sexta-feira, 3 de outubro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Avanço na isenção do IR é vitória política para Lula

Por Folha de S. Paulo

Votação na Câmara mantém a tributação extra dos mais ricos, que, espera-se, evitará perda de receita

É preciso avançar na progressividade dos impostos; popularidade de Lula é maior entre mais pobres, já isentos, e menor nas demais faixas de renda

No projeto do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para elevar a isenção do Imposto de Renda a ganhos mensais até R$ 5.000, o pior que poderia acontecer seria o Congresso Nacional derrubar ou enfraquecer a tributação adicional sobre rendimentos mais altos destinada a manter estável a receita do Tesouro. Isso foi evitado, felizmente, na aprovação do texto pela Câmara dos Deputados.

A despeito de alguns ensaios de resistência por parte da oposição, na quarta-feira (1º) os deputados deram 493 votos favoráveis à medida e nenhum contrário. Com o resultado acachapante, parece provável que o Senado também mantenha a essência da proposta do Executivo. Melhor assim.

Além de ampliar a faixa de isenção do IR, o projeto reduz a cobrança sobre valores até R$ 7.350 mensais —eram R$ 7.000 na versão original. Com essa e outras mudanças, o custo estimado das benesses subiu de 25,8 bilhões para R$ 31,2 bilhões ao ano.

O Brasil tem ido em frente retornando para trás. Por José de Souza Martins

Valor Econômico

A política brasileira não é a da polarização ideológica senão pelo fato de que os grupos políticos retrógrados resolveram dar-se um nome e se reconheceram como de “direita”

Desde o golpe de Estado de 1964, quando a repressão e a censura encolheram nas páginas dos jornais o noticiário sobre a política brasileira, procuro nos informativos de entrelinhas o subjacente das notícias. Cheguei a assinar, durante anos, o Diário do Congresso Nacional, cujos maçudos exemplares entulharam cômodos de minha casa.

As transcrições taquigráficas do inteiro teor dos discursos e debates de deputados e senadores revelavam um parlamento que, apesar do golpe, continuava o mesmo.

Entre um e outro notório corrupto, a ditadura cassara alguns dos melhores membros das duas casas, os que de fato representavam as parcelas mais lúcidas do povo brasileiro, os que tinham consciência crítica da realidade e dos bloqueios que a travavam para as inovações sociais e políticas necessárias.

Os militares definiram dois elencos de políticos adversos que deveriam ter seus mandatos e seus direitos políticos cassados: os corruptos e os subversivos. Para eles, alienados da realidade brasileira, como mostraram, eram equivalentes.

Tarcísio, o fantasma de Jânio e cinema com o Supremo. Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Sobram argumentos para o governador se concentrar em São Paulo

Aos 50 anos, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é um político atormentado por dois diabinhos sobre os ombros, um de cada lado, agitando os tridentes e sussurrando-lhe aos ouvidos: “serás candidato à reeleição”; “não, serás candidato a presidente da República”. Para usar o mesmo advérbio que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), após o recente encontro com Tarcísio, “por ora”, o diabinho da reeleição está falando mais alto.

Entre muitos argumentos, este diabinho vive repetindo, como um disco riscado, que governadores de São Paulo amargam histórico de insucesso na eleição presidencial. Após a vitória nas urnas em 1960, Jânio Quadros governou sete meses e renunciou. Os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin foram derrotados pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já no terceiro mandato.

Sidônio calçou Lula para dobrar o governo à isenção do IR. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Ministros logo se aperceberam que o titular da Comunicação chegou para mexer não só na sua área, mas na agenda da gestão

A unanimidade com a qual a Câmara aprovou a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil com aumento de tributação para rendimentos acima de R$ 50 mil, é uma rendição dos deputados à agenda com a qual o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Pereira, chegou ao Palácio do Planalto munido de pesquisas sobre o desgosto do eleitor mundo afora com impostos.

Sua posse na Secom aconteceu apenas em janeiro, mas foi sob sua influência que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no final de novembro do ano passado, dobrou todo o governo, a começar por Fazenda e Planejamento, que queriam aprovar um ajuste fiscal robusto antes da reforma da renda.

Aprovação do projeto do IR coroa virada de Lula. Por Vera Magalhães

O Globo

Conjunção de fatores levou a Câmara a ficar sem margem para modificar mais a proposta, que deverá ser o carro-chefe da campanha do petista e lhe confere uma marca de governo

A euforia no governo com a aprovação, da forma como se deu na Câmara, do projeto que isenta do pagamento de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil é tamanha que nem as poucas mudanças no texto original parecem preocupar Planalto e Fazenda. Se passar desse jeito também no Senado, estará ótimo para Lula.

