Na CNI, pedetista defendeu rediscussão da reforma trabalhista; ‘os senhores são nossos patrões’, afirmou deputado
Daniel Carvalho e Marina Dias Folha de S. Paulo
BRASÍLIA - Pré-candidato à Presidência da República, o ex-governador Ciro Gomes (PDT-CE) chamou nesta quarta-feira (4) o presidente Michel Temer de quadrilheiro e foi vaiado por empresários ao dizer que vai rediscutir a reforma trabalhista.
A industriais de todo o país reunidos em evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ciro disse não ter poder para revogar a reforma trabalhista, mas que seu compromisso é retomar a discussão. Ele chamou a mudança na legislação feita pelo Congresso de selvageria e disse estar do lado dos trabalhadores.
"Meu compromisso com as centrais sindicais é botar esta bola de volta para o meio de campo."
Neste momento, foi vaiado.
"Pois é, vai ser assim mesmo. Se quiserem presidente fraco, escolham um desses aí que vêm com conversa fiada para vocês", reagiu Ciro à plateia.
"Confiança não é simpatia. Confiança é não mentir", disse o pré-candidato, que ao final do encontro, pediu desculpas por qualquer veemência, mas afirmou aos jornalistas não ter se sentido agredido.
Em entrevista após o evento, ao ser questionado sobre o episódio, se mostrou desconfortável. Quando comparada a reação da plateia à fala dele e à de seu adversário Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que foi aplaudido diversas vezes, disse que são "sinais dos tempos".
O presidenciável demonstrou incômodo com a insistência dos repórteres neste assunto e em perguntas que abordavam seu temperamento.
"Escrevam o que vocês quiserem. Já estou acostumado", afirmou, indagando a uma das jornalistas quem era o dono do veículo para o qual ela trabalha.














