quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Déficit recorde das estatais mostra que privatizar é urgente

O Globo

Estado não pode manter controle sobre empresas que só não fecham porque têm acesso a cofres públicos

Como previsto, as estatais federais, excluindo bancos públicos e Petrobras, fecharam 2024 com déficit recorde de R$ 6,7 bilhões, o maior em 23 anos, de acordo com o Banco Central. A ministra de Gestão e Inovação, Esther Dweck, se saiu com uma explicação insólita. “Não chamem de rombo”, disse ela. “O que foi divulgado pelo Banco Central é o resultado fiscal das empresas, que pensa só as receitas do ano e as despesas do ano. Muitas despesas são feitas pelas estatais com dinheiro que estava em caixa, portanto ele acaba gerando resultado deficitário, ainda que as empresas tenham lucro.” Independentemente do jargão contábil ou eufemismo que o governo escolha para descrever o desequilíbrio financeiro, é evidente que em algum momento ele terá de ser coberto pelo Tesouro, como foi no passado.

Esperando Gonet - Vera Magalhães

O Globo

Em Brasília, todos aguardam a manifestação do PGR nos inquéritos que pedem que Bolsonaro e 25 militares sejam tornados réus

Todas as atenções de Brasília estão voltadas para Paulo Gonet, que está na muda. Ninguém sabe se estamos a dias ou semanas das manifestações do procurador-geral da República nos inquéritos envolvendo Jair Bolsonaro e aliados, mas não se fala nem se respira outro assunto na capital federal.

O maior grau de ansiedade pode ser sentido na oposição, notadamente na ala mais bolsonarista, e nas Forças Armadas. A expectativa entre os militares é que Gonet faça algum tipo de triagem para reduzir o número de denunciados de farda ou de pijama em relação aos indiciados pela Polícia Federal na investigação do golpismo no governo Bolsonaro.

Dos 37 indiciados, 25 são militares, da ativa ou da reserva, de diversas patentes. É muita gente, entendem interlocutores das três Forças. A avaliação colhida em Brasília é que o PGR será mais criterioso que a PF, instituição em que se enxerga alinhamento maior aos desígnios do ministro Alexandre de Moraes, relator deste e de outros inquéritos que aguardam a caneta de Gonet.

Haddad e Banco Central divergem sobre inflação – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Tanto Motta quanto Alcolumbre sinalizam que pretendem fortalecer Haddad. O ministro da Fazenda é muito criticado pela bancada do PT

O Banco Central comunicou ao mercado, nesta terça-feira, que suas expectativas de inflação aumentaram de forma significativa nos últimos meses, a curto e a longo prazos. Registrou, especialmente, a alta do preço dos alimentos, conforme a ata da reunião do Conselho de Política Monetária (Copom). Realizada na semana passada, a primeira sob a presidência de Gabriel Galípolo, a reunião subiu os juros de 12,25% para 13,25% (Selic) e manteve a previsão de que deverão chegar a 15% até junho.

O BC atribuiu a inflação dos alimentos à estiagem e ao aumento do preço das carnes, por causa do câmbio. A ata do Copom também afirma que o dólar pressiona preços no Brasil e, por isso, os produtos industrializados podem ficar mais caros. Entretanto, o dólar recuou mais uma vez nesta terça-feira, a R$ 5,77, voltando ao patamar de novembro passado. Há 12 dias consecutivos está em queda. A variável que influencia a queda do dólar é o aumento de tarifas proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mais fraco do que se previa, depois de acordos com o Canadá e o México.

Trump põe todos no colo da China – Elio Gaspari

O Globo

Donald Trump entrou na Casa Branca com a cabeça no fim do século XIX. Naquele tempo, o vigor da economia americana contrapunha-se a uma Europa dividida e a uma América Latina sonolenta. Se os Estados Unidos tinham rivais, depois de 1914 eles resolveram brigar com duas guerras. Em 1945, terminada a briga, a economia americana era, disparada, a mais forte do mundo. Do outro lado estava a falecida União Soviética. Veio a Guerra Fria, e ela desmoronou.

Em poucas semanas o presidente americano ameaçou a Europa, encrencou com os dois vizinhos e com a China, a segunda economia do mundo.

Falta ao trumpismo a percepção de um lugar-comum: a paciência chinesa. No final do século XIX, o Império do Meio estava em franca decadência e, ao final da Segunda Guerra, em 1945, era uma nação conflagrada pela guerra civil. Hoje, a situação é outra. Misturando protecionismo e expansionismo, Trump joga uma parte do mundo no colo da China.