A matéria tem importância tão crucial para definir a narrativa do que terá sido o governo Lula 3 que o sentimento predominante no Executivo era até de certa incredulidade com a unanimidade favorável de 493 deputados. Era esperada a aprovação, ainda mais diante da circunstância especialíssima em que se deu a votação da matéria. Mas a realidade superou as expectativas.

O alinhamento de astros que permitiu a seu principal projeto avançar para o Senado coroa, no entendimento de alguns de seus mais próximos interlocutores, a virada que Lula vem experimentando nos últimos dois meses.

A favor, mas contra. Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Apesar do placar de 493 a 0, justiça tributária está longe de ser consenso em Brasília

Por essa, nem o governo esperava. A Câmara aprovou por unanimidade a proposta que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. O placar foi acachapante: 493 votos a 0.

O resultado pode dar a impressão de que a justiça tributária virou consenso em Brasília. Longe disso. Na sessão que varou a noite de quarta, deputados da oposição deixaram claro que votariam a contragosto.

“É um projeto eminentemente eleitoreiro”, protestou o deputado Luiz Carlos Hauly, do Podemos. “É mais uma fake news do governo Lula”, esbravejou Luiz Lima, do Novo. “Vender isso como presente é enganar a população”, decretou Júlia Zanatta, do PL.

Quando a proposta de isenção do IR foi apresentada, em novembro de 2024, o mercado financeiro estrilou. A Bolsa caiu e o dólar disparou, ultrapassando a marca dos R$ 6. Houve quem decretasse a morte do ajuste fiscal.

Esvaziamento da política. Por Pablo Ortellado

O Globo

Reflete o espírito do nosso tempo, em que é mais importante a filiação de grupo que o posicionamento refletido sobre temas políticos

O novo filme de Paul Thomas Anderson, “Uma batalha após a outra”, liderou as bilheterias na última semana nos Estados Unidos e ficou em segundo lugar no Brasil. Além do sucesso de público, vem sendo aclamado pela crítica como obra-prima política. Seu sucesso como filme político é sintoma da degradação do debate público, que perdeu de vista as questões substantivas da vida social e vive mergulhado num jogo estéril e superficial de signos e identidades.

O filme de Anderson é livremente baseado no livro “Vineland”, de Thomas Pynchon. Mantém a estrutura narrativa principal, adaptando a ambientação política ao século XXI. Narra a jornada de Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio) e Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor) como integrantes do grupo armado de esquerda French 75 em meados dos anos 2000. O casal de militantes desenvolve uma relação romântica alimentada pela excitação sexual produzida pela aventura revolucionária, parte delírio de superioridade moral, parte arrogância armada.

Lula tocou na ferida. Por Roberto Amaral*

Paralelamente à 80ª Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula participou de encontro com os presidentes de Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai, para debater o multilateralismo e a urgente defesa da democracia, esta utopia que entre nós Otávio Mangabeira, ao final da Segunda Guerra Mundial, chamou de “florzinha frágil que precisa de ser cuidada todos os dias”. Pois a história registra o alto preço político e humano cobrado às sociedades desatentas a seu destino.

De fato, a democracia, mesmo esta, de raiz liberal-ocidental, largamente cingida ao protocolo do voto, jamais esteve tão ameaçada como agora, inclusive entre nós, a lembrar os tempos da emergência do nazifascismo na Europa, nas primeiras décadas do século passado.

Hoje, a ameaça é tão ou ainda mais assustadora quando seu epicentro, projetando-se sobre o mundo, está nos EUA, ainda poderoso conquanto em relativo declínio, por isso mesmo imperialista mais do que nunca, e belicoso como jamais se conheceram uma sociedade e um país na história moderna.

Tarcísio diz que não será candidato ao Planalto. Por Ricardo Corrêa

O Estado de S. Paulo

Governador de SP pode até reconhecer a disputa da reeleição como o caminho mais correto, mas esse não é o plano do Centrão e ele não poderá dizer não a Bolsonaro

Quantas vezes você já ouviu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, dizer publicamente que pretende disputar a reeleição ao governo de São Paulo? Foi o que se deu, de novo, no início da semana, ao deixar a casa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Também nos bastidores, vários aliados ouvem o mesmo. Ninguém acredita, porém, e as perguntas sobre o assunto continuam pipocando. E a razão é muito simples: Tarcísio não é mais dono de seu próprio destino.

