Folha de S. Paulo
Por que 'terceira' se só uma das
candidaturas é de polo extremo?
Palavras cruzadas, charadas e pequenos
enigmas são velhos recursos de jornais e revistas para entreter certas classes
de leitores. Mas quando coisas dessa ordem se estendem à esfera política, o
interesse público é obrigatoriamente mais amplo.
Exemplo marcante vem de especulações de
natureza diversa a propósito de uma "terceira
via" na eleição. Ninguém explica por que seria terceira,
considerando-se que, entre as existentes, só uma é polo extremo, longe da
expectativa democrática de restauração civil.
Talvez ajude imaginar um jogo em que uma
bola corra sozinha em campo sem que se saiba por quê, à espera de alguém que a
agarre e lhe dê uma definição. Até agora, em nenhum momento, ninguém se
arriscou a resolver o enigma, embora a bola continue correndo, aparentemente
refratária, como mercúrio: já driblou muita gente.
Um chute inicial foi dado pelo ex-governador gaúcho. Embora tenha apoiado a eleição do atual presidente, se apresentou ainda no cargo como virtual opositor federal. Como costuma acontecer com os políticos convictos de que é dispensável a formulação de um projeto nacional, o postulante reduziu a provável expectativa de uma carta de intenções ao tamanho de um cartão de visitas, em que simplesmente fazia uma honesta declaração de gênero.

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