Correio Braziliense
Não se busca a interferência na livre
manifestação de opinião, como alardeia a retórica extremista. Há, sim, um vácuo
político que facilita a distorção dos fatos e favorece a criminalidade nas
redes
Costuma-se afirmar que as crises produzem
soluções. Mas, no cenário político contemporâneo — no Brasil e no mundo —, elas
têm se mostrado mais geradoras de divisões do que de saídas. Vivemos um momento
de inflexão, marcado por uma nova bipolaridade, ideológica e caótica, em que o
radicalismo mina pontes e esvazia a política de seu verdadeiro papel: mediar
conflitos por meio do diálogo.
Há ecos históricos. A geração que viveu nos anos 1960 lembra a tensão entre Estados Unidos (EUA) e União Soviética na crise dos mísseis em Cuba. Hoje, décadas depois, observamos novos focos de instabilidade: a guerra entre Rússia e Ucrânia, o conflito devastador em Gaza, o ataque aberto de Israel ao Irã há três dias e o impacto da recente eleição norte-americana indicam que os acordos firmados no pós-guerra estão sendo gradualmente desmontados. Nesse novo tabuleiro, o Brasil tenta reposicionar-se.












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