Eis uma lição clássica que políticos mais antigos sempre repetem quando questionados sobre uma decisão sobre candidatura. Chega um momento em que você vai, empurrado ou não, queira ou não, no sacrifício ou não, para qualquer disputa. É exatamente o que pode se passar com Tarcísio. Por bons e maus motivos. Empurrado ou barrado pelo Centrão de um lado e por Bolsonaro de outro.

O bom motivo é que ninguém é empurrado à cabeça de chapa de uma eleição ao mais importante do País sem que tenha se tornado uma figura de alta viabilidade. Tarcísio conquistou prestígio político e passa a ideia de alguém que pode vencer, razão pela qual as figuras do centrão que orbitavam o bolsonarismo o querem na campanha. Esses grupos ao centro e na centro-direita, que até chegaram a tolerar a participação em uma gestão petista mas que sempre quiseram mais, veem no governador de São Paulo como o cara capaz de vencer.

O ‘fator povo’. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Num ano de desgastes, Congresso tenta recuperar apoio popular e Lula colhe os louros

A vitória por unanimidade da isenção do IR para até R$ 5.000, a gradação até R$ 7.350 e as novas alíquotas para renda acima de R$ 50.000 por mês é, não apenas uma questão social, mas resultado dos ataques de Donald Trump ao Brasil, dos absurdos de Eduardo Bolsonaro, do oportunismo imoral e da falta de comando na Câmara, com um efeito que se alastrou pelo País: a irritação da sociedade, com um enorme desgaste para o Congresso.

O projeto foi promessa de Lula em 2022, chegou ao Congresso em abril deste ano, entrou no redemoinho da polarização política até ser cogitado como moeda de troca para a aprovação da anistia a golpistas. Os novos ventos provocaram a reviravolta: aprovação rápida na Câmara, com votos unânimes do PT ao PL e com o texto do governo preservado no essencial.

O pacote do Imposto de Renda. Por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Vai ser difícil encontrar na história da Câmara dos Deputados um projeto de lei aprovado em plenário por unanimidade, como o desta vez, por 493 votos. É o projeto de lei que isenta de Imposto de Renda, rendas mensais de até R$ 5 mil, desonera parcialmente quem recebe até R$ 7.350 e sobretaxa a turma da ponta da pirâmide de renda, os mais ricos. Agora, é a vez do Senado.

Trata-se de um projeto de cunho eleitoral, tanto para o governo como para a oposição. É eleitoral para o governo na medida em que beneficia perto de 15 milhões de contribuintes, especialmente os da classe média, cujo apoio político começava a escorrer. Foi a principal promessa de campanha do então candidato Lula. E é eleitoral também para a oposição: o político que votasse contra o projeto enfrentaria efeitos eleitorais negativos.

Diálogo entre Trump e Lula é tão imprevisível quanto foi o abraço dos dois. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

“O encontro na Malásia, se confirmado, pode se tornar o primeiro passo para superar a pior crise bilateral em décadas. O risco está no choque de personalidades e agendas ideológicas

O possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula da Asean, em Kuala Lumpur, a partir de 26 de outubro, vem sendo preparado em meio a gestos diplomáticos calculados, mas carrega imprevisibilidade semelhante ao improvisado abraço entre ambos na Assembleia-Geral da ONU.

O Brasil participará como convidado, e a expectativa é de que Trump confirme presença. A reunião pode abrir caminhos para uma acomodação no momento mais tenso das relações bilaterais desde o início do governo Lula, mas dificilmente resultará num acordo, porque os interesses contrariados são profundos e complexos.

Na semana passada, o vice-presidente Geraldo Alckmin conversou por telefone com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, enfatizando que a preferência do Brasil é pelo diálogo, apesar do “tarifaço” de 50% imposto unilateralmente por Washington. Também a Camex adiou em 30 dias a decisão sobre retaliações, sinalizando disposição de negociar. O chanceler Mauro Vieira, ao declarar que o Brasil “vai aplaudir” o plano de paz de Trump para Gaza, ofereceu gesto simbólico de deferência.

'O mercado' ficou com medo de um plano Lula de ônibus grátis para todos. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Finança teria tido dia fraco porque governo venceu no caso do IR e faria mais demagogia fiscal

Presidente pediu estudos sobre problema do transporte público, que pode ser tema de Lula 4

Gente de "o mercado" dizia nesta quinta que a Bolsa caiu porque Luiz Inácio Lula da Silva quer implantar a tarifa zero para o transporte público urbano.