A coreografia de Motta para se estabelecer ao centro - Fernando Exman

Valor Econômico

Centrão mostra para petistas e bolsonaristas que 2025 é visto como um ano de contenção, sem passos arrojados para a esquerda ou direita

Muitos convidados já estavam na festa oferecida por Hugo Motta após sua vitória na eleição para a presidência da Câmara, quando começou a circular a informação, à boca pequena, que o anfitrião ainda iria demorar um pouco a chegar. Um correligionário confidenciou: o deputado e alguns de seus aliados mais próximos estavam na casa de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Soube-se depois que ocorrera o mesmo com o presidente recém-eleito do Congresso, Davi Alcolumbre, que organizara uma outra comemoração na residência oficial do Senado.

Mas nada que tenha incomodado os presentes em ambos os eventos. O forró rolava solto. Nos bastidores, contudo, a movimentação era mais sutil. Nas rodas de conversa, a reunião era vista como um primeiro gesto da nova cúpula do Congresso em direção ao Judiciário, o Poder que tem buscado dar mais transparência à execução das emendas parlamentares ao Orçamento, com o apoio envergonhado do Executivo, a despeito da resistência de deputados e senadores.

Nitroglicerina pura no caminho do Congresso - Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Parlamentares terão de retomar este ano uma discussão sobre os critérios de repartição dos recursos do Fundo de Participação dos Estados, que se arrasta sem solução desde pelo menos desde a Constituição de 1988

Neste ano, o Congresso Nacional precisará retomar uma discussão que se arrasta sem solução desde pelo menos desde a Constituição de 1988: os critérios de repartição dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023 diz que as regras atualmente aplicadas só valem até 31 de dezembro de 2025.

O FPE é formado com parte das receitas do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), dois tributos federais, e repartido entre os Estados para reduzir desigualdades. No ano passado, foi um bolo de R$ 149,8 bilhões que, para as unidades menos desenvolvidas da Federação, representou parcela importante das receitas.

Von der Leyen vê o mundo mais perigoso e 'tudo transacional' - Assis Moreira

Valor Econômico

Aponta tentativa concertada para construção de esferas de influência, e emergentes prontos a trabalhar com quem oferecer mais

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (27 países), fez ontem o discurso anual para os embaixadores europeus, em Bruxelas. Dessa vez, ela disse que procurou refletir a necessidade urgente de entender o estado de mudança do mundo.

Aos diplomatas europeus por todos os cantos do planeta, ela destacou como ficou ultrapassada a imagem de um mundo indo na direção de mais cooperação e hiperglobalizado. O que se vê agora é que ‘os grandes medos estão de volta, desde o medo suscitado pelas mudanças climáticas, passando pela Inteligência Artificial, até o medo da migração ou simplesmente de ser deixado para trás. E isso também permeia os assuntos globais’, afirmou.

Dólar ainda mais forte? – Zeina Latif

O Globo

O cenário internacional, que muito preocupa, inclusive o Banco Central, talvez não seja tão ruim quanto se teme

É comum entre analistas a visão de que o dólar tende a se valorizar globalmente com a política econômica isolacionista de Donald Trump. A menor oferta de mão de obra, por conta da deportação em massa de imigrantes ilegais, e as tarifas sobre os importados produziriam uma inflação mais alta, ainda que temporariamente.

Para contê-la, o Fed manteria os juros em patamares elevados. O resultado seria o fortalecimento do dólar, por conta do diferencial de juros a favor da atração de capitais para os EUA.

Essa equação, porém, é bem mais complexa.

Quem ganhou a batalha dos bonés? - Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

É triste ver que a política se transformou em disputa de quem tem mais cliques, e não programas, nas redes

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), estava ao lado do presidente Lula, na manhã de ontem, quando a equipe do ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, entrou animada no gabinete do Palácio do Planalto. Nos oito segundos de gravação, com um mapa-múndi ao fundo, Lula não diz uma palavra, mas aparece, em efeito Boomerang, com um boné azul na cabeça.

Não era qualquer boné. Era o acessório que ganhou fama na disputa com bolsonaristas pelo conceito de patriotismo, na esteira da posse do presidente dos EUA, Donald Trump. Desta vez, no entanto, o bordão não foi importado como o Make America Great Again. “O Brasil é dos brasileiros”, destaca a inscrição.

