporâneo", embora Cafu, Gaúcho e Galisteu sejam dos tempos de FHC 1 a Lula 2, quando havia a ilusão de que o Brasil viria a ser mediocridade mais arrumadinha.

No noticiário, Lula diz que estão "sacaneando as galinhas". Promete para terça-feira (18) o projeto de isenção do IR. No domingo (16), Jair Bolsonaro faz comício pela anistia de si mesmo e de golpistas coadjuvantes.

A eleição para presidente do PT - Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Disputa não será entre moderados e radicais, como os grandes embates petistas dos anos 1990

O PT elegerá seu novo presidente no próximo dia 6 de julho. A disputa influenciará a relação do partido com o governo, e pode gerar fissuras no grupo dirigente cujo impacto de longo prazo é difícil de prever.

O PT já teve disputas presidenciais acirradíssimas, especialmente nos anos 1990, durante o difícil processo de moderação do partido. A eleição logo depois da crise do Mensalão, que abalou fortemente o grupo dirigente, também teve debates intensos. Mas a saída de parte da esquerda petista para formar o PSOL, bem como a virada pragmática do partido quando foi governo, tornou as eleições para a presidência do PT mais previsíveis.

O mais comum é que, após negociações mais ou menos difíceis, vença o candidato da CNB ("Construindo um Novo Brasil"), que, em suas diversas encarnações anteriores, dirigiu o PT desde os anos 1980, quase ininterruptamente. Voltaremos a esse "quase".

Como a economia explica o mundo - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro mostra como conceitos abstratos do tipo utilidade marginal decrescente produzem efeitos concretos na história

Breve e certeiro são dois adjetivos que descrevem bem "How Economics Explains the World" (Como a Economia Explica o Mundo), de Andrew Leigh. Em menos de 200 páginas, ele narra como forças econômicas moldaram a história.

Leigh começa com a agricultura, que criou a possibilidade de acumular riqueza e permitiu a especialização do trabalho, e termina na pandemia, cujo impacto inflacionário, agravado pela invasão da Ucrânia, até hoje afeta o resultado de eleições mundo afora.

Uma coisa que Leigh faz muito bem é mostrar como conceitos econômicos que podem parecer abstratos, como estrutura de incentivos, custos de oportunidade, utilidade marginal decrescente, geram efeitos concretos.

O Congresso não se emenda - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Se os parlamentares se recusam a dar transparência às emendas é porque há algo de podre a esconder

Impressiona, embora não surpreenda, a relutância dos parlamentares em atender ao quesito de transparência do artigo 37 da Constituição escrita pelo Congresso ao qual pertencem.

A recusa de fazer jus à Carta de 1988 já ficou patente em 2022 quando a então ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, confirmou a ilegalidade do chamado orçamento secreto e o Parlamento simplesmente ignorou a sentença.

Dois anos depois, Flávio Dino assumiu a cadeira dela, decidiu dar um fim ao desrespeito e pegou o touro na unha. Tentou por bem, chamando ao STF representantes do Legislativo e do Executivo para um acordo mediante o qual o uso das emendas seria rastreável e com identificação de autoria.

Gleisi muda modelo de articulação política do governo - Victoria Azevedo

Folha de S. Paulo

Ministra quer se posicionar como articuladora direta entre Lula e a cúpula do Congresso

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), pretende concentrar as negociações do governo Lula com o Congresso, antes divididas com outros ministros, e se posicionar como uma articuladora direta entre o presidente da República e as cúpulas da Câmara e do Senado, dominadas pelo centrão.

Aliados de Gleisi falam em uma mudança no modelo de articulação política. Depois de um período em que líderes encaravam a relação com o governo com pouca confiança, esses aliados dizem que a ministra pode fazer negociações com maior respaldo de Lula, priorizando as lideranças partidárias e participando ativamente de cada etapa das negociações.

Articular o que não tem - Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Em período de baixa popularidade, Lula aparenta guinada à esquerda, instalando a presidente do PT na articulação política

Nesse instante de comida cara, baixa popularidade e aumento dos blefes do Centrão, Lula aparenta uma guinada à esquerda, instalando a presidente do PT na articulação política. Pode ser que esteja preparando bases para a eleição de 2026, mas há uma grande dose de anacronismo nisso tudo, incongruente com a situação do país. Por um lado, a macroeconomia vai bem, com o PIB em alta e o desemprego em baixa, sem despertar muita atenção. Por outro, as instituições funcionam, processando golpistas e estabilizando mecanismos democráticos. A política verdadeira, porém, é uma barafunda. A ela, ou a sua ausência, se devam talvez os índices de desaprovação.

Poesia | Balada do amor através das idades, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Chico Buarque - A Volta do Malandro

 

sábado, 15 de março de 2025

Entrevista | José Sarney: 'Fui um presidente marcado para ser deposto'

Naief Haddad / Folha de S. Paulo

Político maranhense lembra a chegada improvável ao poder há 40 anos e as dificuldades para conduzir a transição democrática

José Sarney tem as mãos levemente trêmulas e a voz frágil. Ao lado do enfermeiro, o ex-presidente de 94 anos caminha com dificuldade. Os fios do bigode, aparado com esmero, estão completamente brancos.

Por outro lado, seu raciocínio se mantém afiado assim como o espírito conciliatório. Na sala da sua casa em Brasília, decorada com pinturas de artistas como Cândido Portinari e Burle Marx, ou na ampla varanda, de onde se vê o lago Paranoá, Sarney recebe com frequência amigos dos mais variados espectros políticos, do presidente Lula (PT) ao ex-presidente Michel Temer (MDB).