Como a isenção do Imposto de Renda passou lotada de votos na Câmara, o governo estaria animado em soltar um trem de medidas populistas, que atropelaria contas públicas já arrebentadas.

Hum. Essas interpretações de "mercado cai, mercado sobe" não raro são ficção, meio de vender uma tese qualquer.

Faz mais de mês, Lula mandou ministérios estudarem o assunto. O ministro Fernando Haddad (Fazenda) diz o seguinte: "O que há é um pedido de estudo mais estrutural sobre o problema. Só isso".

Desembarque de araque. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Celso Sabino e André Fufuca são dois troféus que não valem a missa prometida por PP e União Brasil

O gesto de revolta das cúpulas dos partidos caiu no vazio da maré de adversidades que assola a oposição

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) anda falando em público o que seus companheiros de campo político dizem aos sussurros pelos cantos: a direita está abusando do direito de errar.

A oposição trocou de lugar com o governo, que até pouco tempo atrás era campeão nos tropeços. Parecia não haver remédio para a turma de Lula (PT), tanto que os adversários deram o toque da debandada. O fim de setembro foi estipulado como prazo para o desembarque do PP e da União Brasil, unidos numa federação de 109 deputados federais e 15 senadores.

Rule of law em crise no mundo. Por Solange Srour

Folha de S. Paulo

Instituições inclusivas têm que funcionar para todos e assegurar os direitos

Por que alguns países se tornam ricos enquanto outros permanecem pobres? Essa pergunta acompanha a história da ciência econômica e já foi respondida de diferentes formas: geografia, clima, recursos naturais, cultura ou até sorte histórica. Mas a literatura mais influente das últimas décadas, em especial os trabalhos de Daron Acemoglu e James Robinson, destaca o papel central das instituições.

Instituições inclusivas têm como princípio funcionar para todos. Elas asseguram direitos de propriedade, garantem que os acordos sejam respeitados e criam um ambiente previsível e seguro para quem quer investir ou empreender. Já as extrativas, geralmente controladas por um grupo pequeno – e poderoso economicamente –, travam o desenvolvimento e reforçam seus próprios privilégios. Não se trata apenas de leis escritas, mas de arranjos que podem moldar incentivos, distribuir oportunidades e limitar o poder.

Trump tenta cooptar os generais. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Presidente americano dá mais um passo em sua agenda autoritária

Founding fathers já se preocupavam em isolar comandantes militares da política

Quando eu pensava que nada mais que Donald Trump pudesse fazer me surpreenderia, o Agente Laranja convocou centenas de oficiais-generais dos seis ramos das Forças Armadas dos EUA e lhes cobrou uma espécie de juramento de fidelidade.

Não fidelidade às leis e à Constituição, mas ao projeto político-ideológico trumpiano. Tratando-se do atual presidente americano, é difícil saber o que é para valer e o que é bravata, quais propostas serão implementadas e quais serão esquecidas no turbilhão de ideias chocantes que ele lança diariamente.

Fala de Trump a militares é prenúncio de golpe fascista. Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Se Chávez anunciou o socialismo do século 21, que deu na atual ditadura de esquerda de Maduro, Trump marcha com o fascismo do século 21

Discurso do autocrata e de seu secretário de Defesa para enquadrar Forças Armadas na moldura da direita Maga é mais do que preocupante

A ofensiva de Donald Trump e de seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, sobre o alto comando das Forças Armadas dos EUA, com o intuito de enquadrá-las na moldura do populismo de extrema direita, demonstra que as pretensões facho-golpistas do autocrata da Casa Branca não podem ser ignoradas.

O caráter bizarro e não raro anárquico das intervenções de Trump leva algumas vezes a avaliações de que tudo não passaria de um grande teatro movido a bravatas e ameaças inconsequentes. É um erro.

Poesia | Eu, Etiqueta - Carlos Drummond de Andrade por Paulo Autran

 

Música | Travessia - Milton Nascimento

 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

O STF pode se reformar por dentro

Por O Estado de S. Paulo

Estudo da Fundação FHC mostra que o Supremo tem como resgatar a colegialidade, a clareza dos precedentes e a ética institucional sem precisar esperar que o Congresso faça alguma reforma

Há tempos o Supremo Tribunal Federal (STF) deixou de ser apenas a mais alta Corte do País e se tornou um protagonista político hipertrofiado e sobrecarregado. Decisões monocráticas prevalecem sobre o debate colegiado. Inquéritos heterodoxos se arrastam por anos. Voluntarismos interpretativos fabricam “constituições paralelas”. A pretexto de “omissões” dos outros Poderes, o STF edita leis e dita políticas públicas, precipitando corrosão institucional e repulsa social.