A luta pelo Orçamento - Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

A queda de braço para comandar o maior quinhão dos recursos só deve se acentuar nos próximos anos

Na volta do recesso parlamentar, a votação do Orçamento de 2025 é o foco de curto prazo do Congresso e também de uma disputa que vem se acirrando nos últimos anos: o controle pela redistribuição das receitas tributárias entre o Legislativo e o Executivo. A luta pelo Orçamento está na origem de diversos momentos decisivos na história do Brasil, e, se o passado servir de referência, a queda de braço para comandar o maior quinhão dos recursos só deve se acentuar nos próximos anos.

“A disputa pelo Orçamento é praticamente perene na nossa história e, mesmo quando não é tão visível, ela existe, como em períodos autoritários, a exemplo da era Vargas”, diz o professor em história do Brasil na USP e autor do livro Entre oligarquias: as origens da república brasileira (1870-1920), Rodrigo Goyena. O Orçamento não foi só fonte de conflitos, mas também solução pacificadora para se evitar crises desestabilizadoras.

O circo político e Lula 4 - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Inflação, centrão no governo, emendas e julgamento do golpe pesarão no cenário eleitoral

A política politiqueira do Brasil volta devagar das férias, além do mais ofuscada pela reestreia do circo sinistro de Donald Trump. A propaganda de Lula 3 está sob nova administração. O acontecimento mais importante se deu na política virtual ou memeológica, a revolta do Pix.

As redes sociais de Lula agora são mais animadinhas e gente do governo usa a cabeça para vestir uma versão do bonezinho trumpista. O presidente tenta não criar caso com o Banco Central. Diz que a Petrobras faz o que quiser com os preços. Fala de "responsabilidade fiscal". Não é bem assim, mas é melhor do que causar sururu contraproducente gritando o contrário. Afinal, como diz o próprio Lula, 2026, a campanha eleitoral, já começou. Tem até pesquisa.

A promessa de Lula a Mucio – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Presidente assegurou ao ministro apoio à PEC que afasta militares da política

Em meio ao ambiente de incertezas sobre quem fica ou quem sai da equipe do presidente Luiz Inácio da Silva (PT), o ministro José Mucio Monteiro (Defesa) é o único que pediu para sair e, como resposta, ouviu um apelo para ficar.

Não exigiu contrapartidas, mas obteve como bônus o compromisso do presidente de emprestar apoio firme do governo à proposta de emenda constitucional (PEC) que exige a passagem para a reserva de militares que concorram a cargos eletivos, mesmo que percam as disputas.

Trump desmonta o soft power americano - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Estratégia de enfrentamento do presidente americano pode render frutos imediatos, mas traz prejuízos no longo prazo

Donald Trump já mostrou que não hesitará em impor tarifas, tanto a países aliados como a adversários. Também mostrou, pela rapidez com que "se entendeu" com México e Canadá, que está mais interessado em arrancar concessões de seus parceiros do que em erguer barreiras alfandegárias.

Há uma explicação psicológica para isso. Trump gosta de se vender ao mundo como um gênio dos negócios. Introjetou tanto essa imagem que os centros de prazer de seu cérebro fervilham cada vez que ele acha que fez uma boa negociação.

A extrema direita sequestrou a rebeldia - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Esquerda resiste à ideia de que contribuiu para a manutenção de Trump e de seus aliados

Há, evidentemente, muitas razões pelas quais pelo menos metade dos eleitores norte-americanos tem preferido Trump nas últimas três eleições. E essas razões provavelmente são muito parecidas com aquelas que levam pelo menos metade dos eleitores brasileiros a continuar optando por candidaturas presidenciais da extrema direita desde 2018.

O que me preocupa, no entanto, é a resistência da esquerda e dos progressistas em se implicar nessa virada eleitoral para a extrema direita, que tem se repetido ao longo desta última década.

"Implicar-se" significa reconhecer que a própria esquerda está errando e que seus erros são parte das razões que alimentam o vertiginoso crescimento do apoio a extremistas, desta vez em conformidade com as regras do jogo da democracia eleitoral.

O que tem sido constante nas promessas de campanha de Trump, no seu discurso de posse, nas suas primeiras ordens executivas e em suas declarações? Duas coisas. Um etnocentrismo sem limites, expresso na retórica radical de colocar os interesses americanos acima de tudo, proteger a segurança nacional, romper com compromissos multilaterais e restaurar o orgulho e a prosperidade do país. E uma promessa direta e sem concessões de desmontar a agenda e a cultura progressista e de esquerda, especialmente no que diz respeito à ideologia e às práticas identitárias.