No momento em que a reportagem chegou para entrevistá-lo, no final da tarde do último dia 7, Sarney falava por telefone com Julio María Sanguinetti, ex-presidente do Uruguai. Sanguinetti disse a ele que pretendia ir ao evento de homenagem ao político maranhense neste sábado, dia 15, em Brasília.

Em 15 de março de 1985, com a hospitalização de Tancredo Neves, cabeça da chapa eleita dois meses antes no Colégio Eleitoral, coube ao vice, Sarney, assumir a Presidência. Ele imaginava que Tancredo ocuparia o posto alguns dias depois, mas, passadas sete cirurgias, o amigo mineiro morreu em 21 de abril.

Com um ministério todo escolhido por Tancredo, Sarney deveria conduzir a transição da ditadura militar para a democracia. "Fui um presidente marcado para ser deposto, como muitos outros da história do Brasil", afirmou.

Na entrevista, ele diz se arrepender das críticas feitas a Juscelino Kubitschek, lembra a depressão que teve nos anos 1980 e comenta as acusações de favorecer deputados para que aprovassem seu mandato de cinco anos. Também se recorda da relação com os militares, analisa as razões para que o Plano Cruzado tivesse um desfecho negativo e critica a falta de lideranças no Brasil de hoje.

Instituições precisam reaprender a ouvir – Pablo Ortellado

O Globo

Vemos críticas não ser consideradas porque são percebidas como acusação moral ilegítima

A polarização não é apenas a separação da sociedade em dois campos políticos antagônicos. Com ela, vêm também a desqualificação do adversário e insensibilidade às suas críticas. Quando instituições são hegemonizadas por um dos polos, seu caráter público é comprometido porque as autoridades que as controlam sentem que não precisam responder a críticas “desqualificadas”. Precisamos entender como opera esse mecanismo e atuar em sentido contrário, para garantir que sigam funcionando de modo republicano num mundo dividido.

Esconder patrocinador só pode ter dois motivos: corrupção ou barganha política – Míriam Leitão

O Globo

A avaliação é Marcos Mendes, professor do Insper, que destaca o fato de o Brasil ser único país da OCDE em que o Executivo é obrigado a reservar parte do Orçamento para este fim

A insistência dos parlamentares em deixar brechas na nova regulamentação das emendas parlamentares mantendo a possibilidade de continuar a ocultar a identificação dos autores dos recursos de indicação coletiva só podem ter duas razões: corrupção ou o fato dos recursos estarem sendo usados para barganha política e não seria bom que o parlamentar A soubesse o quanto o B recebeu. A avaliação é de Marcos Mendes, professor do Insper, que provoca:

-Quando é interessante para o parlamentar, ele bate bumbo para divulgar que foi ele quem destinou recursos para um determinado projeto ou localidade. Se não quer ser identificado como patrocinador dessa emenda suspeita-se que haja algum mal feito.

Americanos pagarão por ataque à ordem global - Fareed Zakaria

O Estado de S. Paulo

Trump vem desfazendo o sistema internacional; posição privilegiada americana também declinará

Reviravoltas nos EUA estão sendo notadas e resultarão em revolução na política global

Cingapura joga suas cartas geopolíticas com cuidado, ao tentar manter boas relações com os EUA em uma região dominada pela China. Então, vale a pena prestar atenção quando seu ministro da Defesa diz que a imagem de Washington “mudou de libertador para grande desestabilizador, para um senhorio buscando aluguéis”. Seu premiê, Lee Hsien Loong, resumiu o desafio que o mundo enfrenta: “Os EUA não estão mais dispostos a garantir a ordem global”.

Em poucas semanas, o governo Trump pôs em prática uma revolução na política externa americana, abandonando um antigo aliado democrático, a Ucrânia, cuja segurança os EUA prometeram defender desde a assinatura do Memorando de Budapeste, há 30 anos. Agora, Trump pede uma parte da riqueza mineral da Ucrânia, que seu governo descreve como “retribuição”, em troca de apoio.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Nova manobra para manter emendas ocultas é acintosa

O Globo

Regras aprovadas pelo Congresso ferem transparência, violam acordo entre Poderes e ofendem Constituição

É um acinte a insistência do Congresso em negar aos brasileiros o direito constitucional de rastrear o gasto público. Em sessão conjunta na quinta-feira, ela ganhou um novo e triste capítulo. Senadores e deputados — num arco que foi do PL ao PT — aprovaram regras sobre emendas parlamentares que contrariam a Constituição, contrariam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e contrariam o acordo que os recém-empossados presidentes da Câmara e do Senado haviam firmado com o STF. O texto cria uma brecha para que os padrinhos das verbas continuem incógnitos nas emendas de comissão e de bancada. Se todos os partidos presentes no Congresso, com exceção dos nanicos Novo e PSOL, são contra a transparência, não restará outra alternativa ao Judiciário senão determinar novos bloqueios das verbas. O vaivém se arrasta desde 2022 — e precisa ter fim.

A reação à resolução foi imediata. As ONGs Transparência Brasil, Transparência Internacional e Contas Abertas emitiram nota afirmando que a decisão do Parlamento criou “mais uma versão do orçamento secreto”, em clara “afronta aos princípios constitucionais da publicidade e da moralidade que orientam o processo orçamentário e às determinações do STF”. A nota ressalta que a autoria das emendas coletivas — de comissão e bancada — continuará oculta “sob a assinatura de apenas uma pessoa”, o líder partidário ou o coordenador da bancada de cada estado. Para o Instituto Não Aceito Corrupção, a norma perpetua a “distorção decorrente da possibilidade de autores de projetos de emendas se esconderem atrás das figuras de líderes partidários e de bancadas, blindando-os do escrutínio”.