O Globo
Diz o ditado popular que água mole em pedra
dura tanto bate até que fura. A erosão de praticamente todas as instituições do
país no governo Bolsonaro segue a lógica de gotejar persistentemente líquidos
tão corrosivos quanto intervencionismo, falta de respeito a ritos e processos e
a sobreposição de interesses privados (familiares) sobre os públicos até abrir
buracos que depois serão difíceis de fechar.
No momento, a Polícia Federal e a
Petrobras, a maior companhia do país, são os alvos desse ataque insidioso que
já atingiu, em diferentes momentos, as Forças Armadas, o Ministério Público
Federal, a Abin e tantas outras corporações.
Em nenhuma dessas tentativas para minar a
independência e a autonomia de braços importantes do tecido republicano, Jair
Bolsonaro fez questão de esconder que a lógica que lhe serve é exigir
alinhamento bovino dos indicados e ter o direito de opinar, quando não de
intervir abertamente.
A Petrobras não é uma instituição do Estado, e sim uma empresa de economia mista e capital aberto, mas, ainda assim, é vista pelo presidente da República como um puxadinho de seu gabinete, que deve agir conforme seus desígnios eleitorais.