Em busca do propósito da vida - Cláudio Carraly

A busca pelo propósito é uma jornada que ecoa através dos tempos e culturas, uma odisseia intrínseca à condição humana, desde o alvorecer mais remoto da história, contemplamos a razão de existir, procurando significado em um universo aparentemente vasto e indiferente, o chamado “propósito” é como uma estrela distante, uma luz guia que cintila no horizonte do desconhecido, convidando-nos a explorar as profundezas do nosso ser e a desvendar os mistérios da vida.

Encontrar o propósito é uma jornada repleta de desafios e questionamentos, muitos de nós nos encontramos perdidos em um labirinto de possibilidades, em busca de um fio condutor que dê sentido às nossas vidas repletas de imensos vazios, sim, estamos cheios de nos sentir vazios. Nossa psique é um oceano de emoções, pensamentos e impulsos, navegar por suas profundezas requer autoconhecimento e coragem para enfrentar nossos medos e inseguranças, e por muitas vezes o que buscamos se esconde nas camadas mais profundas da nossa alma, aguardando para ser descoberto através da introspecção, reflexão e da autoaceitação.

Poesia | João Cabral de Melo Neto - O engenheiro

 

Música | Yamandu Costa - Ilhas Concertantes (China 2024)

 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tarifas de Trump terão efeito nefasto em todo o mundo

O Globo

Não se sabe até que ponto ele levará a cabo suas ameaças, mas uma guerra comercial terá custo alto para todos

No que diz respeito às tarifas, ninguém pode acusar Donald Trump de estelionato eleitoral. Ele foi explícito na campanha à Presidência ao dizer que taxaria produtos importados de Canadá, México e China. Ao pôr a promessa em prática, explora politicamente o ressentimento de quem se sente alijado dos benefícios da integração comercial. Para os Estados Unidos e para o mundo, porém, o efeito será péssimo. Com diagnóstico contrário à ciência econômica, Trump faz pouco-caso das consequências potencialmente devastadoras. A reação ao tarifaço levanta o risco de uma guerra comercial sem precedentes em quase cem anos.

Depois da ameaça inicial, Trump congelou por um mês as tarifas impostas sobre México e Canadá. Nesse prazo, os países buscarão consenso sobre medidas de segurança na fronteira. Em discurso emocionante, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, fizera questão de lembrar o longo histórico de parceria com os americanos: “Das praias da Normandia às montanhas da Península Coreana, dos campos de Flandres às ruas de Kandahar, nós, canadenses, lutamos e morremos ao seu lado”. E lembrou que o Canadá é rico em minerais estratégicos para a economia digital. Não se sabe até que ponto Trump levará a cabo suas ameaças, mas perder o apoio canadense, implodir a área de livre-comércio na América do Norte ou deflagrar uma guerra comercial de proporções globais terá custo altíssimo para todos — a começar dos americanos.

O governo Lula é ruim, mas é difícil derrotá-lo - Paulo Celso Pereira*

O Globo

Presidente tem a máquina pública a seu favor, o maior partido do país, o segundo maior fundo eleitoral e controla o tempo

Na primeira semana de fevereiro de 2021, Jair Bolsonaro dava início à segunda metade de seu mandato emplacando os aliados Arthur Lira na presidência da Câmara e Rodrigo Pacheco na do Senado. Àquela altura, o país já havia perdido mais de 200 mil vidas para a Covid-19 e, após atrasos do Ministério da Saúde, finalmente as primeiras doses de vacina chegavam aos brasileiros.

Janeiro havia sido marcado por empresários alardeando a necessidade de o governo ficar atento ao déficit fiscal, com Bolsonaro reclamando, veja só, da dificuldade de isentar o imposto de renda quem ganhava até R$ 5 mil:

— O Brasil está quebrado. Eu não consigo fazer nada — bradou.

O governo era bem avaliado por 31% dos brasileiros, segundo o Datafolha, enquanto 40% o consideravam ruim ou péssimo — índice que passaria de 50% no segundo semestre daquele ano.

Cenário para 2026 têm Lula competitivo e direita dividida

Fernanda Alves / O Globo

Petista lidera em intenções de voto em todos os cenários testados e vence seus rivais nas simulações de segundo turno

Apesar da queda de popularidade de seu terceiro mandato, registrada na última pesquisa Genial/Quaest, novos resultados do mesmo levantamento divulgados na segunda-feira mostram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém como o nome mais competitivo entre os cotados para a disputa ao Palácio do Planalto em 2026. O petista lidera em intenções de voto em todos os cenários testados e vence seus rivais nas simulações de segundo turno, como antecipou no domingo a coluna de Lauro Jardim no GLOBO.