Parte do problema está nos vícios de origem da Constituição, que atribuiu ao STF competências tão vastas quanto difusas. Mas a crise se deve, sobretudo, à forma como os ministros exercem esse poder. Falta sobriedade, autocontenção, respeito aos limites éticos da magistratura. Acrescente-se a isso a litigância abusiva de partidos que tentam reverter com sentenças o que perderam no voto.

Tarcísio cozido em banho-maria. Por Merval Pereira

O Globo

Bolsonaro cava sua derrota ao não permitir que a direita se una em torno de um candidato competitivo

Cresce a percepção entre os políticos de que o ex-presidente Bolsonaro cozinha em banho-maria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para que ele não tenha condições práticas de se candidatar à Presidência da República. Está cozinhando o galo, como se diz popularmente. Como Tarcísio tem de se desincompatibilizar do cargo a partir de abril, sua escolha como candidato bolsonarista teria de ser definida ainda neste ano, para que houvesse tempo de organizar a campanha presidencial.

Se Bolsonaro fizer como Lula, que só indicou Fernando Haddad como seu substituto poucos dias antes da eleição — exatos 29 dias, no derradeiro prazo dado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o PT mudar de candidato, diante da derrota do último recurso possível para que a candidatura de Lula fosse aceita, mesmo ele estando na cadeia —, a eleição estará perdida.

O dilema de Tarcísio. Por Julia Duailibi

O Globo

O fator Lula é hoje a variável que importa, para além de outros fatores com peso menor, como os ataques de Eduardo Bolsonaro

O que quer Tarcísio de Freitas? A resposta é óbvia. Ser presidente da República. Daí vem outra pergunta: quando Tarcísio se lançará à Presidência? Apesar da especulação na praça, a verdade é que hoje não existe resposta a essa pergunta. Caciques do Centrão, mercado financeiro, pessoal dos palácios do Planalto e dos Bandeirantes... ninguém sabe.

Nem Tarcísio tem a resposta. Hoje é impossível cravar se o governador de São Paulo será candidato a presidente em 2026 — ou se esperará 2030. Esse é o fato. O resto é torcida, chute ou especulação da Faria Lima, com muito banco comprado (apostando) em Tarcísio 2026 — ou tudo junto e misturado.

À espera de Trump. Por Malu Gaspar

O Globo

Já faz uma semana que Donald Trump contou ter cruzado com Lula nos bastidores da ONU, disse que rolou uma “química” entre eles e prometeu marcar um encontro. Desde então, já houve muita especulação sobre como seria a conversa: por telefone, presencial, na residência de veraneio de Trump, em Washington ou mesmo em Kuala Lumpur, numa reunião de cúpula de países asiáticos. Até agora, não há nada definido. Trump nem sequer indicou com quem se devem combinar os pormenores, mesmo o Brasil já tendo se apresentado para jogo.

Tudo indica que o plano para a paz entre Israel e Hamas, a crise que paralisou a máquina administrativa americana por falta de orçamento e, muito provavelmente, a ação do Departamento de Estado — adversário declarado de Lula — ajudaram a adiar a definição. Não é segredo que o Brasil não é prioridade na agenda dos Estados Unidos; portanto, ainda serão necessários novos empurrõezinhos para fazer a coisa andar.

Saúde: as urgências e o negacionismo. Por Míriam Leitão

O Globo

Crise do metanol: ministro da Saúde prevê aumento das notificações à medida que alerta mobiliza profissionais de saúde

O pai de Alexandre Padilha, Anivaldo Padilha, foi exilado político nos Estados Unidos, nos anos 1970, e o ministro tem dois irmãos que são cidadãos americanos, um deles ainda mora lá. Ele contou estes fatos para dizer que já visitou muitas vezes os Estados Unidos, conhece bem o país, portanto, não se preocupa com as restrições que recentemente enfrentou do governo de Donald Trump. Sua preocupação é com a negociação para que haja na COP 30 um esforço global para enfrentar os problemas na saúde em decorrência da mudança climática. “Se tem um setor que está sentindo o impacto é a saúde. As enchentes do Rio Grande do Sul, a seca na Amazônia, o aumento da temperatura. Está tendo caso de chikungunya na França, ou seja, o aumento da temperatura está permitindo a circulação do vetor”. O negacionismo de Trump atrapalha a cooperação internacional. O Brasil vai lançar na COP 30 o Plano Belém para a adaptação do setor aos efeitos que já estão sendo sentidos.

