O Globo
É muito alentador que líderes do Senado e
ministros do Supremo tenham, finalmente, começado a se mexer para reagir aos
ensaios de golpe que Jair Bolsonaro pratica em praça pública todos os dias. Que
bom que aconteceu a tempo.
A dúvida é que instrumentos esses entes
institucionais terão para atuar na contenção. A chave, quando se conversa com
esses atores, é entender até que ponto as Forças Armadas estão embarcadas na
teoria conspiratória que Bolsonaro inventou para desacreditar o processo
eleitoral brasileiro.
Nesse aspecto, próceres do Senado se
sentiram mais confortáveis nos últimos dias por informações que receberam do
Alto-Comando, de generais que deixaram claro em conversas recentes que não
darão apoio a nenhuma tentativa de empastelar o pleito.
Também têm sido medidos os humores do
presidente da Câmara, Arthur Lira, e dos ministros políticos dos partidos que
estarão na aliança de Bolsonaro. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, tem
sido firme em incluir Lira no rol dos que não aceitarão nenhuma tentativa de
quebra de normalidade democrática nem de questionamento do resultado das urnas.
Ouvi de um dos participantes das cada vez mais frequentes e graduadas conversas sobre os possíveis caminhos pelos quais Bolsonaro pode tentar tumultuar o ambiente eleitoral que ninguém que vá disputar o voto em outubro —a não ser aqueles cuja existência política depende exclusivamente do bolsonarismo — aceitará questionar a própria eleição.

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