Em meio à fragmentação da direita, que busca um nome para substituir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, o cantor Gusttavo Lima (Sem partido) desponta com o melhor desempenho em eventual segundo turno contra Lula na comparação com outras lideranças do campo, como os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Lula mantém o favoritismo com oposição dividida – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

No segundo turno, num embate contra Tarcísio, Lula venceria pelo placar de 43% a 34%. Já contra os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, Lula teria 45% dos votos, contra 28% e 26%

Começou o segundo tempo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se considerarmos a teoria do copo pela metade — para os otimistas está quase cheio, para os pessimistas, quase vazio —, diríamos que está se esvaziando, porém Lula ainda tem direito a refil. Apesar da queda de popularidade, principalmente após o impacto da inflação, anabolizado pela controvérsia do Pix, a pesquisa da Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira, mostra que, se as eleições fossem hoje, Lula venceria todos os seus adversários na disputa de 2026.

Na semana passada, pesquisa Genial/Quaest mostrou que a reprovação de Lula ficou maior do que a aprovação, pela primeira vez, desde janeiro de 2023. Nesse novo levantamento, foram traçados quatro cenários para o primeiro turno, e, para o segundo turno, seis. Lula venceria em todos os cenários do segundo turno, porém perderia para a soma dos votos dos adversários em todos as simulações do primeiro turno. A pesquisa foi realizada entre 23 e 26 de janeiro e ouviu presencialmente 4.500 brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de apenas um ponto percentual.

Os motivos do recuo de Donald Trump - Míriam Leitão

O Globo

Trump recuou em relação ao México e ao Canadá. Falta a China. Se cumprir as ameaças, os EUA serão afetados

A suspensão por um mês das tarifas de 25% impostas por Donald Trump ao México e ao Canadá foi um momento de lucidez no comportamento belicoso e caótico do novo presidente americano. Ele fez a mesma ameaça contra a China. Esse aumento unilateral de tarifas, caso aconteça, em algum momento, afetará principalmente a economia americana. A tarifa incide sobre a exportação para os Estados Unidos, mas quem a recolhe é o importador, que repassará o custo aos preços, elevando a inflação. A queda do crescimento também será primeiramente sentida na economia dos EUA. Uma tarifa de 10% não reduzirá a competitividade da China.

Faca no pescoço - Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Relação com Legislativo pode até melhorar, mas termos de colaboração não mudarão

Lula foi eleito graças a seu capital político pregresso e à rejeição de Bolsonaro. Ideologicamente falando, seu grupo político está à esquerda da média do eleitorado. E à esquerda, também, da média do Congresso.

A democracia brasileira é multipartidária, e nenhum partido tem maioria no Congresso sozinho. Sendo assim, o presidente, seja ele quem for, precisa selar alianças com diversos partidos. Sendo grande a distância ideológica entre governo e diversos desses partidos, formar a coalizão se torna ainda mais difícil, ou mais caro.

Emendas acima de tudo – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Homenageado pela nova direção, centrão terá a primazia nos acertos do Congresso

Os primeiros sinais da sinfonia congressista emitidos pelos novos maestros da Câmara e do Senado corroboram a impressão geral de que os comandos mudaram para permanecer tudo como está.

Tanto o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) quanto o senador Davi Alcolumbre (União-AP) pontuaram de modo excessivo o protagonismo do Legislativo na cena da República.

Ambos ocuparam boa parte dos discursos com a defesa enfática do avanço do Parlamento sobre o Orçamento federal, inequívoco fator de desequilíbrio entre os Poderes.

Motta ainda fez leve referência à necessidade de transparência. Alcolumbre nem isso. Preferiu se concentrar na guarda das prerrogativas dos pares, segundo ele, "inegociáveis". Por aí já se vê o caminho que os dois tomarão na conversa que pretendem ter com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para "negociar" a liberação de emendas suspensas.

O novo presidente da Câmara chegou ao limite do sacrilégio ao citar várias vezes a figura de Ulysses Guimarães (1916-1992) para comparar o Congresso de hoje ao da Constituinte.

O biênio que ameaça implodir o conflito - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

O motor do conflito é 2026. Executivo e Congresso querem manter o poder. Para isso, o governo precisa recuperar o Orçamento do qual os parlamentares não querem abrir mão

Parlamentares mais jovens na presidência de suas Casas Legislativas desde a redemocratização, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), 35 anos, e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), 47 hoje e 41 na primeira eleição, assumirão os mandatos mais conservadores de suas Casas. Visto que o Legislativo nunca usufruiu de tanto poder, terão a missão de conservá-lo.