'Construção de Brasil mais justo', diz Lula sobre aprovação da isenção do IR

Por Victor Correia / Correio Braziliense

Presidente celebrou a aprovação do projeto pela Câmara dos Deputados com 493 votos favoráveis e zero contrários, e disse esperar amplo apoio também no Senado

presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou, nesta quarta-feira (1º/10), a aprovação na Câmara do projeto que isenta do Imposto de Renda (IR) quem ganha até R$ 5 mil mensais. Segundo Lula, a decisão da Casa é um passo para a "construção de um Brasil mais justo".

A matéria foi aprovada nesta noite pelo Plenário com 493 votos favoráveis e zero contrários. O presidente disse ainda esperar que o Senado dará o mesmo apoio à medida, que também dá descontos no IR para quem recebe até R$ 7.350.

"Uma vitória em favor da justiça tributária e do combate à desigualdade no Brasil, em benefício de 15 milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. A Câmara dos Deputados deu hoje um passo histórico na construção de um Brasil mais justo ao aprovar projeto encaminhado pelo nosso governo", escreveu Lula em suas redes sociais.

Imposto de Renda zero para classe média pode alavancar o governo Lula. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Um dos elementos catalisadores dessa mudança foi a inesperada declaração do presidente Trump de que vai negociar com Lula

A pesquisa PoderData, realizada entre 27 e 29 de setembro, mostra que a diferença entre a aprovação do governo Lula (44%) e a desaprovação (51%) está diminuindo progressivamente. Embora separadas por apenas sete pontos percentuais, número que pode parecer ainda desfavorável, o levantamento mostra uma tendência inequívoca de virada do governo. Em maio, a diferença era de 17 pontos; em julho, recuou para 11; e agora, em setembro, para 7.

Mantida a trajetória, Lula ficará muito próximo de inverter essa relação, o que o colocaria, pela primeira vez neste mandato, em posição de franca vantagem sobre seus possíveis concorrentes: os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União); do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e de Minas, Romeu Zema (Novo). Essa tendência também explica a decisão de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciar que pretende concorrer novamente ao Palácio dos Bandeirantes. Bolsonarista raiz, era o único nome capaz de unir a oposição, mas enfrentou a resistência dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível e condenado a 27 anos e três meses de prisão. Querem que alguém do clã seja candidato.

A agenda que avança para pautar o ano eleitoral. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Bets, fintechs, PCC e emendas parlamentares formam o quarteto da agenda lulista

“O presidente Lula roubou nossa agenda”. Não fosse o verbo na primeira pessoa do plural, a autora desta constatação, uma respeitada liderança, com trânsito nos gabinetes, públicos e privados, mais poderosos da República, passaria por governista de quatro costados. A preocupação inquieta a oposição no ano eleitoral que se inicia neste sábado.

Naquele dia, a Polícia Federal abriu dois inquéritos. O primeiro para apurar as mortes causadas por bebidas adulteradas. E o segundo, para investigar as informações que o Banco Central recolheu ao rejeitar a compra do Master pelo BRB e repassou ao Ministério Público.

O sequestro do binômio segurança pública/corrupção teve início há pouco mais de um mês com o início das operações destinadas a apurar a sociedade entre devedores contumazes e crime organizado na lavagem de dinheiro por meio de fintechs, postos, hotéis e imobiliárias que findou nos drinques adulterados por metanol com casos crescentes de intoxicação e óbito.

Foi entre os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, quando o Centrão se aboletou no poder, que Daniel Vorcaro se apropriou do Master, as fintechs cresceram 340% no período, as bets tiveram um aumento no volume de apostas de 1.300% e a Receita foi privatizada. Com menos controles, abriram-se brechas para a lavagem de dinheiro.

O que os brasileiros têm na cabeça. Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Estudo descreve uma quase ausência de posições polares entre pessoas que se alinham à esquerda ou à direita

Muita coisa mudou no Brasil em pouco mais de 20 anos. Todo mundo tem opiniões fortes – mas nem sempre fundamentadas – sobre o que ocorreu aqui nas primeiras décadas do século.

