Maracutaia
ocorre no mundo inteiro
Uma
das melhores séries políticas em cartaz nas redes de streaming mostra os
intestinos da política na Dinamarca, um dos países mais desenvolvidos e
civilizados da Terra. Chama-se “Borgen” e é excelente, feito goma arábica, de
tanto que gruda. A história começa com a eleição do Parlamento e a construção
de um novo governo de centro, em substituição a um de direita. Embora
ficcional, a obra apresenta um bastidor imaginário do poder que não deve ser
muito diferente do real, já que o roteiro é de três dinamarqueses. E esse é um
valor extra que a série tem, além do entretenimento, pois se enxerga como
funciona a realpolitik local.
Aquela
aura de incorruptibilidade que se vislumbra sempre que um país nórdico é
mencionado desvanece logo nos primeiros episódios. Claro que nada se compara ao
Brasil, onde corrupto carrega dinheiro enfiado entre as nádegas, e operações
políticas desviam bilhões de cofres de empresas públicas para contas de
partidos. Mas nem por isso o que ocorre em Borgen é a quintessência do
puritanismo na vida pública. Muito pelo contrário. Já no primeiro episódio, o
primeiro-ministro que está de saída se vê na contingência de pagar compras da
mulher com cartão corporativo oficial. Foi por acaso, pois ele estava sem a
carteira. Mas, na chance que teve para devolver o dinheiro, foi convencido por
um assessor de que era possível resolver aquilo jogando o gasto numa rubrica
qualquer do gabinete.




