Como mostraram Helio Tollini e Marcos Mendes, o Congresso executa 24% de toda a despesa discricionária do Orçamento (eram 2% dez anos atrás), feito sem paralelo no país e no mundo desenvolvido. Foi este estudo que levou o ministro Flávio Dino a calcular que o desarranjo institucional decorrente da hipertrofia das emendas custou aos cofres públicos R$ 186 bilhões nos últimos cinco anos.

A votação extraordinária - Alcolumbre obteve 73% a mais que na sua primeira eleição e Motta atingiu o patamar de 86% dos votos - é uma reiteração da força da qual estão investidos. A manutenção deste poder colide com o Executivo, ao contrário do que sugere o clima de congraçamento da primeira reunião dos dois parlamentares com o presidente na manhã desta segunda.

Poder e economia - Luiz Gonzaga Belluzzo

Valor Econômico

Depois de décadas ajudando a moldar políticas em questões importantes como impostos e seguro saúde, os economistas descobrem que sua influência está em baixa

Eli Hecksher no clássico “Mercantilism “resume magistralmente a conformação das relações no mercantilismo à inglesa. Hecksher afirma que a ingerência direta do Estado nas Companhias era quase imperceptível. “Muito mais importante era outra tendência: a de transferir às companhias as prerrogativas de poder próprias do Estado”.

Na “Riqueza das Nações”, Adam Smith empenha-se em argumentar contra as teorias econômicas da Era Mercantil. Enquanto há uma dependência do “político”, não é possível pensar a economia como um sistema governado por leis naturais. Essas leis naturais decorrem da “razão” dos indivíduos, razão que os predispõem às relações contratuais mediante a livre disposição da vontade. A economia surge, portanto, com a pretensão de se constituir numa esfera privilegiada da convivência, em que a liberdade é uma imposição das leis que regem a natureza humana. Tais leis devem seguir o seu curso, desembaraçadas da interferência e do arbítrio da política.

É hora de atenção máxima à arrecadação pública - Luiz Schymura

Valor Econômico

Apesar de as despesas estarem caminhando dentro do esperado, o cumprimento das metas de déficit primário contempladas no novo arcabouço fiscal dependerá do comportamento das receitas

Em 4 de novembro do ano passado, Donald Trump saiu-se vitorioso no pleito presidencial estadunidense. Adicionalmente, o Partido Republicano passou a controlar as duas casas legislativas. O presidente recém-eleito deu declarações que indicavam que a guerra comercial em seu segundo mandato seria intensa, com imposição de tarifas altas em muitos países (incluindo o Brasil) e relativas a uma cesta ampla de produtos. Diante deste cenário, em 27/11, o governo brasileiro apresentou o pacote fiscal que daria, hipoteticamente, mais estabilidade à economia brasileira. No entanto, o pacote originalmente anunciado também trazia uma benesse bastante onerosa aos cofres públicos nacionais: a isenção do imposto de renda para aqueles que têm renda mensal de até R$ 5 mil. Embora não houvesse respaldo constitucional para aprovar tal benefício, o ambiente já estava tão turbulento que os agentes econômicos viram na proposta um vetor de mais incerteza.

Mensagem de Lula ao Congresso tenta afastar ideia de política fiscal frouxa - Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Presidente busca confrontar decepção com pacote apresentado em novembro do ano passado 

Em meio à crise das emendas de parlamentares ao orçamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou mensagem ao Congresso Nacional na qual diz que não hesitará em lançar mão de bloqueios e contingenciamentos de despesas este ano para alcançar a meta de déficit zero, resultado “crucial” para estabilizar a dívida pública na casa dos 80% do Produto Interno Bruto (PIB) por volta de 2028.

O recado está na mensagem presidencial entregue ao Congresso Nacional, na abertura do ano legislativo.

Num esforço de reconstrução da credibilidade na política fiscal, o texto lista exemplos de medidas duras adotadas para ajustar as contas públicas.

A tempestade perfeita da Europa - Rana Foroohar

Valor Econômico

O continente precisa de sua própria estratégia industrial para lidar com os desafios da China e dos EUA

As discussões sobre competitividade estão no centro do debate na Europa neste momento. A nova Bússola para a Competitividade da Comissão Europeia, resposta ao relatório Draghi, defende que a UE desenvolva sua própria infraestrutura de inteligência artificial (IA), intensifique a política industrial e termine o trabalho de integração do mercado único. Objetivos válidos, sem dúvida, mas com uma americana chegando ao aeroporto de Bruxelas na semana passada, tudo o que consegui pensar foi: “Por que a fila do controle de passaportes demora três horas?”