Para avaliar com rigor e método como se alteraram as formas de pensar e os valores dos compatriotas entre 2002 e 2202, o cientista político Alberto Carlos Almeida replicou a sua alentada pesquisa no ano em que o PSDB perdeu o Palácio do Planalto para o PT.

Os resultados estão no livro recém-publicado "A cabeça dos brasileiros, vinte anos depois: o que mudou". Além da introdução e da conclusão assinadas por Almeida, a obra contém capítulos escritos por colaboradores do projeto. Aos entrevistados se perguntou sobre temas sempre presentes na discussão pública: religião, cor e raça; respeito à lei; relações de gênero; política; liberalismo econômico e segurança pública. Destaco algumas conclusões especialmente importantes para o debate político.

Quem vai pagar a conta da pindaíba. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Isenção do IR, reforma tributária, investimentos evidenciam conflito distributivo

Lobbies fortes impedem solução da crise de forma justa e eficiente em termos econômicos

debate do projeto da isenção do Imposto de Renda é mais um episódio do conflito cada vez mais frequente a respeito de quem vai pagar a conta do desarranjo sinistro das contas públicas e do conserto do que resta da capacidade operacional do Estado.

Os lobbies das pessoas de renda mais alta queriam, bidu, evitar até pagar o mínimo de 10% de imposto, um escândalo.

Foi assim também na reforma dos impostos sobre consumo, tem sido assim em qualquer conversa sobre redução de isenção tributária, tem sido assim na tentativa de aumentar a tributação sobre certas categorias de investimentos.

O acordão de extração de rendas do Estado é forte e inimigo da eficiência econômica, da redução da dívida, da justiça tributária e social. A situação fica mais e mais crítica, o conflito distributivo fica mais e mais escancarado.

A força simbólica do projeto do IR. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Projeto de lei que aumenta faixa de isenção no Imposto de Renda é tímido, mas rompe inércia

Veio o aperitivo, ficou faltando o prato principal: a volta da tributação de lucros e dividendos

A votação do projeto de lei que isenta a cobrança do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais e cria um imposto mínimo de 10% para taxar os contribuintes do andar de cima da pirâmide de renda do Brasil poderá romper a inércia e o conservadorismo que marcaram o debate sobre o tema nas últimas décadas.

É um primeiro passo tímido em relação ao que o país precisa fazer para reestruturar a tributação da renda, mas de força simbólica imensa. O ideal seria que o aumento da faixa de isenção viesse acompanhado de uma ampla reestruturação da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física. Não será dessa vez.

Claustrofobia política. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

A direita brasileira parece parada e não consegue deixar de se amarrar a postes

As eleições de 2026 parecem neste momento abertas em boa parte pelo fato do que se chama de direita achar que um bom poste funcionaria. Um poste vistoso, pintado com as cores certas do bolsonarismo.

Há crises que fazem surgir lideranças em função da volatilidade, perigo, abrangência e imprevisibilidade dos fatos. É a crise que o Brasil enfrenta, com inéditos componentes geopolíticos nas questões até aqui “exclusivamente” domésticas.

Mas ela não está projetando lideranças. Lula é a expressão acabada de mais do mesmo, apesar da fantasia mal-ajambrada de estadista que lhe foi emprestada pelo adversário político. O grande problema do lado oposto do espectro não é a falta de nomes, mas de estaturas.

Reina em elites brasileiras econômicas uma dupla sensação de desamparo. A primeira por cortesia de Donald Trump, que, via tarifaço, exibiu sua vulnerabilidade e a falta de inteligência estratégica internacional. A segunda sensação de desamparo surge do quadro político doméstico.

STF longe da rinha política. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Intenção de Fachin não é sair do centro das atenções, mas mudar o tipo de protagonismo da Corte

Engana-se quem pensa que Edson Fachin quer retirar o Supremo Tribunal Federal (STF) do centro das atenções. Ele quer, na verdade, mudar o tipo de protagonismo da Corte. A ideia é deixar os embates políticos de lado e focar em duas funções primordiais do tribunal: a defesa da Constituição e a garantia dos direitos de grupos minoritários.

A primeira pauta de julgamentos da nova gestão reflete essa estratégia. Logo de cara, Fachin mandou para o plenário ações que discutem o vínculo trabalhista de motoristas e entregadores de aplicativos com as empresas para as quais prestam serviço. Também quer julgar limites de áreas de proteção ambiental e a extensão de direitos previstos no Estatuto do Idoso.

