Revista Veja
Na batalha da ‘fraude’ eleitoral, Bolsonaro vem se transformando num comandante sem tropa
Sinais efetivos e alentadores têm sido
dados ultimamente de que o presidente Jair Bolsonaro é um comandante
sem tropa na batalha que empreende contra o resultado das eleições de outubro.
Qualquer que seja: se for derrotado para dizer que na verdade ganhou e, em caso
de vitória, para alegar que a “fraude” se deu na contagem de votos, pois teria
vencido por margem muito maior.
Conturbação haverá, como de resto está
havendo há três anos com o presidente da República tentando levar o país à
exaustão com sua dinâmica de conflito permanente e a ideia de se mostrar maior
do que realmente é para intimidar a sociedade e, assim, disseminar a sensação
de que a contestação a ele elevaria o risco de uma ruptura institucional.
Nesse aspecto, até obteve sucesso ao
conseguir emplacar a tese do “golpe” iminente e tornar o Brasil (ou a parte
dele engajada no debate político) refém de uma temática regressiva. Voltamos a
discutir sob a óptica do passado para deixar em segundo plano as questões do
presente e suas repercussões no futuro.
A realidade paralela de Bolsonaro, no entanto, tem encontrado limites. Por paradoxal que seja, tais limitações decorrem justamente da falta de noção dele sobre pontos a não ser ultrapassados. O presidente colecionou derrotas pontuais ao longo do mandato sempre que seu mundo de ficção entrou em choque com a realidade.





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