Isso não é apenas uma reflexão isolada de uma forasteira (pelo menos não só isso). Vivi e trabalhei na Europa por dez anos, justamente quando a moeda única foi introduzida. Foi um período de otimismo. Mas desde então a Europa tem ficado atrás dos EUA em praticamente todos os indicadores econômicos, do crescimento à renda per capita, o tamanho dos mercados de capitais e o número de empresas de tecnologia de alto valor.

A bola está com Lula - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Sucesso do governo no Congresso depende de Lula, seu pragmatismo e sua popularidade

A relação do Planalto com o Congresso está diretamente vinculada à popularidade e à capacidade do presidente Lula de sair do fundo do poço e recuperar o fôlego, principalmente na economia, na gestão e na imagem. Disso dependem a pauta do governo nas várias áreas e uma questão delicada, fundamental nas eleições de 2026: a anistia para os condenados pelo 8 de Janeiro e, de quebra, Jair Bolsonaro.

Se tudo está atrelado à economia, inclusive a popularidade de Lula, como conceber um ministro da Fazenda “fraco”, que perdeu a guerra interna para o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e é ameaçado o tempo todo pelo velho populismo e a coceira intervencionista do PT? Lula depende do governo, que depende de uma economia azeitada, que depende de equilíbrio fiscal, que depende de um ministro da Fazenda forte. Ou todos vão se estatelar.

Harmonia entre Poderes - Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

“Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido”. Hugo Motta chamou o fundamento da Constituição para uma releitura corporativista do valor da representação, que respaldaria – em nome da soberania popular, como se expressão da democracia – as distribuições autoritárias e opacas de dinheiros públicos na forma de emendas parlamentares.

Esse é o tamanho do buraco. Que continuará a ser cavado. Consagrada a perenidade. Sai Alcolumbre, entra Alcolumbre. Sai Lira, entra Lira. Ainda estamos aqui. Aclamado o orçamento secreto. Reeleito o esquema de perversão das emendas.

Votação que é produto de acordo pela defesa da “prerrogativa” de o Congresso disparar obscuramente bilhões de dinheiros públicos e garantir cabresto sobre currais Brasil adentro – acordo pela manutenção da autonomia degenerada do Legislativo, fundada no controle absolutista de fundos orçamentários.

Um verão fatídico - Ricardo Marinho

Se alguém alguma vez pensou que Donald Trump ao assumir a Presidência dos Estados Unidos da América teria um tom e conteúdo que, sem alterar o cerne da sua concepção do exercício do poder e a dureza inata do seu pensamento, ao menos mitigaria, por responsabilidade do Estado, os aspectos mais conflituosos e ameaçadores de sua política, estavam equivocados.

Trump pisou no acelerador e confirmou no dia de seu retorno ao poder o que se atribui a Charles-Maurice Talleyrand (1754-1838) referindo-se aos Bourbons quando voltaram ao trono da França, após a queda de Napoleão (1769-1821): eles não aprenderam nada, nem esqueceram nada.

Quem sabe se poderíamos acrescentar que os 4 anos passados fora do poder acentuaram seus traços belicosos e ele foi eleito de forma bem forte, um sobrevivente para tarefas fundamentais. Seus slogans não mudaram, mas suas ideias são mais populares hoje, ele é mais rico e tem uma guarda pretoriana de plutocratas na vanguarda das tecnologias, que como ele não têm convicções, valores e/ou cultura democrática e que pensam que sabem o que é conveniente ou não para os comuns. Eles são a ponta da hipermodernização instrumental e pensam que a modernidade é um puro obstáculo ao seu desenvolvimento.

Poesia | Calma, de Fernando Pessoa

 

Música | Roberta Sá - Insensatez (Tom Jobim)

 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Chuvas revelam despreparo de SP para alagamentos

O Globo

A outrora terra da garoa virou cidade das enchentes. Obras preventivas e planejamento são urgentes

Outrora chamada terra da garoa, São Paulo se transformou numa cidade de alagamentos. A qualquer chuva mais forte, surgem inundações com vítimas e perdas materiais. Entre dezembro e janeiro, os temporais mataram 17 pessoas. A cidade é repleta de encostas e ocupações irregulares à margem de rios, córregos e represas, áreas mais atingidas nas enxurradas.

O perigo não está apenas na periferia. O temporal que desabou sobre São Paulo dias atrás matou o pintor Rodolpho Tamanini Netto em sua casa na Vila Madalena, bairro nobre, quando um carro levado pela enxurrada destruiu uma porta de contenção, e a água subiu 2 metros dentro da casa. Por uma trágica ironia, uma das obras de Tamanini é “A enchente”, quadro pintado com cenas que ele presenciava da janela. Além dele, morreram uma criança de 7 anos, arrastada quando brincava na rua noutro bairro, e o motociclista Bruno Anselmo Santana, ao cair num córrego.