‘Onde é que a esquerda errou?’ Por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Lula perguntou certo, ainda que tarde. Algo me diz que ele sabe, ou não estaria indagando. Que as respostas – e as correções de rumo – não demorem tanto

A pergunta que dá título a este artigo aparece entre aspas porque não é de minha autoria. Trata-se de uma citação. A interpelação foi enunciada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 24 de setembro, em Nova York. A fala aconteceu durante a Assembleia-Geral da ONU, numa reunião paralela dedicada a discutir o futuro da democracia, ao lado dos presidentes Gabriel Boric, do Chile, Pedro Sánchez, da Espanha, Gustavo Petro, da Colômbia, Yamandú Orsi, do Uruguai, e outras lideranças. Lula usou palavras duras e diretas: “O que me importa hoje é a gente responder, para nós mesmos: onde é que os democratas erraram? Onde e em que momento a esquerda errou? Por que é que nós permitimos que a extrema direita crescesse com a força que está crescendo?”.

Economia dá sinais de desaceleração. Por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

A situação é ruim, assim como a política econômica que o governo segue, muito voltada a conveniências eleitorais

Estamos entrando no último trimestre do ano e, já no terceiro trimestre, houve sinais de desaceleração econômica. O último que vi foi anunciado na segunda-feira passada e atingiu o mercado de trabalho, que vinha mostrando muita resistência. Segundo o noticiário, a geração de empregos formais foi de 147,4 mil empregos em agosto, enquanto o mercado previa 182 mil.

E, no dia seguinte, o jornal Valor Econômico teve este título na principal reportagem de primeira página: Desaquecimento da economia é desafio adicional para as contas públicas em 2026. Enquanto isso, as projeções do mercado indicam um crescimento do PIB de apenas 1,8% e o Banco Central fala de um número ainda mais baixo: 1,5%. A mesma reportagem informa que o Projeto de Lei Orçamentária de 2026 do governo federal enviado ao Congresso prevê expansão do PIB de 2,44% (!). Talvez a ideia seja de, com isso, aumentar as despesas previstas para 2026 e, depois, dar um jeito de aumentar as receitas ou não contar novas despesas no déficit público.

Poesia | Soneto XXIX, de William Shakespeare

 

Música | Gal Costa e Zeca Baleiro - Flor da pele

 

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Capitulação do Hamas é chave em plano de Trump

Por O Globo

Ainda que proposta seja realista dadas as circunstâncias, é incerto como reagirá o grupo terrorista

O plano de 20 pontos para acabar com a guerra em Gaza apresentado na Casa Branca pelo presidente americano, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, representa um avanço inegável. É certo que, no detalhe, desperta dúvidas sobre viabilidade e implementação. Também é verdade que nenhum dos envolvidos no conflito sairá plenamente satisfeito com os termos. Mas trata-se de uma proposta realista dentro das circunstâncias, cujos maiores benefícios imediatos seriam a libertação dos reféns israelenses e o alívio para a população palestina. Inspirada em ideias do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, ela expõe as dificuldades que cercam a solução duradoura do conflito, mas ao mesmo tempo traz esperança.

Paz entre Poderes não é para já. Por Vera Magalhães

O Globo

STF esteve e continua sob insidioso e ininterrupto ataque, a partir até dos EUA, inflamado por um deputado

Luiz Edson Fachin não chegou a ser original ao centrar seu discurso de posse na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) pregando harmonia entre os Poderes e que o Judiciário, por assim dizer, adote uma postura de maior comedimento institucional. Além de não ser inédita, trata-se de uma plataforma praticamente impossível de cumprir e, no momento atual, questionável do ponto de vista da defesa da própria Corte.

Quem for ler a fala de Fachin à luz do que o STF fez nos últimos anos depreenderá de muitas das 19 páginas uma crítica, se não direta, ao menos parcial a decisões, tomadas de posição e iniciativas do colegiado e de colegas que o antecederam no comando do tribunal. Para não falar de atos do próprio agora presidente.

Foi Fachin quem relatou a ADPF 572, ajuizada pela Rede Sustentabilidade contra o inquérito das fake news, relatado por Alexandre de Moraes, uma das principais fontes das críticas que alegam usurpação de prerrogativas por parte do Supremo.

Ele fez um voto, que saiu vencedor, pela constitucionalidade do inquérito, determinando medidas para “sanear” alguns aspectos. Só que o inquérito já mudou de nome e objeto, mas segue aberto até hoje. Para ser coerente com sua fala em prol da volta aos fundamentos da atuação do STF, a discussão em torno do encerramento desse feito seria primordial.