- Valor Econômico
Até outubro, duelo será entre alienação e resistência
Foi a ausência desesperada por uma alternativa eleitoral que contemplasse o discurso anticorrupção e o combate à desigualdade que inflou o balão de Joaquim Barbosa. O ex-ministro nunca disse sim ou não. Foi sem nunca ter sido. Despistou jornalistas e pré-candidatos em busca de imagens para seus panfletos eletrônicos. Nem equipe deixou que fosse contratada para evitar que os gastos do partido o comprometessem irremediavelmente com uma campanha. A perspectiva de ser alçado, em breve, ao topo da disputa, o amarraria ainda mais. A decisão é fruto deste momento.
As razões são outro capítulo. Os personagens não lhe eram estranhos. Alguns chegavam a lhe lembrar colegas do seu tempo na alta magistratura. Todos os acontecimentos da política nacional da redemocratização pareciam, de uma forma ou de outra, ter passado por eles. Ao contrário do Supremo, no entanto, não teria como virar o enredo com um voto. Precisaria de muitos. Não teria como mudar a política sem nela mergulhar. Seria obrigado a consertar o motor com o carro andando. Ou, ainda mais difícil, subir ao palco do espetáculo cuja censura fez sua fama.
O alcance que sua candidatura tomara agrava os sintomas da desistência. Em 2014 cruzou a fronteira para fugir do assédio do candidato depois flagrado na esparrela de um grampo telefônico. Desta vez, caminha para traçar a mesma rota. Seu eleitor parece partilhar do desencanto, mas é obrigado, pela ausência de alternativas, e pela lei, a votar.
Todos os candidatos já se preparam para tentar fisgar o voto de Barbosa. Jair Bolsonaro quer pegar o eleitor que só pensa em por bandidos cadeia. Ciro Gomes vai atrás daquele que via no ex-ministro uma alternativa entre PT e PSDB. Marina Silva mira o voto anti-sistema. Fernando Haddad, o anti-desigualdade. Até Geraldo Alckmin acha que pode lhe sobrar alguma coisa. Nenhum deles, porém, parece mais aparelhado para captar o voto do ex-ministro do que a alienação eleitoral.

