O que dizem os ventos do Norte – Fernando Gabeira

O Globo

É muito provável que a visão dominante entre as big techs conte com uma futura impossibilidade da vida na Terra

A coalizão das big techs com o governo Trump é um tema inesgotável. Estava precisamente pensando nelas quando estourou o caso da DeepSeek, startup chinesa que fez as empresas de tecnologia dos Estados Unidos e da Europa perderem US$ 1 trilhão em valor de mercado porque demonstrou que pode fazer mais na inteligência artificial com menos dinheiro.

A empresa chinesa tem seus pontos vulneráveis, e um deles é não responder a questões políticas proibidas pelo Partido Comunista. Mas não deixa de ser um incentivo para os que têm condições de buscar um caminho autônomo.

Quando aconteceu esse pequeno terremoto no Vale do Silício, eu refletia sobre uma frase enigmática de Elon Musk na posse de Donald Trump. Ele disse que a conquista de Marte salvaria a civilização. Já mencionei o desejo de Trump pela Groenlândia e cheguei à conclusão de que talvez ele não seja tão negacionista assim. Musk, que produz carros elétricos, conta com a colonização do espaço como alternativa ao nosso planeta.

Trump, Pavlov – Demétrio Magnoli

O Globo

Decisão de abolir os programas federais de inclusão é armadilha pavloviana dirigida aos 'progressistas'

O russo Ivan Pavlov (1849-1936), pioneiro do condicionamento clássico, tornou-se célebre por suas experiências com a mudança comportamental de cães. Donald Trump aplica os mesmos princípios de estímulo e resposta na moldagem do debate público. Sua decisão de abolir os programas federais de DEI é uma armadilha pavloviana dirigida aos “progressistas”.

Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), eufemismo cunhado nos Estados Unidos para designar a expansão universal de políticas identitárias, abrange uma coleção sempre crescente de “minorias”: negros, latinos, indígenas, mulheres, trans et alii. O amplo guarda-chuva recobre universidades, empregos públicos e privados, instituições sociais, eventos culturais e até Hollywood.

A tempestade perfeita – Preto Zezé

O Globo

As políticas comerciais que serão adotadas nos Estados Unidos em nada favorecem os mais pobres daqui

Muitos prefeitos estão se esforçando para ajustar a máquina que receberam de seus antecessores. A maioria alega caixa baixo e reclama da falta de recursos. O município é a ponta onde tudo acontece.

A onda Trump parece tomar conta do Brasil, como se tudo que ocorresse nos Estados Unidos ocorresse aqui também. Grupos extremistas ou da direita têm simpatia por ele, mesmo sendo eleitos e vivendo no Brasil.

Do ponto de vista econômico, o cerne da questão, os americanos pensam primeiro na América. As políticas comerciais que serão adotadas lá em nada favorecem os mais pobres daqui, embora pareça que tudo será uma maravilha para os políticos alinhados com Trump no Brasil.

Com uma única canetada, Trump saiu da Organização Mundial da Saúde, cortou programas, e sua próxima tacada é reduzir recursos e investimentos em organizações internacionais e programas sociais que poderiam beneficiar comunidades vulneráveis, incluindo as favelas.

O que o nacionalismo da extrema direita quer - Camila Rocha

Folha de S. Paulo

Apelo à ideologia política se fortaleceu nos últimos anos

O apelo ao nacionalismo se fortaleceu na extrema direita nos últimos anos. Em uma comparação dos discursos de posse de Donald Trump em 2017 e 2025, a pesquisadora Sofia Azevedo aponta a substituição da centralidade do uso da palavra "povo", em 2017, para a palavra "nação" em 2025.

A prática não foi diferente do discurso. Para além da taxação de parceiros comerciais dos Estados Unidos, e das deportações de imigrantes em aviões militares, mais caras do que voos de primeira classe para o mesmo destino, Trump decidiu comprar uma briga com a Constituição do país sobre quem tem direito de ser cidadão nos Estados Unidos.

Para o presidente recém-empossado, bebês nascidos em solo americano não devem mais ser considerados automaticamente cidadãos americanos. Em uma audiência que ocorreu três dias após a emissão da ordem executiva que acabaria com tal direito, o juiz federal John C. Coughenour, que bloqueou temporariamente o plano de Trump, disse que a ordem é "flagrantemente inconstitucional".